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Miami Vice ’85, filme reboot da clássica série policial dos anos 1980

Michael B. Jordan e Austin Butler assumem os papéis que marcaram a televisão em nova versão dirigida por Joseph Kosinski

Prepare os óculos escuros e o visual retrô, porque Miami Vice está de volta! A clássica série policial dos anos 1980 ganhará uma nova versão para os cinemas com Miami Vice ’85, longa da Universal Pictures que promete revisitar o glamour, a ação e a atmosfera da Miami dos anos 1980. A produção será dirigida por Joseph Kosinski, responsável por Top Gun: Maverick e F1, e terá Michael B. Jordan (Pecadores) e Austin Butler (Duna: Parte dois) como protagonistas.

A ideia é resgatar justamente a identidade que tornou Miami Vice um fenômeno cultural: carros esportivos, moda, música, estética neon e o contraste entre o luxo de Miami e o submundo do crime.

 Diferentemente do filme de 2006, dirigido por Michael Mann e estrelado por Colin Farrell e Jamie Foxx, o novo longa retorna aos anos 1980 e busca uma conexão mais direta com a série original.

Miami Vice ’85 é adiado para 2028

Inicialmente previsto para chegar aos cinemas antes, Miami Vice ’85 teve seu lançamento adiado e agora está programado para 19 de maio de 2028. A mudança aconteceu após a Universal reorganizar seu calendário de estreias para acomodar novo longa da franquia A Múmia, que ocupou a janela anteriormente destinada ao reboot.

Grande elenco
Colagem dos atores escalados para o longa.
Foto: reprodução/Karl Ferguson Jr./Gabriel Hutchinson/Chris Pizzello/Dick Thomas Johnson/Olivia Galli

A produção também ganhou uma nova integrante recentemente: Camila Morrone (Daisy Jones & The Six) fará parte do elenco do longa. A atriz se junta a Michael B. Jordan e Austin Butler, que serão os protagonistas da história.

Jordan interpretará Ricardo “Rico” Tubbs, enquanto Butler dará vida a James “Sonny” Crockett, a dupla de detetives que precisa se infiltrar no perigoso submundo do crime de Miami. Alden Ehrenreich (A Hora do Mal) e Whitney Peak (Abracadabra 2) também estão confirmados na produção, embora os detalhes sobre seus personagens ainda não tenham sido revelados. 

Agora, os fãs terão que esperar um pouco mais para reencontrar Crockett e Tubbs nas telas. Até lá, já dá para começar a contagem regressiva para Miami Vice ’85!

E aí, o que vocês acharam das novidades de Miami Vice ’85? Conta pra gente nas redes sociais do Entretetizei (Facebook, Instagram e X) e nos siga para não perder nenhuma novidade!

 

Leia também: Só Por Uma Noite: novo romance com Mônica Barbaro e Callum Turner estreia nos cinemas 

 

Texto revisado por Gabriela Matuk 

 

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A Hipótese do Amor ganha sessão especial para fãs brasileiros com presença de Lili Reinhart e Tom Bateman

Protagonistas desembarcam no país para promover a adaptação do best-seller de Ali Hazelwood

Preparem o coração, fãs de A Hipótese do Amor! Lili Reinhart e Tom Bateman, protagonistas da adaptação do best-seller de Ali Hazelwood, estarão no Brasil para um encontro especial com o público. A dupla desembarca no país no dia 2 de setembro para participar de uma sessão exclusiva do filme em São Paulo.

A visita acontece antes da estreia oficial da produção no Prime Video, marcada para 23 de setembro, e promete ser um dos momentos mais aguardados pelos fãs brasileiros. Será a oportunidade de acompanhar a adaptação de um dos romances mais populares dos últimos anos ao lado dos próprios intérpretes de Olive Smith e Adam Carlsen.

Uma experiência especial para os fãs
Lili Reinhart e Tom Bateman e capa do livro de A Hipótese do Amor.
Foto: reprodução/Ingresso.com

Na história, Olive Smith é uma doutoranda em Biologia que decide fingir um relacionamento para ajudar a melhor amiga, mas acaba se envolvendo com Adam Carlsen, um professor conhecido pelo jeito intimidador. O que começa como um acordo entre os dois logo se transforma em algo muito maior.

Agora, a história que conquistou milhares de leitores chega às telas com Lili Reinhart e Tom Bateman nos papéis principais. A sessão em São Paulo marca uma das primeiras oportunidades para o público brasileiro conferir o longa e ainda acompanhar de perto a passagem dos protagonistas pelo país.

Como participar?

Quer viver esse momento de pertinho? Já pode colocar o alarme para tocar! Os ingressos para a sessão especial serão disponibilizados pelo Sympla nesta sexta (21), às 18h.

O evento acontece em São Paulo, no dia 2 de setembro, e contará com a presença de Lili Reinhart e Tom Bateman. Para quem quer garantir um lugar, a dica é acessar o Sympla no horário de abertura e ficar de olho nas informações divulgadas pelos canais oficiais do Prime Video.

Quem aí já está contando as horas para esse encontro? Conta pra gente nas redes sociais do Entretetizei  (Facebook, Instagram e X) e nos siga para não perder nenhuma novidade!

 

Leia também: Streaming divulga primeiras imagens e data de estreia de A Hipótese do Amor

 

Texto revisado por Kalylle Isse

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Primeiro trailer da 3ª temporada de The Pitt é divulgado

Série ganhadora do Emmy retorna em janeiro

Foi divulgado, nesta sexta (21), o primeiro trailer da terceira temporada de The Pitt. A ganhadora do Emmy de Melhor Série de Drama retorna à HBO Max em janeiro de 2027.

O trailer mostra o retorno de Dr. Robby (Noah Wyle) ao trabalho depois de três meses sabáticos, e traz mais emergências médicas que prometem chocar tanto os profissionais em plantão como os espectadores. A terceira temporada se passa no dia 12 de novembro, um dia após o Dia dos Veteranos nos Estados Unidos e algumas semanas antes do Dia de Ação de Graças.

