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O que assistir nas férias? 6 filmes leves e divertidos para o verão

De romances a aventuras musicais, veja a seleção de filmes que vai deixar seus dias de descanso mais refrescantes e inesquecíveis.

Mesmo longe das praias, piscinas e festas, as férias de verão são feitas para somente uma coisa: relaxar. Seja aproveitando a brisa fresca do ar livre ou esparramado no sofá, a alegria de não fazer nada é a mais importante. Para aproveitar a folga, nada melhor que uma superseleção de filmes para acompanhar.

E, para ajudar você a curtir esse momento da melhor maneira possível, o Entretê escolheu algumas produções que vão deixar o seu verão ainda mais legal:

Me Chame Pelo Seu Nome (2017)
Foto: reprodução/Sony Pictures

Em 1983, durante um verão no norte da Itália, o jovem Elio Perlman (Timothée Chalamet) vive entre livros, música e tranquilidade. Tudo muda com a chegada de Oliver (Armie Hammer), um pesquisador americano que vem auxiliar seu pai. A convivência, inicialmente distante, logo dá lugar a uma curiosa aproximação. Entre trocas sutis, conversas e descobertas, Elio e Oliver constroem uma conexão intensa e inesperada.

O romance dirigido por Luca Guadagnino floresce em meio ao calor do verão e às dúvidas típicas da juventude. Ao fim da temporada, a despedida traz amadurecimento, saudade e a certeza de que alguns amores, mesmo breves, deixam marcas profundas.

Pequena Miss Sunshine (2006)
Foto: reprodução/Fox Searchlight Pictures

A família Hoover é cheia de conflitos, fracassos e excentricidades, mas tudo muda quando Olive (Abigail Breslin), a filha mais nova, recebe a chance de participar do concurso Little Miss Sunshine. Determinados a apoiá-la, todos embarcam em uma longa viagem de kombi, marcada por panes, brigas e momentos inesperadamente afetuosos. No caminho, cada membro enfrenta seus próprios dilemas, aprendendo a lidar com suas limitações e com as dos outros. Ao chegar ao concurso, Olive e os Hoover desafiam expectativas e percebem que vencer não é o mais importante. A jornada revela que, apesar das falhas, a união e o amor imperfeito da família são o que realmente importa.

Duas Garotas Românticas (1967)
Foto: reprodução/Comacico

Na pequena cidade francesa de Rochefort, as irmãs gêmeas Delphine (Catherine Deneuve) e Solange (Françoise Dorléac) sonham com uma vida maior do que a rotina da província permite. Talentosas em dança e música, elas desejam encontrar oportunidades, e talvez grandes amores, além das fronteiras locais. Quando uma feira itinerante chega à cidade, novos encontros, coincidências e desencontros começam a se misturar em meio a cores vibrantes e números musicais. Enquanto as irmãs se preparam para uma apresentação decisiva, moradores e visitantes têm seus destinos entrelaçados por romances inesperados. Entre sonhos, melodias e encontros quase mágicos, o filme celebra o amor, a juventude e o desejo de transformação.

Luca (2021)
Foto: reprodução/Disney

Luca é um jovem monstro-marinho curioso que vive escondido no fundo do oceano, temendo o mundo dos humanos. Tudo muda quando ele conhece Alberto, outro garoto aventureiro que o incentiva a explorar a superfície. Ao descobrirem que, fora d’água, podem assumir forma humana, os dois decidem viver um verão inesquecível na cidade costeira de Portorosso. Lá, fazem amizade com Giulia e sonham em vencer uma corrida local. Enquanto vivem aventuras, segredos e novos desafios, Luca começa a questionar seus medos e entender quem deseja ser. A história celebra amizade, coragem e a beleza de descobrir o próprio caminho.

Priscilla, a Rainha do Deserto (1994)
Foto: reprodução/Allstar-Polygram

Quando duas drag queens e uma mulher trans recebem a proposta de se apresentar em um hotel no meio do deserto australiano, elas embarcam em uma viagem inesquecível a bordo de um ônibus batizado de Priscilla. O percurso, repleto de paisagens áridas e encontros improváveis, desafia o trio a lidar com preconceitos, segredos pessoais e diferenças internas. Entre shows improvisados, figurinos extravagantes e muita música, elas descobrem novas formas de amizade e coragem. A jornada transforma não só o caminho que percorrem, mas também a forma como cada uma enxerga a si mesma. O filme celebra liberdade, identidade e a força de criar seus próprios espaços no mundo.

