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Entre justiça e sensibilidade: Coletiva da série “Ângela Diniz: Assassinada e Condenada” reforça o poder de contar histórias sobre mulheres 

A série Ângela Diniz: Assassinada e Condenada, dirigida por Andrucha Waddington, mergulha na vida da pantera de minas e na violência de gênero que marcou sua trajetória. 

A produção Ângela Diniz: Assassinada e Condenada revisita o caso de assassinato que impactou o Brasil na década de 70 e retrata os últimos dias de vida da socialite mineira Ângela Diniz, assassinada pelo namorado Doca Street em 30 de dezembro de 1976, na Praia dos Ossos, em Búzios (RJ). A série convida o público a refletir sobre liberdade feminina, machismo, feminicídio e violência de gênero, temas que seguem urgentes quase 50 anos depois do crime.

Ângela não se enquadrava nos estereótipos da moça recatada e de família. Era livre, ousada e buscava viver sem amarras, uma mulher transgressora. “Essa história estava para ser contada há 49 anos”, afirmou Andrucha, durante coletiva de imprensa realizada na última terça-feira (11), em São Paulo.

Ela não foi somente uma vítima de feminicídio: Ângela foi transformada em ré no julgamento de seu próprio assassinato. Na década de 70, ser uma mulher desquitada era como ser uma mulher desqualificada socialmente. Após a sua morte, parte da imprensa e a defesa do acusado a descreveram com termos pejorativos como “vagabunda”, “louca”, “péssima mãe” e uma “prostituta de alto luxo da Babilônia”, como disse Evandro Lins e Silva, ex ministro do Superior Tribunal Federal e advogado de defesa de Doca Street. Ele chegou a sustentar a tese de que ela provocava e merecia, além de ter utilizado a legítima defesa da honra para livrar o criminoso da cadeia e culpar a vítima por suas liberdade e escolhas.

Reflexões sobre o poder da história de Ângela e o machismo estrutural

Foto: divulgação/HBO/Laura Campanella

Para Marjorie Estiano, que interpreta Ângela, o processo de viver a personagem foi também um mergulho íntimo e pessoal. “Ter feito a Ângela foi um processo psicanalítico. Uma mulher que se permite ao prazer é algo muito importante na sociedade brasileira. A gente sente muita culpa por sentir prazer, por se divertir, e a Ângela se autorizava a se dar prazer, a viver. A beleza da vida é viver. Eu me identifico com essa falta de autorização, para mim a vida sempre foi trabalho, compromisso, então foi uma oportunidade de me experimentar no prazer e na liberdade. A gente vai conseguindo com o tempo e exercício“, refletiu a atriz.

Marjorie ainda destacou que interpretar uma mulher tão à frente de seu tempo a fez revisitar questões pessoais e entender de forma mais profunda, a persistência da violência de gênero no Brasil. “Para mim foi um divisor de águas trabalhar com o Andrucha, e representa uma outra relação com o audiovisual. Eu não conhecia a história da Ângela. Ele me convidou, topei, depois fui ver o que era. Aí ele me mandou o podcast Praia dos Ossos, que me deixou enlouquecida. É um trabalho muito completo, extenso, é uma pesquisa muito rica. Me deu uma identificação pessoal porque é algo que me impacta diretamente, o fato de ser uma violência de gênero. Eu não só já sofri inúmeras violências como vou continuar sofrendo, porque essa é uma realidade. A gente está aqui tentando trabalhar na reeducação, na transformação de pensamento da sociedade, mas essas transformações são mais lentas. A gente consegue comprovar isso de acordo com as leis. A teoria da legítima defesa da honra caiu em 2023. A gente ainda continua formulando novas leis de proteção à mulher o que reflete, pra mim, que a mentalidade não mudou, a gente ainda continua ameaçada”, contou a atriz reforçando que essa visão retrógrada e conservadora ainda permeia a sociedade atual e é mais real do que nunca. Infelizmente, a luta contra a violência de gênero e o patriarcado continua.

