Entre templos taoístas, igrejas barrocas e letreiros bilíngues, Macau guarda um capítulo fascinante da história de um pedaço de Portugal que sobreviveu dentro da China e continua misturando culturas com naturalidade
É possível pedir um café em português no meio da China. Em Macau, as ruas têm nomes como Rua da Felicidade e Travessa da Saudade, as placas do governo são bilíngues e até as pastelarias exibem orgulhosamente o nome em letras portuguesas. Mas o que parece uma curiosidade exótica tem raízes profundas: Macau foi o primeiro território europeu em solo chinês, e sua história é um dos encontros culturais mais longos e improváveis do planeta.
Cercada de luzes de cassinos e arranha-céus, a cidade ainda guarda sua alma antiga. Caminhar por lá é atravessar séculos de convivência entre o Oriente e o Ocidente, uma convivência que deixou marcas na língua, na comida, na arquitetura e até na maneira como o tempo parece passar mais devagar.
Uma história que começou com o mar e a diplomacia
A história de Macau começa no século XVI, quando Portugal dominava os oceanos e buscava novas rotas comerciais para a Ásia. Depois de chegar ao Japão e à Índia, os navegadores portugueses desembarcaram na costa sul da China por volta de 1553. Quatro anos depois, em 1557, conseguiram autorização para permanecer ali, um feito político raro, já que o Império Ming mantinha rígido controle sobre a presença estrangeira.
Ao contrário do que aconteceu em outras colônias, Macau não foi conquistada pela força. Os portugueses pagavam um tributo anual ao governo chinês em troca do direito de administrar o território. Era uma convivência pragmática: os chineses mantinham a soberania, e os portugueses usavam o porto como ponto estratégico para o comércio entre a Europa e o Oriente.
Durante os séculos seguintes, Macau virou uma verdadeira encruzilhada global. De lá saíam tecidos indianos, porcelanas chinesas e especiarias que viajavam até Lisboa. Missionários e cientistas europeus também passavam pela cidade, entre eles, o jesuíta Matteo Ricci, que partiu de Macau para fundar missões na China continental e introduzir conhecimentos de astronomia e matemática ocidental.
Foto: reprodução/jesuits ireland
Esse vai e vem constante de mercadorias e ideias fez de Macau um dos primeiros exemplos de cidade verdadeiramente global. Pequena em tamanho, mas imensa em trocas culturais, ela cresceu misturando o sagrado e o mundano, o chá e o vinho, o templo e a igreja.
Onde o português encontrou o cantonês
Com o tempo, as duas culturas começaram a se misturar de forma tão natural que uma nova identidade surgiu: a comunidade macaense, formada por descendentes de portugueses e chineses. Eles criaram seus próprios costumes, uma culinária única e até uma língua híbrida, o patuá, que soava como um português com sotaque oriental e pitadas de outras línguas asiáticas.
As crianças estudavam português, mas falavam cantonês nas ruas. As igrejas católicas tinham telhados de inspiração chinesa, e os templos dedicados a divindades locais conviviam pacificamente com procissões e missas. O porto de Macau era movimentado por marinheiros, comerciantes e famílias inteiras que se acostumaram a viver entre dois mundos.
A língua portuguesa passou a ser usada oficialmente na administração, nos tribunais e nas escolas. Mesmo depois da abertura de Hong Kong pelos britânicos, Macau manteve sua singularidade. Era menor, mais discreta e, de certa forma, mais simbólica, uma ponte cultural entre dois impérios que raramente se entendiam.
Essa convivência também moldou a paisagem urbana. As ruas estreitas e os azulejos portugueses se misturam a fachadas com janelas de madeira típicas do sul da China. Os nomes das vias — Rua do Campo, Calçada do Botelho, Praça da Amizade — resistem até hoje, exibindo a herança de um tempo em que o português era o idioma do cotidiano.
Foto: reprodução/cronicas macaenses
A fusão que criou novos sabores e uma cultura própria
Entre as heranças mais vivas de Macau está a comida. A culinária macaense é considerada uma das primeiras cozinhas de fusão do mundo, nascida da mistura de ingredientes asiáticos com receitas portuguesas. Cozinheiras locais adaptaram temperos e técnicas vindas de Goa, Moçambique e Lisboa, criando pratos que só existem ali.
Um dos mais famosos é o minchi, uma mistura de carne moída, batata e molho de soja que representa bem o encontro entre as duas culturas. Outro clássico é a galinha à africana, feita com leite de coco e especiarias. E claro, os pastéis de nata — popularizados na cidade pela Lord Stow’s Bakery, nos anos 1980 — se tornaram um símbolo local tanto quanto as luzes dos cassinos.
Foto: reprodução/ macau magazine
Mas não é só na comida que essa fusão aparece. Festas como o Ano-Novo Chinês e o Dia de Camões são celebradas com o mesmo entusiasmo. A população local se acostumou a viver entre tradições que pareciam incompatíveis, mas que em Macau se transformaram em algo inteiramente novo.
A cidade também se tornou referência em preservação cultural. O Centro Histórico de Macau, reconhecido pela UNESCO em 2005, reúne 22 monumentos que mostram essa convivência, entre eles, as ruínas da Igreja de São Paulo, a Fortaleza do Monte e o Templo de A-Má, dedicado à deusa do mar que deu nome ao território.
O retorno à China e o legado que continua vivo
Em 1999, depois de 442 anos de administração portuguesa, Macau foi oficialmente devolvida à China. O acordo, conhecido como “um país, dois sistemas”, garantiu que o território manteria sua autonomia administrativa, política e cultural por 50 anos. E, surpreendentemente, a herança portuguesa não desapareceu.
O português continua sendo língua oficial, junto com o chinês. Ele é usado em documentos, no sistema jurídico e até na emissora pública TDM Rádio Macau, que mantém programas diários em português. O governo chinês investe em escolas bilíngues e universidades com cursos voltados para o ensino da língua, como forma de reforçar os laços entre a China e os países lusófonos.
