Uma década após o lançamento de seu último álbum, fãs do cantor seguem à espera de um novo disco
Há uma década, em 20 de agosto de 2016, Frank Ocean lançava Blonde, que se tornou um dos trabalhos mais marcantes de sua trajetória na música e o último álbum de estúdio completo do artista. Dez anos após a estreia do disco, uma pergunta ainda paira entre os fãs: por onde anda Frank Ocean?
Desde o sucesso do álbum, o cantor não lançou outro projeto. Surgiram singles, participações pontuais e aparições esporádicas, mas nenhum novo disco. Mesmo com a expectativa do público por um novo trabalho do astro, considerado um dos artistas mais misteriosos e relevantes de sua geração, ele optou por permanecer distante dos holofotes, da indústria e do público.
Agora, enquanto Blonde completa uma década, a espera por um novo álbum também chega aos dez anos.
O disco que recusou as fórmulas do R&B
Quando Blonde foi lançado, em 2016, a expectativa era enorme. Sucessor do aclamado Channel Orange (2012), o disco poderia seguir o caminho previsível. Ocean, porém, escolheu fazer um trabalho totalmente fora da caixa e que se distanciava de seu último projeto.
Com uma produção minimalista e letras fragmentadas, Blonde aposta mais na atmosfera musical do que em grandes refrões. Na época de seu lançamento, o The Guardian classificou o trabalho como um disco de beleza enigmática, profundidade e forte carga emocional, enfatizando a maneira como o cantor se desprendeu das expectativas do público para criar uma obra totalmente inovadora a partir de sua visão artística.

As 17 faixas destrincham memórias, relacionamentos, desejo, identidade e amadurecimento. Não são letras com histórias minimamente explicadas, já que o artista faz um mix de fragmentos, que remetem a lembranças que aparecem sem começo ou fim definidos.
É o que acontece em músicas como Ivy, marcada pela nostalgia de um amor do passado, Self Control, sobre desejo e despedida, e White Ferrari, que transforma uma lembrança em uma reflexão sobre tempo e mudança.
A passagem do tempo dentro e fora de Blonde

Ironicamente e conversando com a atual ausência do artista, a passagem do tempo é um dos temas principais de Blonde. Em Nights, por exemplo, a estrutura musical é dividida em duas partes, com uma ruptura que acompanha a transformação vivida pelo narrador.
A faixa está entre as quatro músicas do álbum que já ultrapassaram a marca de 1 bilhão de reproduções no Spotify, ao lado de Pink + White, Ivy e White Ferrari. A performance das músicas mostra que, mesmo sem um novo álbum, a obra de Frank Ocean segue atemporal, sendo redescoberta e ouvida por novas gerações.
Essa permanência talvez seja o legado de Blonde. O disco não dependeu de grandes produções ou fórmulas para se manter relevante. Sua força está justamente na intimidade e na liberdade criativa que Frank Ocean encontrou ao fazê-lo.
E por onde anda Frank Ocean?

Depois de Blonde, a carreira do cantor passou a ser marcada pela ausência. Frank lançou singles como Provider, In My Room, DHL e Dear April, além de fazer aparições pontuais, mas nenhum deles resultou em um novo álbum de estúdio.
A expectativa por um sucessor ganhou ainda mais força ao longo dos anos. Ainda assim, Frank Ocean continua distante da lógica de lançamentos massivos que domina a indústria musical.
Dez anos depois, Blonde permanece como seu último álbum completo e talvez a melhor representação de sua maneira de fazer música: sem pressa e abandonando expectativas.
Ouça o álbum completo aqui:
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Texto revisado por Marina Barrelli de Carvalho