Confira o trailer abaixo:

The Pitt acompanha a jornada caótica dos médicos do Pittsburgh Trauma Medical Hospital (PTMC) durante um único turno de emergência de 15 horas. Cada episódio corresponde a uma hora deste turno e são lançados semanalmente.

Retornam do elenco principal para a nova temporada: Patrick Ball (Dr. Langdon), Katherine LaNasa (Dana Evans), Fiona Dourif (Dr. McKay), Taylor Dearden (Dr. King), Isa Briones (Dr. Santos), Gerran Howell (Dr. Whitaker), Shabana Azeez (Javadi), Ayesha Harris (Dr. Ellis), Sepideh Moafi (Dr. Al-Hashimi) e Shawn Hatosy (Dr. Abbot).

Noah Wyle como Dr. Robby em The Pitt
Foto: reprodução/The Wrap

Criada por R. Scott Gemmill (ER: Plantão Médico), a série foi bem recebida pela crítica e conquistou três categorias na 77ª edição do Primetime Emmy Awards: Melhor Série de Drama, Melhor Ator em Série de Drama e Melhor Atriz Coadjuvante. Além destes, também ganharam Melhor Ator Convidado em Série Dramática no Creative Arts Emmy Awards de 2025.

Ansiosos para o plantão da terceira temporada de The Pitt? Conta pra gente nas redes sociais do Entretetizei  (Facebook, Instagram e X) e nos siga para não perder nenhuma novidade!

 

Leia também: Sterling Point é renovada para 2° temporada

 

Texto revisado por Gabriela Matuk

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Entrevista | Zoe X: entre o anonimato, o dark romance e a construção de um lar através da literatura

Com mais de 400 mil livros vendidos, e às vésperas de mais uma Bienal, a autora conversou com o Entretetizei sobre identidade, escrita, relação com as leitoras e a consolidação do dark romance brasileiro

Antes dos milhares de livros vendidos, das filas em bienais e das turnês pelo Brasil, a escrita ocupava um espaço muito mais íntimo na vida de Zoe X. Foi nas histórias que a autora encontrou uma forma de acolher a própria solidão e criar o lugar que sentia falta de encontrar. Anos depois, esse espaço deixou de pertencer apenas a ela.

Escrevendo desde os oito anos, Zoe começou a publicar suas histórias na internet em 2016. Um ano depois, venceu o prêmio Wattys com uma distopia e, em 2018, deu início oficialmente a sua carreira com a série Dark Hand. Desde então, construiu uma trajetória que atravessa a publicação independente e o mercado editorial tradicional, acumulando milhões de páginas lidas no Kindle Unlimited e mais de 400 mil exemplares vendidos.

O que começou como companhia para uma jovem escritora cresceu junto a uma comunidade de leitoras que encontrou em seus personagens um pouco desse mesmo sentimento de pertencimento. Hoje, enquanto títulos como Dark Hand, Bad Prince, Amor Profano e Queimando por Você ampliam seu espaço nas livrarias, Zoe preserva algo que decidiu manter longe dos olhos do público: sua identidade.

Entre a autora e a mulher por trás dos livros
Foto: divulgação/Zoe X/Entretetizei

Em um mercado no qual a imagem do escritor muitas vezes se mistura à divulgação de sua obra, Zoe seguiu pelo caminho contrário. A autora preserva sua identidade civil e aparece publicamente usando uma balaclava, estabelecendo uma divisão entre aquilo que pertence à sua vida particular e a persona que encontra as leitoras em eventos.

Com o crescimento da carreira, porém, aquilo que surgiu como uma forma de preservar sua privacidade também se tornou uma assinatura. Hoje, basta a máscara para que muitas leitoras saibam imediatamente quem está diante delas.

Entretetizei: A balaclava acabou se tornando uma imagem imediatamente associada a você. É curioso pensar que, ao tentar separar a autora da pessoa, você acabou criando uma das identidades visuais mais reconhecíveis da literatura brasileira atual. Como você enxerga esse paradoxo?

Zoe X: Vejo isso de uma maneira muito mais simples do que os outros acreditam que seja, e penso que isso aconteceu porque a máscara nunca foi um disfarce. Ela é uma forma de proteção e também o limite que estabeleci entre a minha vida pessoal e aquilo que escolhi oferecer publicamente. Quando visto a balaclava, continuo sendo eu, mas estou ali como Zoe X, completamente voltada para minhas leitoras, meus livros e minha carreira. Talvez a força dessa identidade esteja justamente nessa contradição. As pessoas não conhecem o meu rosto, mas reconhecem imediatamente a minha presença. O que começou como uma escolha pessoal se transformou de maneira muito natural em uma assinatura visual, sem que eu precisasse abrir mão da privacidade que sempre quis preservar. Para mim, é o melhor dos dois mundos.

Quando a escrita deixa de ser um lugar solitário
Foto: divulgação/Zoe X/Entretetizei

Antes de se transformar em profissão, a literatura já ocupava um espaço importante na vida de Zoe. A autora começou a escrever ainda criança e, anos mais tarde, encontrou na publicação digital uma forma de fazer aquelas histórias chegarem a outras pessoas.

Se, no início, criar personagens era uma maneira de encontrar companhia, o crescimento de sua comunidade deu um novo significado a esse processo. A escrita continua partindo de um lugar íntimo, mas agora existe a consciência de que, do outro lado da página, há alguém esperando para entrar naquele universo.

E: Você já comentou que começou a escrever porque se sentia só e queria criar um lugar onde outras pessoas também encontrassem conforto. Hoje, com milhares de leitoras encontrando esse “lar” nas suas histórias, sua relação com a escrita mudou?

