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Spin-off de Bridgerton é anunciado e romance entre Violet e Edmund será o novo protagonista das telinhas

O streaming responsável por uma das séries mais famosas de seu catálogo agora irá apostar em mais um spin-off que já ganhou o coração dos fãs

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Giovanna Lancellotti será Carmen Miranda no cinema

Esmir Filho vai dirigir a cinebiografia Carmen, que será filmada em 2027 nos Estados Unidos e no Brasil

O cinema brasileiro se prepara para um de seus projetos mais ambiciosos dos últimos tempos! A cinebiografia Carmen apresentará Giovanna Lancellotti no papel da eterna Pequena Notável Carmen Miranda.

O longa-metragem vai retratar a trajetória da mulher icônica que foi uma das maiores estrelas de Hollywood de todos os tempos. O projeto surgiu há quatro anos  quando a atriz, que se tornou produtora do filme, ficou fascinada pela personagem e se debruçou em uma minuciosa pesquisa sobre a vida e a obra de Carmen. 

Foto: divulgação/ Bob Wolfenson

Giovanna Lancellotti iniciou as preparações para o filme há dois anos, com um rigoroso e abrangente processo artístico, corporal e de pesquisa. No Rio de Janeiro, tem tido aulas semanais de preparação de corpo e coreografia com Márcia Rubin e Vanessa Garcia, que conduzem um minucioso trabalho para aproximar os dois corpos, da atriz e da personagem, investigando a essência e os afetos que moldam os movimentos de Carmen Miranda. 

Felipe Habib, que assina a direção de performance e preparação musical do longa, realiza encontros semanais com a atriz em intensa preparação de desenvolvimento técnico, ampliando sua extensão vocal e complexidade musical para corresponder  às exigências da personagem. 

Com roteiro ainda em desenvolvimento e assinado por Mariana Bardan e Eduardo Melo, o projeto reúne grandes nomes da indústria audiovisual brasileira e internacional e promete impactar. 

A produção é da Ananã Produções, de Julio Uchôa, da nova iorquina Producing Partners e da GL Filmes, da própria Giovanna Lancellotti. A H2O Produções é  co-produtora. 

A distribuição nos cinemas brasileiros será realizada pela H2O Films. As filmagens serão realizadas nos Estados Unidos e no Brasil, especificamente no Rio de Janeiro, Maricá e em Petrópolis, no segundo semestre de 2027. O lançamento comercial está previsto para 2028. 

E aí, gostou de saber mais sobre essa cinebiografia? Pretende assistir? Conta para gente nas redes sociais do Entretê! Nos siga no X, no Facebook e no Instagram e não perca as novidades.

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Texto revisado por Gabriela Matuk

 

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Lollapalooza Brasil 2027 revela line-up completo

Edição de 15 anos do festival traz Travis Scott, Charli XCX, The Killers, David Guetta, entre outros para São Paulo

O Lollapalooza Brasil acaba de divulgar, nesta quinta (8), o line-up completo da 15ª edição do festival, que ocorre em 19, 20 e 21 de março no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. 

Entre os headliners estão Travis Scott, Charli XCX, The Killers e David Guetta. Queens of the Stone Age, The Neighbourhood, Fontaines D.C., The Prodigy, Sombr e Mochakk também estão entre as atrações confirmadas no evento.

Confira o line-up completo divulgado:

Lollapalooza Brasil 2027 Line-up
Imagem: reprodução/Lollapalooza Brasil

Entre alguns dos nomes inéditos para o Brasil estão Dominik Fike, Malcolm Todd, Geese, Raye, Slayyyter e Adéla. Cage The Elephant retorna após dez anos, já tendo participado na primeira edição do festival no país em 2012, e em 2017.

Os ingressos para o festival já estão à venda pelo site oficial da Ticketmaster Brasil.

Clientes Bradesco têm 15% de desconto em até dez vezes sem juros. Demais clientes podem parcelar o valor em até três vezes sem juros. O evento oferece 3 opções de ingresso: Lolla Pass, Lolla Comfort e Lolla Lounge, que garantem entrada aos três dias de festival. Os ingressos por dia ainda não foram liberados.

Confira o valor do lote em vigor para o Lollapalooza Brasil 2027, antes das taxas:

Lolla Pista

Inteira: R$ 2.352,00

Entrada social: R$ 1.313,60 

Meia: R$ R$ 1.176,00 

Lolla Comfort

Inteira: R$ 4.822,00

Entrada social: R$ 2.672,10

Meia: R$ 2.411,00

Lolla Lounge

Inteira: R$ 4.872,00

Entrada social: R$ 3.833,60

Meia: R$ 3.696,00

Em entrevista ao Tracklist, Marcelo Beraldo, diretor artístico do evento, comentou sobre a seleção de artistas para a edição deste ano: “É um line-up que responde ao que está acontecendo neste momento, e não ao que funcionou há anos atrás, apesar de também sempre fazermos homenagens. Conectado entre si. Os artistas se conversam. Você vai encontrar pontes entre gerações e entre gêneros que não são óbvias no papel, mas que fazem todo sentido quando você atravessa o Autódromo de um palco ao outro. E, acima de tudo, conectado com o público”.

