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Grande Sertão: Veredas completa 70 anos e ganha lançamento especial

Autêntica Editora celebra aniversário da obra-prima de Guimarães Rosa com ensaios inéditos 

Foto: Rprodução/ Autêntica Editora

Para celebrar o aniversário de uma das maiores obras nacionais, a editora prepara lançamentos especiais que revisitam o romance de João Guimarães Rosa. Em 2026, o clássico Grande Sertão: Veredas (1956) completa 70 anos de publicação. Para marcar a data, a Autêntica Editora preparou um projeto especial dedicado à literatura do autor, reunindo obras que revisitam o romance, seu processo de criação e sua permanência no imaginário brasileiro.

Ensaio Sertão-Veneza investiga o universo do autor

Um dos principais destaques do projeto é o ensaio Sertão-Veneza: retornos e travessias roseanas, escrito por Jacques Fux. A obra investiga a relação entre o universo de Rosa, suas viagens pelo sertão mineiro e sua passagem pela Itália, sobretudo por Veneza. O livro parte da viagem feita pelo escritor à cidade italiana, em 1949, e dos registros deixados em seus diários para discutir como essa experiência aparece em sua literatura.

Fux também recupera o período em que o escritor viveu na Alemanha às vésperas da Segunda Guerra Mundial. O ensaio discute como as experiências de deslocamento, exílio e memória marcam presença em sua produção literária, além de abordar a recepção do autor na Itália e as dificuldades de tradução de sua linguagem única.

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Leia também: Resenha | Grande Sertão leva narrativa do clássico literário para os dias atuais

Texto revisado por Crystal Ribeiro

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Benedito Ruy Barbosa: o legado do mestre do Brasil profundo e da poesia rural na televisão nacional

 

Benedito Ruy Barbosa morreu na última terça(7), aos 95 anos. Seu legado histórico permanecerá por toda a eternidade e seu nome perpetuará sempre como um grande conhecedor do Brasil

Entre cafés, histórias simples, fazendas, autenticidade, contemplação bucólica, vida no campo e a profundeza da alma do povo brasileiro, Benedito Ruy Barbosa fez história na teledramaturgia brasileira. O autor que morreu na terça, dia 7 de julho, aos 95 anos, em decorrência de complicações de insuficiência renal crônica, revolucionou a teledramaturgia ao consolidar a novela rural e transformar histórias comuns e regionais em grandes espetáculos.

O autor mostrou em suas obras o Brasil profundo e até então oculto e pouco retratado nas telinhas da TV. Com os conflitos latentes da sociedade brasileira, a realidade de pequenas cidades, dos trabalhadores do campo, das disputas por terra, da imigração e das profundas desigualdades econômicas e sociais, rompeu a visão de interior idealizada que predominava anteriormente e colocou a verdade da vida de gente simples, comum, socialmente vulnerável, mas carregadas de humanidade, nos lares brasileiros. Mesclando crítica social e realismo romântico memoráveis, tornou-se uma grande referência na televisão brasileira sobre a representação do Brasil profundo. 

O começo

Foto: reprodução/Cícero Rodrigues

Nascido em 17 de abril de 1931, no município de Gália, no interior de São Paulo, Benedito era o mais velho de cinco irmãos. Passou a infância na cidade vizinha, Vera Cruz, região cercada por cafezais e marcada pela forte concentração de imigrantes japoneses e italianos. Seu pai, Otávio Barbosa, fundou e dirigiu o jornal A Voz de Vera Cruz até morrer, precocemente, aos 29 anos, em 1942. 

Diante da falta de oportunidades no interior paulista, Benedito se mudou sozinho para a capital. Estudava de noite e trabalhava durante o dia como auxiliar de guarda-livros no escritório comercial Antonio Perez. Até conseguir trazer a família para morar em um cortiço no bairro do Bom Retiro, Benedito viveu uma rotina de muito esforço: trabalhou como vendedor de verduras na feira e foi faxineiro em um banco para ajudar no sustento da casa. Depois, graças ao seu conhecimento em contabilidade, foi contratado pelo Banco de Boston. 

Algum tempo mais tarde, retornou ao escritório Antonio Perez e passou dois anos trabalhando em Maringá, no Paraná. Essa temporada no estado seria decisiva para sua carreira artística. Foi ali que ele escreveu o seu primeiro romance: Fogo Frio, que, em 1959, se tornaria uma peça de teatro dirigida por Augusto Boal no Teatro de Arena. A montagem, inclusive, foi vencedora do prêmio principal da Associação Paulista dos Críticos de Arte. “Fogo frio porque a geada queima a plantação. Quando o sol esquentou, queimou todo o café. Tiveram que erradicar aqueles cafezais“, explicou o autor em entrevista ao Memória Globo.

As vivências nos cafezais moldaram profundamente seu olhar como novelista e escritor. Anos depois, transformaria todas aquelas lembranças, personagens e paisagens em partes essenciais de sua obra na televisão.

Em 1954, Benedito passou em um concurso promovido pelo Jornal Estado de S.Paulo e foi contratado como revisor. Sua estreia como repórter aconteceu na editoria de Esportes do jornal Última Hora. Trabalhou ainda na Gazeta Esportiva e foi redator de publicidade na Radial Propaganda. Enquanto consolidava sua carreira no jornalismo, Fogo Frio já havia se tornado um grande sucesso, despertando atenção no meio artístico. O sucesso da peça lhe rendeu um convite para atuar como roteirista na agência J. W. Thompson, onde passou a desenvolver novelas patrocinadas pela colgate-palmolive. Como autor, estreou na televisão com a novela Somos Todos Irmãos (1966), adaptação do romance A Vingança do Judeu de J.W. Rochester, exibida pela TV Tupi. Depois, trabalhou ainda na Excelsior e na Record, até ser contratado como assessor especial pela TV Cultura, em 1971.

 Em 1971, Benedito escreveu sua primeira novela totalmente original: Meu Pedacinho de Chão (1971), produzida pela TV Cultura em parceria com a Globo, a obra trazia o universo lúdico ambientado no campo e utilizava a ficção para levar ensinamentos aos trabalhadores e à população, como ferramenta de educação e conscientização social. Os autores contavam com informações fornecidas pelas secretarias municipais de Agricultura e Saúde para escrever sobre vacinação, desidratação, higiene e técnicas agrícolas. A novela também abordou o analfabetismo no campo ao mostrar personagens adultos retornando às salas de aula. Segundo o autor, a produção dialogava diretamente com o período de desenvolvimento do Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral), iniciativa criada durante a ditadura militar para reduzir os índices de analfabetismo no país. Com a novela, ele buscava ajudar esse projeto no qual acreditava:  “Eu podia provar que podia se fazer uma novela focando na temática rural brasileira, eu falava de técnicas de plantio, de vacinação, de ética, moral e civilização, além de ajudar com o foco na alfabetização do campo”, explicou Benedito ao Memória Globo. Mesmo sendo uma obra de cunho educativo, eram tempos de censura e ditadura militar, e por isso Meu Pedacinho de Chão não escapou de sofrer cortes por parte do governo inclusive em uma cena onde um personagem tocava violão e cantava o hino brasileiro para os caboclos, e em outra em que um aluno cantava o hino da escola com a bandeira do Brasil estendida na mesa, a censura cortou alegando que o hino não podia ser cantado naquele ambiente.  “A censura cortou dizendo que o hino não podia ser cantado naquele ambiente, isso me deixou indignado. Briguei com a censura e consegui liberar as cenas”, contou Benedito. Outro aspecto inovador foi a forma como passou a retratar o ambiente rural. Com o uso de locações naturais, fotografia de cinema e sequências externas, a paisagem se tornou um elemento narrativo fundamental em suas produções, deixando de ser mera coadjuvante e se tornando elemento surpresa de contemplação e atração principal das tramas, uma identidade visual inédita para a época. 