O diretor Andrucha Waddington explica que o projeto buscou retratar a sociedade machista e conservadora que marcou a década de 1970 no Brasil, um machismo estrutural que ainda está presente nos dias atuais. “A gente tentou trazer um realismo, um cuidado em retratar a época, que era muito mais fã do fascismo estrutural. Era uma sociedade conservadora que não suportava uma mulher como a Ângela”, explicou.  

Ele também detalhou como queria retratar a vida dessa mulher transgressora e a complexidade de trazer essa história tão forte e impactante para as telas sob seu olhar e o olhar de sua equipe: “Foi um trabalho muito coletivo. A gente tentou trazer o realismo com, ao mesmo tempo, um cuidado de retratar a época. Era uma época em que o machismo estrutural era muito violento, você vê que nenhum dos homens presta ali. O Tuca é o mais bonzinho e, ainda assim, faz algumas coisas ruins. Tem aquela coisa conservadora da sociedade mineira. As amigas acolhiam essa personalidade libertária da Ângela, mas a sociedade não suportava. Foi muito complexo abordar toda essa história. Trazer isso para o público é trazer algo que continua acontecendo no Brasil e no mundo. É algo inadmissível.”, destacou o diretor. 

Libertação e desconstrução dos estereótipos femininos

Foto: divulgação/HBO/Rachel Tanugi

A atriz Camila Márdila, que interpreta Lulu, uma das amigas de Ângela, comentou que, embora a tese da legítima defesa da honra não exista mais como lei, a mentalidade que a sustentava ainda é a origem de todo esse discurso machista e conservador que persiste: “Fiquei impactada pelas escolhas de Marjorie e Andrucha, que bancaram essa Ângela libertária, sem medo, que não tinha dono e não se desculpava por querer viver tudo o que tinha direito. Homens e mulheres ainda não estão preparados para isso. A nossa sociedade ainda continua conservadora. Acho que a série vai dividir opiniões porque ainda vai ter gente que vai olhar e dizer que ela merecia ser assassinada”, afirmou a atriz.

Yara de Novaes, que vive Maria, mãe de Ângela, que tenta reforçar o estereótipo da mãe conservadora, afirma que a série permite desconstruir a imagem engessada da mulher ideal e que as mulheres podem ser livres do jeito que quiserem ser: “Normalmente, para defender a Ângela, usa-se o estereótipo de que ela era amantíssima com os filhos, uma mulher como ela deve ser. E a Marjorie fez isso, ela fez uma mulher libidinosa, desejosa, e isso é uma libertação para nós”.

Com um olhar sensível e crítico, Andrucha reforçou que a série busca não só revisitar o crime, mas promover uma reflexão sobre o papel da mulher na sociedade atualmente e sobre o papel do machismo e a violência de gênero ainda vivos. “Ângela Diniz era uma mulher à frente de seu tempo, e o que ela representava incomodava profundamente. Esse incômodo é o que a série busca expor, busca discutir”, concluiu o diretor.

Doca Street e a masculinidade tóxica

Foto: divulgação/HBO/Rachel Tanugi

Para Emílio Dantas, que interpreta Doca Street, o desafio foi encarnar um personagem que representa a masculinidade tóxica ainda presente na sociedade. O ator também refletiu sobre o poder de Ângela como uma mulher livre, transgressora e moderna e que, se o caso acontecesse nos dias de hoje, também não entenderiam essa mulher: “49 anos atrás, a gente pensa, poxa, até hoje… mas também acho que é necessário a gente entender quem seria esse Doca hoje, colocar essas datas lado a lado e entender que hoje ele estaria no Congresso, teria uma equipe de marketing junto com ele, porque o máximo de avanço tecnológico ali era televisionar o julgamento e apelar com o melhor advogado que fosse. Mas acho importante entender também quem seria a Ângela hoje. Não é só um atraso no nosso comportamento. Essa Ângela hoje estaria sendo muito mais massacrada na internet, na vida, enfim…”, avaliou o ator.

