Cillian Murphy retorna como Tommy Shelby no novo filme
Peaky Blinders: O Homem Imortal é um filme que continua a série Peaky Blinders. A direção é de Tom Harper e tem o roteiro escrito por Steven Knight. A produção estreia na Netflix no dia 20 de março de 2026.
Foto: reprodução/Rolling Stone Brasil
O elenco traz Cillian Murphy (Oppenheimer) Rebecca Ferguson (Duna), Tim Roth (Cães de Aluguel), Sophie Rundle (After the Flood), Barry Keoghan (Saltburn) e Stephen Graham (Adolescência).
O filme se passa em 1940 em Birmingham, em meio ao caos da Segunda Guerra Mundial, quando Tommy Shelby volta do exílio voluntário para seu acerto de contas mais violento até agora. Com o futuro da família e do país em jogo, ele precisa encarar os próprios demônios e decidir se vai confrontar seu legado ou destruir tudo. Por ordem dos Peaky Blinders…
Confira o pôster:
Foto: divulgação/Netflix
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Novo spin-off de Guerra dos Tronos estreia em janeiro de 2026
O Cavaleiro dos Sete Reinos é uma série baseada no livro O Cavaleiro Andante (1998), de George R. R. Martin. Vai ser estrelada por Peter Claffey e Dexter Sol Ansell. A produção terá seis episódios e a estreia será no dia 19 de janeiro de 2026 na HBO e no streaming HBO Max.
Foto: divulgação/Rolling Stone Brasil
Durante a CCXP25 Brasil, a série teve um painel no Palco Thunder. Moderado por Carol Moreira e Valentina Pulgarín, os atores protagonistas também marcaram presença. Eles compartilharam as histórias de bastidores, curiosidades das filmagens e insights sobre o processo criativo, além de falarem sobre sua química dentro e fora de cena e a experiência de dar vida a personagens queridos pelos leitores de O Cavaleiro Andante.
O elenco da produção também conta com Daniel Ings como Sor Lyonel Baratheon, Bertie Carvel como Baelor Targaryen, Danny Webb como Sor Arlan de Pennytree, Sam Spruell como Maekar Targaryen, Shaun Thomas como Raymun Fossoway, Finn Bennett como Aerion Targaryen, Edward Ashley como Sor Steffon Fossoway, Tanzyn Crawford como Tanselle, Henry Ashton como Daeron Targaryen, Youssef Kerkour como Steely Pate, Tom Vaughan-Lawlor como Plummer e Daniel Monks como Sor Manfred Dondarrion.
Durante o evento, também foi divulgado o trailer final que traz novas cenas da jornada de Sor Duncan e Egg, destacando o tom heroico, aventureiro e emocional da série.
Confira o trailer:
Veja também a sinopse:
Um século antes dos acontecimentos de Guerra dos Tronos, dois heróis infelizes vagavam por Westeros… um jovem cavaleiro ingênuo, mas corajoso, Sor Duncan, o Alto (Claffey), e seu pequeno escudeiro, Egg (Ansell).
Ambientada em um período em que a dinastia Targaryen ainda governa o Trono de Ferro e a lembrança dos últimos dragões permanece, O Cavaleiro dos Sete Reinos acompanha os primeiros passos da dupla improvável enquanto eles viajam por Westeros, enfrentando perigos, alianças inesperadas e aventuras que moldarão seus destinos.
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Ao transformar empatia em força narrativa, o filme revela novas camadas sobre o feminino e seus espaços possíveis
A nova adaptação de Frankenstein da Netflix chega em um momento em que o debate sobre a representação feminina nunca esteve tão vivo e tão saturado. Há décadas, a literatura gótica e o cinema de horror trabalham as mulheres como figuras de função: a mãe que acolhe ou a amante que redime. São papéis que carregam força simbólica, mas que limitam tudo o que uma personagem pode ser. E é justamente nesse ponto que nasce a potência da nova Elizabeth.
Foto: reprodução/Netflix
A personagem não entra na narrativa para cumprir uma única função, mas sim para deslocar as expectativas. Ela se move em fronteiras onde a ficção raramente deixa mulheres existirem: é curiosa, racional, sensível, intelectual e espiritualizada – tudo ao mesmo tempo. Essa multiplicidade não é um excesso; é uma reivindicação.