O autor assinou contrato com a Globo em 1976 para adaptar O Feijão e o Sonho, romance de Origines Lessa. A produção deu início a uma trajetória histórica do autor no horário das 18h. Na sequência, vieram À Sombra dos Laranjais (1977), adaptação da peça de Viriato Correia, e Cabocla (1979), inspirada em um romance de Ribeiro Couto.

Foto: divulgação/Acervo/Globo

Para Benedito, o elemento que sustenta uma trama é uma poderosa história de amor: “Antes de mais nada, uma novela precisa ter uma grande história de amor”, disse ele. E é esse grande amor o fio condutor e o coração central de Cabocla, um de seus maiores sucessos. A trama acompanha o Luís Jerônimo (Fábio Júnior), jovem da elite carioca que deixa o Rio de Janeiro para se curar de uma pneumonia na pequena Vila da Mata. Lá, ele se apaixona por Zuca (Glória Pires), uma menina simples do interior, tendo como pano de fundo a rivalidade política entre Boanerges (Cláudio Corrêa e Castro) e Justino (Gilberto Martinho), dois coronéis da região. Cabocla foi a primeira novela de Glória Pires como protagonista, escalada depois do ótimo desempenho em Dancin Days (1978). A trama teve uma grande mensagem socioeducativa por meio do personagem Neco (Kadu Moliterno), que abordava a importância do voto consciente, sempre enfatizando o discurso de que voto não se vende. O êxito da produção foi tão grande que, em 2004, a TV Globo realizou um remake da trama, estrelado por Vanessa Giácomo e Daniel de Oliveira, que foi um grande sucesso e é lembrada até hoje pelos telespectadores com muito carinho. Com uma trama simples, humana, personagens cativantes, pacata mas muito bonita, sensível e romântica, Cabocla permanece como um dos folhetins mais queridos da história da televisão brasileira. 

Foto: divulgação/Nelson Di Rago/Globo

Após uma curta passagem pela TV Bandeirantes, onde escreveu Os Imigrantes (1981), Benedito voltou para a Globo para criar Paraíso (1982), outra trama romântica que gira em torno da paixão avassaladora e impossível entre o peão José Eleutério (Kadu Moliterno), conhecido como o Filho do Diabo, e Maria Rita (Cristina Mullins), chamada de Santinha, em uma pequena cidade do interior do Brasil. As cenas ambientadas nas fazendas de Paraíso foram gravadas em Vassouras, interior do Rio de Janeiro e a trama também ganhou um remake em 2009 protagonizado por Natália Dill e Eriberto Leão.

Foto: divulgação/Nelson Di Rago/Globo

Logo após, o autor escreveu Voltei pra Você (1983), De Quina pra Lua (1985) e Sinhá Moça (1986), outra obra marcante de sua carreira. Ambientada nos últimos anos da escravidão, Sinhá Moça acompanha a história da jovem interpretada por Lucélia Santos, filha do poderoso Coronel Ferreira (Rubens de Falco), o escravocrata conhecido como Barão de Araruna. Ela desafia a própria família ao se apaixonar por Rodolfo (Marcos Paulo), um ativo republicano abolicionista. Outro núcleo de destaque da trama foi o de Ana do Véu (Patrícia Pillar), jovem que vive com o rosto coberto devido a uma promessa feita por sua mãe, despertando o amor de Ricardo (Daniel Dantas), que se encanta por ela sem jamais ter visto seu rosto. A novela também ganhou um remake realizado em 2006, escrito pelo próprio Benedito com colaboração de Edmara Barbosa e Edilene Barbosa, contando com Débora Falabella, Danton Mello, Patrícia Pillar e Osmar Prado nos papéis principais, consolidando mais uma vez a força de suas histórias emblemáticas.

Logo após, Benedito escreveu Vida Nova (1988) e dirigiu e reformulou os episódios do Sítio do Picapau Amarelo, antes de uma mudança que redefiniria para sempre sua carreira e a história da televisão brasileira. 

O Pantanal e o marco emblemático para a TV brasileira

Foto: divulgação/TV Manchete

Em 1990, Benedito se transferiu para a TV Manchete, onde escreveu a obra que mudaria definitivamente a história da televisão brasileira: Pantanal. Exibida no horário nobre da emissora, a novela alcançou índices históricos de audiência, ameaçou a hegemonia da Globo e se transformou no maior sucesso da Manchete. Mais do que um fenômeno de público, a obra consolidou o nome de Benedito Ruy Barbosa como um dos maiores autores de novelas do Brasil.

Ambientada no bioma do Pantanal mato-grossense, a novela rompeu com os padrões da época por apostar em extensas gravações em paisagens naturais, fotografia de cinema, folclore nacional, religiosidade e no universo rural. O Pantanal era um personagem vivo e central na história. 

Foto: divulgação/TV Manchete

A história acompanhava a trajetória de Zé Leôncio (Paulo Gorgulho Cláudio Marzo), um peão de comitiva que chegou com o pai, Joventino (Cláudio Marzo) ao Pantanal, onde compraram uma fazenda e começaram a criar gado de corte. Zé Leoncio e o pai caçavam marruás, um tipo de boi selvagem que vivia solto pelas matas da região. Com o desaparecimento do pai, Zé Leôncio prometeu que iria trazer um marruá por dia no laço, para ter a esperança de encontrá-lo, transformando a propriedade em um império. 

Passado algum tempo, Zé Leôncio, já um fazendeiro rico, conhece a mimada Madeleine (Ingra Lyberato Ittala Nandi), uma moça de classe média alta carioca que está à beira da falência. Ela não se adapta à vida rural e à rotina de peão do marido. Amargurado, Zé Leôncio passa a viver com Filó (Tânia Alves Jussara Freire), sua empregada, após Madeleine fugir com o amigo Gustavo (José de Abreu) e o filho de poucos dias para o Rio de Janeiro. Ele passa a criar o filho de Filó, Tadeu (Marcos Palmeira) como seu filho. Vinte anos depois, o filho legítimo, Jove (Marcos Winter) decide conhecer o pai. O reencontro evidencia o choque cultural entre os dois. Sentindo-se rejeitado pelo pai, que acha que o filho é afeminado, e ridicularizado pelos peões da fazenda pelo seu jeito, Jove decide retornar ao Rio, mas leva consigo Juma Marruá (Cristiana Oliveira), moça criada como um animal selvagem pela mãe Maria Marruá (Cássia Kis) até a morte dela, assassinada por encomenda. Comenta-se no pantanal que, tal como a mãe, Juma se transforma em onça-pintada sempre que se sente ameaçada. 

Ao lado do romance entre Jove e Juma, Benedito construiu uma história marcada ainda por um lado sobrenatural: baseados no folclore da região pantaneira, os principais personagens, exceto Zé Leôncio, se deparavam com uma figura conhecida como O Velho do Rio, um curandeiro idoso que cuida das pessoas atacadas pela jararaca-boca-de-sapo, uma cobra venenosa, ou daqueles que se perdem na região. Todos comentam que ele é o pai de todas as sucuris e que também se transforma em sucuri, sendo a maior de todas; o povo ainda acredita que ele é o pai de Zé Leôncio, o desaparecido peão Joventino. Além disso, há a figura do misterioso peão Trindade (Almir Sater), que teria um pacto com o diabo, ou seria a própria encarnação dele. Com uma trama tão potente, envolvente e misteriosa, Pantanal se consolidou como um verdadeiro clássico brasileiro, recheado de mistério, vingança, sobrenatural, romance e tramas poderosas. “Procurei fugir do clichê e de todas aquelas variações sobre ascensão social. Pantanal é uma novela realista onde só se faz riqueza trabalhando duro”, contou Benedito em entrevista. 