Ele ainda define o seu personagem como um retrato de uma masculinidade tóxica muito presente atualmente: “É um homem que vive do status, da vaidade. É alguém que quer ser visto”.

Impacto pessoal e o legado na sociedade

Foto: divulgação/HBO/Rachel Tanugi

Outro cuidado da equipe ao revisitar o caso foi o de dar protagonismo à vítima e à história de Ângela e não ao seu algoz. “Nosso cuidado foi o de não transformar a tragédia em espetáculo. A série é sobre a assassinada, não sobre o assassino. Se quiséssemos explorar o escândalo, teríamos dado mais espaço ao Doca, e não fizemos isso”, pontuou o diretor Andrucha.

Joaquim Lopes, que interpreta um dos amores de Ângela, refletiu sobre como o processo impactou pessoalmente sua forma de enxergar a sociedade, o machismo, o poder e a impunidade: “Para mim, pessoalmente, tem uma coisa muito forte porque eu virei pai de duas meninas gêmeas de quatro anos de idade. Então, poder fazer parte dessa história que está fomentando esse tipo de discussão é muito importante pra mim, porque eu quero que elas cresçam em um mundo onde não tenham que passar por isso. É muito impressionante como o ser humano tem essa necessidade de dizer o que uma pessoa é , e geralmente vai para algo pejorativo. A Ângela era uma mulher livre, com desejos, como todas as outras. Para mim, pessoalmente, é muito importante que essa conversa volte com força total, que a gente consiga superar isso o mais rápido possível para que as minhas filhas possam crescer em um mundo mais justo, mais livre”, contou o ator. 

Estrelada também por Antônio Fagundes, Thiago Lacerda, Camila Mardila, Thelmo Fernandes, Joaquim Lopes e Renata Gaspar, Ângela Diniz: Assassinada e Condenada terá seis episódios, exibidos semanalmente pela HBO Max e na HBO. Os dois primeiros episódios foram lançados nesta quinta-feira, 13. 

E aí, gostou de saber mais sobre essa série? Estão animados para conferir? Conta para gente nas redes sociais do Entretê! Nos siga no X, no Facebook e no Instagram e não perca as novidades.

Leia também: Ângela Diniz: Assassinada e Condenada estreia em 13 de novembro no streaming

Conheça as novidades do streaming em novembro

Texto revisado por Larissa Couto @larscouto

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Cinema Notícias

O Morro dos Ventos Uivantes ganha novo trailer e pôster

Estrelado por Margot Robbie e Jacob Elordi, filme chega aos cinemas em 2026

 

Depois de as primeiras imagens da adaptação terem causado um alvoroço nas redes sociais, a Warner Bros. Pictures acaba de divulgar trailer e pôster novos de O Morro dos Ventos Uivantes, longa que trará o olhar da cineasta vencedora do Oscar Emerald Fennell (Saltburn, 2023) para o clássico homônimo de Emily Brontë

O filme estreia nas telonas em 12 de fevereiro de 2026, com Margot Robbie no papel de Catherine e Jacob Elordi como Heathcliff, dando nova vida à história de amor proibido e obsessão. 

Foto: divulgação/Warner Bros. Pictures

Nos materiais inéditos, o público entra em contato com a atmosfera sombria e intoxicante de O Morro dos Ventos Uivantes.

Acompanhada pela trilha sonora original de Charli XCX, a narrativa promete entregar muita paixão, sensualidade e tragédia. Confira o trailer completo:  

O elenco ainda conta com Hong Chau (A Baleia, 2022), Shazad Latif (Nautilus, 2024), Alison Oliver (Saltburn, 2023), Martin Clunes (Nativity 3: Dude, Where’s My Donkey?, 2014) e Ewan Mitchell (A Casa do Dragão, 2022). Fennell dirige a partir de seu próprio roteiro e produz o filme ao lado de Robbie e do produtor indicado ao Oscar e vencedor do BAFTA Josey McNamara. Sara Desmond e o indicado ao Oscar Tom Ackerley assinam a produção executiva.  