Um olhar feminino que nunca foi neutro
Foto: reprodução/Editora DarkSide Books
É impossível discutir o filme Frankenstein sem lembrar que o romance original nasceu da mente de Mary Shelley, uma mulher que refletiu sobre o medo, a criação, a solidão e a responsabilidade em uma época em que esses temas eram considerados propriedade dos homens. A nova adaptação, ao colocar Elizabeth no centro do conflito moral e emocional da história, ecoa essa origem feminina que tantas leituras, ao longo dos séculos, apagaram.
Foto: reprodução/TV Cultura
Durante muito tempo, as mulheres na ficção foram convocadas a sentir, enquanto os homens eram autorizados a pensar, a criar, a errar e a destruir. Todavia, Elizabeth rompe essa divisão. Seu olhar não é maternal por fragilidade, nem romântico por idealização: é um olhar treinado pela ciência e moldado por uma sensibilidade que não se permite ser diminuída.
Empatia como linguagem, não como destino
Um dos aspectos mais instigantes da personagem é a forma como ela percebe a Criatura. Não como um erro ou ameaça, mas como algo que merece ser compreendido. Essa resposta não deriva de um instinto maternal, como tantas narrativas tentam justificar. Surge de uma ética científica e existencial: Elizabeth enxergou beleza no que o mundo descartou muito antes de topar com a Criatura.
Foto: reprodução/Netflix
Essa empatia nasce da maneira como ela lê o invisível. Ela é uma naturalista fascinada por organismos minúsculos, frágeis e efêmeros – e isso não é apenas um detalhe, é um posicionamento filosófico. Para ela, o pequeno importa. A existência importa. A diferença importa.
Foto: reprodução/Netflix
Quando a Criatura lhe oferece uma simples folha, o gesto é mais do que ternura. É reconhecimento. É um encontro entre dois seres acostumados à incompreensão: a Criatura por ser um corpo impossível; Elizabeth por viver em um mundo que questiona cada espaço que ela ocupa.
Romance e espiritualidade: camadas que se recusam a se excluir
Foto: reprodução/Netflix
Ao mesmo tempo, o filme não recusa o romance. Ele o assume como uma energia gótica, trágica e densa, que não se encaixa em moldes convencionais. É uma identificação que não nasce da idealização do outro, mas da consciência de que ambos são deslocados, feridos e buscam um tipo de sentido em uma sociedade que teima em lhes negar esse direito.
Foto: reprodução/Netflix
E, para além disso, existe a dimensão espiritual. Elizabeth carrega uma inquietação que antecede Victor Frankenstein. Há uma busca por transcendência, por respostas que unem ética, fé e curiosidade – elementos historicamente negados às mulheres, que foram ensinadas a sentir, mas jamais a questionar o divino ou o desconhecido.
A recusa em caber no papel
O mais interessante é que o filme não tenta definir Elizabeth. Ele não escolhe entre mãe, amante, cientista ou devota. Ele não força um destino, não moraliza suas decisões e não simplifica sua presença.
Foto: reprodução/Netflix
Em vez disso, ele expõe algo que raramente vemos representado: a complexidade do feminino como força narrativa. Elizabeth é uma mulher que pensa e sente, que acolhe e confronta, que ama e observa, que vê beleza e vê perigo. Ela é contradição, nuance e densidade – atributos tradicionalmente reservados aos protagonistas masculinos.
Foto: reprodução/Netflix
Talvez a maior ousadia da adaptação esteja exatamente nisso: permitir que uma mulher exista em todas as esferas ao mesmo tempo, sem ser punida pela narrativa e sem precisar escolher um papel definitivo.
O que o novo Frankenstein nos diz sobre o agora
A história funciona como espelho do que ainda esperamos das mulheres no século XXI. Queremos que compreendam tudo, cuidem de tudo, sintam tudo. Queremos que sejam bússolas morais, musas românticas, guardiãs emocionais. Contudo, raramente permitimos que sejam complexas sem justificativa.
Foto: reprodução/Netflix
Elizabeth desconstrói esse roteiro restrito. Ela se move entre o racional e o afetivo sem pedir desculpas. Ela ama e confronta. Ela acolhe e analisa. Ela vê humanidade onde ninguém quer ver e, ao mesmo tempo, enxerga a monstruosidade no que é humano demais.
