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Wicked: novo livro de Gregory Maguire abordará a infância de Glinda

Autor retoma o universo de Oz para explorar a transformação da pequena Galinda até se tornar a Bruxa Boa mais famosa de Wicked

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8 romances de época de autoras brasileiras para renovar sua estante

Nesta lista, selecionamos romances cheios de conflitos, sensibilidade e com protagonistas marcantes

Os romances de época continuam encantando leitores ao redor do mundo e, no Brasil, o gênero vive um momento especial. Cada vez mais, autoras nacionais vêm conquistando espaço ao criar narrativas envolventes, cheias de sensibilidade histórica, protagonistas marcantes e enredos que equilibram emoção e crítica social. Da Inglaterra vitoriana aos cenários brasileiros do século XIX, esses livros provam que a literatura nacional tem muito a oferecer aos apaixonados por tramas românticas.

Foto: reprodução/Disney Brasil

Se você está em busca de novas histórias para mergulhar, conhecer personagens inesquecíveis e se deixar levar por paixões intensas, esta lista traz indicações perfeitas para renovar a sua estante e possui tramas que prometem aquecer os corações dos leitores apaixonados por romances de época.

O Rastro de um Bilhete de Trem, por Adriele Lobas
Foto: reprodução/Instagram @amagiadaspequenascoisas

Publicado em 2025 pela Editora Clube de Autores, este romance nos conduz ao verão de 1839, quando Diana Jancastro acredita ter motivos suficientes para rejeitar Otávio Brás, julgando que a diferença de idade torna qualquer aproximação impossível. O jovem, no entanto, jamais a cortejou e não entende como ela chegou a tal conclusão – algo que, para ele, revela apenas um temperamento dado a fantasias.

O que deveria afastá-los acaba, ironicamente, aproximando seus destinos, abrindo espaço para segredos, encontros inesperados e um vínculo que se forma apesar de todas as expectativas.

A Perdição do Barão, por Lucy Vargas
Foto: reprodução/Estante Diagonal

Lançado em 2018 pela Editora Bertrand Brasil, o romance acompanha Patrick, um aristocrata marcado pelos escândalos que assombram a sua família e pelo medo de herdar o chamado “mal do amor”. Tudo muda quando ele conhece Hannah, uma jovem que carrega seus próprios segredos. 

Tomado por sentimentos que não consegue controlar, Patrick tenta se afastar, mas logo percebe que ela é sua verdadeira perdição. A partir de encontros, afastamentos e revelações dolorosas, o casal precisa enfrentar fantasmas pessoais e provar que alguns laços são capazes de resistir ao tempo e ao orgulho.

Livre para Recomeçar, por Paola Aleksandra
Foto: reprodução/Tempos Literários

Publicado em 2019 pela Editora Essência, o livro narra a jornada de Anastácia, uma mulher que, após sobreviver a um casamento violento, perde a própria liberdade ao ser internada em um hospício no Rio de Janeiro. Três anos depois, surge a chance de recomeçar e de reconstruir sua identidade longe do título de Condessa De Vienne.

Enquanto isso, Benício de Sá, o Bastardo do Café, enfrenta os traumas deixados pela relação opressiva com o pai, mesmo enquanto sua empreiteira cresce e transforma a capital. 

Quando Anastácia e Benício se reencontram, a esperança de um novo começo parece possível, mas apenas se ambos estiverem prontos para enfrentar suas feridas.

A Promessa da Rosa, por Babi A. Sette
Foto: reprodução/PS Amo Leitura

Publicado em 2022 pela Editora Verus, este romance apresenta Kathelyn Stanwell, a filha de um conde que reúne todas as qualidades de uma debutante ideal, exceto o gosto pela nobreza. Determinada, impulsiva e profundamente idealista, ela sonha com a liberdade de escolher o próprio caminho, especialmente quando o assunto é casamento. 

Tudo muda em um baile de máscaras, quando conhece o misterioso Arthur Harold. Acreditando se tratar de alguém fora da aristocracia, Kathelyn se permite ter um momento proibido no jardim. O que ela não sabe é que Arthur é, na verdade, o nono duque de Belmont. 

A partir desse encontro, nasce uma paixão repleta de encontros, desencontros, mal-entendidos e conflitos que desafiam a teimosia e o orgulho da protagonista.

Apesar da Guerra, por Lya Galavote
Foto: divulgação/Entretetizei

Lançado em 2022 no Kindle Unlimited, o romance se passa durante a Guerra do Paraguai, entre 1865 e 1870, período em que Manuela perde o pai e o irmão gêmeo e jura jamais construir uma família. Enquanto tenta sobreviver às marcas do luto, ela cruza o caminho de Bento, um ex-combatente que retorna com perdas igualmente profundas e um segredo que insiste em carregar sozinho.

A união desses dois sobreviventes reacende a possibilidade de reconstruir laços e de acreditar novamente no afeto, mesmo em meio a um cenário devastado por batalhas, dor e incertezas.

Promessas de uma Vida, por Aline Galeote
Foto: divulgação/Entretetizei

Publicado em 2018 no Kindle Unlimited, o romance acompanha Victoria Ashfield, cuja vida vira de cabeça para baixo após uma proposta de casamento desastrosa. Para fugir dos escândalos, ela parte para Londres assumindo a identidade de dama de companhia de uma senhora respeitável. Lá, descobre os prazeres da paixão nos braços de Damian Montrose, um conde libertino marcado pelos horrores da guerra contra Napoleão.

Entre segredos familiares, cicatrizes emocionais e ameaças inesperadas, Victoria e Damian descobrem que o poder de uma promessa pode mudar destinos, desde que ambos estejam dispostos a enfrentar o passado.

A Mensagem dos Cravos, por Larissa Gomes e B. C. Siqueira
Foto: divulgação/Entretetizei

Publicado em 2020 no Kindle Unlimited, este spin-off da série As Irmãs Moore traz Nicholas Batterfield, segundo filho de um duque que vive guiado pela leveza e pela ausência de grandes responsabilidades. Acostumado à vida no mar e distante do afeto paterno, ele só percebe a intensidade de seus sentimentos ao se apaixonar por Marie Turner, a preceptora de seus sobrinhos.

Fugindo de um amor que acredita proibido, Marie parte para a França para sustentar a família, enquanto Nicholas tenta seguir em frente sem conseguir apagar o que sente. Separados pelo Estreito de Dover, os dois enfrentam dúvidas, saudades e escolhas difíceis até entenderem que algumas conexões são fortes demais para serem deixadas para trás.

Perdida, por Carina Rissi
Foto: reprodução/Radio Mix

Publicado em 2013 pela Editora Verus, este livro marcou a estreia de Carina Rissi e transformou-se em um best-seller que conquistou leitores de todas as idades, além de ganhar, em 2023, uma adaptação cinematográfica, que ampliou ainda mais o sucesso da obra. 

Na história, acompanhamos Sofia, uma jovem moderna, independente e totalmente acostumada às facilidades tecnológicas da vida contemporânea. Cética em relação ao amor e avessa à ideia de casamento, ela prefere manter seus romances apenas no universo literário.

Foto: reprodução/Disney Brasil

Tudo muda quando, após a compra de um novo celular, um acontecimento misterioso a transporta inesperadamente para o século XIX. Sem compreender o que aconteceu nem como voltar para casa, Sofia é acolhida pela família Clarke e passa a conviver com Ian, cuja gentileza e presença cativante, aos poucos, abala suas certezas. 

Entre pistas, desencontros e adaptações forçadas à vida antiga, ela embarca em uma jornada que mistura humor, descobertas e um amor capaz de atravessar o tempo.

Qual desses romances de época vai ganhar um espaço especial na sua estante? Compartilhe com a gente nas nossas redes sociais – Instagram, Facebook e X – e, se gosta de trocar experiências literárias, junte-se ao Clube do Livro do Entretê!

 

Leia também: Entrevista | Babi A. Sette fala sobre a escrita da sua primeira romantasia: “A realização de um sonho”

 

Texto revisado por Cristiane Amarante

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Resenha | O Tribunal dos Mortos: Nico e Will estão de volta em nova aventura no universo de Percy Jackson

Com novos personagens, reencontros e uma missão no Acampamento Júpiter, O Tribunal dos Mortos dá sequência à saga de Nico di Angelo

A parceria entre Rick Riordan e Mark Oshiro ganha um novo livro que dá continuidade à saga do filho de Hades, iniciada em O Sol e a Estrela (2023). A história acompanha Nico di Angelo e Will Solace em uma nova missão que, dessa vez, tem como cenário principal o Acampamento Júpiter, querido pelos fãs de Os Heróis do Olimpo.

