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Como escrever pode nomear emoções em Coisas que eu tinha pra dizer e não disse

O livro de poemas de Le Savoldi propõe um encontro com sentimentos guardados

Em Coisas que eu tinha para dizer e não disse, lançado em dezembro de 2025, a poeta, professora e pesquisadora Le Savoldi explora os sentimentos que ficam reprimidos por anos e que, na correria do dia a dia, não têm a atenção necessária.

A escrita íntima da poeta nasce do silêncio das emoções negligenciadas, com relatos pessoais entrelaçados à experiência humana. Entre eles há assuntos como luto, cansaço, solidão ligada às relações no mundo contemporâneo e fraturas emocionais.

Os textos são feitos de maneira a ajudar o leitor a compreender os próprios conflitos internos, como espelhos emocionais. Neles, a poesia é usada como forma de expressão e, ao mesmo tempo, cura, além de demonstrar o poder e a importância de cultivar a fé e o amor.

Foto: divulgação/Le Savoldi

Coisas que eu tinha pra dizer e não disse é um projeto contemplado em concurso cultural de Engenheiro Coelho, em São Paulo (2024/2025), por meio da Lei Paulo Gustavo, do Ministério da Cultura.

 

Ficha técnica

Título: Coisas que eu tinha pra dizer e não disse

Autora: Le Savoldi

Onde comprar: Amazon 

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Leia também: MEC Livros amplia acesso à leitura e reforça políticas públicas no Brasil – Entretetizei  

Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz

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Coletiva de Imprensa Cultura Cultura pop Notícias Séries

Coletiva | Terceira temporada de Os Outros aprofunda tensões sociais e relações humanas

Nova fase da série aposta em conflitos ainda mais intensos e na complexidade dos personagens

A coletiva de imprensa da terceira temporada de Os Outros reuniu elenco e criadores para apresentar os novos rumos da trama, que retorna ainda mais densa e provocadora. Conhecida por explorar conflitos cotidianos e tensões sociais, a série promete ampliar as camadas emocionais e morais de seus personagens.

Nesta nova fase, a narrativa se aprofunda nas consequências das escolhas feitas nas temporadas anteriores, trazendo à tona questões como convivência, intolerância e os limites das relações humanas. A proposta é intensificar o olhar sobre o comportamento coletivo e individual em contextos de pressão.

Durante o encontro, o criador Lucas Paraizo destacou que o público pode esperar uma temporada mais madura, com conflitos que se expandem para além do núcleo central, impactando diretamente a dinâmica entre os personagens. A construção dramática segue apostando em situações reconhecíveis, capazes de gerar identificação e reflexão.

“Eu gosto de trabalhar muito com o audiovisual que seja o reflexo da sociedade e a sociedade é extremamente complexa, nós somos extremamente complexos, não somos apenas uma coisa ou outra coisa. Então, o meu desejo e o da equipe de roteiro é sempre fazer com que os personagens tenham camadas, que você possa olhar pra ele no seu melhor e no seu pior momento, mudar de opinião sobre ele e, de alguma maneira, refletir sobre você também”, afirmou Lucas.

Com uma abordagem ainda mais incisiva, Os Outros reafirma sua força como uma das produções mais relevantes do audiovisual brasileiro recente, ao propor discussões necessárias sobre a sociedade contemporânea e suas contradições.

Foto: divulgação/Globoplay

Entre os destaques desta temporada está o personagem vivido por Lázaro Ramos, que ganha novas camadas ao longo da trama, aprofundando conflitos internos e suas relações com os demais personagens. Sua trajetória evidencia dilemas morais e emocionais que dialogam diretamente com os temas centrais da série.

Já a personagem interpretada por Mariana Lima surge quase apagada durante o primeiro episódio, mas com a promessa de se tornar ainda mais complexa, revelando nuances que ampliam sua presença na narrativa. Ao longo da temporada, sua atuação “se torna peça-chave para o desenvolvimento dos conflitos, trazendo à tona questões sobre poder, convivência e escolhas individuais”, afirma a atriz.

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Leia também: Dica Cultural: veja o espetáculo europeu Carmina Burana Ballet no Teatro Liberdade

Texto revisado por Angela Maziero Santana
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Música Notícias

Lady Gaga e Doechii lançam Runway

A colaboração antecipa a aguardada sequência do cinema, O Diabo veste Prada 2, e marca a primeira parceria entre as artistas

As estrelas da música Lady Gaga, detentora de 16 prêmios Grammy e um Emmy, e Doechii, vencedora de dois Grammys, lançaram nesta sexta (10) a música Runway. A faixa, feita especialmente para as pistas de dança, é a primeira música oficialmente revelada da trilha sonora de O Diabo Veste Prada 2, da 20th Century Studios. 