A nova adaptação de Frankenstein não redefine apenas a Criatura: redefine a mulher que ousa enxergá-la.
Foto: reprodução/Netflix
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Nova temporada chega em abril de 2026 com Rosalía e Sharon Stone
A HBO finalmente colocou fim à espera dos fãs: a terceira temporada de Euphoria chega em abril de 2026 na HBO e na HBO Max.
A confirmação veio durante uma apresentação da empresa em Londres, reforçando que a nova fase da série será a mais ambiciosa até agora.
Além do elenco principal, que traz de volta Zendaya, Jacob Elordi, Sydney Sweeney, Hunter Schafer e outros nomes que marcaram a produção, a temporada amplia seu universo com adições de peso.
Rosalía fará sua estreia como atriz, enquanto Sharon Stone deve interpretar uma produtora ligada à jornada de Lexi (Maude Apatow).
A trilha sonora também promete ser um dos destaques: Hans Zimmer se une novamente a Labrinth na construção musical da série, trazendo uma assinatura cinematográfica ainda mais marcante.
Sob o comando de Sam Levinson, que retorna como criador, roteirista e diretor, a produção segue em parceria com a A24. O projeto mantém o tom autoral e visual característico que transformou Euphoria em um fenômeno global.
Com a confirmação da data e as grandes novidades no elenco, a terceira temporada de Euphoria se tornaa uma das estreias mais esperadas de 2026.
Qual o seu personagem favorito em Euphoria? Conta pra gente o que achou! Siga o Entretetizei nas redes sociais – Facebook, Instagrame X – e não perca as novidades do mundo do entretenimento.
Em conversa exclusiva, a multiartista abre caminhos para entender como afeto, ancestralidade e poesia moldam Ojiisan e seu percurso nipo-brasileiro
Lina Tag se consolidou como uma das vozes amarelas mais potentes e singulares da nova cena artística brasileira. Multiartista, cantora e compositora, ela constrói sua obra a partir de uma combinação rara de sensibilidade, rigor estético e imaginação política, sempre atravessada pelas camadas da identidade asiático-brasileira. Desde AMARELA (2019) — clipe-manifesto que virou referência em debates acadêmicos na PUC-SP, USP e em pesquisas culturais — Lina expandiu sua presença para projetos que marcaram a produção contemporânea: da participação em O Meu Avô Nihonjin à abertura e encerramento do desfile da Shitsurei na Casa de Criadores 2025, passando pelo espetáculo Nipobrasilidades, no Sesc 24 de Maio, e pela peça Muitas Ondas São o Mar.
Em cada trabalho, ela reafirma uma vocação para narrar o que muitas vezes passa despercebido: as sutilezas do pertencimento, as fricções da racialização e a delicadeza de viver entre culturas.
Agora, Lina encerra o ano com Ojiisan, seu novo single autoral e o último capítulo de uma série de lançamentos mensais. A faixa revisita uma memória de infância — uma criança e seu avô dividindo um bentô sob olhares julgadores — e a transforma em poesia, atravessada por lirismo, surrealismo e afeto.
Gravada ao vivo, sem cortes, dentro de um processo imersivo de 24 horas no Estúdio Central, a obra reúne uma equipe diversa e profundamente conectada à estética amarela contemporânea, incluindo Luciana Elias, Marcella Maiumi, Rômulo Fernandes e Lara Florence.
Além da música, Ojiisan ganha também uma animação de um minuto assinada por Adriana Seraphico, que expande a memória e eterniza a presença do avô da artista. Nesse contexto, Lina abre sua criação, suas lembranças e suas inquietações, e é justamente sobre essas camadas que ela fala, em profundidade, na entrevista a seguir. Confira:
Entretetizei: Ojiisan retrata uma criança e seu avô dividindo um bentô sob olhares julgadores. Como essa cena específica, tão cotidiana e ao mesmo tempo tão simbólica, te ajudou a articular vivências de racialização amarela que atravessam a infância nipo-brasileira?
Lina Tag: Acho que as vivências nipo-brasileiras são muito plurais e cheias de singularidades, até porque cada pessoa tem a sua história, a sua ascendência e sua mistura cultural. Mas, no meu caso, essa cena da minha infância, comendo “bentô japonês” com meu avô e sendo estranhada por colegas e pais de colegas, configurou a primeira memória de raça que tenho em mim, que eu me recorde, claro.
