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Entrevista | Caio Horowicz: das telas do streaming para os bastidores de Hamlet

Entre o streaming, o cinema internacional e os bastidores de Hamlet, o ator reflete sobre o papel do artista, a paixão pelo ofício e os reais desafios do audiovisual brasileiro 

 

Texto por Vitória Oliveira

Caio Horowicz parece estar em todos os lugares ao mesmo tempo — e o público só tem a ganhar com isso. O ator e diretor vive um momento prolífico na carreira, dividindo-se simultaneamente entre as telas do cinema, do streaming e a intensidade dos palcos. 

Emendando os lançamentos de Brasil 70 (Netflix) e O Rei da Internet, além de rodar festivais internacionais com o longa Isabel e assinar a assistência de direção da peça Hamlet em São Paulo, Caio prova que o tripé da criação artística é o que move seu dia a dia. Para ele, equilibrar tantas linguagens não é um peso, mas sim combustível: “Eu acho que uma coisa alimenta a outra, aprofunda a outra”, conta. 

Em um papo franco e cheio de descontração, o artista reflete sobre o amadurecimento nos bastidores, o cenário do audiovisual brasileiro e revela o desejo de estrear em novelas. Confira a entrevista completa: 

Foto: divulgação/ Maju Magalhães
Entretetizei: Você vive uma fase intensa da carreira, conciliando série, cinema e teatro. Como tem sido transitar entre linguagens tão diferentes ao mesmo tempo?

Caio Horowicz: É sempre bom fazer mais de um trabalho ao mesmo tempo, mais de uma linguagem ao mesmo tempo. Eu acho que uma coisa alimenta a outra, aprofunda a outra, e não o contrário. Eu sou do time que, para o trabalho do artista tudo é material. Tenho uma professora, Estrela Strauss, que fala que “o ator é o ser humano profissional”, então viver e olhar a intensidade da vida pela perspectiva de alguém que cava, que se pergunta “como isso aqui pode ajudar meu trabalho?”, isso me interessa. 

E: Em Brasil 70, da Netflix, você mergulha em um período marcante da história do país. O que mais te chamou atenção na construção desse personagem?

C.H: Eu gosto do Mazetti porque ele é muito ambicioso. Tá atrás do furo de reportagem, custe o que custar. Hoje seria o que a gente chama de jornalista sensacionalista, talvez. Mas ainda sim a gente empatiza com ele porque ele acredita no que tá fazendo, é inescrupuloso, ele vai atrás daquilo que ele acredita que o povo brasileiro precisa saber, seja quais forem as consequências disso. E é bom fazer personagens meio imorais assim, porque eu posso fazer coisas que eu não faria na vida. Posso ser meio escroto! Rsrs. 

Foto: divulgação/ Maria Magalhães
E: O Rei da Internet aborda temas ligados à fama e ao ambiente digital. Que reflexões esse projeto trouxe para você?

C.H: Eu acho que o Rei da Internet desconstrói aquele estereótipo do hacker que vive de capuz e moletom escuro, curvado na frente do computador. O Noturno é o contrário disso – apesar do nome – ele é um bon vivant, que gosta de festa, que goza dos prazeres da vida. Eu lembro que o Fabrício, diretor do filme, queria que eu fizesse luzes na época! Eu fiquei surpreso, pensei “ué, o nome do cara é Noturno e ele tem luzes?!”, mas depois que eu li o roteiro e entendi. Infelizmente, não rolou as luzes porque eu tinha outro trabalho na época, mas na próxima… quem sabe no Rei da Internet 2?! 

E: Isabel já circula em festivais internacionais. Como é ver uma produção brasileira alcançando públicos de diferentes países?

C.H: Acompanhar a vida de um filme nos festivais é muito entusiasmante. A gente encontra parceiros de trabalho, o fazer cinema fica efervescente, a gente tem a medida da recepção do público… a recepção do Isabel tá sendo maravilhosa. Em Berlim sala de 800 lugares lotada, em Pequim sala de mais de mil lugares, lotada e com fila de autógrafos! Buenos Aires sessões com conversas ótimas. A gente tá animado pelo lançamento no Brasil, em breve. 