Para mais informações sobre essa edição do Lollapalooza Brasil, acesse: https://www.lollapaloozabr.com 

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Texto revisado por Gabriela Matuk 

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Entrevista | Danni Suzuki fala sobre identidade, tecnologia e o que ainda nos torna humanos

Em conversa com o Entretetizei, atriz, diretora e autora fala sobre o seu lançamento Humanos do Futuro, os impactos da inteligência artificial, representatividade, espiritualidade e uma carreira que nunca coube em uma única definição

Por muito tempo, parte do público conheceu Danni Suzuki principalmente diante das câmeras. Atriz e apresentadora de uma geração que cresceu acompanhando a televisão brasileira, ela construiu uma trajetória que, vista de hoje, parece difícil de acomodar em uma única profissão. Vieram a direção, o roteiro, a neurociência, as palestras, o trabalho humanitário e, mais recentemente, a literatura. Para Danni, porém, essa expansão não começou quando decidiu procurar novos caminhos. Ela já estava ali desde o início.

Antes mesmo da atuação, seu interesse passava pela animação 3D e por aquilo que acontecia atrás das câmeras: roteiro, enquadramento, construção de personagens e as diferentes formas de contar uma história. Entrar no audiovisual apenas multiplicou as possibilidades. “É impossível entrar num mundo desse tão vasto, com tantas possibilidades, e se interessar por uma coisa só”, afirma. E, quando perguntada se já chegou à linha de chegada, a resposta vem sem hesitação: “Eu nem comecei.”

É justamente desse lugar de curiosidade que nasce Humanos do Futuro: Por Que a Revolução Tecnológica Exige uma Revolução Humana, primeiro livro da artista. Em vez de olhar apenas para o que as máquinas serão capazes de fazer, Danni desloca a pergunta para quem estará diante delas. Identidade, consciência, relações e os limites entre adaptação e perda de autonomia atravessam uma reflexão construída em um momento no qual, para ela, acompanhar a velocidade tecnológica exige também reconhecer que o ser humano tem outro ritmo — um que precisa de tempo, espaço e silêncio.

Em entrevista ao Entretetizei, Danni, que acaba de celebrar a chegada dos seus 49 anos, revisitou mais de três décadas de carreira e falou sobre a relação com o público que cresceu ao seu lado, a influência da neurociência em seu trabalho como atriz, a experiência com refugiados e os caminhos ainda necessários para que a diversidade seja tratada com naturalidade no audiovisual brasileiro. Entre o passado que a tornou conhecida e um futuro que ela mesma admite não conseguir imaginar com clareza, uma questão atravessa a conversa: como continuar sendo humano quando o mundo ao redor muda cada vez mais rápido?

Uma carreira que nunca coube em um lugar só
Foto: reprodução/instagram: @nanda.araujo.fotografia

Antes mesmo de se tornar um rosto conhecido da televisão, Danni Suzuki já se interessava pelo que existia para além das câmeras. Animação 3D, roteiro, construção de personagens e enquadramento faziam parte de uma curiosidade que, com o tempo, encontrou espaço também na direção, na neurociência, na escrita e em outras frentes de atuação. Essa expansão aconteceu diante de um público que também mudou: parte de quem a conheceu em Malhação, há mais de duas décadas, continua acompanhando seus novos interesses e reconhecendo, em outras versões de Danni, alguém que fez parte da própria história

Entretetizei: Você construiu uma carreira de mais de três décadas e, durante muito tempo, foi reconhecida principalmente como atriz e apresentadora. Hoje, seu nome também está ligado à neurociência, à direção, à escrita e ao trabalho humanitário. Em que momento você percebeu que já não cabia mais apenas no lugar em que o público inicialmente havia aprendido a enxergá-la?

Danni Suzuki: Desde aquele momento.

Eu já comecei sabendo que aquilo ali não era só o que eu queria, que eu queria ir muito além. Porque eu sempre tive muito interesse e muita curiosidade de entender todo aquele mundo.

Antes de eu me tornar atriz, eu queria trabalhar com desenho animado, com animação em 3D. Então, eu já me interessava pelo backstage, pelo roteiro, pela construção dos personagens, pelo enquadramento, por como eu iria contar aquela história e pelo próprio trabalho das emoções.

Mas aí, depois, a vida vai te apresentando outros caminhos de chegar até ali, e cada universo desse que você vai entrando é um universo de pessoas, é uma outra tribo totalmente diferente. Os atores, os roteiristas, os diretores, palestrantes, apresentadores de TV são tribos completamente diferentes, são pessoas diferentes, que têm uma rotina diferente, são universos paralelos ali que trabalham para uma única obra. Até o pessoal da iluminação, o cenário, cada um é um mundo muito grande, muito amplo e muito complexo. Então, as pessoas são diferentes, têm características diferentes, objetivos diferentes, é realmente um mundo.

É impossível entrar num mundo desse tão vasto, com tantas possibilidades, e se interessar por uma coisa só, porque tudo é muito interessante.

Então, conforme você tem a oportunidade de ir se expandindo e se experimentando em outras áreas, você vai descobrindo outras habilidades que você tinha, que você não sabia, outros interesses que você nem sabia que existiam, porque você só passa a conhecer realmente quando você entra ali. Porque a gente conhece o mundo do outro muito superficialmente, mas só depois que você entra que você começa a entender como é que aquilo ali funciona.