O lançamento chega para aquecer o público antes da estreia da aguardadíssima sequência, que chega aos cinemas em 1º de maio. A música já está disponível para os fãs nas plataformas de streaming. 

A colaboração já vinha gerando expectativas desde o início da semana, quando foi anunciada e teve um trecho incluído no trailer final do filme. A faixa contou com grandes nomes nos bastidores: foi composta por Bruno Mars, Jaylah Hickmon, Gaga, Andrew Watt, Henry Walter, Dernst “D’Mile” Emile II e Jayda Love, e produzida por Bruno Mars, Andrew Watt, Cirkut e D’Mile. 

O dueto marca a primeira parceria de estúdio entre Gaga e Doechii, mas a relação das duas já é construída sobre respeito e admiração mútuos. No ano passado, Doechii foi a responsável por entregar a Gaga o Prêmio Innovator no iHeartRadio Music Awards. 

Na ocasião, a rapper chamou a estrela de “uma salva-vidas”, ressaltando o profundo impacto de Gaga em jovens fãs queer ao redor do mundo. Em uma entrevista recente à edição britânica da revista Vogue, Gaga retribuiu o carinho enaltecendo o talento da colega: “Não é sempre que se vê alguém surgir com uma caneta que parece imediatamente lendária. Para mim, essa pessoa é a Doechii.

A nova faixa também celebra o legado da revista fictícia Runway, de O Diabo Veste Prada. Vinte anos após marcar uma geração em 2006, o filme retorna com suas icônicas personagens. Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci reprisam seus papéis como Miranda, Andy, Emily e Nigel, voltando às ruas elegantes de Nova Iorque.

A aguardada sequência conta com a direção de David Frankel e roteiro de Aline Brosh McKenna. A produção é assinada por Wendy Finerman, com produção executiva de Michael Bederman, Karen Rosenfelt e da própria Aline Brosh McKenna.

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Leia também: Trailer final de O Diabo Veste Prada 2 chega ao som de Doechii e Lady Gaga  

 

Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz 

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Livros Notícias

Lançamento Intrínseca: O Livro das Horas Perdidas, de Hayley Gelfuso

Romance une ficção científica, aventura e romance histórico em uma trama que revela disputa entre governos

Com uma ambientação que se estende desde poucos meses antes do início da Segunda Guerra Mundial até a Guerra Fria, Hayley Gelfuso se debruça sobre as consequências do controle da memória coletiva, tocando em temas importantes como a ascensão do nazismo e a importância da preservação das memórias e do passado.

Publicado em mais de 20 países, O Livro das Horas Perdidas chegou às livrarias pela Intrínseca em dois  de abril.

Sobre a narrativa

Lizavet é filha de Ezekiel Levy, um dos únicos homens vivos que fabricam relógios que acessam o lugar do tempo – uma dimensão que abriga as memórias de todos que já viveram. As poucas pessoas que possuem esses artefatos têm uma grande missão: proteger e manusear as lembranças de cada pessoa e estocá-las dentro dos milhares de livros do local

O ano é 1938, pai e filha estão sendo perseguidos pelo governo nazista na Alemanha, e em uma tentativa desesperada, Ezekiel deixa Lizavet no lugar do tempo logo antes de ter sua casa invadida e ser levado. A partir daí, Lisavet cresce presa nesse espaço e passa a conhecer o mundo somente a partir das páginas da biblioteca. 

Quando se depara com membros de diversos governos diferentes queimando livros para descartar tópicos que possam ser considerados subversivos, a jovem decide salvar e preservar todos os volumes que conseguir, se colocando na mira de regimes do mundo inteiro.

Quase 20 anos depois, em 1965, Amelia acabou de perder seu tio Ernest, um dos mais talentosos guardiões do tempo dos Estados Unidos. No enterro, ela é confrontada por Moira, uma agente da CIA que pede ajuda para encontrar um livro no lugar do tempo.

Sem saber o que está acontecendo, Amelia é inserida em uma trama confidencial do governo americano e se aproveita disso para buscar respostas sobre a morte bastante misteriosa de seu tio. Aos poucos, ela acaba descobrindo uma ligação de Ernest com Lisavet e segredos de sua própria família.

