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Você sabia? Árabes e turcos não são o mesmo povo – e a gente te explica por quê

Antes de maratonar outra novela turca, vale entender as diferenças – e também as semelhanças – entre árabes e turcos. Vem com a gente!

Com a popularidade das novelas turcas pelo mundo e o aumento das notícias sobre Israel e Palestina, os temas “turcos”, “muçulmanos” e “árabes” vêm sendo cada vez mais comentados e pesquisados, principalmente por curiosos que têm, como objetivo, entender mais cada um. Mas você sabia que nem todo árabe é muçulmano e que turcos não são árabes

Pois é. Para alguns, essa informação pode parecer óbvia, mas como um portal que é referência em cultura turca, o óbvio precisa ser dito. É de extrema importância entendermos os contextos nos quais estamos inseridos, para evitar confusões, desentendimentos – e até mesmo para você não se envergonhar no meio daquela conversa super bacana. Então continue a leitura, porque vamos te explicar!

Árabe é uma religião ou uma etnia? E nem todo árabe é muçulmano, isso procede?

Sim, nem todo árabe é muçulmano! E por quê? Simples: árabe é uma etnia, assim como quando alguém fala que é “brasileiro” ou “americano”. Já muçulmano refere-se à religião, neste caso, oriunda do islamismo – assim como quando alguém fala que é evangélico, católico ou umbandista. Fez sentido?

E não para por aí: existem outras religiões presentes nos países árabes, como o cristianismo (em diferentes ramos, como o catolicismo, o ortodoxismo e o maronitismo), além de comunidades judaicas e drusas. Essa diversidade mostra que o mundo árabe é formado por povos e crenças diferentes, unidos principalmente pela língua árabe e por aspectos culturais compartilhados, e não apenas pela religião, da mesma forma que os turcos contam com uma diversidade religiosa (como veremos a seguir).

Créditos: Mundo Educação

Nas novelas turcas e filmes/séries sobre o Oriente Médio, vemos a presença de muitos hábitos da religião e da cultura, sempre variando de acordo com o local. Mas uma coisa é certa: você nunca verá um árabe chamando outro árabe de turco, nem um turco chamando outro turco de árabe. É por isso que é importante entendermos as diferenças!

Historicamente, os povos árabes se originaram na Península Arábica e se expandiram a partir do século VII, durante o crescimento do islamismo, levando sua língua e cultura para regiões do Norte da África e do Oriente Médio. Essa expansão moldou boa parte da herança cultural árabe que conhecemos hoje. Entenda mais sobre as religiões árabes a seguir.

Quais são as religiões árabes?

Apesar de o islamismo ser predominante na maior parte dos países árabes, ele não é o único. Há cristãos em países como Líbano, Síria, Egito e Jordânia, comunidades judaicas em Marrocos e Tunísia, e também grupos drusos e bahá’ís, cada um com suas próprias tradições. Essa pluralidade religiosa reforça que “árabe” não é sinônimo de “muçulmano”, mas um termo que abrange uma ampla diversidade cultural, linguística e espiritual. Interessante, né?

Ou seja, você vai encontrar famílias libanesas, sírias, egípcias e outras etnias árabes que são católicas, celebrando as mesmas datas comemoradas pelos cristãos católicos no Brasil ou aquelas famílias muçulmanas, que seguem o que a religião prega. Uau, é muita diversidade!

Crédito da imagem: Gerada por inteligência artificial com Microsoft Copilot
Muçulmano e islamismo é a mesma coisa?

Não exatamente, mas os dois termos estão interligados. Islamismo é o nome da religião, enquanto muçulmano é quem segue essa fé. Ou seja, assim como quem segue o cristianismo é cristão, quem segue o islamismo é muçulmano.

O islamismo é baseado nos ensinamentos do profeta Maomé (Muhammad) e no livro sagrado Alcorão (Qur’an), que orienta princípios de fé, ética e comportamento. É uma religião que prega a paz, a solidariedade e a espiritualidade – valores que, muitas vezes, são mal interpretados por falta de informação.

Os turcos também são árabes?

A resposta é: não. Apesar de muitas pessoas confundirem, os turcos não são árabes e os árabes não são turcos. Ambos se referem a etnias diferentes, o que pode soar até como ignorância ou ofensa, caso alguém chame um árabe de turco ou um turco de árabe. Por isso, é importante entender essa diferença para usar os termos com segurança no dia a dia.

Créditos: @DTural via X

Um fato interessante é que a Turquia é um país laico, ou seja, garante a separação entre governo e religião, sem adotar uma fé oficial. Apesar disso, o país é majoritariamente muçulmano, com uma cultura que traz consigo muitos costumes do islã – lembrando que islã refere-se à fé seguida pelos muçulmanos (cuidado para não se confundir). Assim como os países árabes, a Turquia tem uma forte presença muçulmana, mas isso não os torna o mesmo povo.

Historicamente, os árabes têm origem na Península Arábica, enquanto os turcos vêm de povos turcos da Ásia Central, que migraram e formaram o Império Otomano. Essa diferença de origem explica por que eles falam línguas diferentes, têm raízes culturais próprias e identidades nacionais distintas.

Créditos: HubPages

Na maioria das novelas turcas, você verá cenas em que os personagens fazem orações, seguem algum ritual específico do islã ou usam a famosa expressão “Selam aleykum” (saudação turca ou árabe que significa “que a paz esteja convosco”). Outras expressões muito marcantes são: “Mashallah” (“Deus quis” ou “o que Deus quis”), usada em momentos de gratidão, admiração e louvor e “Inshallah” (“Se Deus quiser”), usada para expressar a esperança. Se você é fã raiz, então já conhece todas essas!

Você sabia? Árabes migraram sendo confundidos como turcos!

Durante o período do Império Otomano (entre os séculos XVI e XX), a Turquia conquistou diversos territórios árabes, o que gerou uma vasta mistura cultural e, até hoje, algumas confusões. Quando imigrantes sírios, libaneses e palestinos chegaram ao Brasil (e a outros países), traziam passaportes otomanos, e por isso muitos foram chamados de “turcos”, mesmo sendo árabes. É daí que vem o costume brasileiro de chamar famílias árabes de “turcas” – um reflexo histórico que ainda sobrevive no nosso vocabulário. Isso se tornou uma briga histórica, e, por isso, a importância de não confundirmos cada povo.

Quais as línguas faladas na Turquia e nos países árabes? E como é o alfabeto de cada um?

Outro tópico importantíssimo: os turcos têm o idioma turco como língua oficial, adotado após a queda do Império Otomano, quando o país passou por um grande processo de modernização e reforma cultural. Foi nesse período que se criou o alfabeto turco moderno, baseado no alfabeto latino, substituindo o antigo alfabeto árabe-otomano.

