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Entrevista | Flávia Lins e Silva e Rodrigo Van Der Put falam sobre imaginação, representatividade e a força das histórias brasileiras

 A autora e roteirista Flávia Lins e Silva, criadora da série Diário de Pilar, comemora a estreia do primeiro live-action de sua personagem nos cinemas e reforça o que sempre esteve no centro da obra: o despertar da curiosidade, a empatia e o amor pelo mundo das crianças

A história infantil O Diário de Pilar, que há anos conquista pequenos leitores pelo Brasil, chegou às telonas nesta quinta-feira (15). Adaptando o segundo livro a ser publicado, o filme acompanha Pilar e seus amigos em uma aventura pela Amazônia, na tentativa de salvar a floresta do desmatamento.

Em entrevista ao Entretetizei, a criadora Flávia e o diretor Rodrigo comentaram os bastidores da produção, a responsabilidade de adaptar uma personagem tão querida e a importância de oferecer às crianças brasileiras histórias nas quais elas possam se reconhecer.

Uma personagem que nasceu para apresentar o mundo

Desde o início, Pilar foi pensada como uma ponte entre as crianças e as diferentes culturas do planeta.

Quando eu criei a Pilar, imaginei isso mesmo: trazer o mundo para as crianças, o diferente, as outras culturas e outras comidas”.

Foto: divulgação/Luiza Barreto

E essa jornada está longe de acabar. Flávia revelou que ainda sonha em levar a personagem para novos destinos, como Portugal e Nova Zelândia, e deixou um recado animador para os fãs: “Acho que não vou parar. Até velhinha, vou estar escrevendo sobre a Pilar”.

O cuidado por trás das câmeras

No cinema, a essência da história também passa pelo elenco infantil. Rodrigo contou que o processo de escolha das crianças foi cuidadoso e emocional. A atriz que interpreta Pilar chegou na reta final dos testes e conquistou todo mundo: “Ela furou a fila. Quando fez o teste, não tinha como não ser ela. Ela é a Pilar”.

Para fortalecer os laços entre os protagonistas, a produção promoveu encontros virtuais e presenciais, além de uma imersão nos cenários do filme. O resultado foi uma conexão real que transparece na tela. “No final, eles se tornaram amigos de verdade. É uma mistura de ficção com a realidade”, ele afirmou.

Foto: divulgação/Laura Campanella
Levar a criança a sério é o ponto de partida

Com quase três décadas dedicadas à literatura e ao audiovisual infantil, Flávia reforça que escrever para crianças exige sensibilidade e respeito: “A criança é curiosa, inteligente e interessada. Tem mil perguntas para o mundo”.

A adaptação para o cinema, segundo ela, foi desafiadora e afetiva ao mesmo tempo. “Sempre que eu escrevo, me sinto viajando junto com a Pilar. E ouvir que as crianças querem ler mais, viajar mais e descobrir mais… isso não tem preço”, Flávia afirmou.

Uma aventura brasileira para crianças brasileiras

Rodrigo explicou que o filme foi pensado como uma grande aventura com identidade nacional: “Cresci assistindo a aventuras estrangeiras. A gente precisava contar uma história nossa, com crianças falando português, vivendo aventuras no nosso quintal”.

O cuidado com a mensagem ambiental também foi essencial. A proposta era emocionar sem soar didático demais, permitindo que a reflexão surgisse naturalmente dentro da narrativa.

Amazônia, pertencimento e encantamento

Além da aventura, o filme também carrega um convite poderoso: olhar com mais carinho para a natureza e para o Brasil. “Espero que todo mundo saia do cinema com vontade de conhecer a Amazônia, cuidar da floresta e estar mais perto da natureza”, afirmou Flávia.

Foto: divulgação/Helena Barreto

Rodrigo destacou ainda a força da experiência coletiva no cinema ao relembrar sessões em que as crianças interagiam com o filme como se estivessem vivendo a aventura junto com os personagens.

Quando a história ultrapassa a tela

Mais do que entretenimento, Pilar chega aos cinemas como uma celebração da imaginação, da identidade brasileira e do poder das histórias que acompanham a infância por toda a vida.