E: Além de atuar, você também assina a assistência de direção de Hamlet. O que essa experiência nos bastidores acrescenta ao seu trabalho como ator?

C.H: Meu desejo desde que entrei na faculdade de Artes Cênicas na USP sempre foi ser ator, diretor e dramaturgo. Esse tripé sempre tive como artistas de referência que transitam nessas áreas. Grace Passô é uma delas. Então isso continua no meu projeto. Eu me formei em direção teatral na faculdade, e me formei como ator da EAD (Escola de Arte Dramática). Dramaturgo eu me tornei nos cursos livres que fiz ao longo da vida. E o Hamlet rolou por minha insistência com o Rafael Gomes. Cheguei para ele e pedi para ser assistente, e ele topou. Eu amo o Rafa e aprendo muito com ele na sala de ensaio. É maravilhoso para um ator viver um processo pela borda, observando sem se envolver tanto, vendo de dentro mas de fora. A gente aprende muito nessa relação mais distanciada. Foi por isso que eu fiz. Fiquei feliz de poder contribuir para a construção do espetáculo, que eu acho um acontecimento teatral. 

Foto: divulgação/ Fabio Audi
E: O audiovisual brasileiro vive um momento de expansão, com streaming e produções nacionais ganhando projeção internacional. Como você enxerga esse cenário?

C.H: Eu acho que o audiovisual brasileiro está vivendo o resultado das políticas públicas de anos atrás. O cenário atual, embora as produções estejam ganhando reconhecimento internacional, não é bom. Falta muito ainda. O desmonte da Ancine, a falta de editais e leis de incentivo… Por isso é tão importante que a gente cobre como sociedade civil a grana para o audiovisual e para o teatro brasileiro. A gente precisa aproveitar essa fase para ampliar o incentivo. O jogo está longe de estar ganho. 

E:  Existe algum personagem ou gênero que você ainda sonha interpretar e que talvez surpreendesse o público?

C.H: Quero fazer uma novela. Tenho me tornado noveleiro nos últimos anos, bom demais chegar em casa depois de um dia longo e de repente ficar aos prantos com o Tony Ramos chorando em baixo de uma tempestade… cenona aliás! Quero viver essa linguagem que eu nunca fiz. Tenho vontade e espero que role em breve. 

Foto: divulgação/ Maju Magalhães
E: Depois de tantos projetos importantes, o que mais tem despertado sua criatividade hoje: os desafios artísticos, as novas histórias ou as trocas com outros profissionais?

C.H: Tudo isso. Gosto de sentir que estou fazendo algo que vai tocar o público. Que vai ser relevante. Que vai entreter. O que me dá gás é isso. 

E: Qual foi o maior desafio da sua carreira até aqui e o que ele te ensinou como artista?

C.H: Acho que é a resiliência. Saber que vão ter momentos difíceis, que vai vir um “não” indesejado, que tem essa lida diária com a minha própria imagem como produto mesmo… são muitas questões. Saber que os momentos de alta também são passageiros, que tem que tomar cuidado na relação com o ego, que tem que cuidar pra não me deslumbrar quando vem o “sim”… tudo isso é o maior desafio. Mas a paixão e o sentido de ser ator, nada supera isso. Eu realmente acho que é a profissão mais legal do mundo. E mais importante. Desculpa aí para os médicos e engenheiros.

 

E você, está ansioso para ver o Caio brilhando nas telas e nos palcos?  Corre lá e compartilhe com a gente através das nossas redes sociais – Instagram, Facebook e X – e nos siga para não perder nenhuma novidade do mundo do entretenimento!

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Texto revisado por Angela Maziero Santana 

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Novo romance de Cara Bastone transforma o luto em recomeço

Em Me Prometa o Sol, a autora transforma a dolorosa jornada de Lenny em uma história de amor e recomeços

Como continuar caminhando quando a dor da perda parece paralisar cada passo?

Em Me Prometa o Sol, Cara Bastone traz a história de Lenny, uma mulher cuja vida está um caos depois que sua melhor amiga perdera a luta contra o câncer. Desde então, a protagonista não consegue retornar ao apartamento onde vivia com a amiga e, consequentemente, enfrentar as lembranças e o vazio gerado pelo luto.