Antes dessas mudanças, a escrita e a fala eram diferentes, e dialetos como o turcomano eram comuns. Alguns ainda resistem em pequenas comunidades do interior, especialmente em regiões como Mardin, na fronteira com a Síria, país majoritariamente árabe. A dizi Uzak Şehir, grande fenômeno do momento, mostra muito a relação intercultural entre turcos e curdos, segundo maior povo existente na Turquia – tema que será comentado numa futura matéria – e hábitos característicos da região, já que a novela se passa em Mardin, mistura de religiões, etnias e nacionalidades. Ainda na dizi, a família Albora, principal da trama, é uma família tradicional curda – e aprende-se muito assistindo aos capítulos.

Foto: reprodução/puhutv

Já nos países árabes, os idiomas mais predominantes são o árabe, o inglês e o francês, uma mistura que reflete diretamente a história e as influências coloniais de cada região. Enquanto o árabe é a língua nativa e unificadora, o francês ganhou força em países do norte da África, como Marrocos, Tunísia e Argélia, que foram colônias francesas. Já o inglês é amplamente usado em nações como Egito, Jordânia e Líbano, seja por influência britânica ou pela globalização.

O alfabeto árabe é um dos mais antigos ainda em uso e é escrito da direita para a esquerda, com caracteres cursivos e traços que mudam de forma conforme a posição na palavra. Além de ser usado na língua árabe, ele também inspirou outros sistemas de escrita, como o persa e o urdu, mostrando como a cultura árabe deixou sua marca muito além de suas fronteiras.

Na Turquia também existe o cristianismo ou outras religiões?

Sim. Apesar do islamismo ser a religião predominante, como citado anteriormente, a Turquia é um país laico, o que garante espaço para outras crenças. Há pequenas comunidades de cristãos ortodoxos, católicos e armênios, além de judeus e grupos menores que preservam tradições antigas.

Um exemplo histórico interessante é a Casa de Maria, localizada perto de Éfeso, considerada por muitos como o local onde Maria, mãe de Jesus, teria vivido seus últimos anos. Esse tipo de patrimônio mostra como a Turquia, mesmo majoritariamente muçulmana, abriga memórias e práticas religiosas de diferentes culturas, reforçando a diversidade e a riqueza histórica do país.

Créditos: Escape Magazine
Curiosidades: você sabia?
  • Turcos leem o alcorão em árabe, sendo que, a maioria não é fluente em árabe, mas aprende o necessário para entender o livro sagrado;
  • A Turquia faz fronteira com muitos países, o que gera uma relação cultural mista e diversa. Um dos exemplos é Mardin, que faz fronteira com a Síria, país árabe-sírio;
  • O Brasil abriga a maior comunidade de libaneses e seus descendentes fora do Líbano — há mais libaneses no Brasil do que no Líbano!
  • A culinária árabe e turca é muito apreciada ao redor do mundo, incluindo o Brasil, com fortes comunidades, principalmente em São Paulo;
  • Uma curiosidade é que, na Turquia, nomes de pessoas e lugares muitas vezes têm significados poéticos. ‘Deniz’, por exemplo, quer dizer ‘mar’; ‘Aylin’, ‘luz da lua’; e ‘Can’, nome muito comum em novelas turcas, significa ‘alma’.
  • O chamado para as orações, conhecido como ezan, é ouvido cinco vezes por dia em praticamente todas as cidades turcas, sendo um dos sons mais marcantes para quem visita o país.

Entender essas diferenças é essencial não só para apreciar melhor as novelas turcas, mas também para respeitar a complexidade cultural e religiosa que elas retratam – e até compreender melhor o que vem acontecendo pelo mundo. A Turquia e os países árabes compartilham pontos históricos e religiosos, mas possuem identidades próprias, com idiomas, costumes e tradições únicos que merecem ser conhecidos e valorizados.

Enquanto o mundo árabe carrega uma herança marcada por diferentes impérios e uma rica diversidade entre seus povos, a Turquia se destaca como uma ponte entre o Oriente e o Ocidente: um território onde línguas, crenças e histórias convivem há séculos. É dessa mistura que nasce o encanto que a gente vê nas telas e que continua despertando a curiosidade e o fascínio do público brasileiro. Ao longo do tempo, o Entretê vai te explicar mais tópicos relacionados ao Oriente Médio e à Turquia, então continue com a gente!

 

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Leia também: Especial | Dia da Vitória: um marco na luta pela independência da Turquia

 

Texto revisado por Larissa Couto @larscouto

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Será que você quer mesmo um oppa?

Entre o encanto do K-pop e os roteiros perfeitos dos K-dramas, o ideal de oppa virou fantasia afetiva global. Mas o que há por trás dessa idolatria romântica e por que talvez seja hora de olhar com mais cuidado para o homem por trás do estereótipo?

Oppa é uma palavra coreana simples, usada por mulheres para se referirem a homens mais velhos, irmãos, amigos ou namorados. Mas no imaginário da cultura pop global, ela virou algo bem mais carregado: o símbolo do homem ideal. Educado, atencioso, estiloso, com pele impecável, ombros largos e um olhar que parece dizer “vou cuidar de você”.

Esse arquétipo ganhou força com o avanço do K-pop e dos K-dramas nos últimos dez anos. Os grupos masculinos coreanos projetaram uma masculinidade refinada, afetuosa e emocional, quase o oposto do que o Ocidente associava a homens viris. E, enquanto isso, os roteiros dos dramas televisivos coreanos consolidaram o oppa como figura de desejo e segurança emocional.

Mas o homem ideal é sempre um projeto coletivo de fantasia. O oppa nasceu de um sistema de entretenimento altamente calculado, onde a emoção é produto e a afetividade, estratégia. E é aí que a pergunta fica incômoda: será que você quer mesmo um oppa ou só o que ele representa?

O marketing da emoção: quando o amor vira mercadoria

A indústria do K-pop é uma das mais bem estruturadas e controladas do mundo. Por trás de cada idol há contratos rígidos, treinamentos intensos e uma imagem construída com precisão cirúrgica. As empresas entendem o poder do afeto e transformam isso em engajamento, vendas e lealdade de fãs.

O oppa perfeito não nasce do acaso: ele é projetado. Ele sorri de um jeito estudado, fala com doçura medida e performa vulnerabilidade sem perder o controle. Nos K-dramas, ele é o CEO frio que se derrete pela protagonista comum. Nos grupos de K-pop, é o cantor sensível que escreve letras sobre amor e solidão, mas que nunca revela com quem se relaciona de verdade.

Essa combinação de vulnerabilidade emocional e distância inatingível é irresistível e extremamente lucrativa. O público feminino, historicamente carente de representações masculinas empáticas, encontra nesse marketing da emoção uma válvula de escape. É seguro amar um oppa: ele nunca vai te decepcionar porque, no fundo, ele não é real.