A obra se passa alguns meses após os acontecimentos do livro anterior e tem seu início a partir de um pedido inusitado de Hazel Levesque, a meia-irmã romana de Nico. Nessa nova aventura, os protagonistas precisam lidar com o aparecimento de monstros que fugiram do submundo e estão sendo punidos por abandonarem os papéis que lhes foram determinados. Cabe a Nico, Will e seus companheiros meio-sangues enfrentarem um julgamento sombrio e provarem a inocência dos recém-chegados, que carregam muito mais complexidade do que parecem à primeira vista.

Mais uma vez, a escrita conjunta de Rick e Mark se destaca: o humor ágil e leve característico de Riordan se equilibra com a sensibilidade emocional profunda que Oshiro traz à narrativa. O resultado é uma aventura que, embora mais leve que sua antecessora, ainda aborda temas essenciais, como pertencimento, mudança, empatia e autodescoberta.

A narrativa acompanha Nico di Angelo em uma missão que vai além das batalhas míticas, trazendo questões sobre inseguranças, empatia e o desejo de encontrar seu lugar no mundo. Combinando ação e momentos emocionantes, os autores mostram que até os (até então) monstros carregam a vontade de evoluir e encontrar propósito. 

A dinâmica entre Nico e Will também ganha espaço na narrativa, mostrando uma evolução natural no relacionamento dos dois. Aqui, a comunicação, que era um ponto delicado entre eles no primeiro livro, amadurece através de momentos de ternura e diálogos que reforçam as diferenças e complementaridades do nosso casal. 

Conheça os novos personagens:
Imagem: divulgação/Rick Riordan
Johan – Blemmyae

Os blemmyae são criaturas sem cabeça, com o rosto localizado no peito. Mesmo pertencendo a uma raça conhecida por ser resistente e direta ao ponto, Johan surpreende: é gentil, carismático e muito mais sensível do que sua aparência sugere. Um personagem feito para quebrar expectativas.

Orcus – Grifo

Grifos são híbridos majestosos, metade águia, metade leão, conhecidos por sua ferocidade e lealdade. Orcus honra essa lealdade, mas traz um diferencial: é pequeno demais para sua espécie. 

Semele – Eidolon

Eidolons são espíritos capazes de possuir corpos e objetos, muitas vezes vistos com desconfiança no Riordanverso. Semele, no entanto, carrega uma calma misteriosa e uma profundidade emocional incomum para sua espécie e proporciona alguns dos momentos mais emocionantes do livro. 

Quinoa – Karpos

Karpoi são espíritos da colheita, geralmente caóticos, travessos e altamente imprevisíveis. Quinoa surpreende pelo seu jeitinho autêntico e afinidade com crianças.

Asterion – Minotauro
Imagem: divulgação/Rick Riordan

Sim, é exatamente quem você está pensando: o Minotauro que Percy Jackson enfrenta no primeiro e terceiro livros da saga, mas dessa vez em uma nova versão. 

Asterion foge completamente do clichê: calmo, sereno e surpreendentemente introspectivo, ele dá uma nova camada ao mito clássico.

Arielle – Empousa
Imagem: divulgação/Rick Riordan

Empousas são seres sedutores do submundo, metade mulher, metade criatura flamejante, conhecida por sua astúcia. Arielle honra essa tradição, mas adiciona complexidade e charme próprios, tornando-se uma figura magnética e enigmática.

Essas novas figuras não apenas enriquecem a trama, como também funcionam como espelhos para o próprio arco de Nico, afinal, todos aqui lutam para redefinir seus papéis e provar que não são limitados pelas expectativas alheias.

E claro, é preciso dar destaque a quem rouba a cena e ganha muita importância: os Cocoa Puffs

Os cacodemons recém-adquiridos de Nico ganham profundidade em O Tribunal dos Mortos e se tornam parte essencial tanto da história quanto do desenvolvimento pessoal do herói. É a partir deles que Nico aprende a lidar com suas próprias sombras e compreende que até mesmo sentimentos ruins podem ter um propósito quando acolhidos da maneira certa. 

Os Puffs se tornam mais do que apenas uma materialização de seus piores sentimentos e passam a ser parte fundamental do processo de cura do filho de Hades, sendo peças essenciais durante a batalha. Além de proporcionarem alguns dos momentos mais fofos do livro! 

Mesmo explorando temas sensíveis, a obra diminui a carga sombria em relação a O Sol e a Estrela e volta a abraçar o tom infantojuvenil que marcou a essência dos primeiros livros do universo. 

Ainda assim, o livro não deixa de surpreender: é para os fãs do Acampamento Júpiter, para quem ama retornar ao Acampamento Meio-Sangue, ou para aqueles que simplesmente desejam acompanhar mais da jornada de Nico e Will. 

O Tribunal dos Mortos é uma aventura divertida e envolvente que não falha em entreter os fãs em uma nova aventura e ainda deixa aquele gostinho de quero mais. 

O livro chega ao Brasil no dia 02 de Dezembro pela Editora Intrínseca e já pode ser comprado pela pré venda

O que você está achando da jornada de Nico e Will? Conta pra gente nas redes sociais do Entretê — Instagram, X e Facebook — e não deixe de conferir o Clube do Livro do Entretê! 

Leia também: Entrevista | Escritor de Diário de um Banana fala sobre publicação de vigésimo livro e relação com o Brasil

Texto revisado por Alexia Friedmann

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Notícias Teatro

Espetáculo Morte e Vida Severina chega a São Paulo

Obra-prima de João Cabral de Melo Neto, encenada pela Companhia Ensaio Aberto, terá temporada em Pinheiros

A Companhia Ensaio Aberto traz a história dos Severinos, filhos de tantas Marias, em nova temporada de dois meses no Teatro Paulo Autran, Sesc Pinheiros. O espetáculo é dirigido por Luiz Fernando Lobo, que também foi responsável pela montagem há 20 anos.

A peça escrita por João Cabral de Melo Neto em 1955 não retrata apenas uma história ficcional. Para o diretor: “Nesses vinte anos que se passaram entre a primeira montagem e esta atual, saímos do Mapa da Fome e chegamos a ser a sexta economia do mundo. Ao mesmo tempo, as negras manchas demográficas da Geografia da Fome não estão mais localizadas apenas nos sertões do Nordeste, e sim dentro das grandes cidades, como Rio de Janeiro, São Paulo, Nova Iorque, Paris e Berlim”.

Foto: reprodução/Ensaio Aberto

A estreia de Morte e Vida Severina pela companhia aconteceu em Lisboa, no Castelo de São Jorge. A montagem conta com músicas de Chico Buarque e direção musical de Itamar Assiere. Além disso, quatro músicos e 25 atores dão vida à história, em que Gilberto Miranda interpreta Severino desde a estreia em Portugal.

O espetáculo estreia em São Paulo no dia 5 até 21 de dezembro de 2025 e, depois, do dia 8 a 18 de janeiro de 2026, no Teatro Paulo Autran – Sesc Pinheiros. Terá sessões de quinta a sábado, às 20h, e domingo, às 18h. No dia 17 de janeiro (sábado), acontecem duas sessões: às 16h e às 20h.

Serviço

Morte e Vida Severina – Companhia Ensaio Aberto 

Datas: 5 a 21 de dezembro de 2025 e 8 a 18 de janeiro de 2026 

No dia 17/01 (sábado) acontecem duas sessões: às 16h e às 20h.

Nos dias 18, 19, 20 e 21/12 e 15, 16, 17 e 18/01 haverá tradução em LIBRAS. 

Local: Sesc Pinheiros – Teatro Paulo Autran

Rua Paes Leme, 195, Pinheiros – São Paulo (SP)

Ingressos: R$ 21,00 (credencial plena), R$ 35,00 (meia) e R$ 70,00 (inteira). Venda online pelo aplicativo Credencial Sesc SP ou pelo site https://centralrelacionamento.sescsp.org.br (a partir de 25 de novembro) e presencial (a partir de 26 de novembro) em todas as bilheterias da rede Sesc SP. 

Duração: 90 minutos

Classificação Etária Indicativa: Livre

Você vai assistir à peça? Conte para a gente nas redes sociais do Entretê (Facebook, Instagram e X) e nos siga para não perder nenhuma novidade!