ZX: Minha relação com a escrita mudou porque ela deixou de ser apenas uma necessidade pessoal e também se tornou uma profissão, uma responsabilidade e uma forma de me conectar com milhares de pessoas. Hoje, quando começo uma história, sei que existem leitoras esperando por ela e que aqueles personagens podem alcançar alguém em um momento importante da vida. Inevitavelmente, isso traz um peso e uma consciência que eu não tinha quando comecei. Ao mesmo tempo, a essência permanece a mesma. Continuo escrevendo para criar o lugar que eu mesma procurava quando me sentia só. Meus personagens ainda são uma companhia para mim antes de se tornarem companhia para qualquer outra pessoa, e acredito que é justamente essa verdade que permite que as leitoras encontrem um lar nas minhas histórias. Talvez, hoje, a maior mudança seja que esse lugar não pertence mais apenas a mim. A escrita começou como uma forma de acolher a minha própria solidão e acabou se transformando em um espaço coletivo, onde mulheres com vivências muito diferentes conseguem se reconhecer, se conectar e perceber que também não estão sozinhas.

Do independente às livrarias
Foto: divulgação/Zoe X/Entretetizei

A proximidade com as leitoras acompanha Zoe desde os primeiros anos da carreira. Foi no ambiente digital e na publicação independente que ela construiu uma comunidade capaz de transitar entre e-books, edições físicas, redes sociais e encontros presenciais.

A chegada ao mercado tradicional, no entanto, não significou substituir uma trajetória pela outra. Ao ocupar também as prateleiras das livrarias, Zoe passou a conversar com um público diferente daquele que já acompanhava cada lançamento pela internet.

E: Suas leitoras acompanham seu trabalho de forma muito próxima e você conseguiu levar essa comunidade da publicação digital e independente para o mercado editorial tradicional. O que você teve medo de perder nessa transição, o que acabou ganhando e até que ponto a reação desse público influencia suas próximas histórias sem interferir na sua liberdade criativa?

ZX: Costumo brincar que hoje vivo como a Hannah Montana, aproveitando o melhor dos dois mundos. Minha entrada no mercado tradicional não significou abandonar o independente, inclusive, não tenho essa pretensão. O que aconteceu foi uma expansão. Passei a ocupar as livrarias e alcançar pessoas que talvez nunca encontrassem meus livros na Amazon, sem perder o espaço em que construí minha trajetória e formei uma comunidade tão próxima. Confesso que no início, meu maior medo era perder justamente essa proximidade com as leitoras e parte da liberdade que sempre tive para decidir como, quando e o que publicar.

No independente, acompanho todas as etapas, conheço profundamente o meu público e tenho uma relação muito direta com ele. No tradicional, ganhei alcance, distribuição e a possibilidade de chegar a uma leitora diferente, que compra meus livros na livraria, mas que nem sempre me acompanha nas redes sociais ou procura minhas outras obras porque não tem o hábito de ler e-books. A leitora do independente costuma transitar por todos esses espaços. Ela lê o digital, compra o físico e acompanha cada passo da minha carreira nas redes. Já a leitora da livraria pode conhecer apenas aquele título que encontrou na estante e nunca me procurar além dele para criar uma conexão. São públicos com comportamentos diferentes, e aprender a conversar com os dois sem descaracterizar meu trabalho tem sido uma parte muito única dessa transição.

Sobre minha liberdade criativa, é óbvio que a reação das leitoras influencia a maneira como compreendo e apresento cada obra, mas não determina o que vou escrever. Eu observo o que desperta identificação, quais elementos funcionam comercialmente e como posso fazer uma história encontrar seu público. Ainda assim, não escrevo livros sem alma, nem escolho personagens apenas para corresponder a uma expectativa. A leitora continua sendo o centro da minha carreira, mas minha forma de criar é o que permite que eu entregue a ela uma história na qual realmente acredito.

Muito além do grotesco
Foto: divulgação/Zoe X/Entretetizei

Com a expansão do dark romance no mercado editorial brasileiro, cresceram também as discussões em torno dos limites do gênero. Conhecida por construir personagens imperfeitos e explorar situações moralmente complexas, Zoe rejeita a ideia de que histórias sombrias existam simplesmente para transformar violência ou comportamentos problemáticos em algo desejável.

Para a autora, o que sustenta essas narrativas não é apenas aquilo que pode provocar ou incomodar, mas o contexto em que esses elementos aparecem e as questões que colocam diante do leitor.

E: Você costuma dizer que “dark romance não é uma ode ao grotesco”. O que você acha que as pessoas que criticam o gênero sem o terem lido ainda não compreenderam sobre essas histórias? E, dentro do gênero, existe alguma linha que nem mesmo você atravessaria nesse tipo de narrativa?

ZX: Acho que muitas pessoas ainda não compreenderam que o dark romance não é apenas um romance hot com situações mais pesadas. As cenas gráficas, sozinhas, não definem o gênero. O que importa é quem são aquelas personagens, como elas se comportam dentro de determinadas circunstâncias e quais questões morais a história coloca diante do leitor. São narrativas construídas para explorar limites, contradições e desconfortos, não para transformar tudo o que representam em exemplo ou aprovação.

Também existe uma dificuldade em separar representação de identificação. Quando escrevo sobre uma personagem, não estou escrevendo sobre a minha leitora, nem afirmando que ela tomaria as mesmas decisões. Estou contando a história de outra pessoa, inserida em outra realidade, com uma trajetória e uma moralidade próprias. A literatura não tem a obrigação moral de ensinar ou oferecer personagens exemplares, mas quem escreve tem a responsabilidade de estudar os temas que escolhe abordar, respeitar a classificação etária da obra e avisar com clareza o que a leitora encontrará, inclusive por meio dos alertas de gatilho.

Hoje, não consigo estabelecer uma linha temática que jamais atravessaria. Posso dizer que não escreveria algo e, amanhã, surgir uma história que me exija justamente aquilo. Dependendo do contexto, do propósito e da maneira como o tema se apresenta dentro da narrativa, talvez eu decida explorá-lo. Para mim, o limite não está necessariamente no assunto, mas na forma como ele é construído. O grotesco inserido apenas para chocar não sustenta uma história. É preciso que exista intenção, coerência e humanidade, mesmo quando escrevo sobre personagens moralmente condenáveis.