O filme já está disponível nos cinemas brasileiros, e o convite está feito: embarcar nessa jornada, se emocionar e, como diria a própria personagem, “bora embora para os cinemas”.

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Texto revisado por Sabrina Borges de Moura

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Cultura pop Entretenimento Notícias Séries

Euphoria retorna com nova temporada em abril

Nova fase do fenômeno já tem trailer disponível

 

A contagem regressiva começou! A terceira temporada de Euphoria, fenômeno cultural e sucesso de crítica, estreia em abril. Com oito episódios inéditos, lançados semanalmente, a nova temporada traz de volta o grupo de amigos de infância enquanto eles enfrentam questões profundas sobre a fé, a possibilidade de redenção e a natureza do mal.

O elenco principal tem Zendaya, Hunter Schafer, Eric Dane, Jacob Elordi, Sydney Sweeney, Alexa Demie, Maude Apatow, Martha Kelly, Chloe Cherry, Adewale Akinnuoye-Agbaje e Toby Wallace.

Também retornam para os novos episódios Colman Domingo, Dominic Fike, Nika King, Alanna Ubach, Sophia Rose Wilson, Melvin Bonez Estes, Daeg Faerch, Paula Marshall, Zak Steiner e Marsha Gambles.

Entre os novos nomes da série estão: Sharon Stone, Rosalía, Danielle Deadwyler, Marshawn Lynch, Anna Van Patten, Asante Blackk, Bella Podaras, Bill Bodner, Cailyn Rice, Christopher Ammanuel, Christopher Grove, Colleen Camp, Darrell Britt-Gibson, Eli Roth, Gideon Adlon, Hemky Madera, Homer Gere, Jack Topalian, James Landry Hébert, Jeff Wahlberg, Jessica Blair Herman, Justin Sintic, Kadeem Hardison, Kwame Patterson, Madison Thompson, Matthew Willig, Meredith Mickelson, Natasha Lyonne, Priscilla Delgado, Rebecca Pidgeon, Sam Trammell, Smilez, Trisha Paytas, Tyler Lawrence Gray e Vinnie Hacker.

Produzida em parceria com a A24, Euphoria é criada, escrita e dirigida por Sam Levinson, que também atua como produtor executivo ao lado de Zendaya, Ashley Levinson, Sara E. White, Kevin Turen, Ravi Nandan, Drake, Adel “Future” Nur, Ron Leshem, Daphna Levin, Hadas Mozes Lichtenstein, Mirit Toovi, Tmira Yardeni, Yoram Mokady e Gary Lennon. O seriado é baseado na série israelense da HOT, criada por Ron Leshem e Daphna Levin.

A terceira temporada foi filmada com um novo negativo cinematográfico da KODAK, tanto em 35mm quanto em 65mm. O criador e o premiado diretor de fotografia Marcell Rév trabalharam em parceria com a Kodak para viabilizar o uso comercial de ambos os formatos.

Euphoria
Imagem: Reprodução/Backgrid

Euphoria é a primeira série de televisão de ficção a utilizar um volume significativo de filmagens em 65mm, proporcionando uma experiência visual ampliada na tela que reflete a jornada dos personagens para além do ensino médio, rumo a um mundo maior e mais selvagem.

A série se tornou um fenômeno cultural global e um dos títulos mais assistidos da história da HBO, acumulando 25 indicações e nove vitórias no Emmy em suas duas primeiras temporadas. A nova temporada chega em 12 de abril, às 22h, na HBO e na HBO Max.

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Texto revisado por Cristiane Amarante

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Comportamento Cultura asiática Especiais Livros Notícias

Especial | A dimensão psicológica de Kento Nanami: a maturidade em um mundo que exige sacrifício

Como o equilíbrio entre dever, lucidez e afeto molda um dos adultos mais complexos de Jujutsu Kaisen

[Contém spoiler]

Entre personagens explosivos, impulsivos ou moldados por traumas intensos, Kento Nanami se destaca em Jujutsu Kaisen por um traço raro nas narrativas shonen: ele é um adulto plenamente funcional, consciente de si e emocionalmente maduro. 