O perigo do ideal: quando o oppa deixa de ser só ficção

Não há nada de errado em se encantar com um personagem ou artista. O problema começa quando a ficção se torna parâmetro de desejo. Muitos fãs, especialmente os mais jovens, internalizam o arquétipo do oppa como modelo de relacionamento. Ele é o namorado que escuta, entende, não grita, não trai. Mas também é o homem que nunca erra, nunca perde o controle, nunca é… humano.

Essa idealização pode gerar frustração e distorções emocionais. Quando alguém real, um parceiro, por exemplo, não corresponde ao ideal do oppa, parece que há algo errado com ele. Esquece-se de que relações verdadeiras são construídas na imperfeição, no atrito, no erro.

Além disso, há uma questão cultural. O oppa dos K-dramas e dos idols não é apenas um símbolo de afeto, mas também carrega traços conservadores da sociedade coreana: o homem protetor, dominante de forma suave, mas ainda no controle. A mulher, por outro lado, é frequentemente retratada como ingênua, submissa ou em busca de validação. A embalagem é moderna, mas o conteúdo, muitas vezes, é o mesmo romance tradicional reembalado com estética pop.

O olhar ocidental e o fetiche do Oriente

Há um outro ponto delicado nessa equação: a fetichização racial e cultural. O oppa não é apenas um ideal de homem, ele é o “homem asiático idealizado”, em contraste com estereótipos antigos de masculinidade asiática, historicamente marginalizados no Ocidente.

Com a globalização da cultura coreana, esse pêndulo virou de lado. O que antes era visto como estranho ou diferente passou a ser desejado com intensidade. Mas o risco de transformar isso em fetiche é alto: querer um oppa não porque ele é uma pessoa, mas porque ele representa um exotismo seguro, um “homem diferente” que encarna traços culturais romantizados.

Quando se diz “quero um oppa”, muitas vezes não se está falando de uma pessoa real, mas de uma projeção estética e cultural, uma que conforta mais do que desafia. E isso, de certo modo, é uma armadilha.

K-dramas, TikTok e o algoritmo do amor

As redes sociais ajudaram a reforçar esse mito. Cenas de K-dramas circulam em cortes milimetricamente editados, trilhas sonoras emocionais e legendas que transformam qualquer olhar em promessa de amor eterno. No TikTok, vídeos com filtros “boyfriend POV” criam a ilusão de intimidade direta: o oppa olha para a câmera, te elogia, te chama de “baby”.

Tudo é projetado para criar microdoses de dopamina. O algoritmo entende o que te faz suspirar e te entrega mais do mesmo, até que o desejo se torne automático. Você não está só consumindo um conteúdo, está treinando o cérebro a associar aquele tipo de masculinidade idealizada ao prazer.

E, quando isso acontece, a realidade perde força. Homens reais parecem grosseiros, desajeitados, sem tato. O oppa virou a régua da emoção, e o mundo real, o contraponto sem filtro.

A masculinidade “gentil” e o poder da vulnerabilidade encenada

Um dos motivos pelos quais o oppa é tão sedutor é porque ele representa uma masculinidade possível, mais gentil e emocional. Em culturas onde o machismo ainda dita a forma de amar, ver homens chorando, pedindo desculpas ou mostrando afeto em público é quase revolucionário.

Mas há uma diferença entre vulnerabilidade real e vulnerabilidade performática. Quando a emoção vira produto, ela deixa de ser confissão e passa a ser estratégia. O oppa chora no clipe, mas apenas o suficiente para parecer humano, nunca a ponto de perder o controle da própria imagem.

Isso não significa que os artistas sejam falsos, mas sim que o sistema os molda para caber nessa moldura. E quando o público consome isso como autenticidade pura, perde-se a noção do que é emoção vivida e o que é emoção roteirizada.

O que você realmente quer quando diz que quer um oppa?

Talvez o oppa não seja um homem, mas um espelho. Um reflexo do que as mulheres desejam sentir: segurança, atenção, reciprocidade, calma. Coisas que faltam nas relações modernas, desgastadas por pressa, competição e desinteresse emocional.

O oppa oferece uma experiência emocional controlada: ele não vai te interromper, não vai sumir, não vai te deixar em visualizado. Ele existe para estar disponível. Mas relações reais exigem reciprocidade, não disponibilidade infinita.

O problema não é querer um oppa, é querer alguém que só exista dentro da lógica do entretenimento. É confundir o personagem com a pessoa, o roteiro com a realidade.

O fascínio não precisa acabar, mas pode amadurecer

É possível continuar amando K-dramas, grupos de K-pop e toda a estética do Hallyu sem cair na armadilha do ideal romântico. O segredo está em consumir com consciência crítica: entender o que é ficção, o que é estratégia e o que é real dentro daquele universo.

Amar um personagem não é o mesmo que querer um homem como ele. Admirar um idol não é o mesmo que projetar nele o parceiro dos sonhos. O oppa pode continuar sendo uma figura de afeto, um símbolo de um tipo de amor sensível que o mundo precisa aprender, desde que a gente lembre que ele vem de um palco, não de um cotidiano.

Entre o fan service e o afeto genuíno

Talvez a resposta à pergunta inicial “será que você quer mesmo um oppa?” seja: não, você quer o que ele simboliza.

Quer atenção, cuidado, reciprocidade. Quer ser ouvida sem precisar explicar demais. Quer um tipo de amor que não te cobre ser perfeita para merecer afeto. E tudo isso é legítimo. Mas também é humano demais para caber em roteiros, coreografias e fan meetings.

O oppa é um sonho bonito, e tudo bem tê-lo. Só não dá para morar nele.

O amor precisa voltar a ser imperfeito

O mito do oppa nos ensinou que há espaço para a delicadeza dentro da masculinidade, e isso é uma conquista cultural real. Mas quando a delicadeza é roteirizada, ela perde seu poder transformador.

Talvez o caminho esteja em levar o que há de bom nesse ideal, empatia, sensibilidade, cuidado, para o mundo real, sem esperar que ele venha em um pacote pronto, com cabelo impecável e fala ensaiada.

O oppa dos K-dramas pode te inspirar, mas o amor que vale a pena ainda é aquele que acontece fora das telas, com gente de verdade, que erra, tenta e ama sem legenda.

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Leia também: Especial | Dragões da Ásia: conheça as lendas que unem culturas milenares e ainda influenciam o entretenimento até hoje

 

Texto revisado por Cristiane Amarante 

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İki Dünya Bir Dilek: filme escrito e estrelado por Hande Erçel estreia no streaming em novembro

O longa acompanha Metin Akdülger como o arqueólogo Can e Hande Erçel como a advogada Bilge, com estreia no streaming em novembro. Veja detalhes

O novo filme de Hande Erçel e Metin Akdülger, İki Dünya Bir Dilek (tradução livre: Dois Mundos, Um Desejo), terá estreia digital em 25 de novembro no streaming, antes de chegar aos cinemas russos em 27 de novembro. O longa chamou a atenção das distribuidoras Volga Cinema e IVI após o sucesso de bilheteria de Hande na Rússia com Rüzgara Bırak (Rumo ao Vento), filme em que contracenou com Barış Arduç.