Quando os números ganham rostos
Foto: divulgação/Zoe X/Entretetizei

Milhões de páginas lidas podem mostrar o alcance de uma obra, assim como rankings e números de vendas ajudam a dimensionar uma carreira. Mas foi diante das leitoras que Zoe percebeu concretamente que as histórias publicadas na internet haviam ultrapassado as fronteiras que imaginava.

Desde 2019, a autora participa de bienais e outros grandes eventos literários. Com o passar dos anos, filas, sessões de autógrafos e turnês passaram a fazer parte de uma carreira que havia começado atrás de uma tela.

E: Filas quilométricas, turnês e centenas de milhares de livros vendidos transformaram algo que começou de maneira muito íntima em um fenômeno público. Qual foi o momento em que você pensou: “isso ficou muito maior do que eu imaginava”?

ZX: Tenho os pés muito firmes no chão quando penso na minha carreira. Mesmo diante dos números, das filas e de tudo o que já conquistei, minha cabeça não fica nas nuvens. Mas houve um momento em que precisei reconhecer que aquilo tinha alcançado uma dimensão muito maior do que eu imaginava.

Foi na minha primeira Bienal depois da pandemia. Eu não tinha nenhuma sessão programada naquele dia, mas a quantidade de leitoras que apareceu formou uma fila tão grande que foi preciso organizar um atendimento de última hora. Comecei a receber as leitoras assim que cheguei e continuei até a Bienal fechar. Naquele dia, entendi de forma muito concreta que havia construído um público extremamente fiel e uma relação que tinha resistido ao tempo e à distância.

Ainda assim, acredito que cada ano é um ano e que cada livro representa um novo desafio. Hoje posso estar em evidência e, amanhã, lançar uma história com a qual o público talvez não se identifique. Reconheço a força das minhas leitoras e tudo o que construímos juntas, mas também tenho humildade para entender que esse sentimento de ter me tornado maior do que imaginava pode ser momentâneo. Nada está garantido. Por isso, continuo fazendo a minha parte, respeitando quem me acompanha e tratando cada nova história como se ainda tivesse tudo a conquistar.

Histórias que também transformam quem escreve
Foto: divulgação/Zoe X/Entretetizei

Entre tantos universos e personagens, escolher uma única obra não é necessariamente uma resposta definitiva. Neste momento, porém, Zoe encontra um significado particular em Queimando por Você. O primeiro volume de Malditos Também Amam nasceu, na verdade, anos antes da edição que chegou às livrarias.

A oportunidade de retornar à história permitiu que a autora encontrasse novamente personagens concebidos em outra fase da vida e reconstruísse o livro a partir da escritora que se tornou.

E: Entre todas as suas obras, existe uma preferida ou alguma que você gostaria de revisitar e talvez mudar alguma coisa? Há algum personagem dessas histórias que tenha desafiado especialmente suas próprias convicções enquanto você o escrevia?

ZX: Neste momento, meu livro favorito é Queimando por Você, mas isso pode mudar no futuro. Cada história ocupa um lugar diferente em mim, dependendo da fase que estou vivendo e da autora que sou quando a escrevo. Ainda assim, esse livro tem um significado especial porque representa uma história que tive a oportunidade de revisitar e reconstruir completamente.

Queimando por Você surgiu em 2019. Eu escrevi uma primeira versão naquela época, mas não estava no meu melhor momento mental e sentia que não havia conseguido entregar tudo o que aquela história poderia ser. Quando a Faro me convidou para desenvolver uma série depois do sucesso de Amor Profano, enxerguei a oportunidade perfeita para começar novamente e explorar tudo o que não tive capacidade de desenvolver naquele primeiro momento.

O livro se tornou o primeiro dark romance nacional inédito lançado pelo mercado editorial tradicional e abriu a série Malditos Também Amam. Por meio dele, pude apresentar o que acredito que o dark romance pode ser para além da visão superficial de quem reduz o gênero a um texto absurdo ou a um romance hot mais pesado.

Quanto aos desafios morais, encontro vários durante a escrita, inclusive em alguns dos meus romances considerados mais tranquilos. Existem personagens meus com os quais, na vida real, eu provavelmente não trocaria nem um “oi”. Ainda assim, a forma como minha arte nasce não me permite fugir deles. Meu papel não é concordar com suas escolhas, mas compreender quem são, o que os formou e até onde sua própria moralidade pode levá-los. Muitas vezes, escrever significa permanecer diante de uma personagem que desafia minhas convicções e contar sua história sem tentar transformá-la em alguém que ela não é.

Essa proximidade não termina na construção moral. Para Zoe, os personagens ocupam um espaço tão presente durante o processo criativo que aprender a entregá-los às leitoras também fez parte de seu amadurecimento como escritora.

E: Já aconteceu de você se conectar tanto a um personagem que, de alguma forma, sentiu que ele fosse real para você? O que acontece emocionalmente quando chega a hora de terminar a história e se despedir dele?

ZX: Meus personagens são reais para mim. E confesso que sou chata, porque só escrevo aqueles que são muito insistentes, que tiram meu sono e me fazem passar dias e noites obcecada pela necessidade de contar suas histórias.

Enquanto escrevo, existe algo que pertence apenas a mim e a eles. Eu me emociono, me compadeço, sinto raiva e, às vezes, choro. Não observo essas personagens de longe. Durante aquele período, convivo com elas, tento compreendê-las e experimento cada parte da história ao lado delas. Quando coloco o ponto final, é como se meu HD fosse limpo para receber a próxima carga. Também preciso desse afastamento para organizar o que vivi internamente durante a escrita e me preparar para a fase seguinte, que é dividir aquelas personagens com o mundo.