Hoje, Macau é vista como uma espécie de ponte entre a China e o mundo de língua portuguesa, incluindo Brasil, Angola, Moçambique e Portugal. A cidade sedia fóruns de cooperação, eventos culturais e projetos que valorizam esse papel diplomático.
Mesmo com a modernização e o turismo crescente, há algo em Macau que permanece atemporal. Talvez seja a sensação de andar por uma rua chamadaTravessa da Paixão, cercada de fachadas coloridas, ouvindo uma mistura de sotaques que não existe em nenhum outro lugar do planeta. Uma lembrança viva de que, no fundo, as fronteiras são muito mais porosas do que parecem.
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A produção sobre a vida de Michael Jackson, estrelada por seu sobrinho Jaafar Jackson, chega aos cinemas em abril de 2026
O primeiro teaser de Michael, filme que vai contar a história de Michael Jackson, acaba de ser divulgado pela Universal Pictures. O projeto promete revisitar a vida do cantor de forma mais pessoal, mostrando não apenas o astro dos palcos, mas também o homem por trás da fama.
O papel principal ficou com Jaafar Jackson, sobrinho do artista, que estreia no cinema interpretando o tio. A escolha vem chamando atenção pela semelhança entre os dois e pela curiosidade do público em ver como Jaafar vai dar vida a um dos nomes mais icônicos da música.
A direção é de Antoine Fuqua, responsável por Invasão à Casa Branca (2013), e a produção está nas mãos de Graham King, vencedor do Oscar por Bohemian Rhapsody (2018). A equipe aposta em uma abordagem cinematográfica grandiosa, mas com foco emocional, acompanhando Michael desde os anos no Jackson Five até se tornar uma lenda mundial.
O elenco ainda conta com Colman Domingo, Nia Long, Laura Harrier e Miles Teller, reforçando o peso da produção.
Com lançamento marcado para 23 de abril de 2026, Michael chega exclusivamente aos cinemas prometendo emocionar fãs e apresentar o rei do pop a uma nova geração.
E aí, o que você achou do primeiro teaser? Conta pra gente! Siga o Entretetizei nas redes sociais – Facebook, Instagrame X – e não perca as novidades do mundo do entretenimento.
Em entrevista ao Entretetizei, a autora da série Ya Bratva conta sobre a sua carreira, a superação do câncer e o seu mais recente lançamento, Meu Lado Oculto
A autora brasileira Lucy Foster conquistou um público fiel no Kindle Unlimited com histórias intensas, que vão do drama emocionante ao dark romance cheio de ação e paixão. Sua escrita é marcada por protagonistas femininas fortes e universos interligados, que fazem as leitoras se apaixonarem livro após livro.
Seu lançamento mais recente é o quarto volume da série Ya Bratva, Meu Lado Oculto (2025), centrado em Andrei Nikolaevich e Kira Grigorieva, um dos casais mais aguardados pelos fãs. Antes de concluí-lo, porém, Lucy precisou dar uma pausa na carreira para enfrentar uma das maiores batalhas de sua vida: o diagnóstico decâncer de mama. Após o tratamento de dois anos, ela retorna ainda mais fortalecida, pronta para compartilhar não apenas suas histórias, mas também sua própria trajetória de superação.
Nesta entrevista, conversamos sobre sua vida pessoal, os desafios da carreira literária – sobretudo no que tange ao dark romance –, o poder de personagens femininas fortes e, claro, os segredos e emoções por trás do universo de Ya Bratva.
Entretetizei: Para começarmos, poderia nos contar um pouco sobre você?
Lucy Foster: Atualmente tenho 52 anos e sou casada há 28. Tenho dois filhos adultos e resido em Ribeirão Preto com meu marido, meu filho mais novo, um sobrinho e dois gatos. Vivo integralmente da escrita, mas durante muito tempo precisei conciliar a carreira de escritora com o trabalho em home office na empresa de informática do meu marido, que foi fechada durante a pandemia.
E: O que te motivou a escrever?
LF: Sempre fui apaixonada pela leitura, o que naturalmente me levou, desde pequena, a criar histórias na minha imaginação. Ainda criança, dava vida aos personagens com bonecos de papel, organizando-os para montar peças de teatro. Ao concluir o ensino médio, em 1990, enfrentei um período em que não pude ingressar em uma faculdade, ficando sem estudar ou trabalhar. Naquele momento, não percebia que a solidão e o isolamento dentro de casa estavam evoluindo para um quadro de depressão.
Foi então que comecei a escrever em cadernos. Algumas das histórias eram inspiradas em bandas de rock ou no grupo NKOTB, sem saber que aquilo se chamava fanfic, enquanto outras eram criações completamente originais. Porém, ao arranjar um emprego, acabei por deixar a escrita e, até mesmo, a leitura de lado.
Anos mais tarde, já casada e trabalhando em home office, vivi novamente aquele “vazio” da juventude, o que me fez retornar à leitura. Descobri o mercado erótico nacional e a plataforma Wattpad, onde encontrei inúmeras fanfics e histórias originais.
Foi esse contato que me estimulou a retomar um dos meus antigos cadernos e decidi publicar uma das histórias prontas. Acabei por unir dois enredos em um só, que se tornou Entre Oceanos, que publiquei na plataforma em 2018, mesmo sem compreender totalmente como ela funcionava.
Inicialmente, não tive visualizações ou comentários, o que me levou a remodelar o enredo. Dessa reestruturação, nasceu um novo personagem, que ganhou seu próprio livro: Senhor Tempestade. Publiquei essa obra no Wattpad em 2019 e, desde então, nunca mais parei. Em fevereiro daquele ano, publiquei o livro na Amazon e, desde março de 2020, essa passou a ser a única plataforma onde os disponibilizo.
E: Sua família acompanha a sua carreira como autora? De que forma eles participam ou te incentivam nesse caminho?