O autor buscou enaltecer o Pantanal brasileiro e sua biodiversidade depois de conhecê-lo sete anos antes de realizar a novela, ao se hospedar em uma fazenda do cantor Sérgio Reis, em 1983. Ele chegou a oferecer a sinopse à TV Globo com o nome de Amor Pantaneiro, e ela chegou a ser aprovada, mas o Pantanal enfrentava cheias por causa das chuvas fortes na época. Ofereceram então a Benedito a possibilidade de rodar a trama na zona rural do Rio de Janeiro, ele recusou, e o projeto foi engavetado até 1989. A distância dos grandes centros era fundamental para reforçar o tom bucólico, rural e isolado da trama, todas as externas foram feitas na zona rural do Mato Grosso do Sul.   

Aposta da Manchete, Cristiana Oliveira foi escalada para viver a protagonista Juma Marruá. Ela havia sido lançada pela emissora em Kananga do Japão (1989). A atriz esteve no velório do dramaturgo, realizado no Funeral Home, na região central da capital paulista, e falou sobre o legado deixado pelo escritor, a admiração e a gratidão que sente por ele: “Eu estou muito triste, muito emocionada, mas extremamente grata por tudo o que o Benedito fez por mim, que foi me dar esse presente tão maravilhoso, tão eterno, que foi a Juma Marruá de Pantanal e depois repetir a nossa dobradinha em 2009, na segunda versão de Paraíso“, disse ela. “Benedito deixou um legado imenso, que com certeza as filhas, os filhos e o neto vão continuar. E, bem ou mal, as novelas dele são atemporais, porque falam de um Brasil extremamente simples, de um Brasil raiz, um Brasil que talvez o país não conheça. Ele brigou por mim, ele e Jayme decidiram que eu ia ser a Juma, uma menina desconhecida, sem experiência, de uma novela só. Eles acreditaram em mim”, afirmou a atriz.  Mais de três décadas depois, Pantanal permanece como um dos maiores clássicos da televisão brasileira. Benedito Ruy Barbosa aqui criou uma atmosfera única e inesquecível que redefiniu os padrões da teledramaturgia. 

Renascer e seus mitos sobrenaturais

Foto: divulgação/Acervo/Globo

Após o estrondoso sucesso de Pantanal, Benedito retornou à TV Globo para escrever sua primeira novela das 20h: Renascer (1993). Ambientada na região de cacau de Ilhéus, na Bahia, a obra reafirmou o autor como um dos maiores cronistas do Brasil rural ao unir drama familiar, realismo, sobrenatural, desigualdade social, misticismo e paisagens bucólicas. Aqui, a história conta a trajetória de José Inocêncio (Leonardo Vieira – Antonio Fagundes), um poderoso fazendeiro da zona de cacau que constrói um império na região da Bahia; Casado com Maria Santa (Patrícia França), com quem tem quatro filhos. 

Foto: divulgação/Jorge Baumann/Globo

Inocêncio tem uma péssima relação com o caçula, João Pedro, já que Maria Santa morreu no parto do menino. Na segunda fase, José Inocêncio é um contador de histórias: o caçula João Pedro preserva sua obra, a quem ama e idolatra, apesar de ter todos os motivos para odiá-lo. A desavença com o filho mais novo piora com a chegada de Mariana (Adriana Esteves), por quem tanto João Pedro e José Inocêncio se apaixonam. Um dos personagens de destaque da trama é o catador de caranguejos Tião Galinha (Osmar Prado), porta-voz do autor na denúncia das precárias condições de vida e de trabalho no Brasil. Tião acredita que o sucesso de José Inocencio se deve ao fato de ele ter criado um diabo dentro de uma garrafa, seu amuleto. Os filhos de José Inocêncio, José Augusto (Marco Ricca), José Bento (Tarcísio Filho) e José Venâncio (Taumaturgo Ferreira) moram e trabalham na cidade grande. Já o caçula João Pedro (Marcos Palmeira) é o único que nunca deixou a fazenda, mantendo-se do lado do pai, mesmo sofrendo com a indiferença e o desprezo dele. O diretor Luiz Fernando Carvalho conferiu uma linguagem de cinema aos capítulos iniciais da trama. Com direção de fotografia de Walter Carvalho, a novela recebeu muitos elogios de crítica e de público. Os cenários de Renascer eram um show à parte, um verdadeiro oásis, com cenas gravadas em Ilhéus, na Bahia, no interior de quatro grandes casas de fazendas de cacau. Por meio da história de Buba (Maria Luisa Mendonça), a novela abordou o hermafroditismo e o preconceito, e também tratou dos meninos de rua. Através de Teca (Paloma Duarte), Neno (Cassiano Carneiro) e Pitoco (Oberdan Junior), o autor discutiu temas como gravidez precoce, violência e anseios juvenis. Teca engravida cedo e é acolhida por José Inocêncio; a chacina da Candelária, no Rio de Janeiro, fez o autor mudar o destino do pai do filho de Teca, que morre assassinado. Renascer marcou a estreia de Benedito no horário nobre da TV Globo. O autor colheu informações, impressões e histórias para a trama rodando três mil quilômetros do sertão baiano. “Uma grande parte das histórias a gente imagina. Mas o fundamental são as experiências de vida. Personagens que você cruza pelos seus caminhos. Eu rodei três mil quilômetros no sertão baiano para escrever Renascer e fiquei mais de dez anos até conseguir trazer à tona e fazer a novela”, contou o autor ao Memória Globo.

Foto: divulgação/Jorge Baumann/Globo

A atriz Patrícia França, que vinha do sucesso da minissérie Tereza Batista (1992), estreava em novelas na TV Globo ao lado do também iniciante Leonardo Vieira; os dois conquistaram e encantaram o público na primeira fase da trama, trazendo um amor puro e bonito, com uma química arrebatadora que renderam aos jovens, mais tarde, um convite para repetir o par romântico em outra novela: Sonho Meu (1993). Benedito explorou novas lendas e folclores, como a história do diabo na garrafa, e o personagem de Jackson Antunes, Damião, que foi inspirado em um ex-matador que o autor conheceu nessa viagem, chamado Seu Visita. 

Rei do Gado e a reforma agrária

Foto: divulgação/Jorge Baumann/Globo

Em 1996, Benedito continuou sua trajetória de novelas rurais, protagonizadas por pessoas simples e histórias sertanejas com O Rei do Gado, uma de suas obras mais emblemáticas. A trama conta a história de amor entre o latifundiário e pecuarista Bruno Mezenga (Antonio Fagundes) e a boia-fria Luana (Patrícia Pillar), ambos descendentes de duas famílias de imigrantes italianos rivais: os Mezenga e os Berdinazzi. Luana, porém, desconhece sua verdadeira origem e não sabe que pertence à família Berdinazzi. A descoberta de sua identidade traz à tona antigas desavenças e rivalidades entre as duas famílias.

Novamente, Benedito apostou em uma saga dividida em duas fases. “É bom estruturar em duas fases para que as pessoas possam conhecer as origens e as dores dos personagens“, afirmou. A novela também abordou o amor doentio e violento de Léia (Silvia Pfeifer) e seu  amante, Ralf (Oscar Magrini): Léia sustenta o estilo de vida fácil e luxuoso do companheiro, enquanto Ralf, malandro e interesseiro, faz de tudo para conseguir colocar as mãos em sua fortuna. A situação muda quando Bruno arma um flagrante e revela o caso entre eles. Abandonada, Léia implora pelo amor de Ralf, que passa a agredi-la, dando início à uma história de violência e submissão, extorquindo seu dinheiro e a espancando sempre que pode. 

Foto: divulgação/Jorge Baumann/Globo

Outro núcleo que chamou a atenção do público foi o de Lia (Lavínia Vlasak), filha mais velha de Bruno e Léia. Cúmplice do irmão Marcos (Fábio Assunção), Lia cresceu cercada de privilégios. Rica, bonita, culta e inteligente, sempre teve tudo o que quis, porém emocionalmente carregava as marcas de uma criação sem afeto. Sua vida muda ao conhecer Pirilampo (Almir Sater), um homem humilde do campo que, mesmo não sendo rei de coisa nenhuma, demonstra coragem, liberdade e resiliência. A química entre os dois conquistou o público, e o romance entre a princesinha do gado e o pobre violeiro permanece até hoje entre os casais mais lembrados da teledramaturgia nacional.