Eu acho que eu sempre tive essa vontade. Eu sempre achei que eu não caberia. Como hoje, eu continuo sentindo que o lugar que eu quero ir ainda, o lugar que eu quero estar, eu ainda não consigo nem imaginar como é que é lá.

E: Você ainda não chegou à sua linha de chegada?

DS: Não, de jeito nenhum. Eu nem comecei.

E: Existe uma geração que cresceu te acompanhando na televisão e que agora te reencontra falando sobre comportamento, tecnologia e desenvolvimento humano. Como é perceber que, enquanto você se transformava profissionalmente, o público que te acompanha também estava crescendo e mudando com você?

DS: Para mim, é muito gratificante acompanhar e encontrar pessoas que me viam naquela época, uma época em que eu ainda não tinha maturidade para entender nem essa expansão, nem o quanto isso impactava no sentimento das pessoas. E a confirmação é eu encontrar pessoas tantos anos depois — às vezes, que me viam lá na primeira Malhação, 20 anos atrás — que guardam aquela memória emocional de alegria, de divertimento, de inocência, ingenuidade, que eram muito do personagem da época. Era uma época em que a Malhação era muito simples, eram brincadeiras bobas, que a gente fala que eram as brincadeiras de “quinta série” que aconteciam todas naquela época, mas que trazem essa alegria, que fazem parte de quem a gente é hoje.

Então, esse carinho foi trazido até aqui. Isso me reforça ainda mais o que eu estudo tanto dentro da ciência: o quanto os impactos emocionais constroem uma identidade, moldam um caráter e moldam um sentimento que a gente tem por uma pessoa que, às vezes, a gente nem conhece, não sabe da vida individual. Mas como o cérebro ainda constrói a realidade junto com o imaginado, o quanto a gente protege essas emoções e essa imagem que a gente constrói das pessoas, com carinho, com amor, ou com raiva, ou com decepção, conforme aquilo impacta na nossa vida.

A forma  como funciona essa construção humana me interessa muito, até porque ela diverge muito quando você muda de cultura. Pessoas de outro país, que têm uma vida muito diferente, que têm uma experiência de vida muito diferente: como isso impacta e se registra dentro do sentimento de cada um e quanto isso molda o comportamento das pessoas.

Acompanhar essa evolução das pessoas, para mim, é muito cativante — as pessoas que conseguiram perceber, que evoluíram junto comigo. Ao mesmo tempo que tem pessoas que evoluíram e que estão hoje buscando as mesmas coisas que eu estou buscando, que têm ali uma idade próxima à minha ou não, eu vejo também pessoas ainda paradas lá naquela época, ainda vivendo aquilo lá, que vivem com aquele mesmo pensamento. Não só os fãs, como também atores que ainda vivem naquele tempo, ainda estão naquele tempo, vivendo aquela mesma emoção, ainda não evoluíram, não se experimentaram para outras coisas.

Você vai percebendo o tempo de cada um. Não digo que um é certo ou errado, mas é o tempo que cada um precisa estar dentro daquela emoção ainda, vivenciando aquilo. Para mim, hoje, ter pessoas que me acompanharam, que me entendem hoje, que conseguem ver o quanto eu evoluí, o quanto eu amadureci, que elas foram junto, evoluindo, amadurecendo, e que hoje a gente divide as mesmas questões, é muito interessante. Porque é uma troca de quem acompanhou aquilo tudo, que está vendo o mundo por uma outra perspectiva, diferente da minha, mas que está compreendendo o que eu estou falando, que está tendo os mesmos interesses. Então, isso, claro, torna a nossa aldeia muito maior.

E: A identificação do passado permanece hoje porque ela foi evoluindo junto. Isso é bem legal.

DS: Muito. E, para onde a gente vai daqui para frente. Nem eu sei o quanto essas outras pessoas também ainda podem me trazer coisas que vão me revelar caminhos que eu ainda não conheço. Então, acho que hoje a internet dá essa possibilidade de a gente ter essa troca, de a gente ter acesso a essas pessoas, porque, se não tivesse isso, talvez eu nunca soubesse o quanto isso representou para outras pessoas naquela época, o quanto é importante a gente construir personagens assim, para que as pessoas possam realmente se espelhar e seguir um caminho.

Entre a velocidade das máquinas e o tempo humano
Foto: reprodução/instagram: @nanda.araujo.fotografia

Em Humanos do Futuro, a tecnologia aparece menos como destino inevitável e mais como um elemento que exige atenção constante sobre as escolhas que fazemos diante dela. Depois de mais de dois anos de pesquisa e escrita, Danni Suzuki passou a enxergar de outra forma a ideia de controle e os limites da adaptação a um mundo cada vez mais acelerado. Ao mesmo tempo que o digital ampliou seu acesso a pessoas, culturas e conhecimentos, também trouxe novos questionamentos sobre identidade, valores e sobre o que acontece quando a velocidade das máquinas começa a ditar o ritmo da vida humana.