LF: Eles acompanham e, felizmente, já tenho filhos adultos, o que torna tudo mais fácil. Na época de escrita, sempre posso contar com eles cuidando de tudo enquanto fico trancada no escritório.
E: Nos últimos anos, você passou pelo tratamento contra o câncer, o que a fez pausar sua carreira. Como foi viver essa experiência tão intensa? O que mudou na sua visão de vida e de si mesma depois desse processo?
LF: No início, fiquei muito mal, porque descobri a doença logo após a Bienal do Livro. Eu estava vivendo a melhor época da minha carreira e, de repente, por dois anos inteiros, eu não consegui trabalhar.
O primeiro pensamento foi de finitude, seja da vida ou da carreira. Mas durante todo o meu tratamento, tive contato com muita gente passando pela mesma luta que eu. A esperança, a resiliência e o amor pela vida que eu vi durante todo esse tempo me transformaram muito.
Graças a Deus, o tratamento foi eficaz e, agora, eu só preciso cuidar de mim. E essa foi a maior mudança que experimentei: me colocar em primeiro lugar.
E: Você transita com naturalidade entre diferentes gêneros. Há algum gênero que ainda gostaria de explorar? Ou algum que represente um desafio maior para você?
LF: Na verdade, quando a história surge, eu só vou entender a que gênero ela pertence quando começo a estruturá-la. Tenho várias ideias anotadas aqui que vão surgindo com o passar do tempo, mas que não foram pensadas para ser um drama ou dark.
Talvez a única que surgiu com o propósito claro de ser uma comédia romântica foi Inesperada Sedução, que se tornou, depois, uma trilogia.
A única coisa que eu não tenho vontade de explorar, enquanto enredo, são os poliamorosos. Não consumo e, por isso, não saberia desenvolver. Qualquer outro, desde que envolva romance, pode se tornar uma possibilidade.
E: O dark romance tem ganhado cada vez mais visibilidade, especialmente nas redes sociais. Mas, ao mesmo tempo, também enfrenta muitas críticas e até preconceito. Na sua visão, por que histórias voltadas ao público feminino e seus desejos ainda são um tabu?
LF: Porque o patriarcado não gosta de perder espaço. Atualmente, a literatura feminina movimenta o sistema de autopublicação da Amazon, permitindo que autoras conquistem autonomia e visibilidade, impulsionando o crescimento da literatura erótica, da qual o dark romance faz parte.
Esse sucesso provocou uma mudança no cenário, ofuscando escritores conservadores que já não conseguem mais espaço no ranking de mais vendidos – mesmo tendo todo o apoio do mercado tradicional.
O preconceito muito vem desse conservadorismo, que é reflexo do patriarcado, o qual diminui os desejos femininos com a desculpa de “preocupação”. E digo isso com muita tranquilidade, porque antes do dark romance, já havia um movimento semelhante, acusando o erótico de não ser literatura.
Qualquer produto, em qualquer segmento, que for direcionado às mulheres e obtiver sucesso, enfrentará resistência da ala conservadora – a não ser que seja um homem como protagonista.
E: Para além do entretenimento, suas protagonistas costumam ser mulheres fortes, diversas e muito humanas. Qual a importância de trazer essas personagens para a ficção, considerando que muitas leitoras se identificam com suas histórias?
LF: Em toda a minha vida de leitora de romances, eu me apaixonei por diversos personagens literários. Mas o que fazia diferença mesmo era me ver nas ações das protagonistas, me identificar com elas.
E, por isso, eu acho importante criar mulheres fortes que, mesmo em meio ao caos do drama ou do dark romance, possam inspirar quem está lendo. Mesmo as mais frágeis acabam encontrando força sem se escorar no par romântico. É algo pessoal, o parceiro pode ser um companheiro para a vida, mas não necessariamente ser o nosso salvador.
E: Como é o seu processo de escrita? Você segue algum ritual ou mania que te ajuda a entrar no clima da história?
LF: Costuma ser caótico, porque não sou a pessoa mais organizada do mundo. Mas eu tento manter o mínimo de ordem antes de iniciar um livro: escolho o casal da vez e tento entendê-los, roteirizo o livro, busco referências para fazer o visual da história (filmes, música e fotografias), faço as pesquisas iniciais e, depois, começo a escrever.
Enquanto estou escrevendo, fico mergulhada apenas em coisas desse universo. Por exemplo, quando estava escrevendo os mafiosos russos, eu consumia muita mídia russa (meu algoritmo sofre). Agora, estou mergulhada em outro tema e isso influencia no que assisto ou no que escuto.
E: Suas obras costumam ter personagens que aparecem em diferentes livros, criando uma sensação de universo compartilhado. Isso é algo planejado desde o início ou aconteceu de forma espontânea?
LF: Aconteceu espontaneamente. Eu estava reformulando a história de Entre Oceanos e precisava de um personagem que fosse advogado. Logo tive o vislumbre de um enredo para ele, que ganhou o seu livro e, consequentemente, um spin-off.
Para mim, todos eles moram no mesmo país, que eu chamo de Fosterlândia. Eu não entendia como funcionava o mercado, apenas escrevia as histórias que surgiam. Mais adiante é que eu fui entender o conceito de “universo” ou o Fosterverso.
E:O livro do Andrei, Meu Lado Oculto, foi muito aguardado, mas precisou ser adiado por conta do seu tratamento. Como foi para você manter a conexão com esses personagens depois de um tempo afastada? Quais foram os maiores desafios?
LF: Eu nunca me desconectei deles, porque passei os dois anos presa a eles, tentando retomar a escrita. Li e reli os outros livros insistentemente, para não perder essa ligação e, tampouco, a voz dos personagens.
O maior desafio pra mim foi lidar com a cobrança que a expectativa causava. É o último livro de uma série aguardada, com o desfecho de um enredo geral que se iniciou no primeiro livro, Meu Lado Obscuro, e que o leitor teve dois anos para criar todas as teorias possíveis.
Então, de alguma forma, eu sabia que o leitor já tinha chegado ao culpado e eu precisava fazer de forma que fosse prazeroso mesmo ele já sabendo a resposta.