Leia também: Atrizes negras que fundaram as bases do teatro e do cinema brasileiros – Entretetizei 

Texto revisado por Alexia Friedmann

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Saiba o que chega ao streaming em 2026

HBO Max anuncia lançamentos para o próximo ano

Ano novo, novas séries para maratonar! Entre fantasia, comédia e drama, a HBO Max anunciou nesta semana títulos que ganharão temporadas inéditas no catálogo no próximo ano.

Confira as novidades:

O Cavaleiro dos Sete Reinos – Temporada 1
Imagens divulgadas de O Cavaleiro dos Sete Reinos
Foto: divulgação/HBO Max

O universo de Game of Thrones (2011-2019) se expande mais uma vez. Baseada na obra de George R.R. Martin, a história se passa um século antes de Game of Thrones e acompanha a amizade improvável entre dois novos personagens: Dunk (Peter Claffey) e Egg (Dexter Sol Ansell). 

O sucesso é garantido: a produção já foi renovada para a segunda temporada antes mesmo de estrear. A primeira temporada chega ao streaming em 19 de janeiro.

A Casa do Dragão – Temporada 3
Emma D'Arcy em A Casa do Dragão
Foto: divulgação/HBO Max

Após o grande sucesso, a saga da Casa Targaryen retorna com mais ambição, alianças traiçoeiras e batalhas épicas. O elenco de peso, incluindo Emma D’Arcy (Wanderlust, 2018), Olivia Cooke (Jogador Nº 1, 2018), Fabien Frankel (Task, 2025) e Matt Smith (The Crown, 2016), está de volta.

Enquanto a terceira parte tem previsão de estreia para metade de 2026, a série já foi renovada para sua quarta temporada.

Euphoria – Temporada 3
Zendaya como Rue Bennett em Euphoria
Foto: divulgação/HBO Max

Após muita espera, Euphoria está de volta. Vencedora do Emmy em 2022, a série criada por Sam Levinson retorna com Zendaya (Duna, 2024), Sydney Sweeney (Todos Menos Você, 2023), Jacob Elordi (Frankenstein, 2025) e grande parte do elenco original reprisando seus papéis. Além disso, se juntam à produção novos talentos como Rosalía, Marshawn Lynch (Amor Explosivo, 2025), Kadeem Hardison (O Melhor Amigo da Noiva, 2008), Natasha Lyonne (Poker Face, 2023-2025) e Eli Roth (Bastardos Inglórios, 2009).

A terceira temporada da série será lançada no segundo trimestre de 2026.

Stuart Fails to Save The Universe – Temporada 1
Kevin Sussman como Stuart Bloom em The Big Bang Theory
Foto: reprodução/Rolling Stone Brasil

Os fãs de The Big Bang Theory (2007-2019) têm um motivo para comemorar! Esse novo spin-off de comédia traz Kevin Sussman de volta como Stuart Bloom, o dono da loja de quadrinhos. Ele acidentalmente desencadeia um multiverso que altera a realidade e precisa restabelecer a ordem. 

A produção executiva é de Chuck Lorre, Zak Penn e Bill Prady.

Lanternas – Temporada 1
Aaron Pierre e Kyle Chandler em Lanternas
Foto: divulgação/HBO Max

A DC Studios chega com uma nova série dramática baseada nos quadrinhos de Lanterna Verde. A trama acompanha dois policiais intergalácticos, o recém-recrutado John Stewart (Aaron Pierre) e o lendário Hal Jordan (Kyle Chandler), que investigam um assassinato misterioso na Terra.

Estreia no terceiro trimestre de 2026.

Half Man – Temporada 1
Os irmãos Ruben e Niall em Half Man
Foto: divulgação/HBO Max

Idealizada por Richard Gadd, criador e protagonista do fenômeno Bebê Rena (2024), a trama mergulha no relacionamento turbulento entre os irmãos Ruben e Niall. Quando Ruben aparece de forma inesperada no casamento de Niall, a situação se torna violenta, forçando os personagens a revisitar toda a sua trajetória.

DTF St. Louis
David Harbour irá protagonizar DTF St. Louis
Foto: reprodução/Rolling Stone Brasil

Minissérie provocativa de humor ácido protagonizada por Jason Bateman (Coincidências do Amor, 2010), David Harbour (Stranger Things, 2016-2025) e Linda Cardellini (Scooby-Doo, 2002), em que os três personagens vivem um triângulo amoroso. 

A direção é de Steve Conrad (A Vida Secreta de Walter Mitty, 2013).

War – Temporada 1
Dominic West e Sienna Miller protagonizam War
Foto: reprodução/Deadline

Thriller jurídico produzido no Reino Unido e estrelado por Dominic West (A Escuta, 2002-2008) e Sienna Miller (Sniper Americano, 2014). A trama é centrada em uma batalha legal de alto perfil: o divórcio entre um magnata da tecnologia e uma estrela de cinema internacional. 

O que começa como uma separação comum rapidamente se transforma em uma guerra de reputações e rivalidades intensas, que envolve não só o casal, mas também os dois times rivais de advogados que lutam pela vitória no tribunal.

The Pitt – Temporada 2
Noah Wyle em The Pitt
Foto: divulgação/HBO Max

O drama médico que acompanha a equipe de um pronto-socorro superlotado em Pittsburgh está de volta. Com cada episódio seguindo uma hora de um único plantão, o ritmo intenso da série garantiu o Emmy de Melhor Série Dramática neste ano.

A segunda temporada estreia em 9 de janeiro.

A Idade Dourada – Temporada 4
Imagens de divulgação de A Idade Dourada
Foto: divulgação/HBO Max

Nesse drama de época, a jovem Marian Brook (Louisa Gummer), órfã de um general do sul, se muda para viver com suas tias na Nova York dos anos 1880. Lá, ela se envolve na vida deslumbrante da alta sociedade. A partir dos ensinamentos de sua família, ela poderá decidir qual futuro buscará na grande cidade.

Hacks – Temporada 5
Hannah Schwier e Jean Smart em Hacks
Foto: divulgação/HBO Max

Hacks, a série vencedora de quatro Globos de Ouro, também retorna no próximo ano. A trama segue Deborah Vance (Jean Smart), uma comediante em decadência, e Ava Daniels (Hannah Schwier), uma jovem roteirista que perde seu emprego após ser “cancelada” em Hollywood. Na tentativa de salvar suas carreiras, elas acabam trabalhando juntas, e o que começa como um choque geracional, logo se torna uma amizade improvável.

Duna: A Profecia – Temporada 2
Imagens de Duna - A Profecia
Foto: divulgação/HBO Max

O spin-off que expande a história apresentada nos filmes de Denis Villeneuve é ambientado 10 mil anos antes da narrativa conhecida pelos fãs. A série acompanha duas irmãs da Casa Harkonnen na luta contra forças que ameaçam a humanidade e na fundação da seita Bene Gesserit.

Industry – Temporada 4
Imagens da quarta temporada de Industry
Foto: reprodução/ELLE

A série segue um grupo de jovens recém-formados que compete por vagas em um dos principais bancos de investimento de Londres. Porém, conforme embarcam no mundo das altas finanças, se deparam com uma cultura corporativa definida por ego, sexo e drogas.

A quarta temporada chega ao streaming em 11 de janeiro.

The Comeback – Temporada 3
Lisa Kudrow em The Comeback
Foto: reprodução/Deadline

Vinte anos após a estreia, The Comeback retorna para finalizar a história com a terceira e última temporada. A série narra a história de uma atriz em decadência que tenta planejar seu retorno, contratando uma equipe de cinegrafistas para documentar as dificuldades e os triunfos dessa jornada.

A produção será lançada no segundo trimestre de 2026.

Dona Beja
Imagens de Dona Beja
Foto: divulgação/HBO Max

Uma releitura da novela exibida nos anos 1980, Dona Beja será a segunda novela da HBO Max. Baseada na história de Ana Jacinta de São José (Grazi Massafera), uma mulher que viveu no século XIX e desafiou as normas de sua época.

Cidade de Deus: A Luta Não Para – Temporada 2
Imagem de Cidade de Deus: A Luta Não Para
Foto: divulgação/HBO Max

Cidade de Deus: A Luta Não Para retoma a história seis meses após o final da primeira temporada. Os novos episódios irão focar na resistência da comunidade contra a milícia, sob uma perspectiva contemporânea. Alexandre Rodrigues (Aruanas, 2019), Roberta Rodrigues (Nos Tempos do Imperador, 2021) e Andréia Horta (Elis, 2016) reprisam seus papéis como protagonistas, e Matheus Nachtergaele, de Cidade de Deus, se junta ao elenco.