E: Em Humanos do Futuro, você defende que, quanto mais inteligentes as máquinas se tornam, mais humanos precisamos nos tornar. Depois de mais de dois anos escrevendo e pesquisando para o livro, houve alguma convicção sua sobre tecnologia ou comportamento humano que precisou ser desconstruída no processo?

DS: Eu acho que a construção do controle. Por algum momento, eu achei que a gente pudesse ter controle dessa tecnologia, de como a gente deve se comportar.

Hoje, eu entendo que a gente não tem um controle, a gente tem caminhos que a gente pode escolher percorrer e que, desde o momento que você escolhe esse caminho, não significa que você está protegido dentro dali.

Então, é um trabalho. Hoje, tenho clareza de que é um exercício diário que a gente tem que fazer diante dos nossos valores, do nosso comportamento, das coisas que a gente quer para a gente.

Tem que ter muita clareza e tem que ser revisto todos os dias. A nossa identidade tem que ser reconstruída todos os dias, porque a tecnologia veio de uma forma muito massiva, intensa, amplificando tudo com uma velocidade muito estrondosa e numa potência muito grande. Se você não acompanha essa mesma potência, você é levado por ela.

Só que, ao mesmo tempo que a gente entende hoje que tem que acompanhar a potência, a gente também tem a nossa velocidade humana, que é outra, que precisa de tempo, que precisa de espaço, que precisa de silêncio, que não precisa dessa velocidade, que precisa de tempo ocioso para a gente ter o equilíbrio.

Então, hoje, manter esse equilíbrio é um exercício diário para mim. Eu tenho essa clareza e, ao mesmo tempo, entendo que eu preciso também estar sempre aprimorando a minha capacidade de me adaptar e de me preparar para poder acompanhar tudo isso, para também não ter o meu momento “agora, na natureza, vou me ausentar de tudo isso” e, quando eu volto para me colocar em cena, o mundo já está em outro lugar.

A gente tem que estar aqui e lá ao mesmo tempo, se reorganizando espiritualmente, biologicamente para isso, psicologicamente, reestruturando toda a nossa filosofia de vida mesmo, cada vez mais forte dentro da nossa espiritualidade, conectada com a espiritualidade, porque, independente de todo esse movimento, a única coisa que nos difere da máquina é a nossa espiritualidade, é o fato da gente não ser uma máquina, da gente ser um ser espiritual. E isso, para mim, é muito claro. A ciência me traz isso de uma forma também muito clara. Cada vez que eu mergulho dentro da ciência, mais eu entendo que somos seres espirituais e que as coisas estão muito conectadas. E eu acho que, hoje, a tecnologia toma conta da gente de uma forma tão inconsciente dos nossos valores que, ao mesmo tempo que é uma aliada e nos dá velocidade, pesquisa e acesso a pessoas, ela também é muito perigosa.

Porque ela pode te apagar completamente e te fazer sumir com toda a sua identidade. E isso, para mim, é o fator mais importante pelo qual eu me sinto, hoje, na obrigação de compartilhar esses estudos, seja em livros, seja em cursos, em palestras, seja nas minhas obras, escrevendo filmes, séries, e trazer todas essas informações para as pessoas.

E: Você fala sobre consciência digital como algo que vai além de saber utilizar a tecnologia e passa por perceber quem nos tornamos quando estamos diante dela. Quando olha para a Danni que começou a carreira antes das redes sociais e para a profissional que existe hoje, o que a vida digital transformou em você, para melhor e, talvez, para pior também?

DS: Eu acho que ela ampliou muito o meu mundo.

Ela me trouxe acesso a muitas pessoas de outras culturas, que têm outra religião, outra língua, outra perspectiva de vida, outra filosofia, outra forma de ver o mundo, muito diferente. Então, ela me trouxe pesquisas, ela me traz uma atualização o tempo todo de como o mundo está se movendo por todos os lados, todas as possibilidades, traz até as possibilidades irreais, mostrando o quanto aquilo pode nos confundir no futuro.

(Eu) acho que ela me ampliou muito para ver outras coisas. Antes, eu me limitava às minhas viagens, aos meus acessos pessoais, às pessoas, mas, ao mesmo tempo, ela mostra o quanto é perigosa, o quanto é enganosa, o quanto ela pode trazer com muita verdade uma grande mentira e confundir a nossa mente.

Então, hoje eu entendo que tenho que estar aberta a tudo, mas muito atenta aos meus valores pessoais, às coisas em que realmente acredito, ao que realmente move meu espírito.

Se eu perceber, em algum momento, que isso está me desconectando de Deus, eu dou um passo atrás, porque são as clarezas que eu tenho que ter. Assim, acho que, dentro de mim, definitivamente, sou um ser espiritual e estou aqui numa passagem, num processo de aprendizado. Quanto mais eu pesquiso, quanto mais eu estudo, quanto mais eu tenho informações, mais eu percebo que eu nada sei, que as pessoas nada sabem, que toda informação que a gente tem certeza hoje, amanhã já não é mais uma certeza tão absoluta e que a gente tem que estar aberto às novas possibilidades.