Foto: divulgação/Jorge Baumann/Globo

O Rei do Gado estreou apenas dois meses após a morte de 19 trabalhadores sem-terra em Eldorado dos Carajás, no Pará. Em meio à comoção nacional, Benedito levou para a televisão um tema até então inédito em novelas: a reforma agrária e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A abordagem teve grande repercussão nacional e colocou o debate sobre a questão fundiária no centro das discussões do país. 

Mais uma vez, o autor levou para a ficção sua própria vivência e familiaridade, retratando o que já viveu pessoalmente: na juventude, Benedito morou em fazendas, acompanhou o recebimento do café e aprendeu a selecionar grãos, conferir o peso e observar o tempo das brocas, conhecimentos que utilizou para mostrar na novela o universo com verdade.

Em busca de realidade, alguns atores tiveram que se submeter a laboratórios intensos antes da novela para compor seus personagens, alguns inclusive, viajaram para a região de Amparo, no interior de São Paulo, onde conviveram com colonos locais e  aprenderam atividades típicas do campo, como montar a cavalo, bater feijão e colher café. A preparação foi fundamental para impactar e mostrar a realidade do cotidiano das fazendas de café.

A novela foi um grande sucesso de audiência e repercussão, consolidando ainda mais o nome de Benedito como um ícone da teledramaturgia brasileira.

Terra Nostra e a trama italiana 

Foto: divulgação/R. Marques/Globo

Sua próxima saga, Terra Nostra (1999), trouxe à tona as raízes da cultura ítalo-brasileira ao contar a história de dois imigrantes italianos que se apaixonam durante uma viagem de navio rumo ao Brasil, mas são separados ao desembarcarem no país no final do século XIX. “Vários capítulos eu escrevi com os olhos cheios d’água pois eram reminiscências da minha infância. Nessas cenas, eu sempre via alguém muito próximo de mim, amigos e parentes naquele contexto, é uma das minhas obras favoritas“, explicou o autor ao Memória Globo. Na trama, os jovens italianos Matteo (Tiago Lacerda) e Giuliana (Ana Paula Arósio) se apaixonaram ainda durante a travessia para o Brasil. Ao desembarcarem, porém, são separados e seguem rumos diferentes, casando-se com outras pessoas, mas lutando para permanecerem juntos.

Foto: divulgação/R. Marques/Globo

Outro casal que conquistou o público foi Francesco (Raul Cortez) e Paola (Maria Fernanda Cândido). O romance, marcado pela diferença de idade entre os personagens, repercutiu em todo o país e foi um dos grandes destaques da novela. 

Inicialmente, Terra Nostra foi planejada para ter três fases, levando a história até o início dos anos 2000. Apesar do enorme sucesso, Benedito preferiu não prolongar a trama e encerrou ela no início da segunda guerra mundial, dividindo-a em apenas duas fases.

Uma continuação chegou a ser cogitada, mas o escritor mudou de ideia e preferiu retomar o tema da imigração italiana em Esperança (2002).

As cenas do embarque e da travessia foram gravadas em Southampton, no sul da Inglaterra, de onde partiu o Titanic em 1912. As gravações contaram com a participação de mais de 50 profissionais e cerca de 300 figurantes, incluindo ingleses, franceses e italianos.

Foto: divulgação/Jorge Baumann/Globo

As pesquisas históricas realizadas pela equipe foram fundamentais para a confecção dos figurinos de época. Somente para os primeiros capítulos foram feitas mais de 4 mil peças! O figurino influenciou na moda da época: os lenços usados por Giuliana viraram moda entre as meninas, enquanto os bonés de Matteo se tornaram febre entre os meninos. 

O reconhecimento veio também da crítica. A Associação Paulista de Críticos da Arte (APCA) deu à Terra Nostra o prêmio Musa de Ouro da Promax Latin America pela campanha de lançamento, e a novela ainda foi eleita como o melhor programa de televisão de 1999.

O autor idealizou Terra Nostra muito antes do sucesso. Ainda em 1981, ao encerrar Os Imigrantes na TV Bandeirantes, Benedito recebeu milhares de cartas de pessoas de diferentes nacionalidades contando as histórias de suas famílias que construíram uma nova vida no Brasil. Sua esposa fez uma seleção dos relatos, dando origem ao projeto da novela.

Inicialmente, Benedito achou que a Globo  não aprovaria a produção devido ao custo alto da produção, mas a direção aceitou e decidiu apostar no projeto.

Mais uma vez, o autor buscou inspiração em suas próprias memórias de infância. Quando criança, costumava brincar com filhos de imigrantes italianos que trabalhavam nas plantações de café da fazenda de um tio. 

Outro detalhe curioso envolve o diretor geral da novela e seu braço direito por muitos anos, Jayme Monjardim. Bisneto do empresário Francisco Matarazzo, Jayme tem uma ligação direta com a imigração italiana retratada na trama. Seu bisavô deixou Nápoles, em 1870, para construir a vida no Brasil em uma viagem de navio semelhante à mostrada na trama.

Terra Nostra também marcou a estreia de Maria Fernanda Cândido como atriz na TV Globo, durante a exibição da novela, uma pesquisa realizada no Fantástico elegeu a atriz como a mulher mais bonita do século pelo público.

A novela foi um verdadeiro fenômeno e extrapolou a televisão. Camelôs vendiam bonecos de Matteo, Paola e Giuliana em bancas de jornais, enquanto roupas, alimentos como macarrão, vinhos e molhos de tomate com a marca Terra Nostra chegaram aos mercados. A novela foi uma das produções brasileiras mais vendidas para o exterior e permanece até hoje como um dos maiores clássicos da televisão nacional.

Foto: divulgação/Acervo/Globo

Ainda dentro deste universo, Benedito escreveu Esperança em 2002, novela que retomou diversos elementos parecidos de Terra Nostra para contar a história de amor entre os italianos Toni (Reynaldo Gianecchini) e Maria (Priscila Fantin), agora na década de 1930. 

Foto: divulgação/Renato Rocha Miranda/Globo

Em 2005, já com 40 anos de carreira, Benedito escreveu Mad Maria, uma minissérie baseada no romance de Márcio Silva. “Depois da Terra Nostra, o Ricardo Waddington leu Mad Maria e ficou louco. Foi ao meu sítio e disse que tinha que fazer isso, ele montou a equipe e foi embora para Rondônia, falou com o governador, armou tudo, tiraram a Mad Maria do meio do mato, botaram em cima do trilho, reformaram tudo. Quando vi os primeiros capítulos, juro que não acreditei“, afirmou o autor. A produção retrata a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, no norte do Brasil, um dos maiores empreendimentos do país. Nos anos seguintes, Benedito  ainda revisitou duas de suas obras mais marcantes ao escrever os remakes de Sinhá Moça e Meu Pedacinho de Chão, em 2006 e 2014, reafirmando a força de suas histórias que atravessam gerações e deixam marcas. 

Velho Chico e a declaração de amor ao Rio São Francisco

Foto: divulgação/Caiuá Franco/Globo

 Em março de 2016, Benedito concebeu sua última obra inédita para a televisão: Velho Chico. Dividida em duas fases, a novela começa na década de 1960, na fictícia Grotas de São Francisco, e retrata a disputa de terras e poder entre os De Sá Ribeiro e os Dos Anjos, mais uma vez explorando disputas entre famílias que atravessam gerações. A rivalidade se estende até a atualidade e se entrelaça na luta pela preservação e pelo renascimento do Rio São Francisco.