Naquele momento me lembro de um desconforto muito específico, que foi se repetindo ao longo da minha vida, seja na adolescência, quando eu era fetichizada e hipersexualizada por ser amarela, na minha carreira, quando me disseram que eu nunca poderia assumir um papel de protagonista por ser uma artista amarela, e por aí vai. Depois de adulta, após me familiarizar com a discussão sobre racialidade, me perguntei: Qual será a minha primeira memória étnico racial? Quando essa sensação de estar sendo racializada se apresentou pela primeira vez na minha história? E então me veio em mente esse momento com meu avô, aos meus oito anos, sentada no pátio do colégio.
E: A gravação do disco — ao vivo, sem cortes, em 24 horas — transforma cada faixa em uma performance radical de presença e vulnerabilidade. O que esse processo revelou sobre a sua relação com memória, verdade e risco artístico?
LT: Nossa ideia nessa gravação era poder entregar um material vivo e muito humano pra quem assistisse e ouvisse, por isso, foi importante que não houvesse cortes ou edição, tanto nas músicas quanto nos vídeos. Acho que todos os integrantes da nossa equipe artística têm esse fascínio pela crueza da vida na cena, porque, afinal, a vida já é muito, não precisamos inventar nada em cima de algo que já é tão rico e cheio de material humano. Então o nosso trabalho gira em torno de dar espaço para que esse material da própria vida possa aparecer ali, o que, por incrível que pareça, não é tão fácil de se fazer, apesar de ser algo simples. Em resumo, acho que nós gostamos de nos desdobrar profundamente e de forma dedicada para que possamos encontrar essa simplicidade humana em cena.
E: Sua trajetória tem sido marcada por obras que abordam identidade e pertencimento, desde AMARELA até Ojiisan. Como você percebe a evolução da sua própria voz enquanto artista amarela ao longo desses anos?
LT: Quando lancei AMARELA acho que as discussões étnico-raciais amarelas ainda não estavam tão populares na grande mídia. Percebo hoje um cenário diferente, com muitas vozes somando na discussão e artistas amareles ocupando cada vez mais espaço nos palcos e telas. É claro que ainda existe um longo caminho a ser percorrido e que ainda estamos muito no início dessa nossa participação efetiva e naturalizada no mercado cultural brasileiro, mas hoje vejo um movimento acontecendo e isso me alegra muito. Fico feliz de ainda seguir produzindo meu trabalho nipo-brasileiro nesse contexto cada vez mais consistente e forte no nosso mercado, com cada vez mais vozes e pontes sendo construídas.
Foto: divulgação/ Lina Tag
E: Projetos como O Meu Avô Nihonjin, Nipobrasilidades e a peça Muitas Ondas São o Mar colocam corpo, voz e narrativa amarela no centro da criação. Como trabalhar dentro dessas produções coletivas transformou seu entendimento da experiência nipo-brasileira?
LT: Foi uma grande honra ter tido a oportunidade de trabalhar com tantos artistas amarelos maravilhosos, sejam eles cantores, atores, performers, dubladores e, acho que em cada uma das experiências tive a oportunidade de aprender muito a partir do encontro com histórias e vivências étnico-raciais diferentes. Percebi o quanto a nossa cultura nipo-brasileira é compartilhada e divide um imaginário afetivo.
No filme “O meu avô nihonjin” convidei minha amiga Marcella Maiumi (Estilista da Shitsurei) para assistir a pré-estreia comigo e, quando eu olhei pra ela, ela estava em lágrimas… lembrou da sua avó e das histórias da sua família e percebi que temos muitos pontos em comum entre nós, nipo-brasileires. Na peça “Muitas Ondas São o Mar” já nos deparamos com as divergências e complexidades dessa vivência nipo-brasileira e uchinanchú-brasileira (Okinawana), olhamos bastante para esse Japão imperialista e sobre as questões políticas que também repercutem no nosso processo de racialização como nipo-brasileires. E, no show Nipobrasilidades, pudemos celebrar essa nossa pluralidade étnico racial, com um olhar politizado sobre o mundo que desejamos construir, não só pensando em todo o tipo de diversidade e inclusão, mas desejando o fim das opressões e etnocídios promovidos pelo capitalismo.