Cinco chaves para continuar sendo humano
Foto: reprodução/instagram: @nanda.araujo.fotografia

Entre as reflexões propostas em Humanos do Futuro, Danni Suzuki organiza parte de suas ideias em cinco chaves: identidade, reconexão, sintonia, entrelaçamento e servir. Mais do que conceitos isolados, elas atravessam a forma como a autora compreende a construção de quem somos, nossas relações e a maneira como enxergamos o outro. Talvez por isso, quando convidada a escolher qual delas foi mais importante em sua própria trajetória, Danni não tenha conseguido ficar com apenas uma. Essa mesma busca por compreender o comportamento humano ultrapassou as páginas do livro e chegou também ao seu trabalho como atriz, transformando a maneira como ela lê roteiros e constrói seus personagens.

E: O livro apresenta as Cinco Chaves da Expansão. Se você tivesse que olhar para a sua própria trajetória e escolher a chave que mais precisou desenvolver para chegar à mulher e à profissional que é hoje, qual seria? Por quê?

DS: Difícil, porque eu preciso das cinco. A identidade, eu reconstruo todo dia. E, se eu não tivesse essa reconstrução de identidade, eu certamente não teria chegado onde cheguei. Eu fui definindo as minhas crenças, tendo clareza de quem eu sou, tendo clareza de quem é meu pai, minha mãe, os erros que eles cometeram, o que eu não queria repetir, o que eu queria repetir. Então, isso tudo foi compondo muito quem eu sou, o que eu acho que é válido realmente, o que eu fiz por imaturidade ainda, o que eu queria mudar.

Então, isso me constitui diariamente, define com clareza as minhas escolhas. Mas aí, quando eu passo por uma reconexão — que é uma comunicação com o outro —, esse fato de eu me interessar pela vida do outro, de eu mostrar para o outro que ele é importante, que ele é valoroso, isso é a ponte que eu preciso para chegar a uma sintonia. A sintonia é aquela que eu trago como a terceira chave, que é eu conseguir ver o mundo pela perspectiva do outro, mas não pelo que eu penso do outro, pelo que eu acho. É realmente entrar no mundo do outro e perceber as necessidades dele, necessidades naturais de sobrevivência. Eu entender o mundo pela perspectiva do outro para eu perceber meus próprios preconceitos, meus próprios erros, as minhas dificuldades. Eu percebo que eu conheço muito mais do meu mundo quando eu entro no mundo do outro. Ele sempre me bota em choque, sempre me bota em provação e me faz repensar várias coisas.

E o entrelaçamento, ele vem me deixando a clareza de que a vida não é sobre mim. Estamos todos conectados. Tudo que eu faço vai impactar as pessoas ao meu redor, tudo que as pessoas ao meu redor fazem impacta na minha vida. Então, não adianta eu não me importar com o que o outro está fazendo, achar que não é problema meu, que a vida não é minha. Definitivamente, para mim, com muita clareza, estamos todos conectados. Não só as pessoas que diretamente estão conectadas a mim, mas aquela história “do amigo, do amigo, do meu amigo”. Hoje eu entendo o quanto a gente está numa cadeia de conexão. Somos todos um pedaço de um todo. Somos todos um.

E o servir, que é o que traz realmente o propósito para a minha vida e que traz um significado. Para quê acumular experiências, acumular conhecimento, acumular dinheiro, casa, profissão, uma vida sólida, família? Para quê tudo isso? Se o sentido não for para o servir, para estar aqui pelo outro, para entender que a humanidade precisa avançar junto, para que eu vou querer um monte de coisa se as pessoas ao meu redor não estão adquirindo as mesmas coisas? Elas não vão conseguir me acompanhar. Então, você novamente parte para a solidão. O propósito traz muita clareza da vida, de que a vida não é e nem nunca foi sobre você, ela é sobre nós.

Tudo que eu quero e acumulo hoje para a minha vida é pelo outro. Ninguém quer a casa dos sonhos para morar com um monte de gente insuportável que não tem boas relações. Ninguém quer o carrão do ano se não tiver ninguém para exibir o carrão do ano.

Ninguém quer viajar o mundo sem companhia. Então, o grande segredo da vida está nas relações. Nosso trabalho é uma desculpa para a gente aprender a se relacionar, passar por dificuldades e desafios. A nossa família é uma grande desculpa para a gente entender o quanto a gente permanece ao lado das pessoas que estão ligadas à gente, a gente querendo ou não.

Os amigos, os nossos relacionamentos, tudo é uma grande desculpa para a gente se relacionar. A vida é sobre nós, sobre os seres humanos enquanto humanidade. A gente individualmente, sozinho, acumulando coisas — pode ter casa, helicóptero, ter tudo na tua vida — e sua vida vai continuar vazia, sem um propósito. Então, o servir, essa maturidade, que a gente entende que você pode desenvolver um amor incondicional, não por você, mas pelo outro, ela, para mim, é muito real.

E: Você já contou que a neurociência mudou inclusive a maneira como constrói personagens. Quando recebe um roteiro hoje, existe uma espécie de segunda leitura da Danni pesquisadora, tentando compreender os traumas, crenças e mecanismos daquele personagem que talvez a Danni atriz de alguns anos atrás não fizesse?

DS: Com certeza. Hoje me incomoda muito receber texto quando o personagem não foi construído. Eu fico: “Mas por que esse personagem tá fazendo isso? O que levou a fazer isso?”