Foto: reprodução/Crunchyroll

Em um universo dominado pelo caos das maldições, Nanami encarna a figura que assume responsabilidades não por vocação heróica, mas por dever e é justamente essa postura que o torna um dos personagens mais humanos da série.

Foto: reprodução/Crunchyroll

A psicologia de Nanami se constrói a partir de três eixos que se entrelaçam com coerência e complexidade: a exaustão, a lucidez e uma compreensão amarga do mundo que o cerca. Esses elementos não o definem como alguém derrotado pela realidade, mas como alguém capaz de encará-la sem ilusões.

A maturidade como armadura

Nanami não se deixa seduzir por discursos grandiosos. Ele não busca glória, reconhecimento ou qualquer tipo de exaltação. Sua motivação é objetiva, quase desprovida de brilho: cumprir o que precisa ser feito. Essa racionalidade, frequentemente interpretada como distanciamento, funciona como uma armadura emocional cuidadosamente construída.

Foto: reprodução/Crunchyroll

Ele compreende, com uma precisão quase cirúrgica, seus próprios limites, os deveres que carrega, os riscos do trabalho e o impacto de cada decisão. Trata-se de um personagem que pensa antes de agir, que mede antes de golpear e que respira antes de se lançar ao perigo. A maturidade não o torna imune, apenas o torna mais consciente das fissuras que o acompanham.

O peso da vida adulta em um universo hostil

A breve passagem de Nanami pelo mercado corporativo é um dos momentos mais reveladores de sua complexidade psicológica. Ele reconhece a proximidade simbólica entre trabalhar até o esgotamento e enfrentar maldições: em ambos os casos, algo é lentamente corroído – às vezes o corpo, às vezes o espírito.

Foto: reprodução/Crunchyroll

Esse detalhe narrativo adiciona uma camada profundamente realista e melancólica ao personagem. Nanami vive deslocado dos dois mundos que experimenta. No escritório, era diferente demais; na feitiçaria, é sensato demais. Essa sensação persistente de não pertencimento gera uma solidão silenciosa, comum a muitos adultos que carregam muito mais do que demonstram.

O papel do adulto responsável

Em uma história guiada por jovens movidos por impulsos e ideais, Nanami ocupa outra função: a do adulto que precisa manter os pés no chão enquanto tudo ao redor ameaça desmoronar. Sua famosa regra de não trabalhar após o horário comercial, embora frequentemente usada como alívio cômico, expressa algo mais profundo: um limite emocional traçado para não se perder em um ofício que exige mais do que oferece.

Foto: reprodução/Crunchyroll

Ele sabe quando recuar, quando descansar e quando pedir apoio – atitudes que, dentro de Jujutsu Kaisen, adquirem contornos quase heróicos. Nanami demonstra que responsabilidade não é sinônimo de autoimolação, mas de equilíbrio.

Empatia na medida certa

Nanami não é frio, ele apenas aprendeu a sentir de forma madura. Sua empatia se expressa pela presença, pela orientação precisa e pela honestidade. Ele se importa genuinamente com seus colegas, especialmente com Itadori, mas revela esse afeto por meio de gestos discretos, nunca por grandiloquência emocional.

Foto: reprodução/Panini

É um cuidado que não exige reconhecimento, que não dramatiza a própria existência e que jamais se coloca como sacrifício. Sua empatia é adulta: ponderada, consciente e responsável.

Itadori e o afeto como responsabilidade: o contraponto a Satoru Gojo

A relação de Nanami com Itadori revela uma de suas camadas mais profundas: a capacidade de equilibrar afeto e responsabilidade sem transformar nenhum dos dois em peso. Nanami se importa genuinamente com o protagonista – que tem apenas 15 anos e que perdeu tudo –, mas não se deixa levar por idealizações. Ele enxerga Itadori não apenas como uma promessa, mas como alguém que precisa de orientação, segurança e honestidade – três pilares que ele oferece sem hesitação.

Foto: reprodução/Crunchyroll

Esse vínculo ganha ainda mais relevância quando contrastado com a forma como Gojo se relaciona com Itadori. Enquanto Gojo trata o garoto como um prodígio com potencial quase ilimitado, Nanami aborda Itadori como um indivíduo real, com vulnerabilidades e limites que precisam ser respeitados. Gojo incentiva com brilho, Nanami sustenta com base. Gojo desafia, Nanami protege. Um ensina o extraordinário, o outro ensina o necessário.