Para mascarar seus sentimentos, Lenny vaga pelas ruas de Nova York, participando solitária de festas e caminhadas. Dessa maneira, ela se recusa a pedir ajuda para lidar com seus sentimentos e evita pensar na lista que sua amiga deixou, a qual tem sugestões de atividades para superar a dor.

Como cuidar de crianças parece ser seu único jeito de esquecer tudo que está vivendo, a protagonista trabalha em bicos como babá. Em um desses trabalhos conhece Miles, o tio da criança por quem Lenny está responsável. O rapaz insiste em ficar por perto, vigiando cada passo dela pela casa.

Por outro lado, ele parece ser o único a, de fato, ver o processo de luto pelo qual a babá de sua sobrinha está enfrentando.

Foto: divulgação/Autumn Layne Photography

Nessa narrativa, Cara Bastone propõe transformar um momento extremamente delicado em um romance envolvente, marca registrada de suas tramas.

Me Prometa o Sol já está disponível para compra nas plataformas literárias.

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Texto revisado por Angela Maziero Santana 

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Férias literárias: 12 livros para conhecer no MEC Livros

A plataforma digital do Ministério da Educação reúne centenas de obras gratuitas. Veja uma seleção de romances, fantasias e outros títulos para incluir na lista de leitura

As férias são um convite para desacelerar, descobrir novos interesses e dedicar tempo a atividades que muitas vezes ficam em segundo plano durante a rotina. Nesse contexto, a literatura se torna uma importante aliada ao proporcionar momentos de lazer, estimular a imaginação, ampliar repertórios e apresentar diferentes perspectivas sobre o mundo. Quando o acesso aos livros também é facilitado, iniciativas de incentivo à leitura tornam esse universo ainda mais democrático e acessível para leitores de todas as idades.

É justamente essa a proposta do MEC Livros, biblioteca digital do Ministério da Educação, que reúne centenas de obras disponíveis gratuitamente em formato digital. Com um catálogo que vai de romances contemporâneos e histórias de época a fantasias, distopias e releituras de clássicos, a plataforma oferece opções para diferentes perfis de leitores. A seguir, confira uma seleção de títulos que podem tornar as férias ainda mais envolventes e repletas de boas histórias.

Ariadne, por Jennifer Saint (2022)
Foto: divulgação/MEC Livros/Entretetizei

Nesta releitura do mito grego, a autora coloca Ariadne no centro da narrativa. Filha do rei Minos e irmã do temível Minotauro, a princesa cresce cercada por histórias de deuses, heróis e pelos ecos do monstro preso no labirinto de Creta. Quando Teseu chega disposto a derrotar a criatura, Ariadne vê nele a oportunidade de mudar seu destino e desafia a própria família para ajudá-lo. No entanto, suas escolhas a conduzem por um caminho de amor, ambição e traição, em uma história que revisita a mitologia sob a perspectiva das mulheres.

As Horas Frágeis, por Virginie Grimaldi (2026)
Foto: divulgação/MEC Livros/Entretetizei

Depois que o marido decide deixá-la, Diane vê sua vida desmoronar. Consumida pela dor, ela demora a perceber que a filha adolescente, Lou, também enfrenta um momento delicado após uma grande perda. Determinada a ajudá-la, Diane precisará revisitar lembranças e feridas do passado para reconstruir a relação entre as duas. Com sensibilidade, Virginie Grimaldi apresenta um romance sobre maternidade, luto, recomeços e os laços que unem uma família mesmo nos momentos mais difíceis.

Romance Real, por Clara Alves (2022)
Foto: divulgação/MEC Livros/Entretetizei

Após perder a mãe, Dayana deixa o Rio de Janeiro para morar em Londres com o pai, de quem esteve afastada durante dez anos. Enquanto tenta se adaptar à nova realidade e conviver com a família que ele construiu, ela conhece uma garota misteriosa durante um passeio pelo Palácio de Buckingham. À medida que a amizade entre as duas se transforma em romance, Dayana percebe que a jovem esconde uma ligação inesperada com a família real britânica. Um romance contemporâneo que mistura amor, luto, autodescoberta e segundas chances.