A segunda temporada estreia na segunda metade de 2026.

Como Água para Chocolate – Temporada 2
Imagem de Como Água Para Chocolate
Foto: divulgação/HBO Max

A adaptação da obra literária de Laura Esquivel, publicada pela primeira vez em 1989, volta para a segunda temporada. A série acompanha a vida de Tita (Lumi Cavazos), uma jovem no México do início do século XX, que é proibida de se casar com seu verdadeiro amor. 

A produção chega ao streaming em 15 de fevereiro.

 

Quais dessas estreias você vai assistir? Conta pra gente nas redes sociais do Entretetizei (Facebook, Instagram e X) e nos siga para não perder nenhuma novidade!

 

Leia também: Tremembé está de volta: segunda temporada da série de repercussão nacional

 

Texto revisado por Sabrina Borges de Moura.

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Crítica | Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe: a dor e a responsabilidade de registrar a própria morte

O documentário de Sepideh Farsi é um retrato doloroso sobre a humanidade e o desejo de viver do povo palestino

[Contém gatilhos]

Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe é um documentário difícil de recomendar, mas é, ao mesmo tempo, absolutamente indispensável. Dirigido pela cineasta iraniana Sepideh Farsi, o filme compõe um retrato íntimo do genocídio palestino a partir das conversas entre Farsi e uma fotojornalista de Gaza, Fatem Hassona, antes de ser assassinada pelas forças de ocupação israelenses em um bombardeio em 16 de abril de 2025, poucos dias após a seleção do filme para Cannes.

Contado a partir de videochamadas, fotos tiradas por Fatem e noticiários, Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe é um testamento do orgulho da identidade palestina e da vontade profundamente humana de contar a própria história. Confira o trailer abaixo.

No longa, o genocídio e o povo palestino estão, como na vida real, alienados do resto do mundo. Farsi, como nós, acompanha a violência por noticiários e nunca coloca cenas gráficas ou explícitas na tela, ainda que a violência e a morte assombrem todas as chamadas e mensagens entre as duas. 

Cada segundo que Fatem está na tela é definido pela sorte: por uma bomba que caiu dois prédios ao lado em vez de sobre sua família; por um sniper que, naquele dia, não estava presente; pelo milagre de encontrar um pacote de salgadinhos fechado ou uma garrafa com água não contaminada. Em uma das chamadas, Fatem apresenta a Farsi seu antigo bairro, virando a câmera para um horizonte de ruínas, escombros e destruição.

Foto: reprodução/The Movie Isle

A fragilidade da conexão entre as duas fica evidente sempre que Fatem perde o sinal e Farsi nos faz encarar uma tela vazia por segundos que se estendem por horas, segundos em que as quase 70 mil pessoas (segundo dados de novembro da WAFA) assassinadas por Israel nos vêm à mente e lembramos que não há uma pessoa que está segura sob o céu palestino, sobretudo aquelas com uma câmera na mão.

E isso é muito importante, afinal, Fatem é fotojornalista. É através de sua lente que o documentário nos coloca em Gaza, entre toda a destruição, e, para ela, sua responsabilidade é óbvia: se não documentarem o próprio genocídio, quem o fará? “Minha Gaza precisa de mim”, ela explica simplesmente em determinado momento, dizendo que não tem interesse algum em se mudar do seu país, da sua terra.

Foto: reprodução/Magnum Photos/Fatma Hassona

Todo esse seu compromisso, assim como a naturalidade com que relata os bombardeios e as dificuldades de encontrar os restos mortais de seus familiares para enterrá-los, é atravessado por conversas em que Fatem mostra a Farsi seus irmãos, fala sobre como sua avó costumava fazê-la dormir com tapinhas nas costas e diz que seu maior sonho é comer frango e chocolate e poder respirar ar puro novamente.

Por alguns segundos, pode parecer que estamos apenas invadindo uma videochamada entre amigas, e são momentos como esses que o público se lembra que Fatem tem apenas 24 anos, mas já conhece e convive com uma violência que muitos de nós sequer somos capazes de imaginar.

Na Palestina, a morte coexiste com o desejo irremediável de viver, e esse costume é o que faz Fatem estar sempre sorrindo: em 24 anos, ela nunca conheceu uma Gaza que não estivesse ocupada pelas forças coloniais israeles, e o que ela poderia fazer diante disso senão tentar viver mesmo assim?

Foto: reprodução/LatAm Arte/Fatma Hassona

Enquanto assistia Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe, me lembrei do trecho de um ensaio publicado em julho de 2025, por uma jovem chamada Haya, filha de imigrantes palestinos nos Estados Unidos, em que ela diz:

“Palestinos têm essa habilidade de coexistir com a morte de uma forma que eu nunca vi igual. Vender frutas horas depois de enterrar um ente querido, limpar os escombros de suas casas demolidas ou bombardeadas, ajustar o tapete, varrer a bagunça e convidar pessoas para tomar um chá uma hora depois. A morte não era um homem de capuz escuro e uma foice, surpreendendo-os; a morte era um vizinho. Para alguns, era um presente(tradução livre).

Foto: reprodução/The Forward

De forma semelhante, Fatem explica a Farsi em uma das primeiras trocas entre as duas no documentário:

Sinto muito orgulho,” diz Fatem. “Somos fortes e corajosos, e pessoas muito importantes no mundo. Nós nos acostumamos a ser assim desde que éramos crianças. O que quer que façam conosco, como quer que tentem nos destruir, ou mesmo se eles nos matarem, nós vamos rir e viver nossas vidas, quer eles queiram ou não. Eles não podem nos derrotar. 

A busca por algum vestígio de normalidade se torna palpável em Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe. O desejo pela vida persiste mesmo entre ruínas e cercado de morte, e o sorriso no rosto dos palestinos é fruto do orgulho de um povo que, sem nada a perder, carrega o coração na mão e resiste.

Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe chega aos cinemas dia 27 de novembro.

Você já estava sabendo sobre essa produção? Comente e nos siga nas redes sociais do Entretetizei – Facebook, Instagram e X – e não perca as novidades do mundo do entretenimento! 

 

Leia também: Você sabia? Árabes e turcos não são o mesmo povo – e a gente te explica por quê

 

Texto revisado por Sabrina Borges de Moura

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Entrevista | Escritor de Diário de um Banana fala sobre publicação de vigésimo livro e relação com o Brasil

Autor diz que se sente feliz em escrever para a infância e aconselha pais e professores que querem fomentar o hábito de leitura

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Matcha: a jornada milenar do chá em pó asiático que virou um ícone em todo o mundo

Antes de brilhar nas xícaras instagramáveis e nas cafeterias estilosas da Coreia, o matcha percorreu um caminho longo – e cheio de curiosidades – passando por impérios chineses, templos coreanos e tradições japonesas até se tornar o queridinho do bem-estar moderno

Se você já tomou um matcha latte gelado num café coreano e achou que estava vivendo um momento super contemporâneo… Surpresa: a história por trás daquele pó verde é muito mais antiga e fascinante do que parece. O matcha já foi símbolo de status, ferramenta espiritual, bebida de artistas, ritual de monges e até motivo de disputas estéticas. Antes de virar tendência global, ele circulou por palácios chineses, atravessou o mar até a Coreia, ganhou outra vida no Japão e, séculos depois, voltou ao centro das atenções como um superdrink.

A verdade é que, embora hoje o matcha seja associado quase automaticamente ao Japão, ele nasceu mesmo na China, num período em que chá não era apenas chá, mas parte de toda uma cultura de poesia, filosofia e refinamento. E mais: a Coreia teve um papel importante nessa história, principalmente quando monges coreanos entraram em contato com tradições chinesas e levaram práticas do chá para templos da península.

Só que o tempo passou, dinastias mudaram, crenças mudaram, o gosto das pessoas mudou… e o destino do matcha foi se transformando junto. A China deixou o chá em pó para trás, a Coreia seguiu um caminho particular valorizando infusões mais leves e o Japão abraçou o matcha com tanta intensidade que fez dele parte da identidade nacional. Enquanto isso, o mundo moderno só voltou a pensar nesse “velho conhecido” quando a busca por bem-estar explodiu e a cultura coreana colocou o matcha novamente sob os holofotes.

O resultado? O matcha renasceu. E hoje, ao lado de cafés minimalistas, sobremesas lindíssimas e uma estética clean que combina perfeitamente com o estilo coreano de viver, ele é praticamente uma celebridade por si só.