Foto: reprodução/Crunchyroll

É essa combinação de afeto, prudência e responsabilidade que transforma Nanami em uma figura quase paternal – não no sentido sentimental, mas no ético. Ele educa pelo exemplo, não pelo espetáculo.

A beleza trágica de Nanami

O fascínio que cerca Nanami nasce de sua percepção nítida da própria mortalidade. Ele sabe que seu tempo é limitado, que os perigos do mundo jujutsu são inevitáveis e que seu papel sempre esteve destinado a ser temporário. Ainda assim, escolhe permanecer não por heroísmo, mas por princípios que carrega silenciosamente.

Foto: reprodução/Crunchyroll

Sua morte, portanto, não representa apenas a queda de um personagem querido, mas a perda de um pilar emocional da narrativa. Nanami era a força que sustentava o equilíbrio enquanto os mais jovens aprendiam a caminhar.

O que torna Nanami emocionalmente inesquecível?

Nanami ressoa porque traduz experiências adultas que raramente ganham espaço no shonen: o cansaço que se acumula com o tempo, a responsabilidade que nunca diminui, a necessidade de impor limites para não desmoronar e a pressão silenciosa de corresponder a expectativas que parecem sempre crescer. Ele encarna a maturidade que muitos reconhecem no próprio cotidiano e que, por isso, se torna imediatamente identificável.

Dentro desse contexto, sua função narrativa ganha ainda mais força. Jujutsu Kaisen apresenta mentores diversos, mas Nanami representa um tipo específico e profundamente humano de mentor adulto – um que não existe para oferecer sabedoria mística, explicar regras do mundo ou encarnar poder absoluto, mas para mostrar que crescer implica assumir escolhas difíceis

Foto: reprodução/Crunchyroll

Diferente de figuras tradicionais dos shonen, que muitas vezes operam como ícones quase inalcançáveis, Nanami guia pelo exemplo cotidiano: pelo equilíbrio, pela responsabilidade e pela forma como administra o próprio desgaste. Ele ensina Itadori não a ser extraordinário, mas a ser íntegro.

Por isso sua presença deixa marcas tão profundas: Nanami é o mentor que sustenta o mundo silenciosamente, e sua ausência revela o quão essencial ele era. A maturidade que carrega não é enfeitada nem retórica: é vivida, pesada e real. E, justamente por isso, ele se tornou um personagem que emocionou tanto o público do mangá, quanto do anime.

Foto: reprodução/Crunchyroll

Você já tinha pensado no personagem de Nanami por essa perspectiva? Compartilhe com a gente através das nossas redes sociais – Instagram, Facebook e X – e, se gosta de trocar experiências literárias, junte-se ao Clube do Livro do Entretê!

 

Leia também: Especial | O coração do monstro, o olhar da mulher: Elizabeth ressignificada em Frankenstein 

Texto revisado por Simone Tesser @simone_alleotti

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Entretenimento Notícias Séries

15 séries para quem ama maratonar dramas adolescentes durante as férias

Confira uma seleção imperdível de produções que exploram amores intensos, amizades marcantes e os dilemas da juventude

Se você foi um adolescente dos anos 2000, Cris Morena era um nome famoso entre os fãs de dramas adolescentes. A atriz, produtora e escritora é responsável por sucessos como a versão argentina de Chiquititas, Rebelde Way e Casi Angeles. 

Mas se você não acompanhou essa fase, seu momento chegou. A nova produção, criada pela escritora, estreou na última semana na HBO Max trazendo muita música, fantasia e romance. 

Com o nome de Margarida, que sua lenda valha a pena, a trama acompanha a jornada de Margarida em busca de suas origens enquanto explora seu talento artístico. A série já está disponível na plataforma de streaming e recebe dez novos episódios semanalmente.  