Inclusive, isso já foi um problema para mim. Como eles eram muito reais e a relação durante a escrita era tão íntima, demorei a desenvolver maturidade para não sentir ciúmes quando outras pessoas passaram a ter acesso a elas. Precisei entender que, depois de publicado, o personagem deixa de ser somente meu. Cada leitora cria sua própria relação com ele, enxerga coisas que talvez nem eu tenha percebido e passa a carregá-lo de uma maneira diferente. Hoje, consigo compreender que essa também é uma forma de mantê-lo vivo.

Zoe X para além do dark romance
Foto: divulgação/Zoe X/Entretetizei

Embora o dark romance tenha se tornado uma das principais associações ao nome de Zoe X, sua trajetória não começou nele. A autora venceu o Wattys com uma distopia e, ao longo da carreira, transitou por diferentes possibilidades dentro da ficção.

E quem espera que os próximos anos sejam dedicados exclusivamente ao gênero pelo qual ficou conhecida pode encontrar algumas surpresas.

E: De Dark Hand e Bad Prince a obras como A Maldição do Amor, você já explorou diferentes caminhos dentro do romance. Existe algum gênero, tema ou tipo de protagonista que suas leitoras jamais imaginariam ver em um livro da Zoe X, mas que você gostaria de escrever?

ZX: Com toda a certeza. Tenho dramas e suspenses escondidos na cabeça, um dark academia recém-iniciada nos meus arquivos e até um romance de época um pouco fora do padrão esperando para ser escrito. Comecei minha trajetória com uma distopia, em um gênero bem distante daquele pelo qual fiquei mais conhecida, mas nunca gostei de ser colocada dentro de uma caixinha.

Sei que posso misturar gêneros, temas e estruturas e, se uma história surgir e me der vontade de escrevê-la, é exatamente isso que vou fazer. No momento, tenho experimentado unir distopia e romance em um projeto que ainda está no começo. Minhas leitoras sabem que não quero e não vou me prender a apenas um tipo de história ou a fórmulas prontas. Para mim, essa é uma das partes mais interessantes da escrita. Gosto da liberdade de transitar por diferentes gêneros sem deixar de imprimir minha assinatura em cada história que decido contar.

Um capítulo do dark romance brasileiro
Foto: divulgação/Zoe X/Entretetizei

A ascensão de Zoe acontece em paralelo a uma mudança maior no mercado literário nacional. Histórias que encontraram público primeiro nas plataformas digitais e na autopublicação passaram a ocupar livrarias, editoras e alguns dos maiores eventos literários do país.

Para a autora, sua própria trajetória faz parte de um caminho aberto anteriormente por outras escritoras e ampliado por uma geração que mostrou existir mercado para romances escritos por mulheres e direcionados principalmente a elas.

E: Daqui a muitos anos, quando alguém olhar para o fenômeno do dark romance brasileiro desta geração, o que você gostaria que estivesse escrito sobre a contribuição de Zoe X para essa história?

ZX: Espero que reconheçam que fiz parte da consolidação do dark romance brasileiro. As autoras de romance hot que vieram antes de mim começaram a escavar um caminho em um mercado que ainda resistia a enxergar a força das histórias escritas por mulheres para mulheres. Minha contribuição veio ao ajudar a dar ao dark romance uma identidade mais definida dentro desse espaço.

Quando comecei, o gênero ainda não possuía no Brasil a linguagem comercial que tem hoje. Ao longo da minha carreira, participei da construção da forma como esses livros são apresentados, posicionados e comunicados para que encontrem o público certo. Fiz isso no independente e, agora, também no mercado tradicional, levando comigo as leitoras que ajudaram a transformar um nicho desacreditado em um fenômeno.

Se meu nome aparecer nessa história, quero que seja como o de uma autora que não apenas vendeu muitos livros, mas ajudou a abrir espaço para que o dark romance brasileiro fosse reconhecido como gênero, como literatura e como mercado.

O lar que deixou de pertencer apenas a si
Foto: divulgação/Zoe X/Entretetizei

Se hoje existem números capazes de dimensionar parte da trajetória de Zoe X, eles não existiam quando a autora começou a colocar suas histórias no mundo. Não havia como antecipar livrarias, turnês ou leitoras esperando por horas para encontrá-la.

Talvez seja justamente por isso que, diante da possibilidade imaginária de voltar ao começo, Zoe prefira não revelar àquela jovem escritora onde suas histórias a levariam.

E: Por fim, se você pudesse conversar hoje com a Zoe que começou a publicar suas histórias na internet, antes dos milhares de leitores, das bienais e das turnês, o que diria a ela, e o que escolheria não contar para que ela pudesse descobrir sozinha?

ZX: Eu diria a ela para continuar, mesmo sem entender exatamente onde aquilo poderia levá-la. Diria para confiar mais na própria voz, aprender mais cedo que o livro também é um produto e não esperar que alguém lhe dê permissão para se considerar escritora. Também pediria que protegesse o propósito que a fez começar, porque seria muito fácil perdê-lo em meio aos números, às cobranças e às expectativas.

Não contaria sobre os milhares de livros vendidos, as filas nas bienais, as turnês ou a chegada ao mercado tradicional. Acho que, se ela soubesse de tudo isso, talvez começasse a escrever tentando alcançar o futuro que eu descrevi, quando o mais importante foi justamente ter construído essa trajetória sem garantias. Ela precisava continuar escrevendo porque aquelas histórias eram necessárias para ela, não porque sabia que seriam um sucesso.

Também não contaria o quanto algumas partes do caminho seriam difíceis. Não para poupá-la, mas porque cada descoberta, cada erro e cada pessoa que encontrou contribuíram para formar a autora e a mulher que sou hoje. Eu apenas diria que a solidão que a fez abrir aquela primeira página não duraria para sempre. Um dia, muitas outras mulheres encontrariam ali o mesmo lugar que ela estava tentando criar para si.

Das páginas para um lar compartilhado

No fim, talvez a dimensão da trajetória de Zoe X não esteja apenas nos livros vendidos, nas páginas lidas ou nas filas que atravessam os corredores das bienais. Está também no caminho entre uma escritora que abriu uma página para lidar com a própria solidão e as leitoras que, anos depois, encontraram companhia exatamente naquele mesmo lugar.