Em 2009, Benedito entregou à direção da TV Globo a sinopse da trama inspirada no Velho Chico, porém em 2012, o projeto foi engavetado por ser considerado político demais. Em 2015, a novela chegou a ser aprovada para às 18 horas, mas a pedido do autor, Luiz Fernando Carvalho foi convidado para assumir a direção. Com isso, a emissora concluiu que a história era forte demais para o horário e decidiu transferi-la para o horário das 21 horas, com sua estreia sendo programada para 2016, justamente por abordar tramas políticas em pleno ano eleitoral.

O elenco foi selecionado a partir de uma pesquisa extensa de atores nordestinos. A primeira fase marcou a volta de Rodrigo Santoro para as novelas, após 13 anos afastado do gênero desde Mulheres Apaixonadas, em 2003. Luiz Fernando Carvalho desejava uma atriz espanhola para o papel de Iolanda, mas devido à importância da personagem, várias atrizes brasileiras foram cogitadas, entre elas Ana Paula Arósio e Maria Fernanda Cândido. Como  nenhuma dessas aceitou o convite, o papel ficou a cargo de Camila Pitanga.

O amor proibido de Maria Tereza (Julia Dalavia) e Santo dos Anjos (Renato Góes), que desafiavam as desavenças familiares e se encontravam às escondidas, conquistou o público pela química avassaladora e uma paixão bonita e pura, delicada dos jovens. Afrânio (Rodrigo Santoro), pai de Maria Teresa, faz de tudo para separar o casal e chega a até ordenar a morte de Santo.

Foto: divulgação/Caiuá Franco/Globo

Quase 30 anos depois, Maria Tereza volta para a cidade ao lado do marido, o ambicioso político Carlos Eduardo (Marcelo Serrado), que criou Miguel (Gabriel Leone), como se fosse seu próprio filho, fruto, sem saber na verdade que o rapaz é fruto da relação proibida entre Tereza e Santo. 

Outra trama que chamou atenção foi a de Beatriz (Dira Paes), professora na escola rural de Grotas, que luta por melhores condições de ensino para as crianças. Ela se envolve em um triângulo amoroso com o vereador Bento (Irandhir Santos) e o jornalista Martim (Lee Taylor), ambos apoiadores de sua candidatura à prefeitura da cidade.

As gravações começaram em janeiro de 2016 no nordeste e duraram dois meses entre Alagoas, Rio Grande do Norte e Bahia. A logística impressionou: dez caminhões saíram do Rio de Janeiro rumo ao Nordeste com três toneladas de figurinos, cenários e equipamentos.

Para escrever a novela, Benedito buscou inspiração em sua época de repórter, nos anos 70. Durante esse período, o autor percorreu o Rio São Francisco em uma embarcação conhecida como gaiola e passou dias dormindo a bordo. O contato com o rio, suas paisagens e seu povo deu origem à trama, definida pelo autor como uma verdadeira declaração de amor ao Velho Chico.

Na reta final da carreira, Benedito contou com a ajuda da filha, Edmara Barbosa, e do neto, Bruno Luperi na construção da novela.  

Velho Chico, no entanto, infelizmente, ficou marcada por duas perdas duras e severas que abalaram profundamente o público e a equipe da trama. A primeira aconteceu com o ator Umberto Magnani, que morreu aos 75 anos, dois dias depois de sofrer um acidente vascular encefálico hemorrágico durante as gravações da novela. O ator foi substituído por Carlos Vereza em cena.

Foto: divulgação/Artur Meninea/Globo

Quase cinco meses depois, outra tragédia ainda maior impactou o público e marcou a trama para sempre. Faltando apenas duas semanas para a exibição do capítulo final, em 15 de setembro de 2016, o ator Domingos Montagner, que interpretava o protagonista Santo, morreu após se afogar no Rio São Francisco, em Canindé de São Francisco, Sergipe. O acidente ocorreu logo após uma gravação da novela, com a presença de Gabriel Leone e Camila Pitanga. Montagner entrou no rio acompanhado de Camila e acabou sendo arrastado por uma forte correnteza. Marcelo Serrado, que havia acabado de finalizar uma cena em Alagoas, também participou das buscas. O ator foi encontrado cerca de quatro horas depois, já sem vida. 

Enquanto Domingos estava desaparecido, o Brasil parou em orações acompanhando as buscas em clima de comoção, e a direção da TV Globo determinou que as gravações da novela fossem paralisadas imediatamente.

Profundamente abalado, Benedito lamentou a morte de Montagner e afirmou, em entrevista ao UOL, sobre a indefinição do desfecho do personagem : “É muito difícil ter que trocar um ator como ele por qualquer outro; essa não deve ser a solução. Tenho que fazer justiça a ele e ao trabalho maravilhoso que ele vinha fazendo, tenho que homenagear ele de alguma forma”. 

A equipe decidiu levar a história até o fim sem substituição, morte ou viagem do personagem. A solução encontrada foi filmar as cenas finais sob a perspectiva em primeira pessoa de Santo, sem falas do personagem. Curiosamente, um mês antes, o próprio personagem também havia desaparecido nas águas do rio dentro da história. Na sequência final, os atores contracenaram diretamente com a câmera no lugar dele, e o telespectador via a história pelos olhos do protagonista.

Velho Chico foi indicada ao Prêmio Emmy Internacional 2017 na categoria de Melhor Novela e encerrou a trajetória de Benedito discutindo questões sociais relevantes como a agricultura, o meio ambiente, a sustentabilidade, o coronelismo e a política.

Legado eterno e atemporal

Foto: divulgação/Mauricio Fidalgo/Globo

As novelas de Benedito Ruy Barbosa permanecem relevantes e atuais, e seu legado de sensibilidade e olhar sobre o Brasil profundo e escondido, marcado por tradições, conflitos sociais, espiritualidade e paisagens que raramente ocupavam espaço na televisão antes de suas obras é atemporal. Seu olhar sensível sobre o campo e sobre a identidade brasileira transformou definitivamente a teledramaturgia nacional. 

O legado do autor permanece vivo por meio de seu neto, Bruno Luperi, responsável por adaptar para a TV Globo remakes como o de Pantanal em 2022, estrelado por Marcos Palmeira, Dira Paes, Alanis Guillen e Jesuíta Barbosa, sucesso de audiência e repercussão nacional, e Renascer (2024), levando uma nova geração a acompanhar histórias marcadas pela luta, pelos mitos e pelas crendices e tradições do interior do Brasil.  

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Manoel Carlos: Entre Helenas, Leblon e silêncios: A arte de um autor inesquecível

 

Texto revisado por Angela Maziero 

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Entretenimento Livros

Livro de estreia de Sophie Elmhirst conta história real de casal que ficou à deriva no mar por meses

Em Um casamento à Deriva, a autora aborda, além das dificuldades físicas, os desafios emocionais que o casal venceu

Você aguentaria meses à deriva no mar? Talvez seja muito fácil responder a essa pergunta quando se trata de ficção, mas essa é uma história real e não foi uma escolha para o casal Bailey, cujo caso teve bastante repercussão nos anos 1970. 

O casal era uma combinação improvável, porém perfeita: Maurice era solitário, obsessivo e antissocial, enquanto Marilyn era carismática, extrovertida e ambiciosa. O que os unia era o medo de desperdiçar a vida e o sonho de recomeçar longe de tudo e de todos que conheciam. 

Em julho de 1972, movidos pela coragem e pelo amor, os dois resolveram largar os empregos, vender a casa, comprar um barco e velejar rumo a uma nova vida na Nova Zelândia. Por meses, a aventura seguiu perfeita e proporcionou a sensação de sonho realizado, mas essa não foi toda a história. Em pleno Oceano Pacífico, uma baleia emergiu das águas e afundou o barco depois de abrir um buraco irreparável. 

Os meses seguintes foram marcados por uma luta intensa pela sobrevivência em um bote em alto mar. O casal enfrentou a fome, a exaustão e a solidão do oceano, além de questões emocionais que vieram à tona como medos, traumas e conflitos. 