A comédia infanto-juvenil resgata a receita que foi sucesso no início dos anos 2000. Pensando nisso, listamos 15 séries que unem a nostalgia de clássicos com temática de drama adolescente com a energia das novas produções, perfeitas para maratonar durante o período de férias. Confira: 

Margarida, que sua lenda valha a pena (A10)
Foto: divulgação/HBO Max 

Acompanhe a história de Margarida, uma jovem que perdeu seus pais ainda na infância e cresceu sem conhecer suas próprias origens, mas tudo muda quando, por acaso, ela encontra sua tia Delfina. Sonhadora e cheia de carisma, Margarida enfrentará inúmeros desafios após ingressar no Hangar Soho e, apesar das dificuldades, nunca deixará de lado suas amizades e sonhos. Os dez primeiros episódios da produção já estão disponíveis na HBO Max.   

Floribella (L)
Foto: divulgação/HBO Max 

A novela infanto-juvenil, adaptação brasileira do sucesso argentino Floricienta (2004), acompanha a jornada de Maria Flor, uma jovem contratada para trabalhar como babá em uma mansão onde vivem seis órfãos de diferentes personalidades. Em meio a desafios, romances e muita música, Floribella mistura humor e fantasia em uma envolvente narrativa.   

B.A: O Futuro Está Morto (A16)
Foto: divulgação/HBO Max 

A produção nacional acompanha um grupo de jovens em um Brasil distópico onde a floresta amazônica foi privatizada e os adultos são acometidos por um mal que os torna apáticos e monocromáticos. Neste cenário, Palhaço, Linlin e Thomas se unem para criar a marca B.A (Beijo Adolescente), que reúne autenticidade, cor e diversidade, além de esconder uma sociedade secreta de jovens com superpoderes. 

Use Sua Voz (A10)
Foto: divulgação/HBO Max 

Bia Torres, Laura Castro e Giu Nassa, integrantes da banda BFF Girls, desvendam um mistério ocorrido no Colégio Use Sua Voz, no último dia de aula, quando aconteceriam as tão esperadas audições finais do Núcleo Musical. Mesmo enfrentando atritos, as BFF Girls se juntam em busca do suspeito pelo apagão no colégio. Com muita música e amadurecimento, a produção retrata a história desses adolescentes que buscam compreender e solucionar os desafios da vida.    

Te Amar Dói (A16)
Foto: divulgação/HBO Max 

Os caminhos de Lola e Juan se cruzam por acaso, e mesmo tendo vidas totalmente distintas, são unidos pelo amor e por um objetivo em comum. Criada por Cris Morena, a série acompanha a trajetória dos dois jovens que por coincidência se conhecem e sentem que o destino havia planejado aquele encontro. Em meio a muitos desafios, eles terão que se unir para salvar a paixão que floresceu entre os dois.   

Além do Guarda-Roupa (A10)
Foto: divulgação/HBO Max 

A primeira série brasileira inspirada nos dramas coreanos traz a história de Carol, uma adolescente filha de uma bailarina brasileira e de um sul-coreano. A série acompanha a jovem e sua relação conflituosa com sua ascendência, Carol não se interessa por nada do universo sul-coreano, mas vê sua vida mudar após uma descoberta: seu guarda-roupa é, na verdade, um portal mágico que conecta seu quarto ao apartamento de um grupo de K-pop de grande sucesso, o ACT.   

Smallville (A14)
Foto: divulgação/HBO Max 

O clássico dos anos 2000 acompanha os primeiros anos de Clark Kent antes de se tornar o Homem de Aço e revela como Lex Luthor se tornou um dos inimigos mais perigosos do jovem kryptoniano. Em cada episódio, Clark descobre um pouco mais sobre si mesmo, explora seus poderes e aprende a lidar com sentimentos até então desconhecidos. A série marcou gerações e ainda hoje é lembrada com carinho pelos fãs do Superman.   

Gotham Knights (A16)
Foto: divulgação/HBO Max 

Após a morte do Batman, Gotham City se torna perigosa novamente. Turner Hayes, filho adotivo de Bruce Wayne, enfrenta um grande desafio: provar sua inocência após ser falsamente acusado de matar o próprio pai. Os jovens Duela Dent, Harper e Cullen Row também são suspeitos do crime e, apesar das diferenças, precisarão se unir para encontrar o verdadeiro culpado. A série acompanha a formação de uma nova geração de heróis, unidos por segredos do passado e determinados a construir seu próprio legado.  