Estilhaça-me, por Tahereh Mafi (2012)
Foto: divulgação/MEC Livros/Entretetizei

Juliette Ferrars vive isolada por causa de um poder capaz de matar qualquer pessoa com um simples toque. Enquanto ela enxerga essa habilidade como uma maldição, o Restabelecimento pretende transformá-la em uma arma a serviço do regime. Em meio a uma sociedade distópica, Juliette precisará decidir entre se tornar aquilo que os outros esperam ou lutar pelo direito de escrever o próprio destino. Todos os livros da série Estilhaça-me estão disponíveis no MEC Livros, permitindo que os leitores acompanhem a saga completa.

Só Mais Um Poema Épico de Amor, por Parisa Akhbari (2025)
Foto: divulgação/MEC Livros/Entretetizei

Mitra Esfahani e Beatrice Ortega cultivam uma amizade inseparável desde a infância, compartilhando um caderno onde escrevem juntas um poema épico que reúne seus sonhos, medos e lembranças. O problema é que Mitra guarda um segredo capaz de mudar completamente a relação entre as duas: ela está apaixonada pela melhor amiga. Conforme a formatura se aproxima e o futuro começa a seguir caminhos diferentes, ambas precisarão encontrar coragem para enfrentar os sentimentos que mantiveram escondidos. Com uma escrita poética, o romance aborda amizade, primeiro amor, amadurecimento e identidade.

Um Amor Mais Que Perfeito, por Maria Fernanda Leite (2024)
Foto: divulgação/MEC Livros/Entretetizei

A vida de Leticia muda completamente após um acontecimento traumático. De uma hora para outra, ela descobre que está noiva de um príncipe que nunca conheceu e que ele passará a morar em sua casa até o casamento. Como se isso não bastasse, um cantor carismático também chega ao castelo para acompanhar os preparativos. Em meio a tantas mudanças, Leticia precisará lidar com seus conflitos emocionais enquanto descobre que o amor, a amizade e o altruísmo podem transformar até os momentos mais difíceis.

Todas as Cores de Tilly, por Mazey Eddings (2024)
Foto: divulgação/MEC Livros/Entretetizei

Tilly Twomley encara um verão cheio de mudanças ao aceitar um estágio que inclui uma viagem pela Europa, mesmo sem saber qual caminho deseja seguir na vida. Já Oliver Clark, um jovem autista apaixonado por design e teoria das cores, acredita ter o futuro completamente planejado. Quando um encontro inesperado durante uma viagem faz seus caminhos se cruzarem, os dois passam a dividir experiências que desafiam suas certezas. Com protagonismo neurodivergente, o romance aborda autoconhecimento, amadurecimento e a beleza dos planos que saem do roteiro.

Haters do Amor, por Katherine Center (2026)
Foto: divulgação/MEC Livros/Entretetizei

Determinada a salvar a própria carreira, Katie Vaughn aceita a missão de produzir um documentário sobre um nadador de resgate em Key West. O problema é que ela não sabe nadar. Entre aulas desastrosas, furacões e situações inesperadas, Katie acaba descobrindo que alguns desafios podem mudar sua vida muito além do trabalho. Com humor e romance na medida certa, a história fala sobre coragem, recomeços e a importância de se permitir amar novamente.

Nada é Tão Romântico Quanto o Fim do Mundo, por J. Venegas Álvares (2021)
Foto: divulgação/MEC Livros/Entretetizei

Gustavo sempre foi apaixonado pelo vizinho Thales, mas nunca encontrou coragem para revelar seus sentimentos. Como se isso já não fosse complicado o suficiente, um apocalipse zumbi toma conta da cidade. Enquanto tentam sobreviver e escapar dos mortos-vivos, os dois embarcam em uma jornada repleta de ação, humor e momentos de tensão, na qual Gustavo precisa decidir se finalmente vai se declarar antes que seja tarde demais.

Amor em Pauta, por Samantha Markum (2025)
Foto: divulgação/MEC Livros/Entretetizei

Wyn e Three são rivais e disputam a mesma vaga de repórter no jornal da universidade. Dispostos a fazer de tudo para conquistar o cargo, eles protagonizam uma competição marcada por provocações, sabotagens e muita rivalidade. Ao mesmo tempo, Wyn passa a conversar anonimamente com um pretendente por um aplicativo de encontros, sem imaginar que sua vida amorosa e a disputa profissional podem estar mais conectadas do que parece. Uma comédia romântica universitária que combina romance, humor e uma reflexão sobre autoestima, pertencimento e primeiros amores.