E: A temática do traidor vem sendo construída ao longo da série Ya Bratva. No primeiro livro, Meu Lado Obscuro, isso é introduzido; em Meu Lado Mortal, o leitor percebe que alguns acontecimentos não são coincidência; em Meu Lado Cruel, há a confirmação de que o problema é bem mais profundo e, finalmente, em Meu Lado Oculto, todas as respostas surgem. Você já tinha tudo planejado desde o começo ou foi algo que se desenvolveu conforme a escrita avançava?
LF: Isso já estava planejado desde o início. Contudo, o bônus do final do último livro, Meu Lado Oculto, foi algo de que me dei conta bem depois – e foi uma boa surpresa, para mim, me dar conta disso. Mas a construção do enredo da máfia foi toda feita ao redor do traidor.
A trajetória de Lucy Foster é marcada pela força de quem transforma os desafios em inspiração e compartilha com as leitoras histórias intensas, cheias de emoção e coragem. Se você ainda não conhece seus livros, todos estão disponíveis no Kindle Unlimited, na Amazon. Para acompanhar o trabalho da autora, não deixe de segui-la no Instagram.
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Além de sua carreira como cantora, SIYOON embarca em uma nova jornada como atriz
A cantora faz parte de um grupo de k-pop feminino chamado Billlie, formado por seis mulheres além de Siyoon, sendo elas: Sheon, TskiI, Moon Sua, Haram, Suhyeon e Haruna. As meninas lançaram sua primeira música em 2021 e, desde então, têm se dedicado à carreira musical.
Perfect Girl, novo filme de Hollywood, estreia a carreira de atriz da cantora Siyoon. O filme fala sobre um grupo de jovens artistas que seguem uma competição intensa para se tornarem estrelas de K-pop. Mas com a chegada de um nova integrante, tudo muda.
A trama segue uma narrativa repleta de mistérios e promete prender a atenção do público do início ao fim.
Foto: divulgação/Billie
Siyoon vai interpretar uma jovem que passa por muitos conflitos internos e fica entre a paixão pela música e alguns eventos inesperados que acontecem ao longo da trama. Ela vai trabalhar ao lado de grandes artistas, como Adeline Rudolph e Arden Cho.
Perfect Girl é dirigido por Hong Wonki e produzido por Badlands e Thunder Roads Film.
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A plataforma HBO Max traz estreias de produções originais brasileiras e séries aguardadas
O mês de novembro está cheio de lançamentos no streaming! O catálogo da HBO Max chega com a docussérie inédita de Adriane Galisteu sobre Ayrton Senna, o caso de true crime de Ângela Diniz, além da nova série de Rachel Sennott, thrillers e filmes para entrar no clima de Natal.
Confira os lançamentos:
I Love LA (02/11)
Criada e estrelada pela comediante em ascensão Rachel Sennott (Bottoms, 2023), a série acompanha um grupo de amigos ambiciosos navegando pelos desafios da carreira e dos relacionamentos em Los Angeles. O elenco inclui Josh Hutcherson (Jogos Vorazes, 2012), Jordan Firstman (O Professor, 2024), Odessa A’zion (Grand Army, 2020) e True Whitaker (Godfather of Harlem, 2019), além de estrelas convidadas como Leighton Meester (Gossip Girl, 2007) e Elijah Wood (O Senhor dos Anéis, 2001).
Cold Case – Temporadas 1 a 7 (05/11)
Foto: reprodução/O Universo da TV
Uma divisão da polícia da Filadélfia, liderada pela detetive Lilly Rush (Kathryn Morris), reabre e investiga crimes antigos não solucionados. A equipe utiliza a ciência moderna e novas pistas para desvendar homicídios que pareciam estar sem solução, revivendo acontecimentos do passado e dando um desfecho às vítimas e seus familiares.
Meu Ayrton por Adriane Galisteu (06/11)
A série documental revisita a história de amor entre Adriane Galisteu e o lendário piloto Ayrton Senna nos anos 90 pelo ponto de vista da apresentadora. Ao relembrar memórias marcantes, ela compartilha de forma inédita e oficial suas lembranças. O documentário ainda conta com depoimentos de amigos e personalidades como Emerson Fittipaldi, ex-piloto de Fórmula 1, e o jornalista Roberto Cabrini.
Ferrari (07/11)
Ambientado em 1957, o longa conta a história de como o ex-piloto e empresário italiano Enzo Ferrari revolucionou a indústria automotiva. O elenco é formado por nomes como Adam Driver (História de um Casamento, 2019), Penélope Cruz (Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas, 2011), Shailene Woodley (A Culpa É das Estrelas, 2014), Patrick Dempsey (Grey’s Anatomy, 2005) e o brasileiro Gabriel Leone (Senna, 2024).
Narrativas Negras Não Contadas – Temporada 2 (10/11)
Foto: divulgação/HBO Max
Com o objetivo de dar visibilidade para as realidades ignoradas da comunidade negra brasileira, o novo volume da série documental resgata novas histórias e personalidades. A segunda temporada traz episódios sobre um programa esportivo conduzido por jornalistas negros nos anos 1980 (Camisa 9), o legado de um maestro negro na periferia de São Paulo (Melodia Ancestral) e a trajetória da travesti negra mais idosa do país (Meu Nome é Tiana).
Ângela Diniz: Assassinada e Condenada (13/11)
Inspirada no podcast Praia dos Ossos, a série revisita o caso que impulsionou os movimentos feministas no Brasil. Estrelada por Marjorie Estiano e Emilio Dantas, a trama expõe como a liberdade de Ângela desafiou padrões e levou a uma tragédia brutal: foi assassinada à queima-roupa por seu namorado sob o argumento de legítima defesa da honra.
Merteuil: Jogos de Sedução (14/11)
Livremente inspirada no clássico Ligações Perigosas, de Pierre Choderlos de Laclos, a série francesa explora a trajetória da Marquesa de Merteuil para se tornar a principal cortesã de Paris, em uma exploração envolvente sobre o preço da liberdade emocional e sexual das mulheres.