Vários elementos da nova adaptação têm sido criticados na internet, desde a narrativa apresentada à escolha dos atores, em especial para o papel de Heathcliff. Apesar dos holofotes nem sempre agradáveis e dos vários debates levantados sobre o respeito às características da obra adaptada, O Morro dos Ventos Uivantes chega aos cinemas brasileiros em fevereiro de 2026, também em IMAX e versões acessíveis.  

Animados com a adaptação ou fazem parte do time que vai ficar apenas com o livro? Conta pra gente nas redes sociais do Entretetizei (Facebook, Instagram e X) e nos siga para não perder nenhuma novidade!

 

Leia também: Alerta Apocalipse: veja o trailer e fotos oficiais do novo filme de Liam Neeson e Joe Keery 

 

Texto revisado por Ana Carolina Luz

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Música Notícias

Ellie Goulding inaugura nova era com o single “Destiny”

Faixa anuncia um novo capítulo na sonoridade da artista e é seu primeiro lançamento solo desde 2023

Ellie Goulding está oficialmente de volta! A cantora lançou Destiny, seu primeiro single solo desde o álbum Higher Than Heaven (2023), que estreou no topo das paradas. A faixa tem como proposta um pop suave e envolvente e dá início a uma fase mais ousada e libertadora na carreira da artista.

Produzida por Jack Rochon (Kehlani, Beyoncé) e escrita em parceria com Kurtis Wells e Livvi Franc, Destiny combina batidas atmosféricas e sensoriais com os vocais etéreos que são marca registrada de Ellie. O resultado é a criação de uma faixa que soa íntima, mas, ao mesmo tempo, expansiva, mostrando a nova era que vem por aí. O videoclipe foi dirigido pela renomada Floria Sigismondi.

O single já vinha sendo muito aguardado pelos fãs após a divulgação de algumas prévia nas redes sociais da cantora, o que deixou o público entusiasmado e em clima de contagem regressiva. E o single não decepciona: marca o início do que promete ser uma das eras mais profundas e transformadoras da trajetória de Ellie, que já trabalha em novos lançamentos previstos para 2025.

Sobre a construção emocional da música, Ellie contou:

Gravar essa música foi como uma catarse, me fez sentir muito melhor — como se o prêmio fosse eu mesma o tempo todo. Em vez de colocar tudo nesses homens, essa música foi meu primeiro sentimento de fuga e empoderamento diretos. Quando ouvi a faixa, me apaixonei. A ideia de adicionar o coro e as cordas no final foi para transformá-la em um momento triunfante de liberdade, como pular de um penhasco. Para mim, soa como rendição, como deixar acontecer. É por isso que se chama ‘Destiny’. Soa como ‘o que tiver de ser, será’ – e aceitar isso”.

Celebrando o aniversário de 15 anos de seu álbum de estreia Lights, Ellie vive um momento de grande força criativa. A cantora soma 10 singles de Platina, quatro álbuns #1, dois BRIT Awards, além de uma indicação ao GRAMMY® e ao Globo de Ouro. No total, já vendeu mais de 44 milhões de álbuns, 442 milhões de singles e ultrapassou a marca de 55 bilhões de streams. No Spotify, é uma das artistas femininas mais ouvidas da plataforma, com mais de 15 bilhões de reproduções.

 Assista ao videoclipe oficial aqui:

 

Confira a capa do single aqui:

Capa do novo single de Ellie, "Destiny"
Foto: divulgação/Universal Music Brasil

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Leia também: Taylor Swift divulga trailer da série documental com bastidores da The Eras Tour 

 

Texto revisado por Larissa Couto

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Música Notícias

Taylor Swift divulga trailer de série documental com bastidores da The Eras Tour

Quase um ano após o último show, produção apresenta o desenvolvimento e os segredos por trás da turnê mais lucrativa da história

 

A cantora estadunidense Taylor Swift divulgou nessa quinta-feira (13) o trailer oficial da série documental The End Of An Era, com bastidores da turnê mundial mais recente da artista, a The Eras Tour. 