Escrito por Elçin Muslu e dirigido por Ketche, o longa da Prime Video Turquia acompanha Metin Akdülger como o arqueólogo Can e Hande Erçel como a advogada Bilge. A história começa na véspera de Ano Novo de 1998, quando os personagens se conhecem em um hospital devido a problemas de saúde. Anos depois, um desejo compartilhado transforma o destino do casal.

Foto: reprodução/Birsen Altuntaş

O elenco ainda conta com nomes como Hüseyin Avni Danyal, İdil Fırat, Serkan Tınmaz, Rami Narin, Eylül Su Sapan, Didem İnselel, Erdal Bilingen, İpek Erdem, Nazlıcan Demir, İhsan İlhan, İlayda Orkut, Mert Ege Ak e Duygu Köse.

O sucesso de Hande Erçel pelo Brasil e o mundo

Não é um segredo que a atriz Hande Erçel é muito popular ao redor do mundo, incluindo no Brasil. Mundialmente conhecida por seu papel de êxito em Será Isso Amor (Sen Çal Kapımı, 2020), como Eda Yıldız, Erçel vem se destacando nos projetos turcos e alcançando mais admiradores.

Desde 2024, foram diversas produções, como Lembranças de um Amor (Aşkı Hatırla, 2025), em que interpretou Güneş, uma jovem editora determinada; Rumo ao Vento (Rüzgara Bırak, 2025), como Aslı Mansoy, uma mulher em busca de seu lugar no mundo; e Aşk ve Gözyaşı (tradução livre: Lágrimas e Amor, 2025), dando vida à Meyra Aksel Keskin, uma mulher com uma armadura emocional enfrentando desafios pessoais e familiares.

Rüzgara Bırak |
Foto: reprodução/Episode Dergi

Agora, Hande retorna às telas com İki Dünya Bir Dilek (Dois Mundos, Um Desejo), história escrita por ela mesma, que estreia primeiro no streaming. No Brasil, ainda não há confirmação oficial para a estreia, mas o Entretetizei seguirá acompanhando as atualizações.

 

Vai assistir ao novo filme de Hande Erçel? Conta para a gente e siga o Entretê nas redes sociais (Instagram, Facebook, X) para mais novidades sobre o mundo do entretenimento turco.

 

Leia também: Notícias da semana no mundo turco — 13/10 a 18/10 

 

Texto revisado por Cristiane Amarante @cris_tiane_rj 

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Entretenimento Eventos Livros

Um tributo a Geraldo Azevedo: a trajetória de um dos mestres da música brasileira

A obra reúne uma entrevista exclusiva e ensaios sobre o cantor pernambucano, marcando suas oito décadas de vida e arte

A amizade entre Geraldo Azevedo e a Família Morel é o ponto de partida de Geraldo Azevedo – Trajetória Musical, livro que reúne uma entrevista exclusiva e ensaios dedicados aos caminhos poéticos, sonoros e culturais percorridos pelo ícone da música brasileira. 

A obra aprofunda o olhar sobre sua criação artística e reafirma o papel fundamental de Geraldo Azevedo na consolidação da chamada Onda Nordestina, movimento que renovou a música brasileira a partir da segunda metade dos anos 1970. 

Foto: reprodução/Agenda Cultural do Rio de Janeiro

O livro faz parte da coleção Trajetórias Musicais, da Oca Editorial – que já homenageou nomes como Elza Soares, Tom Zé, Hermeto Pascoal e Itamar Assumpção –, e é descrito pelos criadores como um presente aos fãs e aos amantes da música brasileira.

Mais do que uma biografia, a edição é uma homenagem afetiva da Família Morel ao compositor, construindo um retrato íntimo e sensível de quem fez da canção um território de liberdade, poesia e afeto.

Uma ode à amizade e à música
Foto: reprodução/UNIT-PE

A proximidade entre Geraldo Azevedo e a Família Morel serviu de inspiração para a obra, que também marca as comemorações dos 80 anos do artista

Leo Morel, autor da introdução, assina o texto Da Amizade, enquanto o prefácio Abre-Alas é escrito por Carlos Medicis Morel, amigo de longa data de Geraldo e responsável, ao lado de Cristovam Buarque, por lhe presentear com o primeiro violão. A capa leva a assinatura de Sergio Morel, músico e fotógrafo, filho de Carlos e irmão de Leo.

A entrevista exclusiva com Geraldo Azevedo foi conduzida por Leonardo Lichote, Ana Paula Simonaci e Sergio Cohn, que também cuidou da edição final do livro.

Sobre o processo de escrita, Leo Morel comenta o desafio de equilibrar o olhar pessoal com o papel de pesquisador: “O maior desafio foi a proximidade com o Geraldo. Eu nunca havia escrito em primeira pessoa formato sugerido por Sergio Cohn , e isso me fez revisitar memórias e sentimentos. Foi uma experiência de descoberta, tanto literária quanto afetiva. Sergio Cohn fez um trabalho fenomenal na edição final do texto”, destaca.

O livro
Foto: reprodução/Revista Prosa, Verso e Arte

Geraldo Azevedo – Trajetória Musical é iniciado com o prefácio Abre-Alas, em que Carlos Medicis Morel narra como a amizade com o cantor se consolidou ao longo das décadas. 

Em seguida, a introdução Da Amizade traz as lembranças e afetos de Leo Morel desde a infância. A Jornada de Geraldo, texto de Sergio Cohn, percorre os 80 anos do artista, abordando a carreira, a obra e o legado.

A edição também conta com uma entrevista inédita e fotos exclusivas, além de cronologia e discografia completas – um material precioso para estudiosos da música e admiradores de Geraldo Azevedo.

Serviço

O lançamento do livro Geraldo Azevedo – Trajetória Musical acontece no dia 21 de outubro de 2025, terça-feira, às 19h, no Mercadinho 63, localizado na Rua Conde Afonso Celso, 15, no Jardim Botânico, Rio de Janeiro (RJ). 

O exemplar estará disponível para compra no local do evento e também no site da Oca Editorial.

 

Vai participar desse evento? Compartilhe suas impressões nas nossas redes sociais  – Instagram, Facebook e X – e, se gosta de trocar experiências literárias, junte-se ao Clube do Livro do Entretê!

 

Leia também: O livro Protagonistas conquista selo best-seller e celebra a força de 65 mulheres que reescreveram suas histórias

 

Texto revisado por Angela Maziero Santana 

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Crítica | A fome por beleza é saciada por vermes em A Meia-Irmã Feia

A adaptação norueguesa de Cinderela é um retrato quase realista do que significa crescer sob a pressão de padrões de beleza

Era uma vez uma jovem gentil e de uma beleza ímpar que, após a morte do pai, é obrigada a servir sua madrasta e suas meia-irmãs. A crueldade que enfrenta sem sacrificar a pureza e a virtude é compensada quando, na noite do baile real, uma fada madrinha transforma seus trapos em um vestido deslumbrante e as abóboras do seu quintal em uma carruagem que a conduz para os braços do príncipe. Mas, na décima segunda badalada do relógio, a magia perderá o efeito.