O Melhor Espetáculo de Natal de Todos os Tempos (14/11)
Os irmãos Herdman, conhecidos como as piores crianças do mundo, tomam controle da organização da peça de Natal. Grace (Judy Greer) e sua família estão sobrecarregados e precisam enfrentar uma comunidade que quer se livrar dos Herdman. Mas o que começa como um desastre pode se transformar na apresentação mais comovente que a cidade já viu.
A Fiança (14/11)
Foto: reprodução/Rolling Stone
Após comemorar o sexto aniversário de sua filha, Ana (Juana Acosta) recebe a visita inesperada de Walter (Julián Román), um homem estranho que pergunta por Ricardo (Israel Elejalde), o marido de Ana, com quem tem negócios pendentes. O que começa como uma visita desconfortável acaba se transformando em uma situação inquietante, na qual ela descobre a verdadeira razão pela qual o homem está em sua casa: manter Ana e sua filha como garantia enquanto Ricardo fecha um negócio com a perigosa organização do narcotráfico para a qual Walter trabalha.
One to One: John & Yoko (14/11)
O documentário oferece um olhar revelador sobre a parceria pessoal, musical e política de John Lennon e Yoko Ono após se mudarem para a cidade de Nova York nos anos 1970.
Faça Ela Voltar (28/11)
Após perderem os pais, um irmão e uma irmã são alocados em um lar adotivo. Vivendo em uma área isolada, descobrem um ritual aterrorizante na casa de sua nova mãe adotiva.
Vai assistir a alguma das estreias no streaming? Conta pra gente nas redes sociais do Entretetizei (Facebook,Instagram e X) e nos siga para não perder nenhuma novidade!
Em entrevista ao Entretetizei, a escritora e artista visual Tieko Irii fala sobre memória, silêncio e identidade em As ruas sem nome, obra que transforma a experiência nipo-brasileira em um potente relato sobre pertencimento, racismo e herança familiar
Entre lembranças fragmentadas, silêncios herdados e a busca por pertencimento, a escritora e artista visual Tieko Irii transforma a sua história em arte e reflexão no livro As ruas sem nome (Editora Patuá, 2025). A obra atravessa três gerações de imigrantes japoneses e resgata vozes que por muito tempo permaneceram caladas, entre o peso da diáspora, o racismo e o desejo de existir fora das narrativas impostas.
Ao costurar memórias familiares e pessoais, Tieko expõe o impacto do silêncio como linguagem, da ausência como herança e da imagem como ferramenta de reconstrução. Sua escrita mistura passado e presente, Japão e Brasil, dor e reconciliação.
É nesse entre-lugar — o “não lugar” de quem vive entre duas culturas — que a autora encontra força para questionar estereótipos, desafiar o mito da minoria modelo e revisitar a própria infância marcada por invisibilidades e descobertas.
Foto: divulgação/Nilton Fukuda
Com olhar sensível e crítico, Tieko fala sobre o processo de escrever a si mesma sem romantismo, tratando a escrita como confronto e não como cura. A conversa passa por temas como a relação com o corpo racializado, a influência das imagens na memória, o legado de seu pai e o papel da arte na reconstrução de pertencimentos possíveis.
Nesta entrevista ao Entretetizei, Tieko Irii reflete sobre as camadas de identidade, o silêncio como narrativa e o poder de transformar o pessoal em coletivo, um gesto que, mais do que literário, é profundamente político:
Entretetizei: Ao revisitar os silêncios familiares e as lacunas da memória, em que momento você percebeu que o silêncio também era uma forma de narrativa e que, talvez, contasse tanto quanto as palavras?
Tieko Irii: O silêncio sempre foi uma presença constante na minha família. Um silêncio que representava: respeito, humildade, harmonia e um lugar onde estaria segura, mesmo que ninguém falasse nada, mesmo que eu desejasse que falassem alguma coisa. Tinha que lidar com as coisas sozinha mesmo que não tivesse ferramentas suficientes para isso, que para nós, ocidentais, poderia ser confundido com um certo desamparo. E talvez fosse. Mas era assim: o silêncio como um porto seguro.
Quando comecei a resgatar as histórias da família, eu sabia que não seria fácil tirar algo dos meus familiares, mas esse silêncio era diferente. Eles tinham uma resistência e uma dificuldade enorme em rememorar as dolorosas experiências pelas quais haviam passado durante a infância: o trabalho na roça, as dificuldades, os sacrifícios, os sonhos roubados e durante a juventude, particularmente no período da Segunda Guerra: a perseguição, o medo de sair na rua e serem hostilizados, presos, de falar japonês em público, as duas vezes que meu avô foi preso. Eram muitas narrativas silenciadas pela vergonha. Na cultura japonesa, o coletivo é mais importante que o indivíduo, sempre em prol de um bem maior. O individualismo é considerado um traço negativo e egoísta. As experiências pessoais, os sentimentos e as emoções não são importantes. Demonstrar sofrimento era um tabu doloroso demais. Muitas vezes nas entrevistas eu não tinha coragem de ir mais fundo e só me restava compartilhar o silêncio deles.
Eu percebi que esse processo era exatamente o que aconteceu comigo quando comecei a escrever e fui obrigada a abrir o baú da memória: o que eu lembrava era o que mais queria esquecer. Uma história de bullying, racismo, silenciamentos, falta de pertencimento, vergonha, raiva e transgressões. Até as experiências boas, as alegrias, as descobertas e os mistérios pareciam ter apenas um valor pessoal, portanto sem valor nenhum.
E: Você menciona o “não lugar” de ser nipo-brasileira, nem totalmente aceita no Brasil, nem plenamente pertencente ao Japão. Hoje, depois de escrever o livro, esse “não lugar” ainda é ausência — ou se tornou uma espécie de morada simbólica?