Mas, para entender como esse pozinho vibrante virou tudo isso, precisamos voltar uns bons séculos no tempo. Essa é a história completa e sem pressa de como o matcha nasceu, se espalhou e finalmente encontrou seu lugar no mundo moderno.

O nascimento do Matcha na China e sua jornada da bebida do império à obsessão estética dos eruditos

Tudo começa na China, e não em qualquer momento: estamos falando da dinastia Tang (618–907), uma época conhecida por sua efervescência cultural e pela expansão das rotas do chá. Nessa fase, o consumo de chá já era algo respeitável, mas o modo como ele era preparado era bem diferente do que conhecemos. Nada de infusão rápida ou pó finamente moído, o chá era prensado em tijolos, quase como barras sólidas, que podiam ser transportadas mais facilmente em longas viagens. Esses tijolos eram torrados, raspados e fervidos com água, criando bebidas que variavam de simples a extremamente elaboradas.

A mudança decisiva veio um pouco depois, durante a dinastia Song (960 – 1279), quando a elite chinesa – especialmente estudiosos, artistas e membros da corte – começou a transformar o modo de preparar chá em uma arte. Em vez de beber o chá fervido como nos tempos da Tang, eles passaram a moer o tijolo em e batê-lo com água quente usando um tipo de batedor. O resultado era uma bebida espumada, com uma camada fina e cremosa na superfície, considerada sinal de habilidade e refinamento. Essa técnica é praticamente a avó do matcha que conhecemos hoje.

Matcha
Foto: reprodução/hftp

Se hoje a gente faz fotos de um matcha bonito, naquela época o equivalente era competir para ver quem conseguia a espuma mais estável e branca sobre a bebida. Havia verdadeiros “campeonatos” de preparação de chá, onde cada detalhe importava: a textura do pó, a temperatura da água, a velocidade dos movimentos com o batedor e até o formato da tigela. Foi aí que o chá deixou de ser só uma bebida e virou performance:  algo entre ritual, arte e passatempo social.

Esse período também foi marcado por uma explosão criativa. Poetas e pintores começaram a retratar o chá como símbolo de elegância e introspecção. Escrever sobre ele era uma forma de mostrar sensibilidade estética e sofisticação intelectual. Em muitos templos e residências, preparar chá virou um convite à contemplação: uma pausa para pensar, respirar e observar o mundo. Em outras palavras, muito antes de falarmos em mindfulness, a dinastia Song já tinha um ritual próprio para desacelerar, e ele envolvia uma tigela de chá espumado.

Foto: reprodução/new hanfu

É nessa China que nasce a base do matcha. Não foi inventado de uma vez só, como um “produto final”, mas construído pouco a pouco ao longo de séculos, à medida que técnicas de cultivo melhoravam, métodos de moagem evoluíam e as pessoas buscavam novas formas de apreciar o chá. E foi também dessa China que monges e estudiosos coreanos e japoneses levaram o conhecimento para seus próprios países, cada um adaptando a bebida ao seu jeito, um detalhe que mudaria a história do chá para sempre.

Ou seja, antes do matcha ser matcha, ele foi um universo inteiro. Um símbolo cultural, um ritual social, um ponto de encontro entre espiritualidade e estética. Um costume tão influente que, mesmo quando caiu em desuso na própria China, continuou ecoando em outros lugares da Ásia. E é aqui que nossa história começa a se espalhar pela região, primeira parada: Coreia e Japão.

Foto: reprodução/Tranquil Tuesdays
A difusão do Matcha pela Ásia e os caminhos do chá entre Coreia e Japão

Se a China foi o berço do matcha, foram os monges e estudiosos que fizeram a ponte entre mundos. Durante a dinastia Song, viagens espirituais e acadêmicas eram comuns entre templos chineses, coreanos e japoneses. Monges budistas coreanos, em especial, passavam longas temporadas estudando na China, absorvendo não só ensinamentos religiosos, mas também hábitos cotidianos, entre eles estava o chá em pó batido. Para esses monges, a bebida não era apenas gostosa: era uma ferramenta de foco mental. Em um ambiente onde meditar por horas fazia parte da rotina, uma dose de chá verde espumado ajudava a manter a mente desperta e o corpo alerta, mas sem o nervosismo que o café produz. Essa afinidade entre espiritualidade e chá abriu caminho para que o matcha atravessasse o mar.

Quando esses monges retornavam à Coreia, traziam consigo livros, técnicas de meditação, instrumentos cerimoniais e, claro, o hábito do chá em pó. Templos budistas coreanos começaram a incorporar a bebida em rituais, não como cerimônia formal e estética, mas como prática funcional para a vida monástica. A Coreia, naquele momento, vivia sob a dinastia Goryeo (918–1392), profundamente influenciada pelo budismo, e era natural que costumes chineses importados se enraizassem com facilidade. A bebida tornou-se comum nas comunidades religiosas por sua preparação ser simples e direta, sem a ornamentação elaborada que apareceria mais tarde no Japão. A ideia era aproveitar os benefícios do chá, não construir uma filosofia completa ao redor dele, pelo menos não ainda.

Foto: reprodução/Ancient Korean Architecture

Enquanto isso, no Japão, o chá em pó seguia um caminho paralelo, mas com nuances próprias. Monges zen japoneses também viajavam para a China e traziam de volta o hábito de bater chá. Entretanto, ao chegar ao Japão, o matcha encontrou um ambiente social e filosófico particular que permitiu que a bebida fosse assumindo um papel cada vez mais simbólico, associado à disciplina, ao ritual e à estética. O que na China era moda e passatempo entre eruditos e na Coreia era prática monástica, no Japão começava a se consolidar como parte de uma visão espiritual mais estruturada. Esse detalhe é fundamental para entender por que os japoneses acabaram desenvolvendo a famosa cerimônia do chá, enquanto a Coreia seguiria um caminho completamente diferente.

Apesar dessas diferenças, tanto Coreia quanto Japão receberam o matcha de maneira intensa durante os mesmos períodos históricos. Há registros de utensílios, tigelas e batedores entrando na península coreana, embora adaptados à estética local. Tigelas coreanas de porcelana celadon, por exemplo, eram muito usadas para servir chá. Esse tipo de porcelana era tão valorizado que acabou exportado para a China e Japão, influenciando a própria forma como os japoneses pensaram suas peças futuras. Ou seja, mesmo que a Coreia não tenha desenvolvido uma cerimônia formal de matcha, ela teve participação direta na estética que mais tarde seria associada ao ritual japonês. É uma daquelas partes da história que poucas pessoas conhecem hoje.

Foto: reprodução/Rob Michiels Auctions

O que realmente diferenciaria as trajetórias dos três países, no entanto, seriam as transformações políticas e filosóficas que viriam depois. Na China, o chá em pó perdeu espaço conforme novas dinastias preferiram métodos de infusão mais simples. Na Coreia, a ascensão do confucionismo reduziria a influência do budismo e, com ele, o uso cotidiano do chá em pó. Já no Japão, a bebida encontrou terreno fértil para se desenvolver como parte da cultura zen e, eventualmente, da identidade nacional. Mas antes de entrarmos nas grandes diferenças que moldaram o futuro do matcha em cada país, precisamos entender o que aconteceu especificamente na Coreia, onde o chá em pó viveu, floresceu, e depois se transformou, quase desaparecendo por completo.

A trajetória do matcha na Coreia é uma mistura de presença discreta e impacto silencioso. Mesmo não sendo o centro das atenções por tanto tempo, ele influenciou a vida monástica, certos rituais e até a estética dos utensílios usados nos templos. O matcha se tornou uma prática quase íntima na Coreia – diferente da popularização japonesa – e isso diz muito sobre a personalidade da cultura coreana da época: mais minimalista, mais prática, mais focada na experiência do que no espetáculo. E é aí que começa a parte mais interessante dessa jornada pela península.

Foto: reprodução/world history encyclopedia
O Matcha na Coreia entre o budismo, as mudanças políticas e o desaparecimento do chá em pó

Quando o matcha – ou melhor, sua versão ancestral chinesa – chegou à Coreia, ele encontrou um ambiente bem receptivo. Era a época da dinastia Goryeo (918–1392), conhecida pela forte presença do budismo, que influenciava desde o governo até a vida comum das pessoas. Monges coreanos que estudaram na China trouxeram não só textos religiosos e técnicas de meditação, mas também o hábito de beber chá batido como parte do cotidiano dos templos. Diferente do Japão, onde essa prática evoluiria para um ritual estético altamente codificado, na Coreia ela permaneceu como algo mais íntimo e ligado ao ritmo monástico. O chá era um aliado para longas sessões de meditação, ajudando a manter a mente desperta e o corpo sereno, sem exageros e sem adornos.

