Produções que vão além do esperado, histórias assustadoras que provam que o medo também fala português
Muita gente não imagina, mas o Brasil tem um catálogo incrível de produções de terror de qualidade e muitas delas passam despercebidas até pelos fãs mais dedicados e apaixonados do gênero. São histórias impactantes, intensas, assustadoras e sobrenaturais que mostram que o audiovisual brasileiro, sabe, sim, causar arrepios.
Para entrar de vez no clima de Halloween, ou simplesmente maratonar um bom filme ou série de terror ou suspense, o Entretê decidiu reunir dez produções de terror brasileiras que merecem ser descobertas e que vão te deixar com os cabelos em pé!
O Lobo Atrás da Porta (2013)

Dirigido por Fernando Coimbra e estrelado por Leandra Leal, Milhem Cortaz e Fabiula Nascimento, o longa mistura terror, thriller psicológico profundo, suspense e drama realista, sem nenhum elemento sobrenatural, somente o ser humano sendo a pior criatura possível.
O filme acompanha a investigação em torno do desaparecimento de uma criança, revelando, aos poucos, uma trama violenta e cruel de ciúme, traição e violência. A história é largamente inspirada no caso criminoso da Fera da Penha, no qual uma mulher assassinou uma garota de quatro anos após um envolvimento extraconjugal com o pai da menina.
Vencedor do prêmio Horizontes Latinos no Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, na Espanha, é um dos thrillers nacionais mais impactantes da década.
Volume Morto (2020)

Em um cenário único e sufocante, o filme acompanha uma professora de inglês, interpretada por Fernanda Vasconcelos, que convoca os pais de um aluno para descobrir o motivo do filho deles, misteriosamente, permanecer mudo durante a aula. O encontro se transforma em uma disputa de poder e revela uma tensão quase insuportável.
Com apenas uma locação e com um elenco de apenas quatro atores, Volume Morto é um suspense psicológico, permeado por uma violência palpável, sofrida e agonizante. É uma história intrigante, misteriosa e claustrofóbica, que envolve e cria a atmosfera sufocante, de filmes que deixam o espectador sem fôlego.
Mate-me Por Favor (2015)

Ambientado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, Mate-me Por Favor é o primeiro filme da cineasta Anita Rocha da Silveira e acompanha um grupo de adolescentes obcecados por uma onda de assassinatos na região.
O que esse grupo de jovens não esperava era que isso fosse transformar suas vidas. Entre eles, se encontra Bia (Valentina Herszage), uma menina de quinze anos que, após um encontro com a morte, fará de tudo para se certificar de que está viva.
Com ambientação urbana e momentos surreais e aflitivos, o longa reflete sobre a juventude, a violência e a morte, utilizando o contexto para explorar a visão da diretora sobre a adolescência. A produção estreou no Festival de Cinema de Veneza, onde a atriz Dora Freind venceu o prêmio de melhor atriz – Bisato D’oro – e rendeu a Valentina Herszage o troféu de melhor atriz no Festival do Rio.
As Boas Maneiras (2018)

Misturando terror e fantasia, o longa, dirigido por Juliana Rojas e Marco Dutra, apresenta a enfermeira Clara (Izabél Zuaa), que mora na periferia de São Paulo e é contratada para cuidar do bebê ainda não nascido de Ana (Marjorie Estiano).
Com o passar do tempo e conforme a gravidez vai avançando, a futura mamãe começa a ter comportamentos noturnos estranhos que acabam afetando Clara. Trazendo um segredo perturbador, Ana passa a ter crises de sonambulismo em noites de lua cheia, agravadas pela dieta sem carne que seu médico lhe recomendou. Aos poucos, a relação entre as duas evolui para um relacionamento amoroso, mas tudo muda com o nascimento de Joel (Miguel Lobo).
Romântico, político e assustador, o filme é um terror fantástico franco-brasileiro, de 2018, e teve sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Locarno, na Suíça. A produção está disponível na Netflix, na assinatura premium da Amazon Prime Video e no Youtube para aluguel.
Reencarne (2025)

Poucas produções se arriscam em explorar o gênero do terror e é justamente por isso que o Globoplay resolveu explorar esse nicho que a gente tanto ama. A nova aposta do terror da plataforma combina espiritismo, mistério e suspense e sua ambientação foge dos grandes centros urbanos ao levar o público para o interior de Goiás.
A trama acompanha Túlio (Ravel Andrade), um ex-policial que tenta reconstruir sua vida após passar duas décadas na prisão, acusado de assassinar seu parceiro de trabalho, até conhecer Sandra (Júlia Dalavia), uma mulher que afirma ser a reencarnação de Caio, o homem que ele supostamente matou.
Enquanto Túlio tenta lidar com a culpa e com as lembranças daquele crime, a delegada Bárbara Lopes, interpretada por Taís Araújo, investiga uma série de mortes misteriosas que parecem seguir um padrão impossível de explicar.
Com Simone Spoladore, Julia Dalavia, Taís Araújo e Enrique Diaz no elenco, a série mergulha em temas como culpa, destino, reencarnação e o sobrenatural, além de prometer ser um divisor de águas nas produções nacionais do gênero. A produção estreou em 23 de outubro, no catálogo do Globoplay, e está imperdível.
Reality-Z (2020)