Cilada Para Um Marquês, por Sarah MacLean (2016)
Foto: divulgação/MEC Livros/Entretetizei

Sophie Talbot sempre foi considerada uma das famosas Irmãs Perigosas, embora deteste a aristocracia e sonhe apenas em levar uma vida tranquila. Depois de se envolver em um escândalo, ela decide deixar Londres e partir rumo ao interior para abrir uma livraria. No caminho, acaba cruzando o destino de Rei, o Marquês de Eversley, um homem conhecido por arruinar casamentos e corações. Entre mal-entendidos, provocações e uma viagem repleta de imprevistos, os dois descobrem que talvez o maior perigo seja se apaixonar.

Amor Entre Livros, por Jasmine Guillory (2023)
Foto: divulgação/MEC Livros/Entretetizei

Izzy trabalha em uma editora e sonha em conquistar reconhecimento profissional, mas enfrenta desafios constantes em um ambiente onde raramente se sente valorizada. A oportunidade surge quando ela recebe a missão de convencer Beau Towers, um escritor famoso e conhecido por seu temperamento difícil, a entregar seu novo livro. Conforme passam mais tempo juntos, as primeiras impressões dão lugar a uma conexão inesperada. Inspirado em A Bela e a Fera, o romance combina os bastidores do mercado editorial com uma história de amor, crescimento e segundas chances.

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Texto revisado por Angela Maziero Santana

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Especial | Dia Mundial do Rock: conheça 5 subgêneros dessa vertente musical

Voltamos ao passado para te contar história, curiosidades e bandas clássicas de 5 estilos musicais derivados do Rock, um dos gêneros mais ouvidos no mundo

Neste dia 13, celebramos uma das vertentes musicais mais apreciadas nos quatro cantos do planeta: o Rock. Hoje, Dia Mundial do Rock, o Entretê volta ao passado para contar um pouco sobre a história desse gênero musical tão apreciado.

O nascimento de um novo – ou reformado – som

Vindo de uma mistura de ritmos como blues, country, gospel e R&B (rhythm and blues), o rock’n’roll surgiu nos anos 50 em Nova Orleans. Artistas notáveis como Chuck Berry, Sister Rosetta Tharpe e Robert Johnson – três históricos guitarristas – estão ligados à disseminação do gênero.

Profundamente associado à cultura e vivência negra nos Estados Unidos, o estilo foi sendo afastado de suas raízes devido ao racismo estrutural que permeava a indústria fonográfica. Assim, sua reprodução em rádios, o sucesso entre o público e, principalmente, sua história são atribuídos a artistas brancos que foram surgindo pouco tempo depois.

Sister Rosetta Tharpe
Foto: reprodução/Antelope/Mick Csáky

O dia 13 de julho foi selecionado especificamente para homenagear o rock como forma de recordar o Live Aid, festival lendário que buscava angariar fundos para combater a fome na Etiópia, e que reuniu nomes como Queen, David Bowie e U2 em palcos nas cidades de Londres (ING) e Filadélfia (EUA). Contudo, é importante destacar que a data é celebrada quase somente no Brasil, tendo ganhado notoriedade por incentivo de rádios paulistas de rock por volta dos anos 90.

Queen Live Aid
Foto: reprodução/Youtube

Em 2023, o gênero passou a ser o terceiro mais ouvido no Brasil, diferença considerável para uma categoria que até o ano anterior ocupava a 16ª posição nas pesquisas. Uma das possíveis hipóteses para esse salto notável é o retorno de diversas bandas clássicas – nacionais e internacionais – aos palcos brasileiros.