T: Eu acho que continuo habitando esse “não lugar”, uma vez que a noção de pertencimento está muito ligada ao olhar do outro, que te acolhe ou não como igual. A experiência de estrangeiridade permanece em qualquer lugar que eu esteja, no Brasil, no Japão, no fim do mundo. Minha viagem ao Japão foi um resgate étnico identitário, mas não um lugar único e fixo, e sim um ponto de partida. Somos feitos de múltiplas camadas. Conforme o território onde meu corpo circula, a identidade se transforma em algo fluido e transitório, dependendo da forma contextual e relacional que estabelecemos.
Nesse sentido, eu gosto de pensar no Ma, uma noção japonesa de tempo e espaço. O ideograma ma (間), é formado pelos kanji portal 門 e sol 日, que nos aquece e ilumina todas as coisas e o portal é um espaço vazio cheio de potencialidades, um “entre espaços”, uma fronteira entre dentro e fora, que separa, mas ao mesmo tempo ata. É esse lugar que habito, a beleza de ser brasileiro é isso, ser tudo ao mesmo tempo. Sou samba, rock, soul, bossa nova e sushi. Mas também é um lugar de estranhamento do artista.
E: Como artista visual, você trabalha com colagens e arquivos familiares. Que papel teve a imagem — fotográfica, imaginada ou fragmentada — na reconstrução de uma memória que foi, em muitos momentos, negada ou esquecida?
T: Quando eu comecei a escrever, as pessoas questionavam como ia ser a capa, se eu ia fazer ilustrações para o livro, mas eu achava que meu trabalho não tinha nada a ver com o livro. Um dia, meu mentor, Marcelo Carnevale, sugeriu que eu resgatasse as fotos familiares e trabalhasse visualmente as memórias para ajudar no processo da escrita, foi aí que comecei a construir algumas narrativas e iniciei um ateliê de colagem com a artista Renata Cruz, no Tomie Othake, que me abriu para o esse universo maravilhoso.
Foi assim que consegui ressignificar muitos aspectos da minha família e da minha vida, principalmente da minha criança, a desconstrução do meu pai, a importância dos meus avós. Um dos arquivos mais simbólicos que trabalhei foi uma foto minha com uma boneca loira nas mãos. Era muito difícil manipular as imagens: recortar, dividir, amassar, estilhaçar, desconstruir, adicionar, subtrair… parecia que estava fazendo uma heresia. Mas foi dessa forma que consegui me reconciliar com minha mãe, por exemplo, com quem tive uma relação tumultuada durante a adolescência. Era muito doloroso cortar a fotografia dela, mas foi só a partir desse processo que consegui escrever algo sobre ela.
Foto: divulgação/Tieko Irii
E: Você fala sobre a exotificação e o racismo contra corpos amarelos. De que maneira a consciência do próprio corpo transformou sua escrita e como essa escrita também transforma o modo como você habita esse corpo?
T: O livro foi se escrevendo conforme eu fui tomando consciência do meu corpo. Eu me via como uma pessoa quase branca. Constatar que queria ser a mais branca possível e como isso implicou uma série de auto violências no meu modo ser e agir foi muito doloroso. Acho que faz pouco tempo, que nós, amarelos, nos percebemos como corpos racializados. Conforme fui me inserindo na história do mundo, dentro da visão colonizadora eurocêntrica que dividiu o mundo em cores e raças; no mito da democracia racial brasileira que não existe; que apesar de não sermos vistos como totalmente brasileiros, ocupamos um lugar de privilégio que aprofunda ainda mais a diferença que compõe as cores desse cenário e me fez perceber que fazíamos parte do racismo estrutural brasileiro, eu pude discriminar e nomear as experiências pelas quais passava: o preconceito, as pequenas violências, o racismo recreativo, os estereótipos ligados às mulheres amarelas consideradas exóticas, dóceis, submissas ou associadas à imagem hipersexualizada da gueixa, que a maioria de nós passa até hoje, que nos essencializa, tira a nossa humanidade e nos transforma em um objeto. Foi um choque. Mas ao mesmo tempo, foi libertador descobrir que essa história não era só minha, que eu fazia parte de uma história coletiva. Por outro lado, foi muito difícil assumir minha própria história, principalmente validar as minhas escolhas, os meus desejos e os meus sonhos. Somos frutos da história, mas também sujeitos da nossa história e por mais doloroso que possa ter sido, hoje posso me ver como parte do mundo.
E: A autobiografia secreta de seu pai foi um ponto de partida para o livro. Que tipo de espelho — ou de abismo — você encontrou entre a narrativa dele e a sua? O que ficou herdado e o que precisou ser rompido?
T: A história do meu pai era cercada de mistérios e segredos que ele nunca contou para ninguém, nem para minha mãe. Dentro da família diziam que ele fugiu para o Brasil, porque ele era um filho bastardo ou porque ele não gostava da mãe e isso me incomodava. Um dia, em sua velhice, eu pedi para que ele contasse sua história e imaginei que ele não falaria nada, mas para minha surpresa ele me contou toda sua saga até chegar ao Brasil. Uma história singular e comovente de um jovem japonês com uma infância marcada por tragédias familiares, que fugiu de casa aos 16 anos, logo após a morte de seu pai, para escapar da pobreza e das imposições familiares. Perambulou pelo Japão devastado com o término da Segunda Guerra e se envolveu em mil aventuras. Fiquei abismada e perguntei por que ele nunca havia contado para ninguém e ele disse: “Triste demais, quem se interessaria?”
Foi revelador conhecer um homem, para além do meu pai, em suas errâncias, falhas e incompletude. Um jovem irrequieto, corajoso e transgressor, sem fazer um julgamento moral ou um juízo de valor, mas depois daquela tarde nunca mais tocamos no assunto e sua história provavelmente morreria comigo.