Então, quando eu não tenho, eu faço esse exercício de construir um passado, de construir uma justificativa, de construir uma linha para aquilo ali, porque tudo que a gente faz hoje está relacionado aos nossos traumas de infância, às nossas escolhas, ao pai e à mãe que a gente teve, às pessoas com quem a gente se relaciona. A gente é um conjunto de pessoas especiais que fazem parte da nossa vida.

Quando chega um personagem desses, fazendo coisas sem pé nem cabeça, sem uma razão, hoje eu sinto necessidade de buscar essa razão. Tempos atrás, eu simplesmente ia lá e falava o texto da forma mais natural possível porque eu tinha que falar, e também me dava por satisfeita.

Hoje não. Hoje já implico, já fico: “Tá, mas qual o sentido? Se faz isso aqui, tem que ter sentido.” Aí eu começo a procurar justificativa para tudo. Realmente, é o que me faz me agarrar mais ou não àquele personagem, encontrar as modulações de texto que eu quero colocar ali, criar meus subtextos dentro do texto.

E: E se você não fizer, os fãs nas redes sociais vão fazer. Porque hoje em dia os fãs são assim, quando você não encontra o subtexto, os fãs vão encontrar.

DS: E isso não só no subtexto de novela, de série. Hoje, se você não tiver clareza da sua identidade, as pessoas vão definir a sua identidade por você. Elas vão definir o que você é pela forma como elas estão te sentindo, te expressando. E, às vezes, elas acabam numa definição que nem é você. Aquilo nem é a sua opinião, mas ela foi demarcada daquele jeito. Daquele jeito ela foi aceita, e você acaba aceitando porque você se sente pertencente.

Então, hoje, essa construção da identidade é muito frágil diante da tecnologia. A pessoa ganha um dinheirinho e quer ficar com a cara do outro, está todo mundo fazendo a plástica para ficar com a cara igual. Hoje as pessoas perderam a própria autonomia. Você quer o corpo do outro, a roupa do outro, a cara do outro, tudo. Você quer o marido, a família, tudo do outro. Parece melhor. Porque aquilo foi definido assim.

Parece que, se você não se encaixar nesse molde, você não vai ser pertencente, aquela tribo não vai te aceitar. Se a sua opinião não for a mesma que a de todo mundo, você vai enfrentar uma avalanche contra você por causa de uma opinião. E aí a gente acaba se moldando e se tornando uma pessoa que nem a gente é, fazendo coisas que a gente nem gostaria de fazer porque está no clima, porque está precisando se sentir pertencente.

Quando tudo se perde, o que permanece?
Foto: reprodução/instagram: @nanda.araujo.fotografia

Fora dos sets e das pesquisas, o trabalho humanitário também atravessou a maneira como Danni Suzuki compreende o ser humano. O contato com refugiados a aproximou de histórias marcadas por perdas que vão além de bens materiais: deixar para trás um país pode significar também recomeçar em outra língua, outra cultura e, muitas vezes, sem poder exercer a profissão construída ao longo da vida. Diante de pessoas obrigadas a reconstruir praticamente tudo, Danni encontrou uma resposta muito particular sobre aquilo que ainda pode permanecer quando tantas outras referências desaparecem.

E: Seu trabalho com refugiados te colocou diante de histórias atravessadas por perda, deslocamento, pertencimento e reconstrução. O que essas pessoas te ensinaram sobre ser humano que nenhuma formação acadêmica ou experiência dentro do audiovisual conseguiria ensinar?

DS: Eu acho que, quando a gente perde tudo, a única coisa que fica realmente nessas pessoas é a fé. Quando você perde o seu emprego, a sua casa, a sua família, você perde o seu país e vai para um outro país, você tem que começar uma nova língua, a profissão que você tinha não serve mais de nada, você veio com a roupa do corpo, você recomeça a sua vida naquela idade, em um outro lugar, em uma cultura muito diferente, em um mundo completamente diferente.

A única coisa que segura a gente em pé é a fé. A única coisa que sustenta o ser humano em pé ainda, depois de tantas perdas físicas, psicológicas, depois de você perder tudo o que você construiu, onde sua emoção esteve linkada e toda a sua vida virou pó. 

Então, isso, para mim, trouxe mais uma clareza de quanto a gente é um ser espiritual, o quanto o que realmente sustenta a gente, quando você perde tudo, é a sua espiritualidade, a sua força, é aquilo que ninguém pode tirar. É de onde vêm respostas que você não pode explicar, é de onde vem uma força, uma energia de fazer o que você nem sabe fazer, que você vai vir a aprender, vai se propor a fazer.

Diversidade sem precisar de justificativa
Foto: reprodução/instagram: @nanda.araujo.fotografia

Se hoje existe uma preocupação maior em construir elencos diversos, para Danni Suzuki, representatividade também passa pela maneira como esses personagens são inseridos nas histórias. Depois de atravessar diferentes momentos da presença asiática no audiovisual brasileiro, ela percebe avanços, mas questiona uma lógica que ainda trata determinadas identidades como algo que precisa ser explicado pela narrativa. Para Danni, a mudança se torna mais profunda quando diferentes etnias, culturas e sotaques podem simplesmente fazer parte daquele universo com a mesma naturalidade com que existem fora das telas.