Unindo duas linhas do tempo distintas, Hayley Gelfuso aborda as consequências dos nossos atos e a importância de se preservar o passado. O Livro das Horas Perdidas chega às livrarias com uma trama surpreendente e repleta de reviravoltas.

Sobre a autora
Hayley Gelfuso
Foto: divulgação/Angelo Gelfuso e Gelfocus Photography

Hayley Gelfuso é escritora e poeta, além de atuar em organizações sem fins lucrativos voltadas à preservação ambiental. Sua produção literária se destaca pela construção de narrativas que transitam entre o fantástico e o real, explorando elementos mágicos e incomuns sem abrir mão de uma base sólida em referências históricas e científicas.

Em sua escrita, Gelfuso investiga as relações entre natureza, memória e imaginação, criando universos que dialogam com questões contemporâneas enquanto resgatam aspectos do passado. Seu trabalho reflete não apenas um interesse pela ficção especulativa, mas também um compromisso com temas ambientais e sociais, que atravessam tanto sua atuação profissional quanto sua obra literária.

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Leia também: Abril na Intrínseca: confira os principais lançamentos

 

Texto revisado por Sabrina Borges de Moura 

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Cultura Cultura turca Entretenimento Entrevistas

Entrevista exclusiva | Emin Günenç fala sobre o sucesso de Arafta e sua intensa parceria com İlsu Demirci

O ator fala sobre o impacto da dizi e sua conexão com İlsu Demirci – além de se arriscar no português!

Emin Günenç nasceu em 23 de julho de 1994, em Istambul, Turquia, e desde cedo foi encantado pelo mundo dos esportes queria ser jogador de futebol profissional, mas, após uma lesão, quando tinha aproximadamente 17 anos, se viu em um novo rumo: iniciou os estudos em desenho técnico mecânico na Universidade de Marmara e se descobriu na atuação.

Como artista, estudou no Sadri Alışık Cultural Center, uma importante instituição de artes e educação na Turquia, somando aulas de atuação, dicção e canto. Ele ainda recebeu treinamento de atuação em câmera com a renomada diretora turca Hilal Saral.

Ao longo dos anos, Günenç foi se encontrando no meio artístico e estreou na TV, na dizi Kırmızı Oda (2021), como o personagem Sinan. Em seu currículo, constam também projetos como Kusursuz Kiracı (2022), Üvey Anne (2023) e Aldatmak (2024), mas foi uma dizi específica que trouxe o sucesso internacional: Arafta (tradução livre: No Limbo), de 2025.

Emin em Arafta | Créditos: Instagram/@emingunenc

Em Arafta, Emin Günenç vive o protagonista Ateş Karahan, um personagem intenso e atormentado, preso entre dois mundos e marcado por cicatrizes do passado, enquanto luta para não perder quem ainda pode se tornar. Ao se envolver com Mercan Yıldırım (İlsu Demirci), os dois passam a viver uma história de amor dolorosa, dramática e profundamente marcante.

Em entrevista exclusiva a primeira para o Brasil , Emin Günenç comenta sobre o sucesso da dizi: “[Arafta] é um projeto muito especial para mim, porque teve grande repercussão internacional e provou seu sucesso em muitos países. […] O personagem Ateş carrega muitas emoções vingança, ódio, amor… vários sentimentos intensos ao mesmo tempo.” 

Ao longo da conversa, Emin também falou sobre sua brilhante parceria com İlsu Demirci (a Mercan), ambos muito amados pelos brasileiros. Ele comentou que os dois se deram bem muito rápido: antes mesmo de começarem as gravações, já tinham se encontrado para falar sobre os personagens e também sobre o projeto. “Tivemos uma ótima sintonia, e o público também gostou muito disso.” 

Créditos: Instagram/@emingunenc e @ilsudemircii

Emin complementa, falando sobre a sintonia em cena com a colega: “Como a minha entrada na série foi baseada na vingança, sendo esse o meu objetivo principal, eu tinha cenas com a İlsu ali, mas o sentimento principal naquele momento era a vingança. Depois disso, quando passamos para as cenas de atração mútua e amor, já estávamos 100% acostumados um com o outro.” 

Ainda assim, a entrevista percorreu temas como: o que o ator conhece do Brasil, seus hobbies e um momento icônico de Emin Günenç se arriscando no português. O que será que ele falou?