Dirigida por Don Argott, com codireção de Sheena M. Joyce e produção da Object & Animal, a série contará com seis episódios, narrando o desenvolvimento, o impacto e os bastidores da tour mundial, que teve mais de 140 shows e passou por diversos países, incluindo o Brasil. 

A produção conta com a participação especial dos cantores Gracie Abrams, Sabrina Carpenter, Ed Sheeran e Florence Welch, além do jogador de futebol americano Travis Kelce, noivo de Swift. A série também mostra o lado da banda, dos bailarinos, da equipe e da família da artista, oferecendo um olhar sem precedentes do que foi necessário para criar um fenômeno. 

Com estreia marcada para o dia 12 de dezembro, dois episódios da série serão lançados por semana no Disney+.

Além disso, o último show da turnê, filmado em Vancouver, no Canadá, também estará disponível na plataforma em 12 de dezembro. 

Taylor Swift | The Eras Tour | The Final Show, dirigido por Glenn Weiss e produzido pela Taylor Swift Productions em parceria com a Silent House Productions, traz todo o repertório do álbum The Tortured Poets Department, que entrou para a turnê após o lançamento do álbum em 2024.

E aí, ansiosos pelos bastidores da The Eras Tour? Conta para a gente nas redes sociais do Entretê! E nos siga no X, Facebook e Instagram  para não perder nenhuma novidade do mundo do entretenimento.

 

Leia também: Crítica | Com LUX, Rosalía nos aproxima do divino

 

Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz

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Entrevistas Música Notícias

Entrevista | Jenni Mosello vive uma fase “muito especial e verdadeira” em novo capítulo da carreira

Com uma trajetória marcada por grandes composições, a artista inaugura um novo ciclo criativo, explorando novas formas de expressar sua identidade brasileira

 

Jenni Mosello entende que a sinceridade é o que sustenta qualquer artista, e é essa verdade que tem guiado sua carreira. Nascida em Curitiba e criada em Roma, a cantora e compositora cresceu entre culturas, sons e referências que contrastam em sua identidade plural.

Com uma trajetória marcada por grandes composições – entre elas Chico, Fé nas Maluca e VIP, que lhe renderam indicações ao Latin Grammy –, a artista, dando sequência ao último álbum, HOSTIL, agora se volta para um novo projeto autoral, mais íntimo e conectado à sua essência brasileira.

Atualmente, ela vive o início de uma era brava em todos os sentidos da palavra, como ela mesma define. Um momento em que se desafia como artista, compositora e mulher, testando limites e falando sobre temas que até pouco tempo não tinha coragem de expor.

Entre o medo e a empolgação, ela mergulha em um processo criativo novo, despido de filtros e movido por uma vontade genuína de se mostrar por inteiro. É uma fase que mistura força e vulnerabilidade, prometendo muitas surpresas.

Assim como o jazz e o blues, que tiveram forte influência no início de sua carreira, Jenni explorou a liberdade rítmica, a improvisação e os vocais expressivos para conquistar o público. Sua trajetória é intensa: brilhou nos palcos do The X Factor, onde foi vice-campeã, conquistando fãs com sua atitude e com versões diferentes de músicas famosas que chamaram a atenção do público.

A entrada da artista no pop nacional e sua consolidação como compositora de grandes artistas, como Carol Biazin, Di Ferrero, Iza, Veigh e Lucy Alves, ocorreram com um ritmo memorável (com rápido crescimento e reconhecimento) e cativante, refletindo sua capacidade de unir técnica e emoção em cada produção.