A máscara continua estabelecendo o limite entre a vida particular e a autora que Zoe escolheu compartilhar com o público. Mas, por trás das histórias, existe algo que já não pode ser mantido apenas para si: o universo que um dia serviu de lar para uma pessoa agora tem espaço para muitas outras.

E você, já conhecia a trajetória de Zoe X? Qual livro da autora conquistou um espaço especial na sua estante? Compartilhe com a gente através das nossas redes sociais – Instagram, Facebook e X – e, se você gosta de trocar experiências literárias, junte-se ao Clube do Livro do Entretê!

 

Leia também: Especial | Dark romance: por que a ficção consumida por mulheres incomoda?

 

Texto revisado por Crystal Ribeiro

 

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Cinema

Cinema nacional: Bruna Linzmeyer vive coach do mal em Virtuosas, thriller brasileiro

Produção nacional combina terror e humor ácido em uma história que explora os perigos da manipulação.

Tem novidade no cinema nacional! Na última quarta (19), a produtora Olhar Filmes divulgou o trailer de Virtuosas, novo filme de terror estrelado pela atriz Bruna Linzmeyer.

O longa, dirigido pela cineasta Cíntia Domit Bittar, conta a história de um grupo de mulheres cristãs que decide participar de um retiro espiritual que promete ajudá-las a alcançar a submissão feminina.

O espaço, comandado pela coach Virgínia Heinzel (Bruna Linzmeyer), impõe uma série de regras rígidas baseadas na fé, onde falhar não é permitido. Apesar de o início parecer um verdadeiro paraíso, as atitudes suspeitas da mentora transformam a jornada em busca da perfeição em uma experiência perigosa e assustadora.

Com estreia prevista para 24 de setembro nos cinemas, o filme conta com um elenco de peso, incluindo a atriz Maria Galant, no papel de Germina, além de Juliana Lourenção, Sarah Motta, Brisa Marques, Nenê Borges, Fernando Bispo e Gabriel Godoy.

Cinema nacional Bruna Linzmeyer vive coach do mal em Virtuosas, thriller brasileiro
Foto: reprodução/Cristiano Siqueira

O longa é a mais nova aposta do cinema brasileiro e promete levar o público a transitar entre os gêneros do terror, suspense e humor ácido, em uma combinação que promete surpreender os espectadores.

Vale lembrar que, antes de chegar ao Brasil, o filme foi apresentado no Goes to Cannes, programa do Marché du Film realizado durante o Festival de Cannes no ano passado. A produção foi bem recebida pelos críticos e chegou a conquistar o prêmio Goes to Cannes Award, oferecido pela produtora espanhola Sideral Cinema.

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Revisado por Marina Barrelli de Carvalho

 
 

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Notícias Séries

Sterling Point é renovada para 2ª temporada

Renovação do sucesso foi anunciada nesta quinta (20)

 

Sterling Point foi oficialmente renovada para sua segunda temporada. A notícia vem apenas duas semanas depois de sua estreia na Prime Video, que contou com oito episódios e alcançou, em poucos dias, o primeiro lugar entre as séries mais assistidas da plataforma.

A história segue Annie Jacobson (Ella Rubin), jovem criada em Nova York com seu irmão gêmeo Connor (Keen Ruffalo), que após herdar uma ilha no Canadá de seu avô misterioso, descobre ter uma irmã que nunca conheceu. Durante o seu tempo na ilha, Annie faz novas amizades, paixões e começa a desvendar mais segredos da família.

Ella Rubin em Sterling Point
Foto: reprodução/IMDB

O elenco também conta com Amélie Hoeferle (Ramona), Jacob Whiteduck-Lavoie (Ellis), Daniel Quinn (Rory), Bo Bragason (Oona), Mabel Strachan (Maple), Nikko Angelo Hinayo (Sully), Missi Pyle (Denise), Jeffrey Dean Morgan (Joe), Jay Duplass (Steven) e Elle-Máijá Tailfeathers (Kate).

Megan Park atua como criadora e diretora, e também serve como produtora executiva ao lado de Josh Schwartz (The O.C), e Stephanie Savage (Gossip Girl).

Annie e Ramona em Sterling Point
Foto: reprodução/OxentePipoca

O novo drama adolescente recebeu uma aprovação de 90% no Rotten Tomatoes e foi elogiado por internautas por seus diálogos realistas que condizem com o modo que adolescentes conversam entre si na vida real.

“Tem sido uma alegria imensa ver o reconhecimento e o carinho do público pela série”, disse Megan Park ao Deadline. “Trabalhamos muito para tornar a série o mais autêntica possível, e ver a reação do público a isso tem sido emocionante. Mal podemos esperar para explorar ainda mais esses personagens e entregar a melhor segunda temporada de todas.”

Sterling Point se destaca como uma produção original em meio ao incentivo da Prime Video de investir em adaptações de livros de romance, como O Verão que Mudou Minha Vida, Off Campus, e Depois Daquele Ano.

Confira o trailer oficial:

O que aconteceu no último episódio de Sterling Point?

Spoilers à frente! No final do último episódio da primeira temporada, Ramona vai para Nova York para passar tempo com Steven, que descobre ser seu pai biológico, enquanto Annie decide ficar em Sterling Point.

A troca de lugar entre as irmãs abre várias possibilidades para o enredo da próxima temporada. Como cada uma vai se adaptar a seus novos ambientes, depois de tudo que passaram? Haverá reconciliação entre Ramona e Oona? Annie e Ellis continuaram juntos? O futuro de Sterling Point agora fica nas mãos dos roteiristas da segunda temporada.

O que você espera ver na segunda temporada de Sterling Point? Conta pra gente nas redes sociais do Entretetizei  (Facebook, Instagram e X) e nos siga para não perder nenhuma novidade!

