Dezoito anos depois de seu lançamento, Sophie Kinsella continua sendo uma das maiores referências do chick-it
Tem vezes que a vida fica tão pesada que tudo o que queremos é dar uma espiadinha no futuro e ver se acertamos em pelo menos alguma coisa, não é mesmo? Isso era exatamente o que se passava na cabeça de Lexi, protagonista de Lembra de Mim?, em uma de suas piores noites: ela não recebeu um bônus como todas as suas amigas, o namorado deu um bolo nela, e, na manhã seguinte, ela precisaria ir ao enterro de seu pai. Dá para piorar? Claro que sim. Para completar, Lexi sofre um acidente, mas isso não é tão ruim quanto parece.
Ao acordar, Lexi se depara com uma vida perfeita: arrumou os dentes tortos que a incomodavam, está casada com um milionário, mora em um loft deslumbrante e tem sucesso em sua vida profissional. Ela acordou três anos depois e está se recuperando de um acidente que sofreu ao bater sua Mercedes.
Tentando se encaixar em sua nova vida, Lexi desconhece sua nova versão e não entende como mudou tanto. Três anos é pouco tempo para mudar não somente o corpo e a vida financeira, mas também sua personalidade. Como ela saiu da Lexi divertida para a “vaca-chefe-do-inferno”? O que aconteceu com sua aparência, amigas, relacionamento e personalidade?
Além de ter que se adaptar ao seu novo mundo, Lexi precisa descobrir o que a fez mudar de tal maneira.
Um Chick-lit adorável
Sophie Kinsella, autora de Os Delírios de Consumo de Becky Bloom, carrega esse livro com tudo o que mais gostamos no gênero Chick-lit: uma mocinha divertida, encantadora e fiel a si mesma, uma situação caótica, um cenário aconchegante e, claro, um romance cativante.
Com um estilo de livro “Sessão da Tarde”, a protagonista consegue nos arrancar risadas em momentos bobos e, com seu arco de desenvolvimento, mostrar-se cada vez mais fiel a si mesma, antes de qualquer outra coisa. Ela não se deixa enganar pela suposta “vida perfeita”, porque, de que adianta ter uma vida material confortável e se perder de sua essência? Ela poderia não estar completamente feliz com sua vida antiga, mas tinha certeza das coisas que verdadeiramente gostava e das quais não abriria mão.
E o protagonismo é realmente feminino. O romance, de fato, aparece apenas no final e não é o foco de Lexi. Apesar disso, desde o primeiro contato dela com o par romântico, é possível saber o desfecho e é maravilhoso acompanhar um desenvolvimento saudável, respeitoso e fofo.
O livro, lançado em 2008, ainda é capaz de encantar em 2026. Com uma escrita jovem e calma, Sophie Kinsella mantém seus romances atemporais.
Um livro para ler em dias preguiçosos, Lembra de Mim? irá te encantar!
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A Companhia Ensaio Aberto, do Rio de Janeiro, estreia em São Paulo em 25 de julho, com entrada gratuita. Com direção de Luiz Fernando Lobo, a peça relembra a trajetória da militante Olga Benario Prestes
O espetáculo Olga será encenado pela primeira vez em São Paulo, no Teatro Paulo Eiró, a partir de 25 de julho. A dramaturgia de Luiz Fernando Lobo parte de pesquisa em arquivos brasileiros, europeus e americanos, em documentos primários.
A Ensaio Aberto reabre arquivos, escava e traz à tona documentos que confrontam a história oficial. “Os documentos, mesmo os aparentemente mais claros, não falam senão quando sabemos interrogá-los”, diz o historiador Marc Bloch. E complementa: “Nunca, em nenhuma ciência, a observação passiva gerou algo de fecundo.”
Olga é um Teatro Documentário, que tem em Piscator e Peter Weiss seus precursores. A encenação realiza uma nova abertura da história ao apontar as contradições e camuflagens produzidas pela história oficial.
Nascida em Munique, em 1908, Olga Benario Prestes militou no movimento comunista desde a adolescência, enfrentando desde cedo a repressão policial. Foi treinada como agente do Comintern (Internacional Comunista) em Moscou e, em missão política, veio ao Brasil nos anos 1930 com Luiz Carlos Prestes. Foi presa em 1936 e deportada com sete meses de gravidez para a Alemanha de Hitler, por ordem de Getúlio Vargas, colaborador da polícia nazista. Foi assassinada, em 1942, numa câmara de gás do campo de concentração de Bernburg. Sua filha, Anita Leocádia Prestes, sobreviveu graças a uma mobilização internacional. Como diz a própria Anita Prestes: “Sou filha da solidariedade internacional”.
Foto: divulgação/Armazém Comunicação
Olga, assim como outros militantes, foi expulsa do país sem nenhum processo legal, violando os princípios do direito internacional. “Contamos para lembrar, para rememorar, para reparar e, sobretudo, para repensar caminhos. Durante muitos anos, repetiu-se à exaustão mentiras. A história oficial, no Brasil, negou aos revolucionários de 1935 qualquer papel relevante. O que era um levante armado, virou Intentona”, diz o diretor Luiz Fernando Lobo.
“Os torturadores de 1935, 1936 e 1937 nunca foram punidos. Vencedores e vencidos tiveram o mesmo tratamento da história: o esquecimento ou a falsificação da realidade. Mas há uma diferença. É o esquecimento que permite a impunidade e consequentemente a perpetuação de crimes abomináveis. Para os torturados, para os presos, para os deportados, para os mortos, só a rememoração dessas derrotas pode reabilitá-los diante da história e evitar, como diz Benjamin, ‘a segunda morte das vítimas do passado’”, diz Lobo.