The Vampire Diaries (A16)
Foto: reprodução/The Movie DB

Na cidade de Mystic Falls, os irmãos vampiros Stefan e Damon Salvatore se apaixonam pela mesma mulher, a jovem humana Elena Gilbert. Unindo acontecimentos sobrenaturais, terror e fantasia, a série acompanha um complexo triângulo amoroso e conflitos que envolvem magia, mistérios e criaturas misteriosas.    

The O.C. (A14)
Foto: divulgação/HBO Max 

A chegada de Ryan Atwood à Newport Beach muda completamente a rotina da elite local. Vindo de uma área não favorecida, o jovem precisa aprender a conviver com um mundo cercado por privilégios e aparências. A série combina drama, romance e amadurecimento ao retratar amizades intensas e conflitos que contrastam entre dois mundos opostos.  

Gossip Girl (A16)
Foto: divulgação/HBO Max 

Na elite do Upper East Side, segredos nunca ficam escondidos por muito tempo. A icônica série que marcou gerações apresenta Blair Waldorf, Chuck Bass, Serena Van Der Woodsen, Dan Humphrey e Nate Archibald em meio a relações intensas e uma constante competição por poder. Um blog anônimo acompanha de perto a vida dos jovens, revelando escândalos, romances e traições. A série explora jogos de poder, conflitos adolescentes e a disputa por influência social.  

Pretty Little Liars (A16)
Foto: reprodução/Animalia Life Club

Após o desaparecimento de Alison, um grupo de amigas passa a receber mensagens ameaçadoras de alguém que parece saber todos os seus segredos. Enquanto elas tentam descobrir a identidade de “A”, mentiras, mistérios e revelações perigosas vêm à tona. PLL mistura suspense e drama ao mostrar até onde uma pessoa pode ir para esconder a verdade.  

A Vida Sexual das Universitárias (A16)
Foto: reprodução/Series Brasil

Quatro jovens dividem não apenas um dormitório, mas também as descobertas e inseguranças da vida universitária. Entre romances, amizades e crises, a série aborda com leveza e muito humor temas como sexualidade, identidade e amadurecimento. A produção equilibra comédia e sensibilidade ao retratar os desafios de enfrentar novas fases da vida.  

Betty (A16)
Foto: reprodução/Who What Wear

Em uma Nova York dominada por homens, um grupo de mulheres encontra no skate uma forma de expressão, pertencimento e resistência. Betty acompanha amizades reais, desafios cotidianos e a busca por espaço em um cenário que constantemente tenta excluí-las, celebrando, de inúmeras formas, a liberdade e a autenticidade.  

Euphoria (A18)
Foto: divulgação/HBO Max 

A série acompanha um grupo de adolescentes lidando com vícios, traumas e descobertas em um mundo marcado por excessos. Com uma narrativa intensa e um visual impactante, Euphoria retrata as dores e contradições da juventude ao explorar temas profundos. A terceira temporada da produção chega à HBO Max em abril deste ano.  

Seja para reviver histórias que marcaram uma geração ou descobrir novas narrativas repletas de emoção e reviravoltas, essas produções exploram as múltiplas fases da juventude. De personagens icônicos à enredos inesquecíveis, as séries estão disponíveis para streaming na HBO Max.

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Texto revisado por Angela Maziero Santana 

 

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You know BTS is back! Grupo anuncia turnê mundial com 3 shows em São Paulo

Grupo anuncia nova turnê mundial, prepara lançamento de álbum para 20 de março e retorna ao país após sete anos

O ARMY brasileiro já pode comemorar: o BTS confirmou sua volta ao Brasil em 2026. O grupo anunciou oficialmente as datas da nova turnê mundial e o país está entre os destinos.

Em São Paulo, os shows acontecem nos dias 28, 30 e 31 de outubro, ainda com local a ser divulgado. Antes de subir aos palcos, o BTS também marca um novo capítulo em sua discografia: o próximo álbum do grupo será lançado no dia 20 de março, aquecendo o público para a turnê.