Foto: reprodução/Instagram @jennimosello
Foto: reprodução/Instagram @jennimosello

Os olhares internacionais também se voltaram para Mosello. Ela participou de campings de composição com compositores de artistas internacionais, trabalhou em projetos com Demi Lovato e Sam Smith e foi convidada para o She Is The Music, iniciativa de Alicia Keys que incentiva a presença de mulheres na indústria da música – tudo isso com a arte literalmente no pescoço, tatuada, como se exibisse uma parte de sua essência.

Os olhos de jabuticaba, que sua avó dizia enxergar nela, talvez tivessem outro significado, mas, assim como a fruta, Jenni se mostrou um símbolo da força incontestável do nosso talento nacional e segue plantando novas sementes com seu trabalho.

Em entrevista ao Entretetizei, Jenni fala sobre vulnerabilidade, reflete sobre o processo criativo, celebra conquistas em premiações e conta um pouco mais sobre o poder de se enxergar com o próprio olhar na nova fase em que vive:

Entretetizei: Jenni, você cresceu entre Curitiba e Roma, duas culturas bem diferentes. Nas redes sociais, você escreve: “Nasci com olhos de jabuticaba, diz minha avó; aprendi a enfeitá-los com a minha mãe…” De que forma esses dizeres, os laços familiares e essa dualidade entre as cidades influenciaram o seu modo de olhar o mundo, de criar e de se expressar artisticamente?

Jenni Mosello: Crescer entre o Brasil e a Itália me mostrou uma dualidade muito interessante — e, ao mesmo tempo, uma semelhança que nem todo mundo percebe. São dois países de sangue quente, que vivem tudo no auge da emoção. A Itália me ensinou a amar a arte clássica, o drama e a beleza da intensidade; o Brasil me ensinou a transformar qualquer dificuldade em ritmo, sorriso e música. Acho que esse contraste me formou como artista: aprendi a viver e criar com paixão, com intensidade e com um olhar que busca beleza tanto no caos quanto na delicadeza.

E: Muitas iniciativas e coletivos de composição reforçam a ideia de que a criação coletiva pode ser tão potente quanto a individual. O que essa troca entre artistas e produtores ensinou a você sobre o processo de compor e sobre a força das conexões na música?

J.M: Eu adoro criar em grupo. Acho que a força da composição coletiva está justamente na troca de vivências – é o que faz uma música se tornar mais rica e inesperada. Eu cresci vendo o mundo a partir do meu ponto de vista, então somar o olhar de outras pessoas na hora de criar é algo que me fascina. Essa troca de perspectivas e experiências faz a gente chegar a lugares que sozinha talvez eu 

nunca imaginasse. É isso que me encanta na música e na criação coletiva: o encontro de mundos diferentes dentro de uma mesma canção.

E: Muitas das suas letras falam sobre força e vulnerabilidade caminhando juntas. Você entendeu que expor suas fragilidades também podia ser uma forma de poder?

J.M: Eu nunca encarei a ideia de expor minhas vulnerabilidades como uma escolha consciente ou uma estratégia de força. Foi algo que aconteceu por necessidade, um impulso natural. As músicas, muitas vezes, falam comigo antes mesmo de eu 

entender o que estou dizendo – escrevo antes de perceber que aquilo é exatamente o que eu precisava ouvir. É um processo catártico, quase terapêutico, e essencial para o meu bem-estar. Acho que o poder acaba surgindo justamente 

daí, do espaço que eu dou para as minhas fragilidades existirem dentro da minha arte. Não é racional, é instinto – da pele, da caneta e da voz.

Foto: reprodução/Instagram @jennimosello
Foto: reprodução/Instagram @jennimosello

E: Você começou no jazz, mergulhou no dark pop e hoje transita entre compor para outros artistas e criar projetos autorais como foram JENNI, FEMMINA e HOSTIL. O que essa caminhada te ensinou sobre o seu modo de criar e sobre quem você é na música?