E: Você viveu diferentes momentos da representação asiática na televisão e no cinema brasileiros e chegou a um marco com Segredos. Quando olha para personagens que interpretou no começo da carreira e para os espaços que ocupa hoje, você sente que o audiovisual brasileiro realmente mudou ou ainda estamos em uma fase em que determinadas conquistas continuam sendo exceções? 

DS: Estamos numa fase de transformação, mas ainda falta muito para caminhar.

Eu acho que abriu-se mais o espaço da diversidade, essa preocupação de ter um elenco diverso nas histórias, mas ainda existe uma limitação muito grande na construção desses personagens.

Por exemplo, se escrevo uma série agora, e a protagonista é asiática, parece que os canais, os patrocinadores, enfim, quem vai comprar aquela obra precisa de uma justificativa para dizer: “Tá, mas por que a protagonista é asiática? Se não tem nada na história que fale sobre isso. Ela não veio do Japão, não tem uma família asiática?”. Não é. É só um personagem, ela é assim.

Assim como uma série que eu escrevi, em que a protagonista era asiática e a melhor amiga era muçulmana. Por quê? Porque eu tenho uma amiga que é muçulmana e eu quero colocá-la como a melhor amiga. Eu não preciso falar sobre isso, eu não preciso justificar essa amizade, eu não preciso justificar a etnia de ninguém. São pessoas que estão ali e a história que a gente está contando é outra, não tem nada a ver com isso, mas aí fica parecendo que precisa de uma justificativa. Então, é isso que eu acho que ainda é um empobrecimento intelectual, um empobrecimento de criatividade, de não ver realmente essa diversidade acontecer de uma forma natural.

É diferente quando você coloca e justifica por que está ali, de você colocar e, depois de um tempo em que aquilo está ali, em que aquilo vive, aquilo se torna natural para você. Você ter a curiosidade: “Por que está aquilo ali?” sendo que ninguém pergunta: “Por que chove todo dia?” ou “Por que o sol nasce todo dia?”. “Por que está chovendo nessa cena?” Porque tá. Aí eu tenho que explicar por que está chovendo? Porque um dia chove, um dia o sol abre. Eu não preciso ter uma justificativa específica para essa história se não se passa sobre isso.

Então, parece que hoje eu ainda tenho que justificar as diferentes pessoas. E, não só isso, depois ainda falar: “Ah, aqui na minha série eu tenho um negro, um oriental, um indiano, tem sotaque de não sei o quê…”. Parece que, assim estou cumprindo protocolo, está misturado. E o ser humano é tão complexo, a gente é tão misturado. Não existe uma lista de etnias que precisam ser exploradas. São muitas, são muitas personalidades, são muitas pessoas.

O Brasil é uma mistura de sotaques. Quando que você vai ver num filme cada um dos sotaques diferentes? Quando você vai ver cada um de um canto, tudo misturado ali, como é a realidade? Eu vou ali, vou comprar um negócio, encontro um com sotaque diferente, é normal. Cruzo com oriental, cruzo com negro, tudo acontece ao mesmo tempo. Mas, às vezes, ainda parece que, no audiovisual, se acontecer um, tem que explicar: Ah, encontrei no elevador.

E a gente chegou num lugar em que, se acontecer com essa pessoa, “não posso falar certas coisas, que hoje, se eu falar as coisas para essa pessoa, pode pegar mal”. Hoje são tantos os cuidados, é tanta inverdade dentro daquilo que parece que abriu uma diversidade assim: “É diversidade? Vamos colocar, mas vamos proteger para que isso não seja visto”, quando, na realidade, essa proteção não existe. Tem que colocar, tem que viver, tem que sentir, e a realidade é essa. Eu acho que essa verdade ainda falta.

O que fica — e o que ainda virá
Foto: reprodução/instagram: @nanda.araujo.fotografia

Depois de uma trajetória construída entre diferentes profissões, interesses e formas de se relacionar com o público, pensar em legado leva Danni Suzuki menos ao que gostaria de deixar associado ao próprio nome e mais ao que espera despertar nas pessoas. É uma reflexão que também aponta para o futuro. Em meio às possibilidades abertas pelo avanço da inteligência artificial e às discussões sobre os próprios limites da vida humana, Danni se permite imaginar quem será daqui a dez anos — e se haverá escolhas que nenhuma tecnologia poderá fazer por ela.

E: Você passou de uma carreira muito associada à televisão aberta para construir uma presença que atravessa cinema, streaming, direção, educação, causas humanitárias, palestras e agora literatura. Quando pensa em legado, o que gostaria que permanecesse associado ao nome Danni Suzuki para além dos personagens e programas que fizeram parte da sua história?

DS: Eu gostaria que as pessoas lembrassem da sua própria responsabilidade de se tornar um multiplicador do bem, de ser uma pessoa construtora de boas ações, de coisas do bem, de as pessoas terem essa preocupação com o bem.