Uma aventura marítima cheia de adrenalina e uma história real de sobrevivência e amor se entrelaçam em uma narrativa intensa, com ritmo eletrizante. Um Casamento à Deriva é o livro perfeito para quem busca uma história de superação e amor em condições extremas. 

Sobre a autora
Foto: reprodução/Nieman Storyboard

Sophie Elmhirst é jornalista e colunista do The Guardian. Em 2020, ganhou o British Press Award de Melhor Escritora de Reportagens e o Foreign Press Award. Em 2024, foi finalista do Prêmio Orwell de Jornalismo. Um Casamento à Deriva, seu livro de estreia, foi vencedor do Prêmio Nero Gold de 2024, best-seller do New York Times, entrou na lista de livros favoritos de Barack Obama e esteve na lista de melhores livros de 2025 da The New Yorker e na Best Nonfiction Books of the Year, da Kirkus 

 

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Texto revisado por Angela Maziero Santana 

 

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Cinema Livros Notícias Séries

Quinze Dias estreia no streaming após encontro com elenco de Heartstopper

Miguel Lallo e Diego Lira se encontram com Kit Connor e Joe Locke, em Londres, para anunciar a estreia de Quinze Dias no streaming

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Cultura turca Notícias

Dia da Democracia e da Unidade Nacional: entenda o feriado celebrado na Turquia

Data é feriado nacional e costuma alterar a programação das emissoras, impactando também o universo das dizis

Quem acompanha as produções turcas provavelmente já percebeu que, todos os anos, o dia 15 de julho é marcado por uma programação diferente nas emissoras do país. A data corresponde ao Dia da Democracia e da Unidade Nacional (Demokrasi ve Millî Birlik Günü), um feriado nacional criado para homenagear as vítimas da tentativa de golpe de Estado ocorrida em 2016.

Desde 2017, o feriado faz parte do calendário oficial da Turquia. Na ocasião, repartições públicas, escolas, universidades, bancos e diversos órgãos governamentais permanecem fechados, enquanto cerimônias, homenagens e eventos cívicos são realizados em diferentes cidades do país. Ao mesmo tempo, grande parte do comércio, restaurantes e atrações turísticas continua funcionando normalmente.

Como a data afeta as dizis?
Foto: reprodução/aTV

Para quem acompanha o entretenimento turco, o impacto costuma ser percebido principalmente na televisão e nas redes sociais das emissoras. É comum que canais como ATV, Kanal D, NOW, Show TV, Star TV e TRT alterem sua programação para transmitir cerimônias oficiais, documentários e conteúdos especiais relacionados ao feriado.

Por esse motivo, anúncios de novos elencos, divulgação de trailers, início de gravações e outras novidades sobre dizis costumam ser reduzidos ou até adiados para os dias seguintes. A movimentação da indústria do entretenimento também diminui temporariamente, já que muitas empresas e equipes suspendem as atividades durante o feriado.

A origem da data
Foto: reprodução/Monitor Oriente Médio

O Dia da Democracia e da Unidade Nacional relembra os acontecimentos da noite de 15 de julho de 2016, quando uma tentativa de golpe de Estado provocou confrontos em diferentes regiões da Turquia. O episódio deixou centenas de mortos e milhares de feridos e é considerado um dos acontecimentos mais marcantes da história recente do país.

Desde então, a data passou a ser lembrada anualmente com cerimônias oficiais, discursos, homenagens às vítimas e eventos promovidos por instituições públicas tanto na Turquia quanto em representações diplomáticas no exterior.

Assim, além de representar um importante momento de memória nacional, o dia 15 de julho também influencia a rotina da televisão turca e ajuda a explicar por que os fãs das dizis costumam ver menos novidades sobre suas produções favoritas durante esse período.

 

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Leia também: Notícias da semana no mundo turco – 5/7 a 11/7

 

Texto revisado por Alexia Friedmann

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Cinema Entretenimento Notícias Séries

Série de Carrie, a Estranha ganha primeiras imagens

A adaptação para série do romance de estreia de Stephen King está nas mãos do showrunner Mike Flanagan

As primeiras imagens da tão aguardada série Carrie, a Estranha foram divulgadas pelo Prime Video. Baseada no primeiro romance de Stephen King, a adaptação promete um olhar moderno à clássica história de amadurecimento do autor, aprofundando seus personagens e tensões, e acompanhando as pequenas escolhas cotidianas que culminam naquela única noite devastadora

Feita para a televisão pela primeira vez pelo conhecido showrunner Mike Flanagan, cineasta por trás de outros grandes títulos do terror como A Maldição da Residência Hill (2018) e A Queda da Casa de Usher (2023), a produção conta com um elenco de peso e com o próprio Stephen King como produtor executivo. 

Foto: divulgação/Amazon Prime

Carrie é estrelada por Summer Howell (A Maldição de Chucky, 2013), que atuará ao lado de Samantha Sloyan (The Pitt, 2025) como Margaret White, Siena Agudong (Resident Evil, 2022) como Sue Snell, Alison Thornton (Fire Country, 2022) como Chris Hargensen, Joel Oulette (Minha Vida com a Família Walter, 2023) como Tommy Ross, e outros grandes nomes da cena do terror. 

Foto: divulgação/Amazon Prime

A série do romance de 1974 acompanha a história de Carrie White, uma adolescente que passou a vida escondida em casa com sua mãe superprotetora, Margaret. Após a morte repentina do pai, a garota é forçada a lidar com um escândalo de bullying, a pressão e a crueldade da era das redes sociais, além do despertar de misteriosos poderes telecinéticos. 

O seriado promete oito episódios que servirão para expandir o marco cultural que foi essa história de King desde seu livro, depois impulsionada pela adaptação cinematográfica de 1976, que recebeu uma indicação ao Oscar. Feito por Brian De Palma, o filme de Carrie completa este ano o seu 50º aniversário. 

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Leia também: A Morte de Robin Hood apresenta uma versão mais sombria do herói 

 

Texto revisado por Alexia Friedmann

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Cultura turca Notícias

Mert Yazıcıoğlu substitui İlhan Şen em Kalbimin Rotası Karadeniz

Após mudanças na produção, minissérie estrelada por Cemre Baysel terá um novo protagonista

Após passar por uma reformulação nos bastidores, Kalbimin Rotası Karadeniz (tradução livre: Rota do Meu Coração: Mar Negro) já definiu seu novo protagonista. Mert Yazıcıoğlu foi confirmado como o par romântico de Cemre Baysel na minissérie do projeto Go Türkiye, substituindo İlhan Şen, que deixou a produção nas últimas semanas. A informação foi divulgada pela jornalista Birsen Altuntaş

Foto: reprodução/Birsen Altuntaş

O Entretetizei havia noticiado anteriormente que a produção promoveria o terceiro encontro de İlhan Şen e Cemre Baysel nas telas. A dupla já dividiu cena na dizi Ramo e voltou a atuar junta no filme Aşk Filmi (2024). Com roteiro de Emre Kavuk e direção de Ketche, a minissérie foi concebida para divulgar as belezas naturais e culturais da região do Mar Negro por meio da iniciativa Go Türkiye.

Inicialmente, a produção seria realizada pela Han Medya, empresa de Tolgahan Sayışman, e tinha previsão de iniciar as gravações na segunda semana de julho.No entanto, após mudanças na produção, incluindo a saída do produtor Tolgahan Sayışman, o ator também se desligou da minissérie, que passou por um processo de reestruturação.

Agora, a produção será realizada pela Sky Film, de Emre Oskay, mantendo Emre Kavuk como roteirista e Ketche (Hakan Kırvavaç) na direção. As gravações estão previstas para começar no dia 20 de julho, em Istambul.

Desenvolvida para o projeto Go Türkiye, Kalbimin Rotası Karadeniz apresentará ao público internacional as paisagens, a cultura e as tradições da região do Mar Negro por meio de uma história ficcional.