Todos nós sabemos como essa fábula termina. A sapatilha que cabe somente em seu pé minúsculo, o pôr-do-sol, o felizes para sempre ao lado de um homem que, quase sempre, sequer sabemos o nome.

A história de Cinderela já foi contada centenas de vezes, de várias maneiras diferentes, na televisão, no cinema, na literatura, no teatro… mas é no body horror de A Meia-Irmã Feia que a fantasia parece finalmente encontrar a realidade.

Dirigido e roteirizado pela estreante norueguesa Emilie Blichfeldt, A Meia-Irmã Feia constroi um retrato nojento, desconfortável e visceral do que significa crescer sob a pressão de padrões de beleza e de gramáticas sociais misóginas ao decidir olhar não para a futura princesa, mas para aquela que vive à sua sombra: uma de suas meia-irmãs.

Elvira (Lea Myren) é uma menina desajeitada e ingênua, que sonha em se casar com o príncipe e viver o próprio conto de fadas. Entre ela e esse objetivo, contudo, figura um aparelho dental, seu nariz, seu peso e Agnes (Thea Sofie Loch Næss), a Cinderela dessa adaptação. Assim, quando a família real anuncia um baile para escolher uma noiva para o príncipe, Elvira decide que não há dor ou fome que a impedirá de se tornar a jovem mais bonita do reino.

Foto: reprodução/Universo Flix

Se os procedimentos estéticos e os métodos para emagrecer de A Meia-Irmã Feia parecem absurdos, é apenas porque a direção de Emilie Blichfeldt não nos permite desviar o olhar e nos força a encarar os extremos que muitas jovens aceitariam sem hesitar se significasse que vão suprir, mesmo que minimamente, a necessidade de pertencimento e de corresponder a padrões de beleza – que aqui são reforçados de forma impiedosa pela mãe de Elvira, Rebekka (Ane Dahl Torp).

Nesse sentido, grande parte do desconforto no filme se dá a partir do momento que percebemos que, à exceção do terceiro ato, o roteiro se aproxima muito de experiências que vão soar familiares para muitas meninas que, como o próprio trailer denuncia, já se sentiram inferiores ou rejeitadas.

Não fossem as sequências grotescas que fazem jus ao gênero de body horror, A Meia-Irmã Feia poderia muito bem ser um coming-of-age sobre as consequências de padrões de beleza dirigido por Sofia Coppola ou Greta Gerwig.

Foto: reprodução/AdoroCinema

A rivalidade feminina também é um dos temas centrais do longa. A comparação constante entre Elvira e Agnes, que é a favorita para se tornar noiva do príncipe, torna Agnes a principal antagonista do filme e o alvo de toda a frustração e obsessão de Elvira.

No pano de fundo dessa animosidade entre as duas, figuram os personagens masculinos, que, quando não estão literalmente apodrecendo ou sendo objeto de idealização no onírico, são retratados de forma repulsiva, num lugar de violência e ameaça sexual. O poder que detêm em relação às mulheres do filme é palpável sempre que estão em cena.

Aqui, vale chamar atenção para o momento que as duas são convidadas para o baile e precisam dar seus nomes ao mensageiro. Depois de Agnes responder com seu sobrenome de prontidão, Elvira hesita, sem saber o que dizer, e recebe o convite endereçado à Elvira Meia-Irmã.

A cena, além de indicar que sua família é muito pobre e, portanto, não possui títulos, também parece sugerir que, enquanto Agnes é uma mulher inteira, que sabe quem é, Elvira existe inacabada e tem sua identidade formada a partir da comparação, subordinada à Agnes.

Foto: reprodução/Chlotrudis Independent Film Society

A fotografia lúgubre, que faz um uso maravilhoso de iluminação natural, e a trilha sonora agourenta contribuem para a construção de uma atmosfera opressiva e desagradável.

A adaptação triunfa quando direciona a câmera para o que há de feio e podre na mais bela imagem, quando segura a cena mesmo no limite do desconforto e nos faz ver o sangue e ouvir a fome insaciável de Elvira. Em A Meia-Irmã Feia, a fábula da Cinderela se revigora como um retrato grotesco e terrivelmente realista sobre o desamparo irrevogável das mulheres em um mundo em que, mesmo engolindo seus vermes e cortando o que não cabe, nenhuma pode ganhar.

O filme estreia nos cinemas nacionais dia 23 de outubro.

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Leia também: Twice completa 10 anos e prova que continua no topo do K-pop

 

Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz @analuztraduz

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Cinema Notícias

Documentário que conta a trajetória do TWICE chega aos cinemas em novembro

O longa celebra 10 anos de um dos maiores fenômenos do pop mundial

Depois do sucesso da animação Guerreiras do K-Pop (2025), o filme mais visto da história da Netflix, com 236 milhões de visualizações e sessões sing-along (tradução livre: cantar junto) lotadas, chega aos cinemas no dia 6 de novembro um novo destaque da cultura coreana: o documentário que revisita a trajetória do TWICE, um dos grupos femininos mais importantes do K-pop na atualidade.

O longa não é apenas um presente para os fãs, mas também um convite para que o público geral conheça o que está por trás da ascensão meteórica do gênero, que mistura espetáculo, disciplina e emoção em igual medida.

Foto: divulgação/Sato Company
Quem são as integrantes do TWICE?

Formado em 2015 pela JYP Entertainment, o TWICE reúne Nayeon, Jeongyeon, Momo, Sana, Jihyo, Mina, Dahyun, Chaeyoung e Tzuyu, nove artistas de diferentes nacionalidades (Coreia do Sul, Japão e Taiwan) que se tornaram sinônimo de carisma, talento e sincronia impecável.

O grupo debutou em um período de efervescência do K-pop conhecido como terceira geração, que consolidou o gênero fora da Ásia e ajudou a moldar o pop global no ano de 2010. Artistas como BTS, EXO, BLACKPINK, Red Velvet, GOT7, SEVENTEEN e MONSTA X também marcaram essa fase de ouro (2012–2018).

Enquanto alguns grupos buscavam expansão nos Estados Unidos, o TWICE se consolidava como um dos nomes mais populares da Ásia, especialmente no Japão e na Coreia do Sul. A base de fãs global, os ONCE, desempenhou um papel fundamental na difusão da cultura coreana pelo mundo.

Mais do que sucesso

O documentário prova que o K-pop é mais do que música: é uma produção cultural completa, que combina performance, moda, audiovisual e emoção.