Não é à toa que o rock é um dos gêneros mais ouvidos hoje no mundo. Estima-se que o ritmo possua mais de 150 subgêneros catalogados, com uma extensa árvore genealógica espalhada por décadas de trajetória. Por isso, nesse Dia do Rock, te convidamos a conhecer a história de cinco subgêneros dessa vertente, que vão dos pesados riffs de guitarras do Heavy Metal, até a fusão entre rock e hip-hop do Nu Metal. Venha conferir:

Heavy Metal, os anos 60 e o começo de uma nova era para o rock
Black Sabbath
Foto: reprodução/Instagram @blacksabbath

Fortemente influenciado pelo blues, o Heavy Metal conta com uma estrutura próxima do rock tradicional. Ainda, marcado pelo frequente uso das escalas pentatônicas – sequência de cinco notas, responsável pela tensão e peso característicos – baterias marcadas e potentes vocais, o subgênero é o primeiro dessa lista por surgir pouco tempo depois do nascimento do rock clássico.

Originado no pós-Segunda Guerra, acredita-se que o movimento tenha ganhado forças após a influência de bandas como The Beatles e The Rolling Stones, entre as décadas de 1950 e 1960. Contudo, foi apenas no final dos anos 60 que músicas, mais tarde reconhecidas como Heavy Metal, começaram a surgir tendo a banda britânica Black Sabbath – conhecida por seu icônico frontman, Ozzy Osbourne – como pioneira do subgênero, criando um som descrito como sombrio, mórbido e sinistro.

Apesar disso, o Heavy Metal de fato ascendeu apenas por volta de meados da década de 70. Foi após o surgimento de bandas como Black Sabbath, Judas Priest e Iron Maiden, que o movimento começou a ganhar nome e espaço na cena musical.

No Brasil, o subgênero ganhou força no final dos anos 80, com a formação de um circuito underground no eixo dos estados da região Sudeste. A banda mineira Black Pantera, formada em 2014 e cujo primeiro álbum, de mesmo nome, foi lançado em 2015, é uma integrante desse circuito.

Black Pantera
Foto: reprodução/Instagram @blackpanteraoficial
Punk e a revolução cultural dos anos 70
Sex Pistols
Imagem: reprodução/Instagram @sexpistols

O Punk Rock trouxe não apenas uma transformação sonora para meados da década de 70, mas também uma virada cultural. Isso porque, o movimento punk além de apresentar produções mais cruas e “sujas”, com vocais mais ríspidos e ritmo ainda mais acelerado – diferenciando-se da polidez de outras derivações do rock –, trazia o espírito antissistema e a revolta e frustração de gerações.

Com raízes na rebeldia do garage rock e proto-punk, o Punk Rock toma proporções maiores com o boom do punk britânico. Foi na terra da rainha que o subgênero se disseminou como movimento cultural da juventude britânica – ou contra-cultural, nesse caso. Isso porque, o Reino Unido vinha vivendo um frenesi social, derivado de diversas crises econômicas, dando espaço para letras anárquicas e culturalmente influentes de bandas como Sex Pistols, na Inglaterra, e Ramones, nos Estados Unidos.

Acompanhando sua identidade revolucionária e anárquica, as bandas do movimento punk seguiram a linha de lançamentos com gravadoras e selos independentes. Mudança que permitia uma maior liberdade criativa e, definitivamente, um grande tapa na indústria fonográfica.

“Quando não há futuro, como pode haver pecado?

Somos as flores na lata de lixo

Somos o veneno na sua máquina humana

Somos o futuro, o seu futuro”

God Save The Queen – Sex Pistols

Na cena brasileira, bandas como Ratos de Porão surgem como representantes do movimento e cultura punk. Segundo a própria banda, em sua biografia no Instagram, eles estão “desde 1981 mandando tudo e todos à m*rda 💀🤘”.

Ratos de Porão
Foto: reprodução/Instagram @ratosdeporao
Thrash Metal e a fusão que acelerou o metal nos anos 80
Slayer
Foto: reprodução/Instagram @slayerbandofficial

Marcado pela velocidade, riffs de guitarra precisos, vocais agressivos e breaks de andamento rítmico bruscos, o Thrash Metal começou a despontar no início da década de 80. Com influências musicais de bandas do Heavy Metal, como a anteriormente mencionada Black Sabbath, e culturais do punk, tal qual a essência antissistema, o Thrash ganhou espaço entre os amantes assíduos do rock.