Você confere tudo isso na entrevista completa:

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Leia também: Quem é Orhan Pamuk, único romancista turco vencedor do Prêmio Nobel de Literatura

 

Texto revisado por Cristiane Amarante @cris_tiane_rj

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Cultura Cultura pop Entretenimento Musicais Notícias Teatro

Audições abertas: O Diabo Veste Prada – Um Novo Musical busca novos talentos para superprodução

Montagem inédita no Brasil estreia em fevereiro de 2027 no Teatro Santander, em São Paulo; inscrições vão até 29 de abril

O universo da moda abre suas portas para novos talentos. A Touché Entretenimento anuncia a abertura oficial das audições para O Diabo Veste Prada – Um Novo Musical, nova superprodução apresentada pelo Ministério da Cultura, com patrocínio do Santander, Zurich Santander e Esfera, que estreia em fevereiro de 2027 no Teatro Santander, em São Paulo. As inscrições já estão abertas e devem ser realizadas por meio de formulário disponível no link da bio do perfil oficial do musical, até o dia 29 de abril. As audições presenciais acontecem na capital paulista ao longo do mês de maio.

Voltada a artistas maiores de 18 anos, a seleção busca performers para compor o ensemble e demais personagens da montagem. A produção reforça seu compromisso com a diversidade, destacando que pessoas de todas as etnias, corpos, identidades de gênero e sexualidades são bem-vindas no processo.

Foto: divulgação/20th Century Studios

Os quatro personagens centrais da narrativa – Miranda Priestly, Andy Sachs, Emily Charlton e Nigel – já foram definidos por meio de convite direto da produção, em conjunto com o diretor José Possi Neto. Os nomes escolhidos serão anunciados na primeira semana de maio, com o lançamento do teaser cinematográfico do espetáculo, que marca também a abertura oficial das vendas, em uma estratégia já consolidada pela Touché em produções de grande sucesso como Beetlejuice – O Musical, Uma Babá Quase Perfeita e Querido Evan Hansen.

Ainda assim, o processo seletivo contempla também a busca por covers e alternantes para esses papéis, além da formação do restante do elenco. Para as audições abertas, a equipe procura artistas versáteis, com forte presença de palco e domínio técnico em canto, interpretação e movimento. Há oportunidades para diferentes perfis vocais, incluindo sopranos, mezzos, contraltos, tenores, barítonos e baixos, dentro de um elenco que deve refletir o ritmo, o estilo e a energia do universo da Runway, a icônica revista de moda que conduz a trama.

Baseado no best-seller de Lauren Weisberger e na consagrada adaptação cinematográfica, o musical acompanha a trajetória de Andy Sachs, uma jovem jornalista que ingressa no competitivo mundo da moda ao se tornar assistente de Miranda Priestly, editora-chefe de uma das revistas mais influentes do setor. Entre ambição, identidade e escolhas pessoais, a história revela os bastidores de um universo fascinante – e implacável.

Visto por mais de um milhão de pessoas no West End, onde ainda arrebata plateias, e com estreia marcada para fevereiro de 2027, a produção chega ao Brasil antes mesmo de sua montagem na Broadway, reforçando o posicionamento da Touché Entretenimento como uma das principais responsáveis por trazer grandes títulos internacionais ao país em versões inéditas e de alto padrão.

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Leia também: Dica Cultural: veja o espetáculo europeu Carmina Burana Ballet no Teatro Liberdade

 

Texto revisado por Angela Maziero Santana

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Crítica Livros

Crítica | O Livreiro de Gaza retrata genocídio palestino

Narrativa de Rashid Benzine usa a literatura como memória e enfrentamento

A Faixa de Gaza, há décadas, se tornou símbolo de um conflito que ultrapassa disputas territoriais e se inscreve no cotidiano de um povo marcado por perdas, deslocamentos e violência contínua. Nesse cenário, narrativas como a de O Livreiro de Gaza (2026) ganham ainda mais força: não apenas como registro, mas como resistência. Ao transformar a experiência palestina em literatura, Rashid Benzine evidencia o poder das histórias como ferramenta de memória, denúncia e, sobretudo, humanidade diante da desumanização.

Foto: divulgação/Intrínseca/Entretetizei

Em meio à devastação de Gaza, um fotógrafo percorre as ruas e vielas em busca de registros para “tranquilizar” o Ocidente. Quando chega a um bairro menos afetado, se depara com uma cena que parece inusitada: entre ruínas empoeiradas e páginas amareladas, um senhor está sentado diante de uma vitrine repleta de livros, lendo serenamente, como se esperasse. Mas o que ele espera? Talvez alguém que finalmente pare e o escute. Os livros que ele segura não são meros objetos, mas, sim, fragmentos de uma vida, ecos de memória, as cicatrizes de um povo.