Até o momento, mais detalhes sobre os personagens de Cemre Baysel e Mert Yazıcıoğlu ainda não foram divulgados.

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Leia também: Entrevista | Caner Cindoruk fala sobre o filme Salvação e revela carinho pelo Brasil 

Texto revisado por Angela Maziero Santana

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Entrevista | Caner Cindoruk fala sobre o filme Salvação e revela carinho pelo Brasil

Em entrevista ao Entretetizei, Caner Cindoruk comenta a força do novo longa de Emin Alper, fala sobre a construção de Mesut e revela que sonha em conhecer o Brasil 

Por Anna Mellado e Mariana Chagas

Conhecido mundialmente por novelas turcas, como Força de Mulher (Kadın) e Iludida (Sadakatsiz), Caner Cindoruk encara um novo desafio em sua carreira em Salvação, novo longa de Emin Alper, com título original Kurtuluş. No filme, o ator interpreta Mesut, um homem que, aos poucos, se torna o líder de uma comunidade consumida pelo medo, pela crença e pela violência.

Em entrevista ao Entretetizei, Caner Cindoruk explicou por que acredita que a história dialoga com espectadores de qualquer parte do mundo:

É uma história muito universal. É uma história que vai parecer familiar para pessoas de qualquer lugar do mundo. De uma forma ou de outra, é muito provável que elas já tenham se deparado com uma história parecida. Por isso, acredito que pessoas do mundo inteiro consigam se identificar”.

O ator também falou sobre os bastidores das gravações em Mardin, região da Turquia que faz fronteira com a Síria e abriga uma expressiva população curda: 

Filmamos em um vilarejo chamado Kırkat, no distrito de Midyat, em Mardin. Era um vilarejo localizado no topo de uma montanha. E Mardin é uma região bastante desafiadora. Faz muito calor quando é calor, e faz muito frio quando é frio. (…) Enfim, foi uma produção muito difícil, mas ao mesmo tempo nos vimos envolvidos em um enorme espírito de colaboração e solidariedade. Nesse sentido, acumulamos lembranças muito bonitas”.

Foto: reprodução/Pandora Filmes

Além de falar sobre Salvação, Caner também comentou que conhece as novelas brasileiras e revelou que recebe muitas mensagens dos fãs brasileiros:

Eu cresci assistindo às novelas brasileiras quando era criança. Então, ver que hoje vocês assistem às nossas novelas é algo que nos enche de orgulho e é uma grande honra para nós. (…) Eu ainda tenho muita vontade de ir ao Brasil. Também sei que tenho muitos fãs aí. Tenho plena consciência de que os trabalhos que fazemos são muito queridos no Brasil, porque recebo muitas mensagens, principalmente de brasileiros.

Para conferir todos os detalhes desse bate-papo incrível, clique no link abaixo:

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Texto revisado por Angela Maziero Santana

Entrevista realizada em parceria com: Pandora Filmes

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Off Campus e seu boom fashion: saiba mais sobre os figurinos

Muito além da estética, o figurino de Off Campus traduz a personalidade dos personagens e conquistou espaço entre as maiores tendências inspiradas na série

Desde o anúncio da adaptação dos livros, a série Off Campus passou a conquistar cada vez mais espaço entre os bookstans nas redes sociais. Após seu lançamento, o sucesso foi instantâneo, como já era esperado. Mas, além da narrativa e da expectativa de ver os personagens ganharem vida nas telas, outro elemento também chamou atenção: o figurino.

As protagonistas Hannah Wells e Allie Hayes mostraram ao público que, mesmo com personalidades diferentes, essa amizade inspiradora vai além da troca de conselhos: elas também compartilham o guarda-roupa.

Dos livros para o streaming

O primeiro livro, O Acordo, teve seu lançamento em 2015. A história é ambientada nas universidades dos anos 2010, e tanto o design de produção dos cenários quanto o figurino dos personagens da série conseguiram transmitir essa ideia de forma bastante atual.

Charlene Akuamoah é a figurinista responsável por esse trabalho. Tendo se dedicado anteriormente à moda e styling, ela migrou para o audiovisual e atualmente está sendo reconhecida pelo seu desempenho em Off Campus. Em entrevistas, chegou a compartilhar que seu propósito era trazer os figurinos como uma extensão da história, exatamente como personagens para a narrativa, e não tratá-los apenas como roupas que serão usadas.

Foto: reprodução/ Prime Video

Seu processo criativo teve como proposta ler os livros e entender de forma profunda quem eram os personagens, se perguntando“onde eles comprariam suas roupas?”, buscando uma conexão entre o público e a história, de forma que se identificasse com sua autenticidade e semelhança com o dia a dia.

Hannah Wells: uma protagonista tão real quanto seu figurino

A protagonista da primeira temporada vai além de uma mocinha bonita que conquista o coração do capitão do time de Hóquei. Ao longo dos episódios é possível entender que Hannah é uma jovem em busca dos seus sonhos e que batalha por eles.

Após sofrer um episódio traumático durante o ensino médio, ela passa os anos na faculdade trabalhando em diversos empregos para conseguir pagar a mensalidade do curso de Música. Sua realidade é simples e sempre ocupada pelo trabalho e estudos, e isso se reflete em seu estilo.

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Foto: reprodução/ Prime Video

Em entrevistas, Charlene já compartilhou que a prioridade para Hannah nunca foi a moda, e sim sobreviver, como uma ferramenta de proteção. Seu estilo simples retrata o clássico da garota americana na universidade, com cardigans, calças jeans, regatas, maquiagem leve e poucos acessórios, transmitindo, assim, uma imagem romântica e também inteligente que combina totalmente com ela.

Mas ao longo dos episódios, conforme ela se conecta mais com o Garrett e até mesmo reconquista sua confiança, é possível ver peças marcantes aparecerem em seus looks (mesmo que emprestadas de sua melhor amiga). Ella Bright, a atriz que interpreta Hannah, já compartilhou que na próxima temporada será possível ver uma evolução no estilo da personagem.

Allie Hayes: confiança e criatividade a transformam numa it girl

A querida Allie Hayes é a perfeita definição de carisma e estilo. Sua personalidade confiante anda ao lado de sua mente criativa, não à toa ela cursa Teatro, e carrega o título de fashionista da série, podendo trazer referências de estilos como Y2K e Downtown Girl.

Seu guarda-roupa reflete diretamente sua personalidade divertida, que está sempre pronta para algo novo e se adapta bem às tendências atuais do mundo da moda. Longe de ter medo de experimentar e ousar, seus looks trazem combinações de all jeans, golas de pelo e estampas diferentes.

Com peças como corsets, minissaias, jaquetas e botas, Allie sabe como combinar o simples, mas ainda trazendo toques de styling com acessórios e mix de texturas. Um detalhe à parte para a composição de seu figurino é o corte de cabelo, que teve uma enorme repercussão no lançamento da série por apresentar volume e comprimento para os fios ondulados.

Foto: reprodução/ Prime Video

Outro destaque também muito repercutido sobre a personagem, foi a escolha do icônico vestido da cantora e atriz JLo, o mesmo que deu origem à ferramenta de buscas de imagem do Google. Isso mostra que além da sua relação com o Y2K, ela também tem personalidade ao ponto de escolher um marco fashion para a fantasia de duplas no episódio 2 da primeira temporada.

Figurinos a parte que chamaram atenção

Além das peças de impacto do guarda-roupa das meninas, outro detalhe que deu o que falar foi a grande participação das lingeries. Para um enredo que traz bastante  sensualidade e momentos +18 na série, a participação das roupas íntimas ganhou destaque. Charlene também compartilha que a escolha para os sutiãs foi pensada para a narrativa, de forma que se moldassem a silhueta e trouxessem mais sensualidade e presença para as meninas.