Após a sua morte, foi uma surpresa enorme quando eu descobri, no fundo de sua gaveta, a sua autobiografia, que ele escreveu um ano antes de sofrer um derrame, parecia um acerto de contas com o passado. Eu gosto de pensar que o livro começou naquele encontro, com a provocação que fiz, mas a todo momento eu fazia a mesma pergunta do meu pai, quem vai se interessar por essa história, sobretudo de uma garota asiática?
Assim como foi difícil ter aquela conversa com meu pai, foi muito difícil romper o silêncio da família, o meu próprio silêncio e enfrentar o meu caos, mas aos poucos fui me reconciliando com minha história e assim como ele tentei ser a mais honesta possível. Nossas vidas se entrelaçam no livro e fui percebendo o quanto nossas histórias eram parecidas, de como fomos movidos pelo desejo e não nos conformamos aos lugares aos quais estávamos destinados. De alguma forma, fui seguindo os seus passos mesmo não sabendo nada da sua vida. Um verdadeiro mistério. O interessante é que meu pai encontrou no Brasil, no exílio o seu lugar de pertencimento, assim como eu.
E: Você diz que achava sua história “banal”, e que entender isso como uma forma de silenciamento foi libertador. Que conselhos daria para outras mulheres racializadas que ainda duvidam da importância de suas próprias histórias?
T: Entender que as mulheres sofreram séculos de opressão e de silenciamento do patriarcado, ver que nossas histórias eram sempre contadas por homens, ler e ouvir escritoras mulheres me ajudou a superar a barreira de não valorizar a minha história, mas não totalmente. São muitas as opressões internalizadas, confesso que até publicar o livro eu tinha uma certa vergonha de dizer que o livro se tratava sobre mim, pois eu toco em traumas, violências e temas íntimos e delicados, que são tabus até hoje. Eu dizia apenas que era um resgate de histórias familiares, mas eu fui em frente, é preciso ter coragem. O desejo de quebrar o paradigma de uma narrativa única sobre as mulheres asiáticas, sobre o Japão e sobre a diáspora japonesa era maior e, de fato, foi e tem sido libertador na medida que recebo o retorno das leitoras e leitores.
Eu diria que é muito importante contar a nossa história. Ouvir. Ouvir as histórias da família, de seus pais, pode ser revelador. No entanto, a memória é falha e movediça e como diz a escritora Rosa Monteiro, temos a oportunidade de preencher essas lacunas com a nossa imaginação e que somos palavras em busca de sentido para dar uma aparência de destino ao caos da vida. Recordar, isto é passar pelo coração, por mais difícil que seja, nos dá a possibilidade de completar a experiência, elaborar e trazer algo de novo. Mudar o ângulo, ver por outra perspectiva, isso pode ser transformador e mudar a sua vida.
Foto: reprodução/Pedro Ivo
E: O processo de escrita foi, nas suas palavras, um confronto, não uma cura. Depois desse enfrentamento, o que mudou na forma como você olha para o passado — e o que ainda permanece em aberto?
T: Muitas pessoas me perguntam e se referem a escrita de si como um processo de cura, mas me parece muito e muito pouco ao mesmo tempo, pois é um processo que não tem fim. O livro me deu muitas respostas, aprendi muito. Eu tive que enfrentar muitos fantasmas, ir a lugares muito profundos e dolorosos, colocar em palavras todos os fragmentos indesejados que coloquei naquele sótão escuro e abafado e confrontar tudo isso com o real, com o meu desejo, com o mundo.
Sem dúvida, foi um processo de transformação, muitas fichas caíram, chorei muito, tive muitos insights. Uma operação mental e emocional enorme para dar sentido a tudo e, por fim, ser grata à vida. Olhar para trás e ver que está tudo certo, apesar de. Transformar a minha percepção em relação a mim mesma e a minha relação com o mundo e como tudo isso pode mudar, ao mesmo tempo que vão surgindo muitas outras perguntas que eu vou procurar responder. A identidade e o pertencimento são questões complexas, penso no filósofo Édouard Glissant, que propõe a utopia de inventar um “povo ausente”, não comprometido com a ideia de uma identidade fixa. Ainda bem que não alcancei o nirvana, continuo a mesma pessoa curiosa, cheia de inquietações, dúvidas, medos e incertezas.
E: As ruas sem nome amplia a experiência individual para uma história coletiva da diáspora japonesa no Brasil. Que futuros você imagina para as próximas gerações amarelas e mestiças? E que papel a arte pode desempenhar nessa reconstrução de pertencimento?
T: É muito irritante quando uma pessoa me vê e diz “Ah! Eu amo o Japão, a cultura japonesa, queria ser japonês” é difícil fazer entender que não somos o Japão, que nós somos brasileiros. Muitas pessoas se surpreendem quando digo que sofremos racismo, é uma discussão muito nova.
Eu fico muito emocionada ao conversar com os leitores que querem saber mais sobre nossas histórias ou jovens que querem entender mais sobre suas origens. Diferente de mim, que neguei, por conta do racismo, a minha origem, eles partem de um outro lugar, partem da ancestralidade e têm orgulho de serem o que são, asiáticos nipo-brasileiros, mas também querem achar o seu lugar. Acho que o mais importante foi o momento que começamos a nos perceber como amarelos ou miscigenados e todas as implicações e atravessamentos diversos que sofremos, como os negros-amarelos, ainda mais complexo. O racismo nos coloca em certas caixinhas pré-estabelecidas, tira o nosso lugar e a nossa singularidade. A representatividade, sem dúvida, é importantíssima para as gerações futuras. Existem vários movimentos nos quais atrizes, atores e artistas buscam abrir espaço no mainstreming, por isso a ideia de identidade e pertencimento é importante para os grupos se organizarem politicamente e lutarem pelos seus direitos. Hoje, já vemos atores e atrizes amarelos nas novelas da Globo, mas tem que ser uma luta conjunta com outras minorias marginalizadas.
Por isso, a arte, o cinema, o teatro, a literatura são tão importantes, um lugar por onde podemos ir pelas frestas e criar um espaço de escuta. É a possibilidade de conhecermos outras realidades, de nos colocarmos no lugar do outro e criarmos um mundo com mais alteridade.