E: AMARELA gerou debates em instituições como PUC-SP e USP e inspirou trabalhos acadêmicos. Que impacto tem pra você perceber que sua obra passou a construir pensamento dentro dos estudos culturais brasileiros?
LT: Eu me sinto muito feliz e honrada por ter a música AMARELA desde sempre gerando debates, sendo citada em teses, artigos e aulas. Cultura e Educação andam juntas e se necessitam sempre. E pra mim, perceber os meus trabalhos veiculando em espaços de produção de conhecimento é um ótimo sinal, pois a minha motivação enquanto artista é me desdobrar sobre as questões do mundo através da arte, criando provocações, percepções e formas poéticas que falam sobre aquilo que é humano e, o espaço acadêmico é um espaço para pensar sobre essas mesmas inquietações, então fico feliz que meu trabalho possa contribuir com boas discussões e se ampliar nas salas de aulas e trabalhos acadêmicos, assim como também acho importante eu me alimentar daquilo que é produzido dentro da academia.
E: Em Ojiisan, lirismo e surrealismo se misturam para tratar de afeto e julgamento racial. O que essa combinação estética permite dizer que talvez a linguagem documental, direta ou puramente realista não daria conta?
LT: Eu sinto que as experiências muitas vezes não cabem por completo em lógicas racionais e cartesianas. Às vezes, eu penso que os seres humanos são como um emaranhado bagunçado de sentidos, memórias e fantasias sobre o mundo e sobre si mesmos. É até meio risível, se parar pra pensar. rs. Mas acho que essa linguagem surrealista e poética abre espaço para que essa “bagunça humana’’ que nós somos apareça e inclusive seja honrada, aceita e acolhida.
Na música Ojiisan, por exemplo, a narrativa se passa no pátio da escola, uma criança e seu avô comendo um bentô e sendo observados. Essa imagem é uma memória muito real e fiel ao que eu vivi na minha história. Agora, as diversas falas desse avô, que vão sendo ditas para essa criança, fazem parte de uma coletânea de memórias e falas do meu avô que escutei ao longo de várias épocas diferentes da minha vida, não só naquele momento da infância no pátio da escola. Então essa canção, na sua forma mais surrealista, permite que essas diversas falas conflitantes e de várias épocas diferentes possam coexistir naquele cenário de infância, quase como se fosse um sonho étnico-racial, em que as histórias se atravessam, se confundem e se misturam.
Foto: divulgação/Lina Tag
E: Sua colaboração com artistas como Luciana Elias, Marcella Maiumi, Rômulo Fernandes, Lara Florence e Adriana Seraphico forma um ecossistema criativo diverso. O que significa, pra você, construir uma obra que nasce do encontro entre tantas perspectivas sensíveis, técnicas e culturais?
LT: Pra mim, em praticamente todos os meus processos artísticos existe uma construção coletiva muito fundamental e que, ao meu ver, faz toda a diferença no resultado de cada trabalho. Eu acho extremamente rico quando diferentes olhares artísticos se juntam e se alimentam mutuamente. Esse processo de gravação do disco acústico, por exemplo, foi uma experiência imersiva interessante, na qual oito artistas mergulharam na pesquisa e execução do projeto, cada um sob a ótica do seu fazer artístico e levantando a gravação de um disco performático inteiro em apenas 24h. Os nossos sets e sessões de gravação normalmente tem uma energia muito criativa, leve e gostosa, mesmo que na maioria das vezes os assuntos das nossas obras sejam duros e exigentes artisticamente. E acho que além dessa competência coletiva que se constrói a partir da entrega individual de cada artista envolvido nos projetos, essa energia leve, que circunda os nossos dias de trabalho, também nutre o processo artístico de uma forma curiosa.
E: O processo de registrar som e imagem em uma única tomada cria uma espécie de documento vivo. Como essa forma de criação dialoga com a sua busca por autenticidade e com a urgência de afirmar narrativas amarelas no Brasil?