Rivais (2024)
Foto: reprodução/MGM

Tashi Duncan (Zendaya), uma ex-promessa do tênis que se tornou treinadora, dedica-se a transformar seu marido, Art (Mike Faist), em um atleta de elite. Quando a carreira dele entra em crise, ela o inscreve em um torneio menor para recuperar a confiança – sem imaginar que ele enfrentará Patrick (Josh O’Connor), seu ex-namorado e antigo melhor amigo de Art. O reencontro reacende rivalidades, mágoas e uma tensão emocional que ultrapassa as quadras. Entre flashbacks de juventude, escolhas duvidosas e paixões que nunca se resolveram, o trio é forçado a confrontar ambições, desejos e limites. O filme constrói um jogo intenso, em que amor, poder e competição se misturam, mostrando que, às vezes, o verdadeiro confronto acontece fora do esporte.

 

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Texto revisado por Kaylanne Faustino

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Livros

Entre o amor e o abismo: por que ainda somos obcecados por O Morro dos Ventos Uivantes?

O único livro publicado por Emily Brontë atravessou séculos, críticas severas, adaptações controversas e multidões de leitores que ainda discutem se ali existe amor ou apenas ruína

Quando Emily Brontë publicou seu primeiro e único romance usando o pseudônimo Ellis Bell, a Inglaterra vitoriana reagiu com choque. O enredo foi taxado de imoral, brutal e impróprio para uma autora mulher. Brontë, que vivia isolada no interior de Yorkshire, criou uma história que recusava convenções: personagens mergulhados em ódio e desejo, paisagens que refletiam angústias internas e um mundo no qual o amor não cura, mas destrói.

Imagem: reprodução/Editora Principis

Ao contrário das narrativas sentimentais populares na época, O Morro dos Ventos Uivantes (1847) desmontava qualquer ideia de romance idealizado. Brontë expôs as contradições humanas antes mesmo da crítica literária ter ferramentas para isso, e apenas décadas depois o livro começou a ser reconhecido como uma antecipação do romance psicológico moderno.

Agora, mais de 175 anos após sua publicação, O Morro dos Ventos Uivantes continua a nos perseguir. Lido como romance, tragédia, denúncia, a pauta que a história carrega parece jamais se esgotar.

Narrativa em camadas: quando o livro transforma o leitor em investigador

Um dos aspectos mais revolucionários da obra é sua estrutura. A história é contada por dois narradores: Lockwood, o inquilino que mal compreende o que vê, e Nelly Dean, a governanta que testemunhou quase tudo, mas relata os eventos filtrados por emoções, memórias falhas e julgamentos pessoais.

Essa narrativa produz versões conflitantes, dúvidas constantes e a sensação de que nunca sabemos toda a verdade. É um jogo literário que transforma o leitor em intérprete ativo, forçado a decidir o que é fato e o que é distorção. A técnica antecipa debates que só se tornaram centrais no século XX.

Heathcliff, Catherine e a ferida aberta do amor obsessivo

O relacionamento entre Heathcliff e Catherine é frequentemente citado como um dos mais intensos da literatura, e também é um dos mais controversos. Por muito tempo, parte do público enxergou nessa história um amor trágico destinado a sobreviver à morte. Hoje, a crítica moderna enxerga algo mais complexo: padrões de abuso emocional, codependência, humilhação e violência psicológica.

Heathcliff não é apenas um amante devotado. É um homem consumido pela necessidade de controle e vingança. Catherine, por sua vez, vive dilacerada entre o desejo e as pressões sociais para ascender por meio de um casamento vantajoso. Ambos se amam a ponto de se arruinarem, e o romance não oferece redenção para a primeira geração. A cura vem apenas com os descendentes, que tentam interromper o ciclo de dor que herdaram.

Essa dinâmica ressoa no presente justamente porque reconhecemos nela comportamentos que hoje identificamos como tóxicos. Emily Brontë já discutia, sem nomeá-los, temas que só muito depois seriam associados à psicologia moderna.

Classe, raça e o corpo estrangeiro de Heathcliff

Outro ponto de debate é a origem de Heathcliff. Brontë o descreve como “moreno”, “de aparência exótica”, alguém que causa estranhamento e suspeita. Ele é encontrado vagando pelas ruas de Liverpool, um porto marcado pela imigração e pelo tráfico colonial. A crítica contemporânea levanta a possibilidade de que Heathcliff seja um corpo racializado em uma sociedade rigidamente branca.

Essa leitura pós-colonial reconfigura o romance. A marginalização que ele sofre não se deve apenas à pobreza, mas também ao que ele representa: o estrangeiro, o intruso, o que não se encaixa. A violência que ele devolve ao mundo pode ser lida como resposta à exclusão estrutural.

A versão cinematográfica de 2011, dirigida por Andrea Arnold, acentua esse aspecto ao escalar um ator negro para o papel. Foi uma interpretação polêmica, mas alinhada às discussões modernas sobre raça e identidade.

