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Especial | Curiosidades sobre Kerem Bürsin que vão além das dizis

Conhecido pelos sucessos na Turquia, o ator também coleciona hobbies criativos e projetos fora da atuação

Apesar de ser amplamente conhecido pelos grandes sucessos nas dizis turcas, Kerem Bürsin construiu uma carreira que vai muito além dos romances que o público acompanha nas telas.

O ator, que completa mais um ano de vida nesta quinta (4), chama atenção também por seu estilo de vida e interesses fora da atuação. Em seu aniversário, o Entretê reune algumas curiosidades pouco conhecidas sobre Kerem Bürsin.

 

Foto: reprodução/Instagram @thebursin
Morou em vários países

 

Embora tenha nascido em Istambul, Kerem passou boa parte da infância e adolescência fora da Turquia. Ele já viveu em países como Escócia, Indonésia, Emirados Árabes Unidos, Malásia e Estados Unidos. Graças aos anos vividos no exterior, o ator fala turco, inglês e espanhol fluentemente!

 

Sua primeira paixão artística foi a música

 

Antes mesmo de pensar seriamente em atuar, Kerem encontrou na música sua principal forma de expressão artística. Nos tempos de colégio, Kerem criou uma banda chamada Androgen, na qual tocava baixo. O grupo chegou a realizar apresentações e até produziu um CD no início dos anos 2000. Além do baixo, ele também toca piano e outros instrumentos musicais.

 

Foto: reprodução/Instagram @thebursin

 

Estudou Comunicação e Marketing

 

Kerem já foi acadêmico e concluiu sua formação na Emerson College, em Boston, nos Estados Unidos, onde estudou Comunicação e Marketing.

 

Passou anos tentando construir carreira em Los Angeles

 

Depois da faculdade, o ator viveu durante anos em Los Angeles em busca de oportunidades no meio artístico. Como acontece com muitos profissionais da área, precisou enfrentar desafios e realizar trabalhos paralelos enquanto investia na carreira de ator.

 

Um dos seus primeiros papéis foi num filme bastante inusitado

 

Hoje conhecido por grandes produções turcas, Kerem atuou em Sharktopus (2010), um filme de ficção científica sobre uma criatura híbrida entre tubarão e polvo.

Foto: reprodução/Instagram @thebursin

 

Tem hobbies bastante criativos

 

Além de fotografia, Kerem também é fã de construções com LEGO e gosta de trabalhar com madeira. Entre seus passatempos está a criação de pequenas esculturas e estatuetas artesanais, que frequentemente são presenteadas a familiares e amigos.

 

Também atua nos bastidores

 

Nos últimos anos, Kerem ampliou sua atuação dentro da indústria audiovisual. Além de participar da coprodução de projetos digitais como Aşamayanlar (tradução livre: Os que Não Conseguem Superar, 2018), o ator fundou sua própria produtora, a Braveborn, investindo em novos projetos.

 

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Leia também: Kerem Bürsin e Alina Boz estrelarão novo filme juntos

 

Texto revisado por Crystal Ribeiro

 

Fontes: IMDb; Agente Viu; Instagram @thebursin; Laís Mendes

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5 vezes que a literatura brasileira sambou na estrangeira

Com seu “jeitinho brasileiro”, a literatura nacional transformou o cotidiano em arte, e criou obras que até hoje deixam muita literatura estrangeira no chinelo.

Existe um pensamento inevitável quando se mergulha na literatura brasileira: realmente sambamos na estrangeira

Não porque grandes obras internacionais não mereçam reconhecimento. Merecem. Mas existe traquejo na literatura produzida aqui que é difícil de traduzir. Uma intimidade desconfortável com a ironia, com a realidade, com a memória e até com a solidão.

Enquanto muita literatura celebrada como revolucionária apostava em narrativas grandiosas, autores brasileiros transformavam o cotidiano em arte. Machado de Assis já brincava com a estrutura do romance antes disso virar símbolo de modernidade literária. Clarice Lispector traduzia o vazio emocional em palavras viscerais. Carolina Maria de Jesus escrevia sobre a  fome para tentar alimentar sua alma.

Talvez o diferencial da literatura brasileira esteja justamente na maneira como ela entende o contraditório em uma terra onde os livros – assim como seu povo – dificilmente tentam parecer perfeitos.

Que a literatura brasileira surra a estrangeira já entendemos… Agora, quais são os momentos que entram para essa lista?