J.M: Acho que o maior aprendizado da minha caminhada foi entender que a sinceridade é o que sustenta qualquer trajetória artística. No começo, por vir de uma família sem ligação com a música, eu me deixei guiar muito pelas expectativas dos outros. Tinha essa fome enorme de fazer dar certo, então acabei me moldando às opiniões de quem eu acreditava entender melhor a indústria. 

Com o tempo, percebi que o verdadeiro segredo está em ser o mais honesta possível comigo mesma e com quem me escuta. Essas “máscaras” foram caindo, e eu fui me entregando de forma cada vez mais real – para o público e para mim. 

A análise, que eu faço há mais de uma década, também me ajuda a transformar tudo isso em arte, para que o que eu canto seja, de fato, um reflexo de quem eu sou por dentro.

E: Você já comentou que compor é como “viajar por muitos mundos” e que, “na música, somar é dividir”. Como é transitar entre criar para si e criar para outros artistas? Em que medida essas experiências se alimentam e se transformam?

J.M: Acho que é inevitável uma experiência influenciar a outra, porque a gente vive 

de trocas. Eu sempre digo que nós, compositores, somos como esponjas: tudo o que vivemos, sentimos e observamos vai sendo absorvido, e quando compomos, liberamos um pouco desse mundo que ficou dentro da gente. Compor para outros artistas me fez entender ainda mais quem eu sou como artista e como compositora. Ao visitar diferentes realidades e estilos, fui descobrindo o que realmente faz sentido para mim e o que não faz. Com o tempo, essa prática me deu clareza e maturidade para separar o que é meu e o que pertence ao universo do outro artista. Hoje, consigo entrar completamente no mundo deles sem perder o meu, mas também com a soma de todas as vivências que já tive ao compor ao lado de outros artistas e em meus próprios projetos.

E: Do palco ao estúdio, das canções autorais às parcerias internacionais e indicações ao Grammy: como você define o ponto de virada que essas conquistas representaram na sua carreira – e o que elas acenderam em você para construir a próxima fase?

J.M: É incrível poder receber essas nomeações e ver de perto essas conquistas. Elas me fazem ganhar cada vez mais confiança de que estou no caminho certo. Ainda assim, acho que dentro do mundo artístico é muito difícil parar e realmente perceber o tamanho dessas vitórias. Tenho conversado bastante com amigos da indústria sobre isso, porque a gente vive num ritmo em que tudo o que fazemos só ganha forma muito tempo depois às vezes, anos. É um trabalho de longo prazo e o retorno raramente é imediato. Por isso, eu tento celebrar cada sessão, cada processo criativo e me lembrar constantemente do porquê faço o que faço. Poder trabalhar com música todos os dias já é, pra mim, a maior conquista. Viver de arte, me sustentar com o que amo é o maior privilégio que eu poderia ter. Tudo o que vem a partir disso são presentes frutos de sementes que foram plantadas lá atrás, com muito suor e dedicação.

Foto: reprodução/Instagram @jennimosello
Foto: reprodução/Instagram @jennimosello

E: E qual letra de música, palavra ou sensação você escolheria para definir essa nova era que está construindo na nova fase da sua carreira? Pode dar algum spoiler do que podemos esperar dos próximos passos?

J.M: Essa nova era é uma era muito brava em todos os sentidos da palavra. Estou forçando meus limites como artista, como compositora, como mulher, como tudo. Estou falando sobre coisas que nunca falei antes, fazendo músicas de um jeito completamente novo e explorando minha brasilidade de uma forma que até hoje eu não tinha tido coragem de colocar no mundo. Estou muito ansiosa para lançar essa fase e, ao mesmo tempo, morrendo de medo porque me sinto um pouco pelada na frente dos outros. Mas acho que justamente por isso vai ser uma fase muito especial, muito verdadeira e muito minha.