LT: Eu sempre gostei desse processo mais cru, bruto, que busca um lugar verdadeiro, íntegro e alinhado com aquilo que é humano, em todas as suas imperfeições, dramas e excentricidades. Sendo uma pessoa amarela e buscando essa forma de criar viva, humana, pude trazer provocações interessantes pra esse imaginário estereotipado e superficial em relação a produções artísticas amarelas. Acredito que é quase uma tentativa de desmascarar a ideia fantasiosa de que nós, pessoas racializadas, não temos humanidade, complexidade ou direito de colocar em cena uma narrativa complexa e cheia de contradições. No audiovisual, por exemplo, quem vive os dilemas e contradições internas é a figura do protagonista, que, no caso, é quase sempre uma pessoa branca dentro de todos os padrões normativos. Isso, ao meu ver, já diz muito sobre como esse mercado artístico delimita quais corpos que têm direito às suas narrativas profundas, complexas e humanas, por assim dizer, e quais corpos estão simplesmente a serviço de uma outra narrativa, que não a sua própria.
E: A animação de um minuto que acompanha Ojiisan expande a música para outra linguagem sensível. O que você enxerga nessa transposição audiovisual que complementa — ou até reescreve — a relação entre a criança e o avô?
LT: A animação, feita pela designer Adriana Seraphico em colaboração com a designer Lina Ito e o roteirista André Seraphico, deu uma outra vida para a música Ojiisan! As animadoras deram vida a essa memória e recriaram essa cena minha e do meu avô de maneira bastante fiel a fotografias que eu tenho do vovô. Então assistir essa animação pra mim é muito emocionante e presentifica essa memória tão especial que compartilho com meu Ojiisan (avô). Mostrei um pouco do desenho para meu avô, que ainda é vivo, e ele sorriu, ficou olhando para o desenho inspirado nele. Foi bonito perceber que agora a sua figura está eternizada num desenho.
E: Ao finalizar o ano com Ojiisan, último capítulo do seu ciclo de lançamentos mensais, que camadas você sente que ofereceu ao público sobre as múltiplas facetas da identidade amarela, do íntimo ao político, do poético ao performático?
LT: Eu não sei dizer o que o público sentiu, mas posso dizer com muita tranquilidade que fizemos todos esses lançamentos com extrema dedicação de toda a nossa equipe. Afinal, estamos preparando esse disco desde 2020, então todes nós tivemos um enorme carinho e envolvimento para entregarmos esse material vivo nas mãos e ouvidos do público. Esses lançamentos compõem um disco autobiográfico que trata de questões muito delicadas da minha história, trazendo não só questões étnico-raciais e uma musicalidade nipo-brasileira, mas também traz histórias com complexidade, contradição e muito afeto. Então, desse íntimo, dessa coletânea de histórias que eu vivi, nós desdobramos essa pesquisa musical e performática, cheia de contradições, fantasias e dores, como uma comprovação artística de que uma arte amarela não precisa subsistir num imaginário estereotipado e pobre na relação com corpos e narrativas asiático-brasileiras, e, sim, pode acessar profundamente aquilo é simplesmente humano.
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A série com dez episódios estreia esse mês e conta sobre os novos encontros de Emily, agora na Itália
Foi divulgado nesta semana, o trailer oficial e imagens inéditas da quinta temporada de Emily em Paris, que estreia no dia 18 de dezembro.
Nesta nova temporada, Emily (Lily Collins) enfrenta desafios depois de se mudar para assumir a Agence Grateau, em Roma, e viver um romance com Marcello (Eugenio Franceschini).
Mas quando ela tem uma ideia no trabalho e dá errado, as consequências disso levam a decepções e desilusões que vão atrapalhar sua vida amorosa e acadêmica.
Durante a trama, um grande segredo coloca em risco as relações da personagem, e ela precisa encarar novos conflitos e abraçar o inesperado.
Confira o trailer:
Para compor o elenco, grande nomes como Philippine Leroy-Beaulieu (Sylvie Grateau), Ashley Park (Mindy Chen), Lucas Bravo (Gabriel), Samuel Arnold (Julien), Bruno Gouery (Luc) e William Abadie (Antoine Lambert) e Lucien Laviscount (Alfie) voltam para esta temporada.
Além disso, você pode conferir também as fotos inéditas divulgadas pela Netflix, para deixar os fãs ainda mais ansiosos para essa nova temporada.
Conta pra gente aqui no Entretê quais suas expectativas para essa temporada e nos acompanhe também nas redes sociais – Instagram, Facebook e X – para ficar por dentro de outras notícias do mundo do entretenimento.