Revelando bastidores de turnês e a rotina intensa das integrantes, o filme desmonta o mito da perfeição e mostra o lado humano do sucesso. Há cansaço, lágrimas e superação, mas também cumplicidade, amizade e amor genuíno pelo palco.

Para quem ainda não acompanha o K-pop, o longa funciona como uma porta de entrada para entender por que o mundo inteiro passou a falar e dançar em coreano.

O TWICE é, hoje, um dos grupos femininos mais bem-sucedidos da história da música asiática. No Brasil, o grupo atingiu um marco histórico em 2024 com dois shows esgotados no Allianz Parque, somando mais de 110 mil fãs em dois dias e consolidando o país como um dos maiores públicos do grupo fora da Ásia.

Apesar da grandiosidade, o documentário oferece intimidade. Ele fala sobre crescimento, amizade e a busca por equilíbrio entre vida pessoal e palco. Uma verdadeira celebração da humanidade, arte e identidade.

Sinopse

O documentário celebra dez anos do TWICE, fenômeno global do K-pop com hits como CHEER UP, TT e FANCY. A produção acompanha a trajetória do grupo desde a estreia até os bastidores da comemoração de uma década, com entrevistas inéditas e depoimentos emocionantes.

Mais do que um show, é uma homenagem à jornada das integrantes e ao amor dos fãs da base ONCE, que acompanharam cada passo do grupo.

Uma experiência única nas telonas para celebrar um dos maiores nomes do K-pop.

O longa chega aos cinemas em 6 de novembro, sendo uma produção da Sato Company.

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Leia também: TWICE completa 10 anos e prova que continua no topo do K-pop 

Texto revisado por Sabrina Borges de Moura

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Após cinco anos, Tame Impala retorna com Deadbeat, seu quinto álbum de estúdio

Novo disco do músico Kevin Parker mergulha na eletrônica, com explorações psicodélicas e dançantes

Tame Impala, projeto do músico australiano Kevin Parker, retornou, na última sexta-feira (17), com Deadbeat, seu quinto álbum de estúdio, acompanhado do lançamento do videoclipe da faixa de abertura My Old Ways. O novo trabalho marca o retorno do grupo após cinco anos, desde o lançamento de The Slow Rush.

Composto por 12 músicas, o novo álbum da banda navega em batidas eletrônicas, com explorações psicodélicas e dançantes. O álbum é inspirado pela cultura bush doof australiana, em especial pela cena local de Margaret River, no oeste da Austrália, nos anos 1990.

Deadbeat foi concebido em diversos locais ao longo dos últimos anos, principalmente entre a cidade natal de Kevin Parker, Fremantle, e seu estúdio Wave House, em Injidup, na Austrália Ocidental, durante o primeiro semestre deste ano.

Diferente das capas dos discos anteriores e em contraste com o título, Deadbeat traz uma foto em preto e branco do músico com a filha mais velha, Peach, de quatro anos. 

Parker já havia antecipado o trabalho com três singles: Loser, End of Summer e Dracula. Na última sexta-feira, além do lançamento do disco, o clipe da primeira faixa do álbum, My Old Ways, foi lançado. Dirigido por Kristofski, o vídeo apresenta o processo de gravação do disco em diferentes locais do mundo, com imagens em estilo cinéma vérité.

Tame Impala também marcou presença no Tiny Desk Concert, da NPR, divulgado no mesmo dia do lançamento do álbum. Parker apresentou versões ao vivo de duas músicas novas e cantou dois grandes hits da carreira: Borderline e New Person, Same Old Mistakes.

Neste mês, o artista iniciará a primeira turnê após Deadbeat, com quatro apresentações no Barclays Center, em Nova York. A tour terminará no dia 17 de novembro, com a última de três noites no Kia Forum, em Los Angeles. Tame Impala também também passará pelo Reino Unido e Europa, em 2026. 

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Texto revisado por Ketlen Saraiva

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Entrevista | Jade Mascarenhas reflete sobre o papel do cinema de resgatar e elaborar a memória nacional

A artista, que tem dois filmes no Festival do Rio, contou para o Entretê sobre atuais projetos e como eles dialogam como o passado brasileiro

Por meio de diferentes formatos e linguagens, Jade Mascarenhas é uma artista que se revela cada vez mais talentosa e interessada em assumir a responsabilidade de contar histórias. A atriz despontou através de curtas de comédia na internet, principalmente com o vídeo Panteras do Lula em 2022, e vem conquistando espaço na televisão, no teatro e no cinema.

Desde o começo de outubro, Jade está em cartaz com o espetáculo francês Toc Toc, que centraliza seis personagens diagnosticados com Transtorno Obsessivo-Compulsivo na sala de espera de um consultório médico. Além disso, nas últimas semanas, a atriz esteve presente no Festival do Rio para acompanhar a premiére de dois de seus projetos mais recentes: A Própria Carne e Homem de Ouro, filmes que retratam diferentes momentos históricos do Brasil.

Em meio a todas essas atividades, Jade conversou com o Entretê sobre ambições, desafios de fazer cinema no Brasil e a necessidade de continuar a contar histórias sobre o passado do nosso país.

Confira a entrevista abaixo:

Entretetizei: Com 26 anos, você já se revelou uma atriz muito versátil, participando de curtas de comédia, séries, novelas, espetáculos e filmes. Como é para você transitar entre esses diferentes meios de contação de histórias? E qual é, na sua visão, a principal diferença entre fazer cinema, televisão e teatro?

Jade Mascarenhas: Acho que a gente como ator deveria se interessar pela vida constantemente e por todas as formas de se contar histórias. Eu amo teatro, cinema, stand-up, dança, internet.

Achar que existe hierarquia entre as formas de se contar história, é a meu ver um pouco elitista. Existem, por exemplo, atrizes brilhantes na internet que nunca tiveram espaço no audiovisual, mas estão realizando suas missões de contar histórias com vigor, num lugar com tanto público quanto TV, mas é outra linguagem.

É legal ter feito de tudo um pouco, são coisas diferentes mas que se complementam enquanto prática. E eu comecei no independente, fazendo produção, edição, roteiro, atuação… Importante se auto produzir. Me sinto uma atriz mais forte depois de testar tudo.

Jade Mascarenhas
Foto: divulgação/Assessoria/Gabriel Mendes

E: A Própria Carne se passa durante a Guerra do Paraguai, e acompanha três soldados desertores que encontram uma casa cheia de segredos. Como o contexto político do filme impacta a história?  

JM: A guerra do Paraguai foi a maior guerra da América do Sul e, assim como todas as guerras, nada resta para a população além do pânico. Os arruinados num país em guerra não são só os soldados, muitas vezes obrigados a servir, e sim toda a população – vemos o que tá acontecendo em Gaza, por exemplo.