 

Leia também: Sterling Point, nova série dos produtores de Gossip Girl e The O.C, se destaca após estreia

 

Texto revisado por Gabriela Matuk

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Música Notícias

10 anos de Blonde: por onde anda Frank Ocean?

Uma década após o lançamento de seu último álbum, fãs do cantor seguem à espera de um novo disco

Há uma década, em 20 de agosto de 2016, Frank Ocean lançava Blonde, que se tornou um dos trabalhos mais marcantes de sua trajetória na música e o último álbum de estúdio completo do artista. Dez anos após a estreia do disco, uma pergunta ainda paira entre os fãs: por onde anda Frank Ocean?

Desde o sucesso do álbum, o cantor não lançou outro projeto. Surgiram singles, participações pontuais e aparições esporádicas, mas nenhum novo disco. Mesmo com a expectativa do público por um novo trabalho do astro, considerado um dos artistas mais misteriosos e relevantes de sua geração, ele optou por permanecer distante dos holofotes, da indústria e do público.

Agora, enquanto Blonde completa uma década, a espera por um novo álbum também chega aos dez anos.

O disco que recusou as fórmulas do R&B 

Quando Blonde foi lançado, em 2016, a expectativa era enorme. Sucessor do aclamado Channel Orange (2012), o disco poderia seguir o caminho previsível. Ocean, porém, escolheu fazer um trabalho totalmente fora da caixa e que se distanciava de seu último projeto.

Com uma produção minimalista e letras fragmentadas, Blonde aposta mais na atmosfera musical do que em grandes refrões. Na época de seu lançamento, o The Guardian classificou o trabalho como um disco de beleza enigmática, profundidade e forte carga emocional, enfatizando a maneira como o cantor se desprendeu das expectativas do público para criar uma obra totalmente inovadora a partir de sua visão artística.

Foto: divulgação/Spotify

As 17 faixas destrincham memórias, relacionamentos, desejo, identidade e amadurecimento. Não são letras com histórias minimamente explicadas, já que o artista faz um mix de fragmentos, que remetem a lembranças que aparecem sem começo ou fim definidos.

É o que acontece em músicas como Ivy, marcada pela nostalgia de um amor do passado, Self Control, sobre desejo e despedida, e White Ferrari, que transforma uma lembrança em uma reflexão sobre tempo e mudança.

A passagem do tempo dentro e fora de Blonde 

Foto: reprodução/instagram/@ballytypebeat

Ironicamente e conversando com a atual ausência do artista, a passagem do tempo é um dos temas principais de Blonde. Em Nights, por exemplo, a estrutura musical é dividida em duas partes, com uma ruptura que acompanha a transformação vivida pelo narrador.

A faixa está entre as quatro músicas do álbum que já ultrapassaram a marca de 1 bilhão de reproduções no Spotify, ao lado de Pink + White, Ivy e White Ferrari. A performance das músicas mostra que, mesmo sem um novo álbum, a obra de Frank Ocean segue atemporal, sendo redescoberta e ouvida por novas gerações.

Essa permanência talvez seja o legado de Blonde. O disco não dependeu de grandes produções ou fórmulas para se manter relevante. Sua força está justamente na intimidade e na liberdade criativa que Frank Ocean encontrou ao fazê-lo.

E por onde anda Frank Ocean?

Foto: reprodução/instagram/@frankocean.archive

Depois de Blonde, a carreira do cantor passou a ser marcada pela ausência. Frank lançou singles como Provider, In My Room, DHL e Dear April, além de fazer aparições pontuais, mas nenhum deles resultou em um novo álbum de estúdio.

A expectativa por um sucessor ganhou ainda mais força ao longo dos anos. Ainda assim, Frank Ocean continua distante da lógica de lançamentos massivos que domina a indústria musical.

Dez anos depois, Blonde permanece como seu último álbum completo e talvez a melhor representação de sua maneira de fazer música: sem pressa e abandonando expectativas.

Ouça o álbum completo aqui:

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Leia também: Jungle lança oficialmente Sunshine, 5º álbum de estúdio 

 

Texto revisado por Marina Barrelli de Carvalho

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Outer Banks ganhará série prelúdio

O spin-off se passará  20 anos antes da série original

Foto: divulgação/Netflix

Já está com saudade de Outer Banks? Não precisa ficar! A Netflix anunciou que a série vai ganhar um prelúdio, atualmente intitulado Kildare, que contará a história da ilha.

A nova obra será habituada 20 anos antes dos eventos de Outer Banks e focará em como aconteceu a divisão entre os Kooks, os ricos da cidade, e os Pogues, os trabalhadores.

É possível especular que quem ficará no centro dos acontecimentos serão os pais dos personagens principais da obra original. São importantes componentes da cidade Outer Banks e provavelmente protagonizaram a rachadura social entre os Pogues e os Kooks.

Entretanto, o roteiro ainda está sendo escrito. Quem está à frente do seu desenvolvimento são os mesmos produtores da saga original,  Josh Pate, Jonas Pate e  Shannon Burke.

O spin-off foi divulgado no dia anterior ao lançamento da quinta e última temporada, que finalizou uma história  que durou longos seis anos.

Relembre a série

Foto: divulgação/Netflix

A primeira temporada do seriado conta a história de quatro amigos Pogues, e uma ex-Kook, que moram em uma ilha paradisíaca e passam por várias aventuras ao procurar um tesouro ligado ao desaparecimento do pai do personagem principal, John B. No meio dessa confusão, os jovens lidam com as dificuldades sociais, reforçam suas amizades, confrontam suas famílias e vivem romances inesquecíveis.

As sequências são resultados dos desdobramentos das temporadas anteriores e sempre têm o mesmo apelo: jovens indo embusca de tesouros e os contratempos  que enfrentam .

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Leia também: Chegou a hora da despedida: a 5ª e última temporada de Outer Banks chega amanhã

 

Texto revisado por Gabriela Matuk

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A Todo Vapor: quais são as semelhanças entre as atuais superpotências globais?