Como o amor e a admiração pelo BTS levou fãs brasileiras a formar um coletivo que chegou até a COP30
No dia 18 de novembro, o ARMY Help The Planet, um coletivo de fãs brasileiras do BTS, foi centro de uma das maiores convenções do mundo com o painel K-pop Fans for Climate Action (fãs de K-pop pela ação climática, em tradução livre), na COP30, para discutir como comunidades de fãs podem se tornar um importante motor para mudança climática.
O evento aconteceu no Pavilhão Entretenimento + Cultura, e foi aberto por Kim Sung-hwan, Ministro do Clima e Meio Ambiente da Coreia do Sul, e Vinicius Gurtler, Coordenador de assuntos internacionais do Ministério da Cultura.
Com organização do Centro Cultural Coreano no Brasil (CCCB), o painel reuniu ativistas e acadêmicos ao lado de Mariana Faciroli, advogada e codiretora do ARMY Help The Planet, e Dayeon Lee, ativista e representante do coletivo KPOP4PLANET.
Foto: reprodução/Twitter @ARMY_HTP
Durante a conversa, os palestrantes abordaram o crescente impacto de fandoms na política, a necessidade de artistas se manifestarem sobre pautas como a agenda climática, influenciando seus fãs a se informarem sobre o assunto, assim como a urgência de promover uma indústria musical mais sustentável.
“Os fãs de K-pop são muito proativos e têm se manifestado sobre questões sociais, como no movimento Me Too (contra assédio e violência sexual) e na luta pela democracia”, explicou Cheul Hong Kim, diretor do CCCB, em entrevista ao G1. “Então, queremos mostrar à sociedade que eles também podem ter um papel importante na conscientização sobre a emergência do clima”.
Mas, afinal, o que o BTS tem a ver com política?
Para muitas pessoas que não acompanham K-pop, ou que ainda enxergam o pop coreano sob as lentes do orientalismo e de propagandas racistas, pode parecer destoante que um dos grupos mais populares tenha qualquer relação com agitação política e ativismo climático, mas as músicas do BTS contam outra história.
Foto: reprodução/Folha de São Paulo
Desde seu debut, em 2013, até seus projetos mais recentes, o BTS é orientado por uma não conformidade e uma inquietude social profundamente política. Esses interesses se refletem em sua discografia em temas como consumismo, alienação, psicologia humana, desigualdade e até luta de classes, de forma que se interessar pelo grupo vai muito além da simples tradução de suas músicas, mas muitas vezes significa ter que estudar a história e a conjuntura sul-coreana.
A interpretação da letra de Ma City, por exemplo, perpassa pela referência ao levante popular de Gwangju, em que centenas de estudantes (da mesma região que J-hope nasceu) foram mortos em 1980 por se manifestarem em oposição à ditadura militar que assolava a Coreia do Sul na época.
Da mesma forma, é impossível compreender os projetos Map of the Soul: Persona (2019) e Map of the Soul: 7 (2020), por exemplo, sem saber ao menos o básico de psicologia junguiana. Assim como o álbum Wings (2016) só pode ser aproveitado em sua complexidade através da leitura do romance Demian, de Hermann Hesse, e músicas como Paradise e Strange são baseadas em conceitos marxistas.
Spring Day, uma das músicas mais bonitas da discografia inteira do BTS,é uma homenagem às vítimas do desastre da Balsa de Sewol de 2014, em que 304 passageiros morreram em um naufrágio que expôs esquemas de corrupção no governo sul-coreano. O MV da música também faz referência ao conto filosófico Aqueles que se afastam de Omelas, de Ursula K. Le Guin, que tematiza a intrínseca desigualdade no liberalismo e os limites da violência.
Outro projeto que exigiu das ARMYs a leitura de noticiários políticos foi Am I Wrong, de 2017. Na música, o BTS respondeu explicitamente a um comentário feito na época por um funcionário do Ministério da Educação da Coreia do Sul, Hyang-wook Na, que disse que 99% dos sul-coreanos são como “como cães e porcos”: podem ser apenas alimentados e mantidos vivos, não tendo a habilidade de crescer no mundo.
“Se você vê as notícias e não sente nada”, canta RM, “se esse ódio não te faz sentir nada, você não é normal, mas anormal.”
Esses são apenas alguns dos muitos exemplos de músicas e projetos do BTS que incentivam quem quer que esteja ouvindo a questionar o mundo ao seu redor, a não normalizar a barbárie e resistir a pressões sociais – e é claro que o seu próprio fandom não deixaria de ouvir.