Mas a tecla que batemos muito quando falamos sobre o filme é que a história não aconteceu, é ficção, mas poderia acontecer. Numa época em que a liberdade não é mais um direito, todos se tornam, ao mesmo tempo que vítimas, agentes de uma desgraça inevitável, mas estamos falando de dois soldados brancos e um preto, além de uma mulher e um idoso. 

A Própria Carne é um terror inevitavelmente de época e racial. Acredito que por si só a guerra já é um terror e todos os filmes que a tratem deveriam automaticamente se enquadrar nesse gênero.

E: Grande parte das produções da sua carreira, até agora, foi conduzida pelo humor. Você já comentou que interpretar a Natália, em Elas por Elas, foi importante para sua transição para o drama. Agora, em A Própria Carne, você encara um novo desafio com um longa de terror. Como foi o processo de compor a personagem da Garota no filme? Houve algum desafio específico nesse papel?

JM: Quando passo num trabalho, nunca minha intenção inicial é brilhar, e sim ajudar o projeto, pois cada um é uma peça que que vai entrar no meio daquela engrenagem para girar melhor. Quando me chamaram pra fazer o filme dei o melhor de mim, porque além de tudo era uma oportunidade fantástica e sem igual de explorar um gênero novo, uma atuação diferente e me versatilizar como atriz. Foi divertido, ousado e desesperador.

Foto: divulgação/Assessoria/Gabriel Mendes

E: A Própria Carne é um filme independente e sabemos que o Brasil ainda tem políticas frágeis e insuficientes de fomento à cultura nacional. Como você enxerga esse cenário e as dificuldades de contar histórias no nosso país?

JM: Tenho muito orgulho de fazer parte de um projeto independente, de nicho, em que os idealizadores se juntarem e, movidos pela paixão, fizeram um filme. Mas na prática não deveria ser assim. A gente tira dinheiro do próprio bolso quando no horizonte não tem nenhuma perspectiva.

O que acontece é que esses editais e leis não são simples: envolvem uma burocracia enorme, prazos longos, e nem sempre contemplam a diversidade de vozes e formatos que o país produz. E quando há períodos de desmonte, como a gente viveu recentemente, o impacto é devastador. 

Fazer audiovisual no Brasil é um ato de insistência, resistência e fundamental para formação de uma narrativa plural.

E: Em Homem de Ouro, acompanhamos a história de Mariel Mariscot, um ex-policial envolvido com o crime organizado nas décadas de 1960 e 70. Como foi o seu processo para construir a personagem da Soninha?

JM: Sônia é uma pessoa real assim como as outras pessoas do filme, mas como não era midiática, poucos registros se tem dela. Confiei muito no diretor, Mauro, que me sugeriu a temperatura dela a partir das conversas que ele mesmo teve dentro das suas pesquisas intermináveis. Mas em geral, quis me divertir com essa adolescente debochada e revolucionária.

E: Homem de Ouro faz parte de um momento em que o cinema nacional parece interessado em revisitar o período da ditadura militar. Na sua opinião, por que é importante continuar contando essas histórias hoje?

JM: O Brasil ainda não parece ter elaborado o trauma da ditadura. Existe um apagamento histórico, marcas profundas, falta de responsabilização. 

Contar essas histórias é uma forma de impedir que a violência ou a contravenção sejam normalizadas e manter a memória viva. Filmes são muito poderosos, no sentido de elaborar essas coisas.

E: Outubro está sendo um mês intenso para você: dois filmes no Festival do Rio e o espetáculo Toc Toc em cartaz, que vem sendo muito bem recebido. Como tem sido essa experiência de estar em cena com a mesma personagem por tanto tempo?

JM: Fazer teatro é um exercício de repetição.

Retornar aos palcos foi a melhor coisa que aconteceu esse ano. O teatro é um lugar do momento presente e eu adoro a magia que fazemos quando estamos juntos todo o elenco no palco. É muito divertido.

Foto: divulgação/Assessoria/Gabriel Mendes

E: Como falamos no início, você é uma artista versátil e já participou de muitos projetos incríveis. Mas que tipo de projeto ainda te dá vontade de fazer? Tem algum spoiler do que vem por aí para dividir com a gente?

JM: Tem muita coisa acontecendo, mesmo. Não tenho vontade de fazer coisas específicas porque existem uma série de coisas que ainda não fiz. Cada projeto é um desafio. O que eu quero é ter sempre um projeto mais desafiador que o outro para eu não ficar na zona de conforto. Se bem que seria legal fazer uma vilã, mas acredito que é o sonho de toda atriz, porque de fato parece ser muito divertido.

Serviço

A Própria Carne – estreia 30 de outubro

Homem de Ouro – em breve nos cinemas

Espetáculo Toc Toc:

  • 25 e 26 de outubro: Teatro Colinas – São José dos Campos (SP)
  • 31 de outubro a 18 de janeiro: Teatro dos 4 – Rio de Janeiro (RJ)

 

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Leia também: Coletiva revela bastidores, personagens e ambições de Três Graças

 

Texto revisado por Simone Tesser @simone_alleotti 

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Entretenimento Notícias

Parceria entre grandes streamings é anunciada

  A seção traz filmes e séries inéditos para a plataforma 

 

Substituindo a aba Star em todo mercado global, a Disney+ anunciou seu novo parceiro: o streaming Hulu. O intuito é continuar cumprindo seu compromisso com os fãs em garantir muita diversão e abranger, cada vez mais, todas as idades. 

Foto: reprodução/Disney+
Foto: reprodução/Disney+

O Hulu já está disponível na plataforma de streaming. Para a sorte dos amantes de séries e filmes, essa seção está recheada de famosas produções, desde a saga romântica que enfrenta a força do tempo, Outlander: Blood of My Blood, até a busca incansável por justiça na série A História Distorcida de Amanda Knox.

O catálogo não deixa a desejar! No conforto da sua casa, vários outros enredos estão a serviço da sua noite de lazer com pipoca. Exclusivamente no Disney+, a chegada do canal traz a quarta temporada de O Urso, o drama, com toques de comédia, que conta a história do jovem chef Carmen Berzatto lidando com as demandas de viver no século da urgência.

Foto: reprodução/Disney+

Hulu, segue a proposta da experiência mais diversa. Para aqueles que adoram o gênero true crime, podem acompanhar os personagens de Selena Gomez, Steve Martin e Martin Short, na série Only Murders in the Building, que esperavam tudo, menos que um dia estariam envolvidos em um crime na vida real. 

Foto: reprodução/Disney+

Além dessa, as aventuras de Washington Black e Uma Mente Excepcional são perfeitas para dias em que precisamos de inspiração.