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A primeira edição do festival trouxe nostalgia e novidades de diferentes lugares do mundo a São Paulo
A previsão de chuva não impediu centenas de pessoas de irem ao Parque Ibirapuera no último domingo (2) para conferir a primeira edição do Festival Índigo. Mas, se o risco de tempestade não se concretizou, é certo dizer que a expectativa de grandes performances e vozes nostálgicas se tornou realidade.
O destaque do Índigo foi a banda de rock alternativo Weezer, que retornou aos palcos brasileiros após seis anos, mas o festival também contou com Bloc Party, Mogwai, Judeline e Otoboke Beaver, que garantiram shows marcantes e roubaram a atenção do público. Confira mais abaixo:
Otoboke Beaver
A primeira a se apresentar, a banda de punk japonesa composta somente por mulheres conquistou imediatamente o público com suas músicas irreverentes e cores vibrantes.
Com interações divertidas e uma performance cheia de energia, foi uma pena que a maior parte do público ainda não tivesse chegado para aproveitar o show.
Judeline
Na sequência, a plateia conheceu a espanhola Judeline, artista pop com apenas cinco anos de carreira. A cantora entregou uma performance teatral muito cativante em parceria com o dançarino Héctor Fuertes, que age como sua sombra no palco. Para a música TU ÉT MOI, Judeline trouxe a mineira MC Morena para cantar ao seu lado no palco.
A cantora interagiu bastante com o público, disse que ama a música e a cultura brasileira e que Gal Gosta é uma de suas cantoras favoritas. Mas, apesar do carisma, a escolha da artista no Índigo pareceu destoar dos outros escolhidos para o dia. Esse distanciamento ficou evidente ao ser encaixada após o punk da Otoboke Beaver e o rock da Mogwai.
Mogwai
Foto: reprodução/Hits Perdidos
Uma das primeiras coisas que os veteranos da Mogwai fizeram ao subir ao palco do Índigo foi pendurar uma bandeira da Palestina na caixa de som.
A banda de pós-rock escocesa, formada há 30 anos em Glasgow, mostrou toda a sua experiência em um show cinematográfico, com experimentações vocais, músicas muito envolventes e um domínio do público, que assistiu à apresentação sob o pôr do sol.
Bloc Party
Já no final do dia, os britânicos do Bloc Party mostraram que eram responsáveis por grande parte da plateia quando muitas das suas músicas foram cantadas em conjunto. O grupo trouxe um show hipnotizante para a sua primeira vez no Brasil desde que foram formados em 1999, com letras sensíveis e políticas em melodias intensas conduzidas pela voz de Kele Okereke.
Durante o show, gritos para “aumentar o som”, que estava baixo para quem não estava imediatamente na frente das caixas, ocupavam cada silêncio da apresentação.
Weezer
Mas o maior nome da noite ainda foi o deles. Com mais de 30 anos de carreira, os Weezer dividiram o show com o público, que cantou cada palavra de cada música junto deles.
Ainda que tenha tido poucos momentos de interação – com destaque para o momento que Rivers Cuomo disse que estava feliz por estar de volta, porque amava o Brasil –, a setlist composta de grandes clássicos e favoritas da banda garantiu uma performance emocionante do início ao fim, com Island in the Sun e Buddy Holly encerrando a noite.
Superfãs
Outro destaque do Índigo foi a iniciativa dos Superfãs, idealizada por um dos patrocinadores do evento, a Deezer Brasil. A plataforma garantiu ingressos gratuitos e experiências exclusivas para os maiores ouvintes nacionais dos artistas convidados.
“Conseguimos criar uma experiência inesquecível para os nossos superfãs, que são os maiores ouvintes dos artistas na plataforma”, contou Yuri Valdevite, líder de Marketing da marca na América Latina. “Eles não só viram o show de pertinho, mas também fizeram um tour guiado pelo backstage do festival e puderam inclusive assistir ao início dos shows da lateral do palco. Tivemos inclusive um encontro super especial entre a Judeline e o seu maior ouvinte na Deezer!”
Foto: reprodução/Caderno Pop
Assim, com um line-up de muita qualidade, ainda que destoante em certos momentos, a primeira edição do Festival Índigo entregou muita nostalgia e um dia de performances e momentos inesquecíveis para centenas de brasileiros em São Paulo, e o Entretê mal pode esperar pelo próximo!
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Com lançamento previsto para 6 de fevereiro de 2026, o cantor apresenta segundo single e videoclipe da música If It Only Gets Better
O aclamado cantor, compositor e produtor Joji anunciou seu quarto álbum de estúdio, Piss In The Wind, que será lançado em 6 de fevereiro de 2026. O projeto já está disponível para pré-save e pré-venda. Para acompanhar o anúncio, Joji compartilhou mais uma prévia do álbum: o single If It Only Gets Better, acompanhado de um videoclipe.
Piss In The Wind faz a ponte entre o passado e o presente sonoro de Joji, equilibrando composições melancólicas e introspectivas com uma produção crua e atmosférica. If It Only Gets Better remete às raízes lo-fi do artista, entrelaçando violão acústico, baixo sincopado e harmonias etéreas. O clipe, dirigido por James Mao, faz uma brincadeira visual com o clipe de YEAH RIGHT, single do primeiro álbum do artista, BALLADS 1, contrapondo imagens frenéticas e de clima de clube com letras mínimas, porém contemplativas.
No início de novembro, Joji lançou discretamente PIXELATED KISSES, seu primeiro material inédito desde SMITHEREENS (2022), que incluía o hit mundial que alcançou o topo do Spotify, Glimpse of Us. Lançada em meio a grande expectativa, PIXELATED KISSES acumulou milhões de streams nas primeiras horas e estreou na Billboard Hot 100, conquistando posteriormente posições também nas paradas Billboard 200 e Billboard Pop.
Confira o clipe de If It Only Gets Better aqui:
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