O pesquisador Dan Wang analisa o crescimento vertiginoso da China e sua relação com os Estados Unidos
As atuais grandes potências econômicas e tecnológicas do mundo são os Estados Unidos e a China. Mas as coisas nem sempre foram assim. A China cresceu vertiginosamente nas últimas décadas e assumiu uma posição de destaque no cenário global, estando agora em uma competição acirrada com os EUA.
Nesse contexto, o pesquisador Dan Wang analisa a conturbada relação entre os dois países, marcada pela disputa geopolítica e pela crescente polarização. O livro A Todo Vapor, da Intrínseca, chega às livrarias em agosto, reunindo análises políticas, econômicas e filosóficas a partir da vivência do autor no país asiático. A obra apresenta uma perspectiva ousada sobre os sucessos e as fragilidades da China, estabelecendo conexões com questões internas dos EUA e com seu status no sistema internacional.
A consolidação da China como superpotência global ocorreu de modo caótico e impressionante. As pontes gigantescas, as ferrovias reluzentes e as fábricas descomunais, que melhoraram as condições de vida no país em tempo recorde, vieram acompanhadas de repressão política. Não se trata de um paradoxo, mas de consequências da forma como o país é governado, priorizando a engenharia. Em contrapartida, ao se opor ao Estado da engenharia, o país norte-americano estagnou e se tornou uma sociedade legalista, que recusa, por instinto, qualquer mudança.
“A Todo Vapor é a história do Estado chinês que catapultou seu povo para a modernidade — uma ação invejada, com razão, por grande parte do mundo —, embora para isso tenha passado por cima de muitos outros — uma abordagem desprezada, com razão, por grande parte do mundo. É também um lembrete de que os Estados Unidos já conheceram as virtudes de velocidade e construção ambiciosa. Cruzando metrópoles estonteantes e fábricas gigantescas, este livro vai desvendar o progresso surpreendente e o lado obscuro do país da engenharia. A sociedade legalista também tem virtudes a ensinar à China. Cada uma dessas superpotências proporciona uma visão de como a outra pode ser melhor, desde que governantes e povos se deem ao trabalho de adotar um olhar menos superficial”, explica o autor.
Wang é capaz de retratar as complexidades das duas nações por meio de análises perspicazes, preservando, ao mesmo tempo, um senso de otimismo. Passando por metrópoles como Xangai, Chongqing e Shenzhen, o autor expõe as falhas da engenharia social, como a vigilância excessiva de minorias étnicas, a repressão ideológica e os traumas provocados pelas políticas do filho único e da Covid Zero, além de traçar paralelos com os Estados Unidos. Ambos são apresentados como países que podem aprender um com o outro e contribuir para remodelar a política internacional, partindo de suas espantosas semelhanças.
“A melhor proteção que conheço contra o aumento de tensões entre duas superpotências é a curiosidade mútua. Quanto mais os estadunidenses se informarem a respeito dos chineses, e vice-versa, mais provável se torna que fiquem longe de problemas. O contraste mais marcante entre os dois países é a concorrência que vai definir o século XXI: de um lado, uma elite estadunidense composta sobretudo de advogados, especialistas em obstrução; de outro, uma classe tecnocrática chinesa, composta principalmente de engenheiros, especialistas em construção. Essa é a grande ideia por trás deste livro. Já está na hora de usar uma nova perspectiva para entender as duas superpotências”, conclui Dan Wang.
Sobre o autor

Dan Wang é pesquisador no Hoover History Lab, da Universidade Stanford. Ele integrou o Paul Tsai China Center, da Faculdade de Direito de Yale, e foi analista de tecnologia na Gavekal Dragonomics. Wang é autor de um relatório anual sobre a China e já publicou ensaios em veículos como The New York Times, Foreign Affairs, Financial Times, New York Magazine e The Atlantic.
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Revisado por Ludimila Rodrigues