O pesquisador Dan Wang analisa o crescimento vertiginoso da China e sua relação com os Estados Unidos

As atuais grandes potências econômicas e tecnológicas do mundo são os Estados Unidos e a China. Mas as coisas nem sempre foram assim. A China cresceu vertiginosamente nas últimas décadas e assumiu uma posição de destaque no cenário global, estando agora em uma competição acirrada com os EUA.

Nesse contexto, o pesquisador Dan Wang analisa a conturbada relação entre os dois países, marcada pela disputa geopolítica e pela crescente polarização. O livro A Todo Vapor, da Intrínseca, chega às livrarias em agosto, reunindo análises políticas, econômicas e filosóficas a partir da vivência do autor no país asiático. A obra apresenta uma perspectiva ousada sobre os sucessos e as fragilidades da China, estabelecendo conexões com questões internas dos EUA e com seu status no sistema internacional.

A consolidação da China como superpotência global ocorreu de modo caótico e impressionante. As pontes gigantescas, as ferrovias reluzentes e as fábricas descomunais, que melhoraram as condições de vida no país em tempo recorde, vieram acompanhadas de repressão política. Não se trata de um paradoxo, mas de consequências da forma como o país é governado, priorizando a engenharia. Em contrapartida, ao se opor ao Estado da engenharia, o país norte-americano estagnou e se tornou uma sociedade legalista, que recusa, por instinto, qualquer mudança.

A Todo Vapor é a história do Estado chinês que catapultou seu povo para a modernidade — uma ação invejada, com razão, por grande parte do mundo —, embora para isso tenha passado por cima de muitos outros — uma abordagem desprezada, com razão, por grande parte do mundo. É também um lembrete de que os Estados Unidos já conheceram as virtudes de velocidade e construção ambiciosa. Cruzando metrópoles estonteantes e fábricas gigantescas, este livro vai desvendar o progresso surpreendente e o lado obscuro do país da engenharia. A sociedade legalista também tem virtudes a ensinar à China. Cada uma dessas superpotências proporciona uma visão de como a outra pode ser melhor, desde que governantes e povos se deem ao trabalho de adotar um olhar menos superficial”, explica o autor.

Wang é capaz de retratar as complexidades das duas nações por meio de análises perspicazes, preservando, ao mesmo tempo, um senso de otimismo. Passando por metrópoles como Xangai, Chongqing e Shenzhen, o autor expõe as falhas da engenharia social, como a vigilância excessiva de minorias étnicas, a repressão ideológica e os traumas provocados pelas políticas do filho único e da Covid Zero, além de traçar paralelos com os Estados Unidos. Ambos são apresentados como países que podem aprender um com o outro e contribuir para remodelar a política internacional, partindo de suas espantosas semelhanças.

“A melhor proteção que conheço contra o aumento de tensões entre duas superpotências é a curiosidade mútua. Quanto mais os estadunidenses se informarem a respeito dos chineses, e vice-versa, mais provável se torna que fiquem longe de problemas. O contraste mais marcante entre os dois países é a concorrência que vai definir o século XXI: de um lado, uma elite estadunidense composta sobretudo de advogados, especialistas em obstrução; de outro, uma classe tecnocrática chinesa, composta principalmente de engenheiros, especialistas em construção. Essa é a grande ideia por trás deste livro. Já está na hora de usar uma nova perspectiva para entender as duas superpotências”, conclui Dan Wang.

Sobre o autor

Foto: reprodução/Silvia Lindtner

Dan Wang é pesquisador no Hoover History Lab, da Universidade Stanford. Ele integrou o Paul Tsai China Center, da Faculdade de Direito de Yale, e foi analista de tecnologia na Gavekal Dragonomics. Wang é autor de um relatório anual sobre a China e já publicou ensaios em veículos como The New York Times, Foreign Affairs, Financial Times, New York Magazine e The Atlantic.

 

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Leia também: Lançamentos literários de agosto: romances, mistérios e não ficção marcam as novidades do mês 

 

Revisado por Ludimila Rodrigues

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Cultura turca Notícias

Sol da Minha Vida, adaptação de Bir Küçük Gün Işığı, estreia em setembro

Novela turca acompanha uma mulher que precisa recomeçar após descobrir que sua vida foi construída sob  mentiras 

Sol da Minha Vida, adaptação de Bir Küçük Gün Işığı (tradução livre: Um Pequeno Raio de Sol), tem estreia prevista para 14 de setembro na Netflix

A novela acompanha Elif, uma mulher que acredita ter uma vida perfeita até descobrir que o relacionamento e parte da realidade que construiu ao longo dos anos escondiam segredos. A revelação muda completamente seus planos e faz com que ela precise deixar para trás tudo o que conhecia.

A partir dessa descoberta, Elif começa uma jornada de recomeço. Enquanto tenta entender as consequências das mentiras que vieram à tona, ela precisa lidar com sentimentos, relações e situações que não estavam em seus planos. A protagonista passa a buscar uma nova maneira de seguir em frente, reconstruindo sua vida aos poucos e entendendo  que algumas mudanças podem abrir espaço para novas possibilidades.

Foto: reprodução/aTV

Güneş ganha papel importante na história

Um dos elementos centrais da trama é a presença de Güneş, interpretada por Azra Aksu. A menina passa a ter uma relação importante com Elif e contribui para transformar os rumos da protagonista. A dinâmica entre as duas é um dos aspectos que ajudam a desenvolver a história de recomeço e descoberta vivida pela personagem principal.

Foto: reprodução/Dizilah

Uma história sobre recomeços

A história parte justamente da ideia de que, quando tudo aquilo que parecia seguro deixa de existir, é possível encontrar um novo caminho.  A  produção combina drama familiar, relações afetivas e segredos do passado enquanto acompanha a transformação da protagonista.

Sol da Minha Vida chega à Netflix em 14 de setembro, apresentando uma nova oportunidade para quem ainda não conhece a trajetória de Elif e Güneş.

Foto: reprodução/aTV

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Revisado por Gabriela Matuk

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