Ao apontar a lente da câmera para esse homem, embora com receio de quebrar o encanto do momento, o jovem fotógrafo não percebe que está prestes a atravessar o espelho. O livreiro nota a presença do estranho e, antes de se deixar ser fotografado, pede a ele que ouça sua história. “O senhor não concorda que um retrato é melhor se soubermos o que está por trás dele?”, diz o velho. Assim começa a odisseia de um palestino que escolheu as palavras como seu refúgio, sua resistência e sua pátria.

Foto: reprodução/Intrínseca

Do êxodo à prisão, do engajamento à desilusão política, do teatro à descoberta do amor, das infâncias atravessadas pela guerra às tragédias que nos arrancam aqueles que amamos, a voz do livreiro nos guia pelos labirintos de sua vida, que é o retrato da história de um povo que sofreu décadas de ataques e opressão. Em um mundo em que as bombas ameaçam ter a última palavra, O Livreiro de Gaza (2026) nos lembra de que os livros são nossa maior chance de sobrevivência – não para escapar da realidade, mas para habitá-la plenamente. Um testemunho de que, nesse cenário desiludido, em meio ao caos, uma pessoa que lê parece a mais radical revolucionária.

Há algo profundamente inquietante na forma como a narrativa se constrói. Não se trata de uma leitura difícil do ponto de vista da linguagem – pelo contrário, a escrita é fluida, quase convidativa, como se pedisse para ser lida de uma vez só. O que torna a experiência densa é o peso do que está sendo contado. A realidade exposta é brutal, visceral e acompanha a devastação de Gaza desde muito antes do que hoje ganha destaque nas manchetes, reforçando a ideia de um sofrimento prolongado, contínuo e muitas vezes ignorado.

Foto: reprodução/Instagram @intrínseca

A escolha narrativa também intensifica esse impacto. Em determinado momento, o texto passa a operar em segunda pessoa, aproximando o leitor de maneira quase desconcertante. O “você” não é apenas um recurso estilístico, ele funciona como um chamado, um deslocamento de lugar. A dor, a revolta e o luto deixam de ser apenas dos personagens e passam a atravessar quem lê. Essa imersão faz com que o desfecho seja ainda mais devastador, especialmente quando já se conhece a trajetória daqueles que foram apresentados com tanta humanidade.

Outro ponto central da obra está na forma como ela discute a literatura em si. Em meio ao cenário de guerra, os livros surgem como instrumento de sobrevivência simbólica. Não como fuga, mas como possibilidade de existência. Ler, aqui, é um ato político. É preservar histórias que poderiam ser apagadas, é manter vivas identidades que o conflito insiste em fragmentar. O livreiro, que continua lendo mesmo diante da destruição, encarna essa ideia com força: ele não apenas resiste, como também insiste em narrar.

Foto: reprodução/Intrínseca

A relação com o fotógrafo também é essencial para essa construção. Mais do que um observador, ele se torna uma espécie de extensão do leitor dentro da história – seus olhos, seus braços, sua presença. É por meio dele que a narrativa acontece, mas também é ele quem precisa aprender a escutar, a ir além da imagem superficial. A fotografia, que inicialmente buscava capturar um instante, se transforma em portal para uma vida inteira.

No fim, O Livreiro de Gaza é o tipo de leitura que permanece. Ecoa depois da última página, não apenas pelo que conta, mas pela forma como nos envolve. É um lembrete duro, necessário, de que por trás do que hoje se configura como um genocídio contra o povo palestino existem histórias individuais, memórias e afetos que insistem em sobreviver à tentativa sistemática de apagamento.

Ao encarar essa realidade sem desviar o olhar, a obra de Rashid Benzine não apenas humaniza aqueles que frequentemente são reduzidos a números, mas também tensiona o próprio papel de quem observa de fora. Em meio à destruição, narrar deixa de ser apenas um gesto simbólico e torna-se um ato de resistência contra o esquecimento. Ler, por sua vez, exige responsabilidade: é atravessar essas histórias e reconhecer que o que está em jogo não é abstrato, mas profundamente humano.