“O levante de 1935 foi o primeiro levante armado contra os fascistas no mundo. Quase 100 anos depois, assistimos a extrema direita ganhar força em todo mundo. E esse é o papel do teatro documentário: estar à altura da realidade”, defende Tuca Moraes.
Comunista, internacionalista e antifascista, Olga começou a militar com 16 anos. Era uma mulher de grande coragem e inteligência. Aviadora, paraquedista, exímia atiradora, exímia nadadora, amazona. Com 18 anos, entra na clandestinidade por realizar uma ação armada para libertar seu companheiro e mentor político, Otto Braun, de um presídio de segurança máxima. Em 1935, Olga vem para o Brasil como segurança de Luiz Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança. E em 5 de março de 1936, quando a polícia “estoura” o esconderijo dos dois, já casados, no Méier, ela se coloca na frente de Prestes e o salva de ser morto pela polícia de Getúlio Vargas. Ela foi assassinada, mas sua luta continua até os dias de hoje.
O espetáculo tem dramaturgia e direção de Luiz Fernando Lobo. O elenco é composto pelos atores do núcleo artístico da Companhia Ensaio Aberto. Tuca Moraes interpreta Olga. A equipe artística do espetáculo é encabeçada por J.C. Serroni (cenário), Beth Filipecki e Renaldo Machado (figurino), Cesar de Ramires (iluminação), Felipe Radicetti (direção musical e trilha original) e Aninha Barros (produção executiva).
Olga foi apresentado em 30 sessões em agosto e setembro de 2025 no Armazém da Utopia, para onde volta em temporada em agosto e setembro de 2026. Nas apresentações na sede da Companhia Ensaio Aberto, há a triste coincidência de que foi deste porto do Rio de Janeiro que Olga Benario Prestes foi deportada no navio La Coruña para a Alemanha.
Sobre a Companhia Ensaio Aberto
A Companhia Ensaio Aberto nasceu no ano de 1992 com a proposta de retomar o teatro épico no Brasil e fazer dos palcos uma arena de discussão da realidade, resgatando sua vocação crítica e política. Desde que foi fundada pelo diretor Luiz Fernando Lobo e pela atriz Tuca Moraes, a Ensaio Aberto explora a ideia do ensaio como experimento e busca retomar a função social do teatro, transformando a relação palco-plateia.
Ficha Técnica
Direção e dramaturgia: Luiz Fernando Lobo
Direção de Produção: Tuca Moraes
Cenografia: J.C.Serroni
Figurinos: Beth Filipecki e Renaldo Machado
Iluminação: Cesar de Ramires
Direção musical e trilha original: Felipe Radicetti
Produção Executiva: Aninha Barros
Elenco
Tuca Moraes como Olga
Ana Clara Assunção
Bibi Dulles
Dani Arreguy
Daniel de Mello
Gilberto Miranda
Kyara Zenka
Leonardo Hinckel
Luiz Fernando Lobo
Mateus Pitanga
Rossana Rússia
Serviço
Gratuito: de 25 de julho a 2 de agosto
Local: Teatro Paulo Eiró, Av.Adolfo Pinheiro, 765 – Santo Amaro, São Paulo Horário: Qua a Sáb às 20h | Dom às 19h
Abertura da casa 1h antes do início do espetáculo, com cota de ingressos liberados no dia por ordem de chegada, sujeito a lotação
Agendamento de grupos pelo whatsapp (21) 97976-0046
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 70 minutos
Haverá intérprete de libras nos dias 30/7 (quinta) e 31/7 (sexta)
A temporada do espetáculo Olga em São Paulo é patrocinada pela Petrobras, por meio da Lei Rouanet, Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura.
Também tem apoio do Termo de Fomento Transfere.Gov 934254/2022, celebrado entre o Instituto Ensaio Aberto e o Ministério da Cultura e a Fundação Nacional das Artes.
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Autêntica Editora celebra aniversário da obra-prima de Guimarães Rosa com ensaios inéditos
Foto: Rprodução/ Autêntica Editora
Para celebrar o aniversário de uma das maiores obras nacionais, a editora prepara lançamentos especiais que revisitam o romance de João Guimarães Rosa. Em 2026, o clássico Grande Sertão: Veredas (1956) completa 70 anos de publicação. Para marcar a data, a Autêntica Editora preparou um projeto especial dedicado à literatura do autor, reunindo obras que revisitam o romance, seu processo de criação e sua permanência no imaginário brasileiro.
Ensaio Sertão-Veneza investiga o universo do autor
Um dos principais destaques do projeto é o ensaio Sertão-Veneza: retornos e travessias roseanas, escrito por Jacques Fux. A obra investiga a relação entre o universo de Rosa, suas viagens pelo sertão mineiro e sua passagem pela Itália, sobretudo por Veneza. O livro parte da viagem feita pelo escritor à cidade italiana, em 1949, e dos registros deixados em seus diários para discutir como essa experiência aparece em sua literatura.
Fux também recupera o período em que o escritor viveu na Alemanha às vésperas da Segunda Guerra Mundial. O ensaio discute como as experiências de deslocamento, exílio e memória marcam presença em sua produção literária, além de abordar a recepção do autor na Itália e as dificuldades de tradução de sua linguagem única.
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