A Coreia, inclusive, já tinha uma relação própria com o chá, muito antes da chegada do matcha. A região de Hadong, por exemplo, é conhecida há séculos como um dos berços do chá coreano, com tradições que remontam à época em que sementes teriam sido enviadas da China por volta do século IX. O consumo do chá de folhas inteiras fazia parte do dia a dia de aristocratas e templos, mas o chá em pó trouxe uma novidade interessante: uma forma mais concentrada e rápida de preparar a bebida, perfeita para a rotina dos monges. Assim, o matcha coreano nunca foi sinônimo de formalidade; ele era mais sobre praticidade espiritual. E, mesmo assim, sua presença deixou marcas visíveis, especialmente nos utensílios usados.

Foto: reprodução/Food and Agriculture Organization of the United Nations

Uma das influências mais bonitas dessa fase foi a relação com a cerâmica coreana. As tigelas de celadon – famosas por seu tom verde-acinzentado suave e sua superfície levemente translúcida – se tornaram peças ideais para servir o chá. O celadon coreano era tão admirado no Leste Asiático que acabou exportado para o Japão e inspirou gerações inteiras de ceramistas. Ou seja, mesmo que o matcha não tenha florescido plenamente na Coreia, ele ajudou a definir parte da estética que hoje associamos à cerimônia japonesa do chá. É como se a Coreia tivesse sido um elo silencioso, mas essencial, na construção desse universo visual que tantas pessoas reconhecem.

A virada drástica veio com o fim da dinastia Goryeo e o início da dinastia Joseon (1392–1897). Com Joseon, o confucionismo se tornou a filosofia oficial do Estado, empurrando o budismo para a margem da vida social. Templos perderam influência, monges foram afastados de centros urbanos e práticas religiosas passaram a ser vistas com desconfiança. Como o consumo do chá em pó estava diretamente ligado à rotina budista, ele naturalmente perdeu espaço. O chá continuou existindo, claro, mas em outras formas. A preferência passou a ser por infusões de folhas inteiras, algo mais alinhado ao estilo sóbrio e discreto da corte confucionista.

Foto: reprodução/Song Dynasty Style Longquan Celadon Personal Gongfu Tea Set

Esse afastamento do chá em pó não aconteceu de um dia para o outro, mas foi ficando cada vez mais evidente. Registros mostram que, ao longo da dinastia Joseon, o chá deixou de ser um hábito aristocrático e se tornou quase um símbolo espiritual restrito a determinados templos. Muitas famílias nobres abandonaram completamente o costume, focando em bebidas como infusões herbais ou remédios tradicionais. O matcha, que já não tinha se tornado uma prática sólida entre o povo comum, simplesmente se dissolveu na história coreana. Não desapareceu ao ponto de virar mito, mas deixou de ser parte da vida cotidiana e se tornou algo do passado, uma memória guardada nos templos.

Assim, quando falamos sobre matcha na Coreia, é importante lembrar que o país viveu uma relação de “vai e vem” com esse tipo de chá. Ele chegou pela via religiosa, ganhou um papel funcional dentro da meditação, influenciou a estética, mas nunca se transformou em hábito nacional. E, com a ascensão do confucionismo, acabou sendo engolido por uma nova lógica de sociedade. Mesmo assim, seu impacto permaneceu em detalhes importantes, especialmente no legado cerâmico e no modo como os templos coreanos servem chá até hoje. A história do matcha na Coreia não é grandiosa como a japonesa, mas é rica e cheia de nuances, mostrando como tradições podem florescer ou desaparecer dependendo das mudanças filosóficas e políticas.

Foto: reprodução/fiveable
O Matcha no Japão: de bebida de monges a ícone cultural que ganhou o mundo

Enquanto na Coreia o matcha permanecia como uma prática intimista dentro de templos, no Japão ele encontrou um terreno muito diferente e acabou florescendo de uma forma que ninguém poderia imaginar. Quando os monges zen japoneses voltaram da China trazendo a técnica do chá batido, o país já vivia um período de mudanças sociais profundas. A filosofia zen, com sua valorização do silêncio, da disciplina e da vida simples, combinava perfeitamente com a ideia de beber chá de maneira consciente. O matcha virou um aliado natural para a meditação, exatamente como havia sido para os monges coreanos. Mas, por algum motivo especial, no Japão essa prática não ficou limitada aos templos: ela começou a despertar o interesse da aristocracia e da classe guerreira, que enxergou no chá em pó uma oportunidade de expressão cultural.

A transição do matcha para o mundo leigo foi gradual, mas decisiva. Líderes samurais da era Muromachi e Momoyama (séculos XIV a XVI) passaram a adotar reuniões de chá como forma de reforçar alianças políticas ou exibir sofisticação. Esse movimento transformou completamente o destino da bebida. Ao contrário da Coreia, onde a formalidade do chá nunca ganhou espaço, o Japão abraçou o potencial estético do matcha com fervor. A preparação da bebida deixou de ser apenas uma técnica e passou a ser uma filosofia: a importância do silêncio, dos gestos calculados, da observação da tigela, do respeito ao anfitrião… tudo ganhou significado. O que antes era apenas um pó verde batido virou uma experiência ritualizada, quase teatral.

Foto: reprodução/DesignDestinations

É nesse período que surgem figuras históricas fundamentais para a consolidação da cerimônia do chá, a mais famosa delas é Sen no Rikyū. Ele foi o responsável por transformar a cerimônia em uma arte codificada, com valores que continuam até hoje: simplicidade, humildade e imperfeição. É o conceito do wabi-sabi, a ideia de encontrar beleza no que é natural, imperfeito e modesto. Rikyū redefiniu o espaço do chá, preferindo salas pequenas, iluminação suave e utensílios rústicos. E, claro, estabeleceu um novo padrão para o matcha: um chá vibrante, fresco, cuidadosamente preparado, servido em tigelas pensadas para transmitir calma e equilíbrio. Essa visão estética transformou o matcha em muito mais do que uma bebida, ele virou filosofia.

Com o passar dos séculos, essa estética foi ganhando cada vez mais força. Famílias começaram a formar escolas de chá, cada uma com seus métodos e tradições. A cerimônia do chá se tornou algo que ultrapassava a simples preparação da bebida: era uma forma de educação cultural, um ritual social, uma prática espiritual e até um treinamento moral. A ideia era que preparar e tomar chá de maneira consciente ajudasse a moldar o caráter. Isso pode soar exagerado hoje, mas, dentro da cultura japonesa, esse tipo de disciplina estética sempre teve lugar especial. Não é à toa que a cerimônia do chá é vista como uma das expressões máximas da cultura tradicional japonesa.

Foto: reprodução/ Portland Japanese Garden

Enquanto isso, o matcha ganhava vida própria no Japão rural também. Agricultores aprimoraram técnicas para produzir folhas mais verdes, mais doces e menos amargas. Surgiram métodos de sombreamento – como o que dá origem ao tencha, a base do matcha moderno – que intensificam o sabor e aumentam o teor de clorofila. A moagem em moinhos de pedra virou uma arte à parte. Tudo isso moldou a identidade do matcha como o conhecemos hoje: um pó finíssimo, brilhante, com sabor vegetal e textura sedosa. E, quando essa técnica encontrou a estética da cerimônia do chá, o matcha se tornou um símbolo nacional tão forte que hoje até parece que ele nasceu no Japão quando, na verdade, a história é muito mais ampla e compartilhada.

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Ao longo dos séculos, o matcha se espalhou por diferentes áreas da cultura japonesa, da gastronomia às artes, da filosofia à hospitalidade. E mesmo depois que o Japão passou por períodos de modernização acelerada, o chá em pó nunca deixou de ser uma marca cultural importante. Ele sobreviveu à ocidentalização, ao avanço do café, à industrialização e até às mudanças drásticas de estilo de vida. E, quando a onda global de bem-estar e da cultura asiática ganhou força no século XXI, o matcha estava pronto para conquistar o mundo de novo. Só que, dessa vez, não como um ritual formal, mas como uma bebida que carrega uma história impressionante e que, sem querer, acabou encontrando no estilo coreano contemporâneo um novo palco para brilhar.