Foto: reprodução/ Prime Video

O uniforme do time de Hóquei se tornou uma peça desejo para os fãs do livro e da série. Sua identidade visual foi desenvolvida sob medida para a história, tendo suas cores presentes nos uniformes e na ambientação do cenário da universidade, também reforçando a presença e a posição de atletas que Garrett, Dean, Logan e Tucker possuem dentro da Briar U. As peças criadas para os treinos e jogos são as mesmas vendidas para os fãs, de forma que se aproximam ainda mais da realidade da história.

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Leia também: Livros para quem amou Off Campus

 

Texto revisado por Crystal Ribeiro

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Entrevista Entrevistas Notícias

Entrevista | Caio Horowicz: das telas do streaming para os bastidores de Hamlet

Entre o streaming, o cinema internacional e os bastidores de Hamlet, o ator reflete sobre o papel do artista, a paixão pelo ofício e os reais desafios do audiovisual brasileiro 

 

Texto por Vitória Oliveira

Caio Horowicz parece estar em todos os lugares ao mesmo tempo — e o público só tem a ganhar com isso. O ator e diretor vive um momento prolífico na carreira, dividindo-se simultaneamente entre as telas do cinema, do streaming e a intensidade dos palcos. 

Emendando os lançamentos de Brasil 70 (Netflix) e O Rei da Internet, além de rodar festivais internacionais com o longa Isabel e assinar a assistência de direção da peça Hamlet em São Paulo, Caio prova que o tripé da criação artística é o que move seu dia a dia. Para ele, equilibrar tantas linguagens não é um peso, mas sim combustível: “Eu acho que uma coisa alimenta a outra, aprofunda a outra”, conta. 

Em um papo franco e cheio de descontração, o artista reflete sobre o amadurecimento nos bastidores, o cenário do audiovisual brasileiro e revela o desejo de estrear em novelas. Confira a entrevista completa: 

Foto: divulgação/ Maju Magalhães
Entretetizei: Você vive uma fase intensa da carreira, conciliando série, cinema e teatro. Como tem sido transitar entre linguagens tão diferentes ao mesmo tempo?

Caio Horowicz: É sempre bom fazer mais de um trabalho ao mesmo tempo, mais de uma linguagem ao mesmo tempo. Eu acho que uma coisa alimenta a outra, aprofunda a outra, e não o contrário. Eu sou do time que, para o trabalho do artista tudo é material. Tenho uma professora, Estrela Strauss, que fala que “o ator é o ser humano profissional”, então viver e olhar a intensidade da vida pela perspectiva de alguém que cava, que se pergunta “como isso aqui pode ajudar meu trabalho?”, isso me interessa. 

E: Em Brasil 70, da Netflix, você mergulha em um período marcante da história do país. O que mais te chamou atenção na construção desse personagem?

C.H: Eu gosto do Mazetti porque ele é muito ambicioso. Tá atrás do furo de reportagem, custe o que custar. Hoje seria o que a gente chama de jornalista sensacionalista, talvez. Mas ainda sim a gente empatiza com ele porque ele acredita no que tá fazendo, é inescrupuloso, ele vai atrás daquilo que ele acredita que o povo brasileiro precisa saber, seja quais forem as consequências disso. E é bom fazer personagens meio imorais assim, porque eu posso fazer coisas que eu não faria na vida. Posso ser meio escroto! Rsrs. 

Foto: divulgação/ Maria Magalhães
E: O Rei da Internet aborda temas ligados à fama e ao ambiente digital. Que reflexões esse projeto trouxe para você?

C.H: Eu acho que o Rei da Internet desconstrói aquele estereótipo do hacker que vive de capuz e moletom escuro, curvado na frente do computador. O Noturno é o contrário disso – apesar do nome – ele é um bon vivant, que gosta de festa, que goza dos prazeres da vida. Eu lembro que o Fabrício, diretor do filme, queria que eu fizesse luzes na época! Eu fiquei surpreso, pensei “ué, o nome do cara é Noturno e ele tem luzes?!”, mas depois que eu li o roteiro e entendi. Infelizmente, não rolou as luzes porque eu tinha outro trabalho na época, mas na próxima… quem sabe no Rei da Internet 2?! 

E: Isabel já circula em festivais internacionais. Como é ver uma produção brasileira alcançando públicos de diferentes países?

C.H: Acompanhar a vida de um filme nos festivais é muito entusiasmante. A gente encontra parceiros de trabalho, o fazer cinema fica efervescente, a gente tem a medida da recepção do público… a recepção do Isabel tá sendo maravilhosa. Em Berlim sala de 800 lugares lotada, em Pequim sala de mais de mil lugares, lotada e com fila de autógrafos! Buenos Aires sessões com conversas ótimas. A gente tá animado pelo lançamento no Brasil, em breve. 

E: Além de atuar, você também assina a assistência de direção de Hamlet. O que essa experiência nos bastidores acrescenta ao seu trabalho como ator?

C.H: Meu desejo desde que entrei na faculdade de Artes Cênicas na USP sempre foi ser ator, diretor e dramaturgo. Esse tripé sempre tive como artistas de referência que transitam nessas áreas. Grace Passô é uma delas. Então isso continua no meu projeto. Eu me formei em direção teatral na faculdade, e me formei como ator da EAD (Escola de Arte Dramática). Dramaturgo eu me tornei nos cursos livres que fiz ao longo da vida. E o Hamlet rolou por minha insistência com o Rafael Gomes. Cheguei para ele e pedi para ser assistente, e ele topou. Eu amo o Rafa e aprendo muito com ele na sala de ensaio. É maravilhoso para um ator viver um processo pela borda, observando sem se envolver tanto, vendo de dentro mas de fora. A gente aprende muito nessa relação mais distanciada. Foi por isso que eu fiz. Fiquei feliz de poder contribuir para a construção do espetáculo, que eu acho um acontecimento teatral. 

Foto: divulgação/ Fabio Audi
E: O audiovisual brasileiro vive um momento de expansão, com streaming e produções nacionais ganhando projeção internacional. Como você enxerga esse cenário?

C.H: Eu acho que o audiovisual brasileiro está vivendo o resultado das políticas públicas de anos atrás. O cenário atual, embora as produções estejam ganhando reconhecimento internacional, não é bom. Falta muito ainda. O desmonte da Ancine, a falta de editais e leis de incentivo… Por isso é tão importante que a gente cobre como sociedade civil a grana para o audiovisual e para o teatro brasileiro. A gente precisa aproveitar essa fase para ampliar o incentivo. O jogo está longe de estar ganho. 

E:  Existe algum personagem ou gênero que você ainda sonha interpretar e que talvez surpreendesse o público?

C.H: Quero fazer uma novela. Tenho me tornado noveleiro nos últimos anos, bom demais chegar em casa depois de um dia longo e de repente ficar aos prantos com o Tony Ramos chorando em baixo de uma tempestade… cenona aliás! Quero viver essa linguagem que eu nunca fiz. Tenho vontade e espero que role em breve. 

Foto: divulgação/ Maju Magalhães
E: Depois de tantos projetos importantes, o que mais tem despertado sua criatividade hoje: os desafios artísticos, as novas histórias ou as trocas com outros profissionais?

C.H: Tudo isso. Gosto de sentir que estou fazendo algo que vai tocar o público. Que vai ser relevante. Que vai entreter. O que me dá gás é isso. 

E: Qual foi o maior desafio da sua carreira até aqui e o que ele te ensinou como artista?

C.H: Acho que é a resiliência. Saber que vão ter momentos difíceis, que vai vir um “não” indesejado, que tem essa lida diária com a minha própria imagem como produto mesmo… são muitas questões. Saber que os momentos de alta também são passageiros, que tem que tomar cuidado na relação com o ego, que tem que cuidar pra não me deslumbrar quando vem o “sim”… tudo isso é o maior desafio. Mas a paixão e o sentido de ser ator, nada supera isso. Eu realmente acho que é a profissão mais legal do mundo. E mais importante. Desculpa aí para os médicos e engenheiros.

 

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Texto revisado por Angela Maziero Santana 

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