Zumbis no Rio de Janeiro! Durante um apocalipse, os participantes de um reality show ficam presos dentro do estúdio e precisam sobreviver tanto ao caos lá fora quanto aos conflitos dentro do confinamento. Chocada com a situação, a produtora Nina (Ana Hartmann) tenta lutar pela própria vida – e daqueles que estão próximos a ela – e decide tomar as rédeas da situação. Mas o diretor Brandão (João Pedro Zappa) e o deputado Alberto Levi (Ravel Andrade) não vão facilitar as coisas para ela.
A série é uma versão adaptada por Cláudio Torres e João Costa da série Dead Set, criada por Charlie Brooker, no Reino Unido. A produção conta com Ana Hartmann, João Pedro Zappa e Ravel Andrade no elenco e participação especial de Sabrina Sato. É uma diversão sangrenta garantida na Netflix.
Morto Não Fala (2018)

Stenio (Daniel de Oliveira) é um plantonista noturno de um necrotério que possui o dom de falar com os mortos – e já está acostumado a ouvir muitas histórias. Porém, quando essas conversas acabam revelando segredos de sua própria vida, ele desencadeia uma maldição perigosa, que põe em risco ele e todos à sua volta.
Estrelado por Daniel de Oliveira, Fabiula Nascimento, Bianca Comparato e Marco Ricca, o filme mistura drama e sobrenatural com um clima de tensão crescente. A produção foi muito bem recebida pela crítica e pelo público, tendo passado por festivais como Fantasia International Film Festival, no Canadá, Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa e também o Festival do Rio, no Brasil, e é uma das joias sombrias do cinema nacional.
Drácula, uma História de Amor (1980)

Claro que não podia faltar o gênero clássico brasileiro: as novelas. Sim, o Brasil já teve uma novela de terror!
Exibida originalmente pela Rede Tupi, entre 28 e 31 de janeiro de 1980, a trama, escrita por Rubens Ewald Filho e dirigida por Atílio Riccó, conta a história de Conde Drácula (Rubens de Falco) chegando em Paranapiacaba, uma cidade quase sem sol e cheia de neblina, logo depois de descobrir pistas sobre o paradeiro de seu filho, sequestrado 25 anos antes pela ama Hannah para evitar que o bebê tivesse o mesmo destino monstruoso do pai.
A cidade vive sob os desmandos da rica e autoritária Marta, cujo filho, o prefeito Tonico, governa seguindo as ordens da mãe. Ele é pai de Mariana (Bruna Lombardi), garota por quem Drácula se torna obsessivo e nutre um amor perverso ao perceber que ela é a reencarnação de uma antiga paixão.. O Conde acaba disputando-a com o motorista Rafael (Carlos Alberto Riccelli), que ele tenta matar sem saber que é seu filho perdido.
Com nomes como Rubens de Falco, Bruna Lombardi, Carlos Alberto Riccelli, Paulo Goulart e Edson Celulari, a novela mistura drama, romance e horror gótico e pode ser encontrada no Youtube. Um clássico perdido e fascinante da TV brasileira.
Desalma (2020)

Exibida no Festival de Berlim, a série do Globoplay, Desalma, mistura drama, misticismo e suspense sobrenatural em uma cidade fictícia do sul do Brasil, fundada por ucranianos.
A história começa com o desaparecimento da jovem Halyna (Anna Melo), em 1988, em meio às celebrações da Ivana-kupala, festa com origens pagãs e ligada a ritos de fertilidade que foi incorporada, mais tarde, no calendário dos cristãos ortodoxos.
A tragédia fez com que a comemoração fosse banida das tradições da cidade e, trinta anos depois, é retomada. Com isso, eventos misteriosos começam a acontecer novamente, etrês mulheres são marcadas por transformações e perdas: Haia (Cassia Kis), Ignes (Cláudia Abreu) e Giovana (Maria Ribeiro).
Às vésperas da noite mais escura do ano, a floresta parece atrair os ingênuos para seu interior frio, onde eventos sobrenaturais assombram os integrantes das famílias envolvidas nas tragédias do passado, assombrando a comunidade.
Com Cláudia Abreu, Cassia Kis, Maria Ribeiro e Nikolas Antunes, Desalma é uma das séries brasileiras mais elogiadas do gênero – sombria, poética e cheia de segredos.
Amorteamo (2015)

Amores proibidos, traições e segredos familiares assombram dois triângulos amorosos nessa série sobrenatural ambientada no Recife do século 20. Com estética original, a minissérie mistura romance, morte e sobrenatural.
O enredo acompanha a história de Aragão (Daniel de Oliveira), que mata o amante da esposa, Chico (Johnny Massaro), ao flagrá-los juntos. Grávida, Arlinda (Letícia Sabatella) dá à luz a Gabriel no instante da morte do amado e, como castigo, é trancada no sótão pelo esposo. Criado ao lado de Lena (Marina Ruy Barbosa), filha de uma das empregadas da casa, Gabriel cresce sem saber a verdade sobre seu passado. Porém, os dois jovens se apaixonam sem imaginar que podem ser irmãos. Quando a relação é interrompida, o destino dá mais uma reviravolta: Malvina (Alinne Moraes), noiva abandonada no altar por Gabriel, morre e retorna do além, como a Noiva-Cadáver, em busca de seu amor perdido.
Com estética teatral e fotografia arrebatadora, a produção traz Marina Ruy Barbosa, Johnny Massaro, Daniel de Oliveira e Letícia Sabatella em um conto gótico nordestino imperdível, e pode ser conferida no Globoplay.
Seja com monstros, espíritos, crimes reais ou o próprio lado sombrio humano, essas produções mostram que o terror brasileiro está mais vivo do que nunca e pronto para te deixar sem dormir.
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Texto revisado por Ketlen Saraiva @lapidando_palavras