Como o Matcha ressurgiu na Coreia da história milenar ao universo dos cafés urbanos

Depois de séculos praticamente esquecido na Coreia, restrito a templos e a poucos rituais tradicionais, o matcha ressurgiu com força total no século XXI. O mais curioso é que esse retorno não veio da tradição, mas sim das ruas. A nova geração coreana, especialmente a juventude urbana de Seul e Busan, começou a buscar alternativas ao café, bebidas mais leves e ingredientes associados ao bem-estar. Foi aí que o matcha entrou no radar de novo: não como um ritual religioso ou uma prática formal, mas como uma bebida moderna, versátil e cheia de personalidade. Em um cenário onde cafeterias competem entre si para oferecer experiências únicas, o matcha virou uma espécie de “coringa verde”,  bonito, saudável e fácil de reinventar.

Enquanto o Japão manteve sua versão tradicional, a Coreia fez aquilo que faz de melhor: pegou um elemento clássico e transformou em algo totalmente contemporâneo. Os cafés coreanos começaram a experimentar, misturando matcha com leite vegetal, cremes, xaropes artesanais, cream cheese batido e até flores comestíveis. O que poderia ser apenas um pó de chá se transformou em bebidas instagramáveis que combinam com a estética clean e minimalista das cafeterias coreanas. De repente, o matcha não era só um chá; era um fenômeno visual. As cores vibrantes combinavam com interiores brancos, mesas de mármore, paredes de cimento e copos translúcidos, aquela estética típica da Coreia que conquista qualquer um no feed.

Foto: reprodução/waivio

Mas não foi só nos drinks que o matcha brilhou. As sobremesas coreanas se apaixonaram pelo ingrediente com a mesma intensidade. Surgiram bolos de camadas com creme de matcha, tiramisù verde, croffles com calda espessa, castella fofo com sabor de chá, cookies com pedaços de chocolate branco e até bingsu (raspadinha coreana) tingido de verde vibrante. E não para por aí: marcas coreanas começaram a lançar pós de matcha premium, muitas vezes importados do Japão, mas adaptados ao paladar local, com sabores mais suaves e doces. A Coreia se tornou especialista em transformar o matcha em receita viral, e cada cafeteria parecia querer criar “a próxima grande novidade verde”.

O mais interessante é que esse renascimento coincidiu com um movimento cultural mais amplo: o boom do wellness. Na Coreia, essa tendência ganhou força com o aumento do estresse urbano, a popularidade de rotinas de autocuidado e o foco em saúde mental. O matcha entrou nesse contexto como uma bebida ideal, altamente antioxidante, com cafeína mais estável e sem aqueles picos de ansiedade típicos do café. A Coreia abraçou o matcha como uma espécie de “bebida consciente”, algo que não faz parte só da estética, mas também da sensação de bem-estar que muitos jovens buscam. E essa imagem pegou: o matcha virou o símbolo perfeito da vida calma, organizada e estilosa que define a estética coreana moderna.

Foto: reprodução/Just One Cookbook

Outro fator poderoso foi a expansão da cultura de cafés temáticos. A Coreia é famosa por transformar simples cafeterias em destinos turísticos, e o matcha ganhou templos dedicados a ele, cafés inteiros com cardápios exclusivamente verdes. Locais como Jeju, Boseong e Gangneung também começaram a destacar o matcha como produto local, conectando tradição agrícola, turismo e estética moderna. Em pouco tempo, o matcha deixou de ser apenas uma moda e passou a ser parte da identidade das cafeterias coreanas. Até mesmo pessoas que nunca ligaram para chá começaram a se render ao “matcha moment”: aquela pausa para respirar, saborear algo bonito e compartilhar nas redes sociais.

@cafeanka_berlin

How to prepare Matcha the right way 🍵✨ 1️⃣ Add 3g Matcha powder into your bowl. 2️⃣ Pour in 35ml hot water (around 70–75°C, not boiling!). 3️⃣ Whisk quickly in a zig-zag motion until it’s smooth and frothy. 4️⃣ Enjoy it pure – or add milk for a creamy Matcha latte 💚” #matcha #matchapowder #berlin #cafeanka #matchalatte

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Hoje, o matcha na Coreia tem uma personalidade própria. Não é igual ao japonês, muito menos uma cópia. Ele é mais ousado, mais doce, mais adaptável e mais visual. Ele combina tradição histórica com criatividade moderna e se encaixa perfeitamente no ritmo da vida coreana contemporânea. É curioso ver como um ingrediente que desapareceu quase completamente durante séculos voltou com tanta força, mas esse é justamente o charme da cultura coreana: transformar o passado em tendência, o simples em sofisticado, e o cotidiano em experiência. O matcha renasceu e renasceu à coreana.

O Matcha como ícone global e o papel da Coreia na tendência moderna

Com o avanço da globalização e o interesse crescente pela cultura asiática, o matcha se tornou muito mais do que um ingrediente tradicional. Ele virou símbolo de um estilo de vida inteiro: saudável, estético, equilibrado e conectado a rituais que fogem da pressa do cotidiano ocidental. E, curiosamente, mesmo que o matcha ainda seja associado ao Japão quando falamos de tradição, o estilo que mais conquistou o público jovem internacional veio de outro lugar: a Coreia. Isso porque o jeito coreano de consumir matcha – mais livre, criativo, doce, lúdico e instagramável – é extremamente compatível com a forma como o mundo atual vive e compartilha experiências. Foi essa combinação de história, saúde e estética que transformou o matcha em um gigante global.

A explosão de cafeterias coreanas pelo mundo ajudou ainda mais. Em cidades como Nova York, Los Angeles, Paris e São Paulo, surgiram cafés inspirados nas tendências coreanas, com interiores limpos, paletas claras, vitrines organizadas e um cardápio cheio de bebidas verdes. O público jovem, já apaixonado pela cultura coreana através de k-dramas, moda e gastronomia, rapidamente incorporou o matcha como parte desse “pacote lifestyle”. Era muito mais do que tomar uma bebida, mas sim viver uma experiência visual e sensorial que remetia à Coreia contemporânea. Em outras palavras, o matcha virou uma extensão natural da onda Hallyu, mesmo que sem os elementos pop desta vez.

O matcha também se beneficiou de outro movimento global: o interesse crescente em bebidas funcionais. Com a busca por opções menos agressivas que o café e mais estáveis no ritmo do dia, o matcha se tornou uma escolha óbvia para pessoas que queriam energia sem ansiedade, foco sem estresse e sabor sem amargor excessivo. A ciência ajudou: estudos ampliaram a fama da L-teanina, aminoácido presente no matcha que promove calma e concentração ao mesmo tempo. As redes sociais amplificaram tudo isso, mostrando o matcha como um superdrink. A Coreia, com sua estética de autocuidado e rotinas bem organizadas, virou referência global nessa imagem do “matcha + bem-estar”.

Além disso, o matcha encontrou um terreno fértil na cultura visual contemporânea. Com sua cor verde vibrante, ele é quase uma peça de design. Fotos de drinks em camadas – matcha com leite, matcha com creme, matcha com mel, matcha com frutas – dominam feeds e vídeos curtos. E, novamente, os cafés coreanos foram cruciais nesse processo, porque prezam muito pela apresentação. Cada bebida parece feita sob medida para foto. Cada sobremesa parece uma pequena obra de arte. O público global abraçou essa estética porque ela conversa com o desejo atual por beleza simples, minimalista e naturalmente elegante.

Foto: reprodução/Kroma Wellness

É importante destacar que o matcha não se tornou global apenas por ser bonito ou saudável, mas porque foi reinterpretado por culturas diferentes, especialmente a coreana, que deu a ele uma nova vida. O matcha tradicional japonês continua sendo uma referência, uma base histórica e um símbolo profundo. Mas o matcha que domina o mundo hoje é aquele que se adapta, que brinca com combinações, que aparece em doces, gelatos, bebidas geladas, cafés especiais e sobremesas criativas. Esse matcha híbrido é, em grande parte, resultado da reinvenção coreana: uma ponte entre tradição e modernidade, entre respeito cultural e inovação estética.

Assim, o matcha se tornou um produto global, mas com raízes profundamente asiáticas. Ele carrega a história da China, que o viu nascer; traz marcas da Coreia, que o acolheu nos templos e o reinventou nos cafés modernos; e mantém a força do Japão, que o transformou em filosofia e ritual. O que vemos nas cafeterias do mundo é o resultado desse encontro de culturas, épocas e estilos. E talvez seja essa a explicação para o fascínio atual pelo matcha: ele é, ao mesmo tempo, antigo e contemporâneo, simples e sofisticado, tradicional e trendy. Poucas bebidas conseguem atravessar tantos séculos sem perder relevância… O matcha conseguiu.