Foto: reprodução/Intrínseca

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Leia também: Crítica | A Voz de Hind Rajab e o cinema como memória

 

Texto revisado por Cristiane Amarante

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Cultura Latina Notícias

Cena inédita e pôster de Tetra: Acreditar de Novo são divulgados

O novo documentário revela, com imagens exclusivas da campanha do título, os bastidores da conquista do Brasil na Copa de 1994

Foram divulgados nesta quinta (9) uma cena inédita e o pôster oficial de Tetra: Acreditar de Novo, o novo documentário que retrata a trajetória da Seleção Brasileira rumo ao título mundial de 1994, nos Estados Unidos.

O filme irá mostrar imagens inéditas dos bastidores, além de reviver a campanha do tetra a partir de depoimentos exclusivos dos jogadores, que contam como o grupo viveu aquela conquista por dentro. 

Depois da derrota na Copa de 1990 e o drama da classificação para o Mundial no último jogo das Eliminatórias, a Seleção Brasileira chegou aos Estados Unidos sob enorme pressão e coberta de insegurança. A produção captura o olhar dos atletas e da comissão técnica sobre a ascensão da equipe, resultando na tão esperada conquista do tetracampeonato pelo Brasil 24 anos depois do tricampeonato no México, em 1970.

O documentário também apresenta registros inéditos e espontâneos da seleção de 1994, gravados por dois jogadores: o goleiro Gilmar Rinaldi, que filmou treinos e a convivência do grupo em fitas cassetes; e o lateral-direito Jorginho, responsável por mais de seis horas de gravação do dia a dia da equipe.

Essas cenas nunca antes vistas se somam a depoimentos de diversos jogadores, inclusive de rivais do Brasil na disputa pelo título. Entre eles, estão os craques Romário, Bebeto, Branco, Raí, Zinho, Dunga, Márcio Santos e Viola, e os jogadores italianos Gianluca Pagliuca e Demetrio Albertini.  

Pôster de Tetra: Acreditar de Novo
Foto: divulgação/Netflix

O documentário tem estreia prevista para 7 de maio, na Netflix, com produção da Trailer Filmes e direção e roteiro de Luis Ara.

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Leia também: Histórias reais em destaque com produções do streaming 

 

Texto revisado por Kalylle Isse

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Julia Quinn participa de 3 sessões de autógrafos no Brasil

Em abril, a autora best-seller do New York Times encontrará fãs brasileiros em eventos em Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo

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Cultura Cultura turca Entretenimento Notícias Novelas

Novo personagem chega para agitar a trama de Uzak Şehir

Mehmet Aykaç se une ao elenco da dizi

Novo personagem chega para agitar a trama de Uzak Şehir (tradução livre: Cidade Distante, 2024). A dizi que segue dominando as noites de segunda, mantendo um público fiel há dois anos, ganha mais um nome no elenco.

Foto de Mehmet Aykaç
Foto: reprodução/Instagram @1birsenaltuntas

Mehmet Aykaç é a novidade da produção assinada pela AyNa Yapım. O ator fez sua estreia na televisão com a série Eski Hikaye (tradução livre: História Antiga, 2013), mas ganhou verdadeiro destaque ao integrar o elenco da novela Kırgın Çiçekler (tradução livre: Flores Magoadas, 2015).

O que podemos esperar do novo personagem?

Na história de Uzak Şehir, Aykaç dará vida ao chef Engin e aparecerá como vizinho de Alya, personagem de Sinem Ünsal

Rumores de fãs apontam que o novo personagem deve chegar para balançar a dinâmica do casal principal, causando ciúmes no protagonista Cihan Albora (Ozan Akbaba) e movimentando a narrativa.

Sobre Uzak Şehir

A dizi do Kanal D, com roteiro de Gülizar Irmak, é uma adaptação da série libanesa Al Hayba sobre Alya Albora e os desafios que a mulher enfrenta ao ir, com seu filho de cinco anos, conviver com a família de seu marido que faleceu.

A produção está se aproximando do fim da segunda temporada, e informações sobre a renovação ainda não foram divulgadas. 

Foto de Mehmet Aykaç e Sinem Ünsal.
Foto: reprodução/Instagram @1birsenaltuntas

Além de Engin, a personagem Meryem, vivida por Ceren Moray, e Feyyaz, do renomado ator Ahmet Varlı, chegaram à dizi nas últimas semanas.

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Leia também: Especial | Deniz Baysal: carreira, curiosidades e principais trabalhos da atriz turca

 

Texto revisado por Cristiane Amarante 

Texto em colaboração com Mariana Chagas

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