Parece que é uma coisa antiga, ser do bem ou ser do mal, parece uma coisa básica, mas hoje a gente está precisando repensar em boas atitudes, na preocupação de elogiar uma outra pessoa, de tirar daquela pessoa mais difícil as melhores qualidades, de você fazer esse exercício mesmo da empatia, de se abrir, de estar aberta, na sua vida, a novas possibilidades, a outras opiniões, a análises diferentes da sua, a pessoas que tenham perspectivas diferentes de você, a tempos de vida e de evolução diferentes de você.

Então, essa paciência com o outro, esse interesse pela outra pessoa, de entender que todo mundo é inteligente, todo mundo é importante, todo mundo é valoroso, todo mundo tem coisas boas a se tirar. Tem pessoas que, às vezes, estão só manifestando coisas ruins porque estão só recebendo coisa ruim, estão sendo incentivadas a coisas ruins.

Não que eu não ache que existem pessoas boas e más na sua essência, acredito que sim, mas eu acho que, na grande maioria, somos pessoas boas até onde dá. Várias pessoas que são pessoas boas estão se perdendo desses valores porque estão indo na onda do outro, porque é moda fazer errado, é moda. O outro, que é meu ídolo, que eu gosto da música, que é bacana, fez aquela besteira, então vamos todo mundo fazer, porque está legal, está perdoado.

Então, esse cuidado que eu acho que as pessoas têm que ter de pensar na consequência de cada ação sua, como essa ação vai se reverberar na vida da outra pessoa. Então, essa preocupação, esse cuidado de você ser uma pessoa do bem e multiplicar coisas do bem, eu acho que seria uma coisa interessante. Adoraria que as pessoas, quando pensassem em mim, lembrassem de fazer isso

E: Em Humanos do Futuro, você propõe uma reflexão sobre quem estamos nos tornando enquanto a tecnologia avança. Se pudesse fazer uma única pergunta para a Danni que estará vivendo daqui a dez anos — em um mundo provavelmente ainda mais atravessado pela inteligência artificial —, o que gostaria de perguntar a ela? E o que você teria medo de descobrir?

DS: Uma pergunta que eu já até me fiz agora e que eu penso que vou perguntar a ela daqui a dez anos — porque, com a promessa agora do avanço da inteligência artificial, com a inteligência sintética, com o ponto que a gente está avançando biologicamente, cientificamente, a ponto de a gente questionar hoje a morte, a ponto de a gente questionar se, depois de certo ano realmente todos iremos morrer ou vai haver realmente uma transição da consciência para um outro corpo robótico, humanoide, que vai dar essa extensão de vida — eu me pergunto se eu gostaria de me colocar nesse lugar, de estar aqui ainda.

Se eu tivesse essa possibilidade de hoje transferir a consciência para um outro corpo, se meu corpo já não suporta mais a vida aqui, se eu gostaria de ficar ou se eu respeitaria esse tempo final, esse limite de sair desse mundo e, quem sabe, retornar ou não, ou ir para outros lugares.

Mas, às vezes, eu penso que esse desejo, esse medo de morrer, esse medo de chegar ao fim desse ciclo aqui, para tantas pessoas que querem eternizar, que querem fazer essa transição de consciência para um novo corpo e nunca sair daqui, seria, na verdade, uma grande prisão. Que essa busca dessa liberdade está, na verdade, se prendendo a um fim necessário para a nossa própria evolução.

Então, eu me pergunto se, diante do que vai surgir no mundo, eu vou fazer essa escolha de partir.

Antes de abrir a primeira página
Foto: reprodução/Jornal O Dia

Depois de falar sobre identidade, relações, espiritualidade, tecnologia e os caminhos que ainda imagina para o futuro, Danni Suzuki volta ao ponto que atravessa toda a conversa: Humanos do Futuro não nasceu, para ela, como um livro sobre máquinas. No centro está o ser humano e a responsabilidade de preservar aquilo que considera essencial em meio às transformações tecnológicas. Para encerrar a entrevista, pedimos que resumisse essa ideia em apenas um minuto — como se tivesse uma única chance de convencer alguém a abrir a primeira página.

E: Se você tivesse apenas um minuto para convencer alguém a ler Humanos do Futuro, o que gostaria que essa pessoa soubesse antes de abrir a primeira página?

DS: Eu gostaria que você soubesse que esse não é um livro sobre tecnologia. Esse livro é sobre consciência humana no mundo tecnológico. É um livro que fala sobre você, sobre mim, sobre todos nós, para onde estamos indo.

E esse livro é o que vai te mostrar que o futuro não é o lugar para onde a gente está indo, mas é a frequência que a gente escolhe hoje. Então, esse livro traz as ferramentas que são extremamente importantes para você manter o que você tem de mais valioso nesse momento, nessa grande transição tecnológica, em que a inteligência artificial se potencializa a cada segundo dentro da nossa vida.

O futuro começa no presente

Ao longo da conversa, Danni Suzuki retorna diversas vezes à ideia de que nenhuma transformação acontece de maneira isolada. Tecnologia, identidade, relações e escolhas se atravessam, e pensar sobre o futuro também significa observar com mais atenção aquilo que estamos construindo agora. Se as máquinas continuarem avançando, Humanos do Futuro propõe que a pergunta mais urgente talvez permaneça do nosso lado: quem queremos ser enquanto tudo isso acontece?

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Texto revisado por Marina Barrelli de Carvalho

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