Quando Machado de Assis revolucionou o realismo literário
Créditos: reprodução/Editora Antofágica

Antes de qualquer manual de escrita criativa falar em “quebrar a quarta parede”, antes de autores europeus serem aplaudidos por “desconstruir o romance”, Machado de Assis publicou Memórias Póstumas de Brás Cubas, um livro narrado por um defunto, que revolucionou o realismo.

Brás Cubas conta a própria história depois de morto, com um distanciamento irônico que ele mesmo usa para ridicularizar sua trajetória como um homem rico, egoísta e sem grandes feitos. O narrador omite informações e se contradiz diversas vezes. Convidando o leitor para dentro da narrativa só para depois rir dele.

Quando o ordinário encontra o espetacular em Macabéa
Créditos: reprodução/Editora Rocco

A Hora da Estrela foi a última obra publicada em vida por Clarice Lispector. O livro é narrado por Rodrigo S.M., um escritor que conta a ordinária história de Macabéa – uma jovem nordestina, pobre, invisível, que não sabe direito o que sente nem o que quer. Ela se muda para São Paulo, onde acompanhamos seu pacato cotidiano, sem sonhos ou aspirações.

O que Clarice fez é quase impossível de explicar fora do português brasileiro: ela criou uma subjetividade tão específica, tão ligada à nossa forma de sentir, que qualquer tradução perde camadas. A solidão de Macabéa é feita de silêncio nordestino, em uma cidade grande que não vê ninguém, as alegrias pequeníssimas diante do nada.

A literatura mundial tem grandes obras sobre mulheres invisibilizadas. Nenhuma delas tem Macabéa.

Quando Carolina Maria de Jesus escreveu um diário
Créditos: reprodução/Editora Ática

Carolina Maria de Jesus escreveu seu diário em pedaços de papel encontrados no lixo, na favela do Canindé, em São Paulo. Não era um projeto literário. Era um instinto de sobrevivência.

Quarto de Despejo é um documento e uma obra ao mesmo tempo. No diário, Carolina  denunciou a fome com a mesma precisão que o preconceito e a hipocrisia dos políticos. Sua escrita direta e a denúncia dessa realidade cruel fez com que o livro fosse traduzido para mais de quarenta idiomas.

Carolina escreveu sua obra sem escola literária e não teve um reconhecimento à altura do que produziu em vida.

Quando Capitu não traiu Bentinho (ou será que traiu?)
Créditos: reprodução/Editora Antrofágica

Em Dom Casmurro, Bentinho – o próprio Dom Casmurro – narra a história do seu grande amor por Capitu e da suspeita de traição que destruiu o casamento. O problema: o narrador é ele mesmo. E ele claramente não é confiável.

Machado de Assis, construiu um dos maiores enigmas da literatura em língua portuguesa sem que a resposta importe mais do que a pergunta. Capitu traiu ou não? A dúvida é o ponto. O que o livro revela, na verdade, é o narrador – seus ciúmes, suas lacunas, seu desejo de que a culpa esteja sempre no outro.

Quando o Santo perdeu a cabeça
Créditos: reprodução/Companhia das Letras

Em 1984, o prefeito de uma cidade do interior do Ceará mandou construir uma estátua de Santo Antônio. A cabeça ficou pronta. Pesada demais para ser erguida até o corpo, foi esquecida no chão, entre ruas e casas, por décadas. Virou paisagem e culpada pela “maldição”, sempre que algo dava errado na cidade.

A Cabeça do Santo conta a história de Samuel, um rapaz que chega a pé ao município de Candeia para cumprir a promessa feita à mãe no leito de morte. Ele encontra abrigo na cabeça do santo – literalmente –  e começa a ouvir vozes. São mulheres rezando, pedindo pelo amor e por um milagre. Samuel escuta, e é nesse cabeça oca abandonada onde o livro une o sagrado e o profano. O que Acioli fez foi entender que o Brasil não precisa inventar o fantástico. Ele já vive aqui, entre a fé e o abandono.

Talvez a literatura brasileira seja tão poderosa porque entende uma coisa que poucos países entendem tão bem: o ser humano quase nunca faz sentido.

Com toda ironia, miséria, humor, silêncio e contradição, nossos autores transformaram com o “jeitinho brasileiro”, o cotidiano em algo grandioso. E fizeram isso sem precisar parecer perfeitos.

E você, já leu alguma dessas obras? Nos conte o que achou nas nossas redes sociais — Instagram, X e Facebook. E se você gosta de trocar experiências literárias, venha participar do Clube de Leitura do Entretê, para conversar sobre leituras incríveis!

 

Leia também: Resenha | Hamnet, de Maggie O’Farrell, é a poética dilaceradora do luto

 

Revisado por Angela Maziero Santana

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