O catálogo da marca conta também com as emoções da série Paradise, os mistérios da primeira temporada de Crime de uma Dinastia: O Caso Murdaugh, o filme Deu Match: A Rainha de Apps de Namoro, inspirado na engenhosidade e sagacidade da mulher fundadora de aplicativos de romance, e a série premiada The Handmaid’s Tale

Foto: reprodução/Disney+

Para todos que acompanharam as histórias da Disney até que se tornasse um streaming relevante, que, hoje, engloba conteúdos exclusivos, como live-actions de animação, documentários, séries, além de transmissões ao vivo de eventos culturais e esportivos, nos parceiros ESPN, Pixar, Marvel, Star Wars e National Geographic, agora podem contar também com o Hulu, apenas no Disney+.

 

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Leia também: Clássicos modernos: 11 obras que marcaram o cinema no século XXI

 

Texto revisado por Ketlen Saraiva @lapidando_palavras

 

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Cultura asiática Especiais Música Notícias

TWICE completa 10 anos e prova que continua no topo do K-pop

Entre conquistas, recordes e muita emoção, o grupo que redefiniu a indústria celebra uma década de sucesso global e conexão com os fãs

 

 

Início de um sonho

Formado pela JYP Entertainment, empresa pioneira na indústria do entretenimento asiático, o TWICE é o resultado final do reality show Sixteen. O programa reuniu 16 trainees que competiam entre si em diversos aspectos. Diferentemente de outros realities, as participantes foram avaliadas não apenas por suas habilidades de canto e dança, mas também pelo carisma e pela personalidade.

Com dez episódios, o reality contou com trainees de países como Japão, Taiwan, Canadá e Tailândia. Mesmo sem conquistarem uma vaga na formação final, algumas participantes alcançaram o sucesso posteriormente, entre elas Somi (ex-I.O.I e solista), Chaeyeon (ex-IZ*ONE e solista), Chaeryeong (ITZY) e Natty (Kiss of Life).

Foto: reprodução/Grammy

Amado por milhares de fãs, o grupo mantém sua formação original, composta por cinco coreanas — Chaeyoung, Dahyun, Jeongyeon, Nayeon e Jihyo (a líder) —, pelo extraordinário trio japonês Momo, Sana e Mina, e pela taiwanesa Tzuyu, a maknae do grupo.

O sucesso astronômico

No dia 20 de outubro de 2015, o TWICE lançou seu primeiro projeto, The Story Begins, tendo Like OOH-AHH como title track. Mesmo com um desempenho inicial morno, a música acabou se tornando um sleeper hit ao longo dos meses. O sucesso nacional veio em 2016 com o smash hit CHEER UP, que varreu todas as premiações do país. Naquela época, era impossível encontrar alguém na Coreia do Sul que não cantasse o icônico verso “Shy Shy Shy”. O trabalho seguinte, Twicecoaster: Lane 1, foi o álbum feminino mais vendido de 2016, permanecendo no topo das paradas por quatro semanas consecutivas.

No Japão, a trajetória não foi diferente. Em 2017, o grupo fez sua estreia japonesa com o lançamento da coletânea #TWICE, que alcançou a segunda posição no Oricon Albums Chart, o ranking mais importante da indústria musical japonesa, e quebrou o recorde de maiores vendas de um álbum de artista de K-pop no país em dois anos.

Foto: reprodução/Oricon

Apenas 19 meses após a estreia, o TWICE já havia vendido mais de 1,2 milhão de cópias com apenas quatro EPs e um álbum especial. Com mais de 20 milhões de unidades comercializadas ao longo de dez anos, o grupo se tornou o girl group de K-pop mais vendido de todos os tempos. Fadadas ao sucesso, as integrantes receberam dos coreanos o título de Nation’s Girl Group.

Elas não brincam em serviço

Se tem uma coisa com a qual o TWICE não brinca é com as performances. Conhecido pela inabalável presença de palco, o grupo realiza turnês nos maiores estádios do mundo, chegando a esgotar cerca de 70 mil ingressos por apresentação. Só no último ano, as integrantes se apresentaram no Nissan Stadium, no Japão, com capacidade para 72 mil pessoas, tornando-se o primeiro grupo de K-pop a fazer um show no local.

O girl group não se limita à Ásia. Com a carreira em ascensão nos Estados Unidos, o TWICE já se apresentou em diversas cidades, como Seattle, Los Angeles, Dallas e Nova York. Em 2025, as integrantes protagonizaram outro feito histórico: tornaram-se o primeiro artista de K-pop a ser headliner do Lollapalooza, em Chicago. Eleito o melhor espetáculo da noite, o show do TWICE consolidou o grupo, diante de um público de mais de 115 mil pessoas, como uma das principais forças do pop ao vivo na indústria ocidental.

Com passagens por pelo menos 25 países, o Brasil não ficou de fora. Em fevereiro de 2024, o TWICE trouxe ao país a turnê Ready to Be e deixou os ONCEs brasileiros à beira da loucura. O sucesso foi tanto que a data inicial, 6 de fevereiro, esgotou rapidamente, levando o Allianz Parque a abrir uma data extra no dia seguinte, quarta-feira (7).

Foto: reprodução/JYP Entertainment
Ícones globais

Com uma lista extensa de hits como FANCY, LIKEY, What is Love? e TT, além de diversas entradas na Billboard Hot 100 e colaborações com grandes nomes da indústria, como Saweetie e Coldplay, o TWICE é o primeiro girl group a vender 1 milhão de cópias nos Estados Unidos e segue uma trajetória sólida e inabalável que continua conquistando milhares de pessoas pelo talento e carisma de suas integrantes.

No último ano, o TWICE mostra que o sucesso é, acima de tudo, estratégico. Com o single Strategy, com participação da rapper Megan Thee Stallion, o girl group alcançou a 51ª posição na Hot 100, permanecendo por sete semanas no chart. Além de estrear no Top 5 da Billboard 200 com quase 90.000 cópias. O videoclipe super cativante já conta com mais de 100 milhões de visualizações.

Foto: reprodução/Chicago Sun-Times

O grupo também marcou presença no filme mais comentado do ano: Guerreiras do K-pop. Em uma colaboração das membros Jihyo, Jeongyeon e Chaeyoung, a música Takedown faz parte da trilha sonora chiclete da nova animação da Netflix. No filme, a música tem um papel central e é interpretada como uma poderosa resposta para o boy group rival das HUNTR/X, o Saja Boys.

Para celebrar a carreira, o grupo lançou um álbum especial de dez anos, intitulado TEN: The Story Goes On, que reúne faixas solo de cada integrante, além do single ME+YOU. O clipe traz diversas referências à trajetória do grupo ao longo da década e despertou nostalgia nos fãs mais antigos. Ainda como parte das comemorações, o TWICE realiza sua quarta turnê mundial intitulada This is For, que atualmente conta com 73 shows programados, ainda sem datas confirmadas para a América do Sul.

 

E aí, temos algum ONCE de plantão? Conta pra gente e siga o Entretetizei nas redes sociais — Facebook, Instagram e X — e não perca as novidades do mundo do entretenimento.

 

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Texto revisado por Alexia Friedmann

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