Você já conhecia a história do matcha? Compartilhe com a gente nas redes sociais do Entretê – Facebook, Instagram e X – e nos siga para ficar por dentro de todas as novidades do mundo do entretenimento e da cultura.

 

Texto revisado por Larissa Couto @larscouto

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Galera Record anuncia novidades imperdíveis para fãs de fantasia e romantasia

De Cassandra Clare a Mar Freitas, o mês de novembro reúne grandes autoras e grandes mundos

Novembro chega à Galera Record repleto de retornos aguardados, finais épicos e novas vozes que prometem conquistar os leitores de fantasia e romantasia. Entre continuações de séries consagradas, encerramentos de duologias mágicas e estreias eletrizantes, o mês celebra a força das grandes autoras do gênero – verdadeiras arquitetas de mundos que há anos arrebatam fãs no Brasil e no exterior.

Assim, entre retornos gloriosos e estreias arrebatadoras, reunimos abaixo as histórias que dão forma ao novembro mágico da Galera Record.

O Rei dos Ladrões – Cassandra Clare
Foto: divulgação/Editora Record/Entretetizei

Um casamento arranjado, uma paixão proibida e uma profecia prestes a se cumprir: Castellane está de volta mais perigosa, mais instável e mais sedutora.

Na aguardada sequência de O Portador da Espada, Kel Saren, dublê do príncipe herdeiro, investiga um massacre brutal que ameaça a estabilidade da coroa. As pistas o conduzem ao lendário Rei dos Ladrões e à Colina, onde festas opulentas escondem conspirações lideradas por Artal Gremont, o noivo da mulher que Kel ama.

Enquanto isso, Lin Caster lida com as consequências de ter se declarado, por necessidade, à Deusa Renascida. Agora observada pelo enigmático Exilado, ela precisa provar seus poderes para evitar o exílio e manter seu povo seguro. Contudo, um pedido desesperado do príncipe Conor – salvar o rei de uma magia ancestral – coloca Lin diante de um desafio que pode custar seu coração e sua vida.

Com Castellane à beira de um colapso, Kel e Lin precisam decidir em quem confiar antes que tudo desmorone.

O Espelho dos Monstros – Alexandra Bracken
Foto: divulgação/Editora Record/Entretetizei

A conclusão da duologia A Maldição de Prata mergulha Tamsin em uma jornada onde enfrentar dores antigas é o único caminho para impedir uma tragédia. Após testemunhar a queda de Avalon, ela retorna ao mundo mortal com o coração despedaçado e uma missão clara: deter o Lorde Morte e a Caçada Selvagem antes que destruam tudo.

O único objeto capaz de detê-los é o Espelho dos Monstros, uma relíquia que carrega segredos tão profundos quanto perigosos. Para alcançá-lo, Tamsin precisa enfrentar o passado que sempre temeu e aceitar a ajuda de Emrys, seu rival arrogante e o último homem que ela queria ter ao lado.

À medida que segredos emergem, Tamsin descobre que a ameaça mais assustadora pode ser a verdade sobre si mesma.

Visões de Carne e Sangue – Jennifer L. Armentrout
Foto: divulgação/Editora Record/Entretetizei

O livro definitivo para fãs de Sangue e Cinzas e Carne e Fogo, Visões de Carne e Sangue reúne histórias inéditas, cenas exclusivas, ilustrações, registros secretos e curiosidades do universo criado por Jennifer L. Armentrout.

Narrado pela inconfundível senhorita Willa Colyns, o guia apresenta anotações pessoais, reflexões e observações divertidas que revelam detalhes sobre Poppy e Casteel, Sera e Nyktos, e outros personagens queridos. É uma viagem completa, emocional e bem humorada pelos bastidores desse fenômeno mundial da fantasia romântica.

Inclui textos inéditos, materiais visuais exclusivos e contribuições de Rayvn Salvador.

Herdeiras de Pedra e Ar – Mar Freitas
Foto: divulgação/Editora Record/Entretetizei

Duas nações prestes a entrar em guerra. Duas mulheres destinadas a se odiar. Em sua estreia na romantasia, Mar Freitas cria um mundo exuberante, dividido entre magia, política e crenças ancestrais, no qual a linha entre ódio e desejo é perigosamente tênue.

Rubi Takahashi, herdeira do Ar e filha da elite tecnológica de Körin, vê sua vida perfeita ruir após um sequestro que a lança no território inimigo. Lá, é capturada pela capitã Céu Steinbachi, uma soldada implacável e guardiã da fronteira mágica de Minéria. Para Céu, Rubi é mais do que uma prisioneira: é uma ameaça ao seu passado e à estabilidade do reino.

Forçadas a conviver, as duas descobrem que a atração entre elas pode significar tanto a salvação quanto a ruína de seus povos e que, em tempos de guerra, escolher entre legado e coração pode ser a batalha mais cruel de todas.

Prepare-se, pois novembro promete mundos que você não vai querer deixar para trás. Qual dessas fantasias você pretende adquirir primeiro? Compartilhe com a gente em nossas redes sociais – Instagram, Facebook e X – e, se gosta de trocar experiências literárias, junte-se ao Clube do Livro do Entretê!

 

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Texto revisado por Gabriela Fachin

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Crítica | A Queda do Céu documenta a resistência e força ancestral dos yanomami

Destaque na COP30, documentário expõe ameaças impostas aos povos indígenas pelo garimpo ilegal 

A Queda do Céu, que estreou no Festival de Cannes em 2024, foi o documentário brasileiro mais premiado do último ano. Desde a arrancada na mostra francesa, a produção já percorreu 80 festivais ao redor do mundo, conquistando 25 honrarias. Com um comentário contundente sobre a importância da valorização da mitologia dos povos indígenas, o filme chegou aos cinemas de todo o país no mês de novembro de 2025.

Baseado no livro homônimo, escrito pelo líder indígena Davi Kopenawa e o antropólogo francês Bruce Albert, o filme mergulha nas tradições ancestrais da comunidade Yanomami de Watoriki. Desse modo, ao longo de quase duas horas, nós acompanhamos o modo de vida dos yanomami, sua relação com a natureza, e sua luta contra o garimpo ilegal que os ameaça constantemente.

A direção do documentário é de Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha, que realizaram as gravações durante um mês no ano de 2021. O longa-metragem é um convite a conhecer um pouco do cotidiano yanomami, e refletir sobre as batalhas que eles ainda enfrentam para preservar as suas raízes, suas tradições e a terra que lhes é de direito. 

A Queda do Céu: a tradição e a ancestralidade
Foto: divulgação / Primeiro Plano

Falar sobre cultura ancestral dos povos originários é discorrer sobre um povo que resiste há mil anos, sem o qual não existiríamos como nação. Em A Queda do Céu, é mostrado ao público a vida íntima da etnia indígena yanomami, com destaque para o ritual funerário Reahu, que reúne toda a comunidade para conseguirem segurar o céu. 

Todo o filme é narrado pelo xamã Davi Kopenawa, que ensina sobre a cosmologia yanomami e os espíritos xapiri. Concomitantemente, o líder denuncia o cercamento dos garimpeiros, e também a ameaça das epidemias xawara. Chamados por Kopenawa de “povo da mercadoria”, os garimpeiros trazem doenças, morte e medo para a etnia indígena. Tudo isso é contado pelo ponto de vista dos yanomami, que veem e usam o próprio tempo de uma maneira singular, bem mais devagar e contemplativa. 

Para isso, os realizadores fizeram uso de planos longos, uma câmera que mais observa e não se move, além da presença dos sons naturais para revelar o ritmo lento inerente à vivência dos yanomami. 

O grito de resistência yanomami
Foto: divulgação / Primeiro Plano

Para um povo que sofre tantas tentativas de dizimação e mesmo assim segue forte, preservar suas tradições e honrar a sua ancestralidade é um ato de resistência. É o que o documentário A Queda do Céu tenta mostrar, ao alternar entre explicar a mitologia do povo indígena, mostrar um de seus rituais mais sagrados, representar seus hábitos diários e dar visibilidade para os estigmas que ainda precisam enfrentar. 

Um filme necessário que, em meio à crise ambiental que estamos vivendo, se coloca no cenário mundial como um grito de apelo aos direitos dos povos originários. O mundo precisa observar a natureza e pensar no passado, práticas tão cultuadas pelos yanomami. Isso, para que assim consiga se conscientizar sobre os caminhos pelos quais o planeta está se dirigindo. 

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Texto revisado por Simone Tesser 

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