 

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Leia também: Entrevista | Priscilla Reis fala sobre carreira e as conexões que a arte proporciona – Entretetizei

 

Texto revisado por Cristiane Amarante @cris_tiane_rj

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Notícias

Júlia Sanchez lança seu primeiro single solo

Meu Ascendente é Escorpião marca nova fase na trajetória da artista

Cantando o amor entre duas mulheres, Júlia Sanchez lançou ontem (13), Meu Ascendente é Escorpião. O single marca o início da carreira musical solo da artista, sendo o primeiro de um EP com previsão de lançamento em 2026. 

“Aqui, falo de uma mulher negra e sua pluralidade de existência. Coletivo e individual se retroalimentando. Para esse trabalho como um todo, trago sonoridades que acumulei pelo caminho como o blues, o pop, o rock, o R&B e, claro, a profundidade na hora da composição que sempre me acompanhou. As histórias, as vivências, as letras, a narrativa sempre são o caminho onde tudo começa. Utilizo a música para poder caminhar, escrever, compartilhar, falar com os meus. Ser muitas vezes a artista que não tive na adolescência, por exemplo.”

Foto: divulgação/Hernandes

Júlia coleciona trabalhos no teatro musical e se destaca em produções premiadas, entre elas, Elza, musical que a artista considera ser um divisor de águas de sua visão artística. 

“O contato muito aproximado com a história de Elza Soares no musical foi uma mudança de chave pra mim. Uma fonte de inspiração e resiliência que sinto atravessar os tempos e ser motor para nós, mulheres negras.”

Com Meu Ascendente é Escorpião, Júlia reafirma sua força criativa e potência artística, abrindo caminhos no mundo da música e celebrando sua identidade, vivências e pluralidade. 

Ouça o single no seu streaming favorito!

 

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Leia também: Entrevista | Júlia Sanchez celebra nova fase na música e fala sobre sua trajetória artística – Entretetizei 

 

Texto revisado por Larissa Couto

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Cinema Cultura pop Notícias

Alerta Apocalipse: veja o trailer e fotos oficiais do novo filme de Liam Neeson e Joe Keery

O longa, que mistura ação com comédia, chega nos cinemas brasileiros em janeiro de 2026

 

Em uma mistura única de comédia e ação, Alerta Apocalipse acompanha dois jovens que se unem a um ex-agente de operações biológicas para tentar conter um fungo que pode levar o mundo à extinção. No filme, que chega no Brasil em janeiro de 2026, os astros Joe Keery e Georgina Campbell se juntam ao lendário Liam Neeson para tentar salvar o mundo. O elenco também conta com as britânicas Vanessa Redgrave e Lesley Manville.

Quando um fungo altamente perigoso escapa de um laboratório secreto de uma antiga instalação militar, Robert Quinn (Neeson), um ex-agente de bioterrorismo que só queria curtir a aposentadoria em paz, é chamado de volta à ação. Ao lado de Travis (Keery) e Naomi (Campbell), dois jovens funcionários de uma empresa de armazenamento que definitivamente não ganham o suficiente para isso, ele precisa enfrentar uma ameaça invisível e fora de controle. Em uma corrida contra o tempo, o trio descobre que salvar o mundo dá muito mais trabalho do que parece.

A direção fica por conta de Jonny Campbell, vencedor de um BAFTA pela direção da série de horror In the Flesh (2013), e o filme é escrito por David Koepp, roteirista de alguns dos maiores sucessos de Hollywood, como Jurassic Park (1993) e o primeiro Homem-Aranha (2002). O longa adapta o best-seller homônimo de Koepp de 2019, lançado no Brasil com o título Contágio.

Alerta Apocalipse
Imagem: Divulgação/Imagem Filmes

Com um enredo tenso e uma premissa apocalíptica, o filme explora de forma cômica o caos absurdo do planeta, mas também questiona até onde os personagens da trama estão dispostos a chegar para proteger a humanidade. Essa combinação de ficção científica com humor, aliado a cenas de ação intensas, garante que o público tenha uma experiência cinematográfica inesquecível com um elenco estelar e produção de alto nível.

Alerta Apocalipse
Imagem: Divulgação/Imagem Filmes

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Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz

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