O sucesso do subgênero não é à toa. Algumas das bandas mais conhecidas do metal mundial fazem parte da escola do Thrash Metal. Bandas essas que ficaram famosas ao ponto de receberem o apelido de The Big Four. Integram essa lista das quatro grandes, no português, Metallica, Slayer, Megadeth e Anthrax, assim tornando-se nomes clássicos, não só do Thrash Metal, mas como do gênero rock.

Enquanto isso, o Thrash é talvez um dos subgêneros mais expressivos na musicalidade do rock brasileiro. Isso porque, algumas das bandas de rock brasileiras com maior projeção – chegando a nível internacional – fazem parte desse subgênero, como o Sepultura, fundada em 1984 e com mais de 20 milhões de discos vendidos.

Sepultura
Foto: reprodução/Instagram @sepultura
Grunge, a década de 90 e o boom de Seattle no rock mundial
Pearl Jam
Foto: reprodução/Instagram @pearljam

Com vocais mais melódicos e melancólicos, contrastes marcantes e a energia “de garagem”, o Grunge começou a dar as caras na reta final dos anos 80. O subgênero, diretamente influenciado por uma mistura de punk e rock clássico, desenvolveu-se na cidade de Seattle. Foi nessa época que uma pequena gravadora da cidade utilizou o termo “grunge” para descrever a aspereza sonora do gênero.

Além disso, o Grunge foi responsável por uma irrupção na cultura pop, impactando diversas áreas. Isso se deve ao fato do movimento se diferenciar da cultura dominante e mainstream, resultando em – ironicamente – um grande apelo comercial para a juventude do início dos anos 90. Na moda, a contracultura grunge embarcou na utilização de roupas de segunda mão e acabou por popularizar os brechós e sebos, batendo de frente com o estilo formal e cultura corporativa da época.

Grunge
Foto: reprodução/Vogue

Com a emergência da popularidade do subgênero, algumas bandas começaram a ganhar destaque no cenário musical do Grunge com suas letras angustiantes e riffs pesados. Bandas como Nirvana, Pearl Jam e Soundgarden, além de alavancarem ainda mais o som “grungiano”, trouxeram suas especificidades e contribuições para o estilo.

Nu Metal e o encontro entre metal e hip-hop dos anos 2000
Korn
Imagem: reprodução/Instagram @korn_official

Advindo principalmente do heavy metal, o Nu Metal é, como outras categorias dessa lista, uma mistura de sonoridades. Entre elas, o groove do hip-hop, o funk e o grunge, além de elementos de jazz e punk hardcore. O Nu Metal traz consigo algumas características como o uso de samples eletrônicos e efeitos que remetem à sonoridade do início dos anos 2000, uma alternância entre vocais melódicos-cantados e falados-rappados, além de uma ausência de grandes solos de guitarra, tradicionais de outros gêneros do rock.

A ascensão do gênero é altamente atribuída ao Korn, banda que lançou seu primeiro álbum em 1994. Foi a partir daí, que grupos como Limp Bizkit, Evanescence e Linkin Park foram influenciadas pela carga emocional sombria e intensa do subgênero e estouraram no início do século XXI.

No Brasil, por mais que o subgênero não tenha sido profundamente incorporado no cenário nacional, alguns nomes ainda se destacam. Como a Soulfly, grupo de Nu Metal fundado por Max Cavalera, ex-integrante do Sepultura, banda nacional conhecida no cenário do Thrash Metal. 

Soulfly
Foto: reprodução/Instagram @thesoulflytribe

Do peso sombrio do Heavy Metal à fusão urbana do Nu Metal, os cinco subgêneros mostram como o Rock nunca parou de se reinventar, absorvendo diferentes influências e refletindo o momento cultural de cada década. Mais do que uma trajetória sonora, esse compilado mostra a capacidade histórica do gênero de se transformar sem perder sua essência rebelde. Não é por acaso que, décadas depois de seu surgimento, o Rock segue conquistando novos fãs ao redor do mundo, provando que o gênero continua tão vivo quanto 70 anos atrás.

Já conhecia a história de algum desses subgêneros? Qual sua banda favorita de cada um deles? Conta pra gente nas redes sociais do Entretetizei  Facebook, Instagram e X – e nos siga para não perder nenhuma novidade!

 

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Texto revisado por Crystal Ribeiro

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