Foto: reprodução/Recreio
ARMY Help The Planet
Em Polar Night, escrita para o álbum solo D-Day (2023), Suga diz: “não posso viver como merda nesse mundo horrível. Eu encaro a realidade com meus olhos abertos”. E é isso que, desde sua formação em 2019, o coletivo ARMY Help the Planet tem feito: encarado o mundo de olhos abertos.
“Eles são a razão e inspiração de tudo o que fazemos”, explica Mariana Faciroli, advogada e codiretora do ARMY Help the Planet, em conversa com o Entretê. “Os membros do BTS, tanto em sua arte como em suas ações pessoais, têm se manifestado sobre questões políticas e socioeconômicas que vão desde o desemprego juvenil, desigualdade social e econômica, saúde mental e amor-próprio, incluindo campanhas de ponta como Love Myself, em parceria com a UNICEF, e a promoção de doações para várias causas relevantes.”
Mariana contou que “os membros do BTS têm inspirado pessoas em todo o mundo a usar suas próprias vozes, a ‘speak yourself’ e a tomar uma posição ativa, encorajando a tomada de ações, para as mudanças que desejam em suas realidades, fazendo do ARMY uma força poderosa no engajamento em questões sociais e ambientais”.
Foto: reprodução/Twitter @ARMY_HTP
E são muitas as campanhas inspiradas pelas mensagens do grupo que atravessam a história do ARMY Help the Planet desde sua formação em 2019, quando algumas ARMYs se mobilizaram diante dos incêndios florestais que aconteciam na Amazônia na época.
O coletivo soma mais de R$ 200 mil arrecadados em campanhas idealizadas pelo coletivo, mobilizou milhares de fãs a tirar o título de eleitor, organizou dezenas de campanhas de agitação e conscientização político-social sobre o genocídio palestino, o fim da escala 6×1, vacinação e acesso à saúde, mudança climática e muito mais, assim como campanhas contra o PL1904, que equiparava o aborto ao homicídio, e o PL da Devastação, que impede que os bancos sejam punidos por crimes e danos ambientais cometidos por empreendimentos que eles financiam.
E é essa inquietude que levou o ARMY Help the Planet à Belém:
“Em nossos seis anos de história, nós realizamos diversas campanhas de sucesso, incluindo várias diretamente ligadas à defesa do meio ambiente e à justiça climática. Além disso, um trabalho muito importante que desenvolvemos de forma contínua desde 2021 é o acompanhamento do Congresso Nacional e do Poder Executivo”,comenta Mariana.
Foto: reprodução/Estadão
“Nosso objetivo é promover a conscientização sobre o que está acontecendo no cenário político brasileiro e incentivar a manifestação popular contra projetos de lei e decisões do Executivo que são prejudiciais às causas socioambientais e à justiça climática de forma geral. Em um desses momentos, após nossa manifestação contra o PL da Devastação virar notícia na revista Veja, nós recebemos um convite do Centro Cultural Coreano no Brasil.”
Até pouco tempo atrás, seria inimaginável enxergar fãs de K-pop, cujos interesses ainda são motivo de ridicularização por orientalismo e misoginia, ocupando lugares como a COP30. Espaços que continuam muito alienantes, sobretudo entre jovens, estão sendo conquistados por mulheres que tornaram seus interesses e paixões um motor para mudança real, e muito dessa transformação se deu pelo trabalho do ARMY Help the Planet e sua constante insatisfação e questionamento, com a recusa de viver inerte diante do ódio e de injustiças.
“Música e arte sempre foram formas de expressão, um modo que muitos artistas usaram e usam para criticar a sociedade, o capitalismo e a política”, diz Mariana ao Entretê. “O BTS não é diferente; eles sempre escreveram músicas com críticas à sociedade e aos problemas existentes em seu país. Isso motiva o ARMY a debater sobre essas questões e a usar as músicas do grupo como forma de se expressar. Um exemplo disso é que, na campanha contra o 6×1, muitos ARMYs usaram uma das canções do BTS, Silver Spoon, para criticar a jornada de trabalho.”
Você já conhecia o Army Help the Planet? Comente e nos siga nas redes sociais – Facebook, Instagram e X – para não perder as novidades do mundo do entretenimento!
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