O cenário como espelho da alma

A paisagem de Yorkshire é um dos elementos mais marcantes da obra. Os pântanos, a ventania constante, as colinas isoladas e a sensação de desamparo funcionam como extensão emocional dos personagens. O ambiente não é cenário, é sintoma. A geografia bruta reforça a brutalidade interna e cria um clima gótico-naturalista raro na literatura inglesa.

Essa fusão entre natureza e psicologia deu ao romance sua estética particular, tão poderosa que ainda influencia produções audiovisuais, capas, ensaios fotográficos, videoclipes e a própria cultura pop.

Adaptações cinematográficas

Apesar de os fãs afirmarem que nenhum dos filmes foram capazes de transmitir a intenção da obra, a cada década surge uma nova leitura do romance de Emily. Até o momento o livro ganhou 8 produções.

A versão de 1939 transformou a história em romance clássico de Hollywood, estrelando Merle Oberon e Laurence Olivier.

Nos anos 1990, Ralph Fiennes interpretou um Heathcliff mais contido e melancólico.

Em 2011, a estética crua de Andrea Arnold trouxe uma leitura radical sobre raça e abandono com a escalação de James Howson, única adaptação de um Heathcliff como um homem racializado. Kaya Scodelario interpreta Catherine.

Foto: divulgação/Prime Video

Em 2003 a obra também ganhou um musical, dirigido por Suki Krishnamma.

A oitava e nova adaptação, que está prevista para 2026 e será estrelada por Margot Robbie e Jacob Elord, que interpretará Heathcliff O trailer sugere uma abordagem sensual e sombria, capaz de encantar parte do público e incomodar outra, já provocando discussões sobre erotização excessiva e romantização da violência. 

Foto: divulgação/Warner Bros Pictures

Além disso, a escalação de Elordi para interpretar um personagem descrito como racial incomodou os leitores, já que este detalhe acrescenta muito à trama da história.

A escolha de olhar para uma narrativa que carrega tanta dor e mágoa de uma forma sexy revela outro fenômeno: tendemos a romantizar histórias que não foram criadas para esse fim.

Um clássico que incomoda, e é por isso que resiste

Ler O Morro dos Ventos Uivantes no século XXI é encarar uma obra que nunca buscou conforto. Ao contrário de outros romances da época, Brontë não oferece lição de moral, apenas mostrando seres humanos tomados por sentimentos extremos e incapazes de escapar deles.

Abordando temas sociais ainda vivos até os dias atuais, como a violência doméstica e exclusão que segue determinadas posições sociais, a obra permite debates sobre raça, classe e gênero.

O interesse dos jovens modernos pelo livro nasce justamente da estrutura narrativa apresentada por Emily, que carrega uma ambiguidade moral – uma história sem heróis óbvios, onde o que torna os vilões um vilão são sentimentos que o leitor conhece bem.

Em meio a debates sobre violência, saúde mental e dinâmicas de poder, o romance parece mais vivo do que nunca. Cada geração volta a ele porque se vê refletida no caos, no desejo e na escuridão das relações humanas.

Podemos abominar Heathcliff e criticar Catherine. Podemos rejeitar a ideia de amor descrita na história. Mas, ainda assim, retornamos ao romance porque ele toca algo profundo, que as narrativas românticas mais convencionais não alcançam.

O Morro dos Ventos Uivantes nos obriga a admitir que o amor, em sua forma mais primitiva, raramente é puro. Muitas vezes é fúria, orgulho, medo, solidão. Justamente por não oferecer respostas fáceis, o livro continua sendo um espelho incômodo, inquietante e irresistível.

Emily Brontë escreveu que, se tudo desaparecesse e apenas uma pessoa permanecesse, isso lhe bastaria para existir. A frase atravessou séculos porque revela um desejo tão universal quanto perigoso: o de ser amado a qualquer custo.

É por isso que seguimos lendo. Porque ainda buscamos entender por que, às vezes, amar e perder-se são quase a mesma coisa. Porque, mesmo quando sabemos que o abismo está logo ali, há algo em nós que continua a escutar os ventos de Yorkshire.

Sobre a autora
Imagem: único retrato confirmado de Emily Brontë, pintado por seu irmão, Branwell

Emily Brontë (1818-1848) foi uma romancista e poetisa inglesa, imortalizada por seu único romance, O Morro dos Ventos Uivantes, um clássico da literatura mundial conhecido por sua intensidade de paixão e ódio, ambientado nos pântanos de Yorkshire, e usou o pseudônimo masculino de Ellis Bell para a publicação. Irmã das também escritoras Charlotte e Anne Brontë, Emily viveu uma vida reclusa e misteriosa, com uma forte ligação à natureza, deixando um legado literário profundo e eterno apesar de sua curta vida e pouca produção literária.

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Texto revisado por Larissa Couto @larscouto

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