A última grande turnê mundial do BTS foi entre 2018 e 2019, com a BTS World Tour Love Yourself: Speak Yourself, que também marcou a passagem mais recente do grupo pelo Brasil. Na época, eles se apresentaram nos dias 25 e 26 de maio de 2019, no Allianz Parque, em São Paulo, com apresentações que mais tarde viraram DVD.

A nova turnê começa em 9 de abril, em Goyang, na Coreia do Sul, e passa por cidades como Tóquio, além de países como Estados Unidos, Espanha, Reino Unido, França, Peru, Colômbia, Argentina, Chile, Tailândia, entre outros destinos ao redor do mundo.

Confira o anúncio completo:

BTS
Foto: divulgação/weverse

 

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Leia também: Entre shows e festivais, quem se apresentará no Brasil em 2026

 

Texto revisado por Alexia Friedmann

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Crítica | De Férias com Você resgata o frescor da comédia romântica mas erra no formato adaptado

Química entre Emily Blader e Tom Blyth brilha nas telas, porém peca na dificuldade de aprofundar os personagens principais

 

A primeira adaptação dos livros de Emily Henry finalmente chegou às telinhas em 2026 e trouxe para o público um gostinho do que o ano tem a oferecer para as comédias românticas.

De Férias com Você é baseado no livro da autora norte-americana que leva o mesmo nome e foi lançado em 2022. Dirigido por Brett Haley (Por Lugares Incríveis, 2020), o longa conta a história da amizade entre Poppy e Alex, duas pessoas completamente opostas que todo verão se encontram para uma viagem a dois em algum lugar do mundo.

O filme, que estreou em 9 de janeiro, chegou ao top 10 dos mais assistidos na Netflix, ocupando a primeira posição. E isso não surpreende, pois é um filme leve, com muita comédia e uma química incrível entre Emily Blader (Poppy) e Tom Blyth (Alex). Digno de uma adaptação da Netflix, a produção conta com cenários incríveis, cheios de cor, vivacidade e uma produção bem elaborada e divertida.

Brasil presente!

E não é que até o Brasil fez uma palhinha no filme? Na cena da viagem para o Canadá, quando Alex e Poppy  resolvem acampar junto com vários outros jovens, em um certo momento Alex resolve entrar no mar durante a noite com um grupo de pessoas. É nessa cena que podemos ouvir a bossa nova de Evinha, com a canção Esperar para Ver (1971).

A trilha sonora é composta por grandes nomes, como Taylor Swift com August (2020), Robyn com Hang with Me (2010), Paula Abdul com Forever Your Girl (2009), entre outros.

Crédito: Divulgação/Netflix

Filme ou série?

Apesar de ser um filme divertido e envolvente, ele peca pela dificuldade de conectar o excesso de informações para contar uma história concisa. Mesmo tendo quase duas horas de duração, o diretor encontra dificuldades de transmitir alguns momentos que, no livro, se passam na cabeça de Poppy para a telona.

Ele manteve o formato da obra original, alterando momentos do passado com os do presente, trazendo aspectos importantes das viagens dos dois que explicam o momento que estão vivendo agora, porém isso acaba comprometendo a capacidade de captar a profundidade dos dois personagens, tanto juntos quanto separados. E isso leva ao questionamento: será que uma série não seria a melhor opção para captar esses detalhes e diferentes cenários de uma forma mais completa?

Um dos exemplos disso é a forma na qual a infância de Poppy é abordada no filme. Vimos no início um momento frágil de quando era mais nova, mas não foi o suficiente para entender como isso refletiu na sua personalidade e suas ações durante sua adolescência e vida adulta. Isso só é explicado no momento final do filme, quando Poppy se declara para Alex. E mesmo assim, o impacto não é tão forte, pois não é tão claro no filme como isso influenciou a vida da personagem.

O mesmo acontece com o relacionamento da dupla durante todos os anos de amizade. No livro, narrado por Poppy, é explicado que, apesar da amizade, sempre houve um “e se” no relacionamento dos dois e o leitor entende através de um monólogo interno o motivo deles não terem saído da amizade por tanto tempo.

É seguro dizer que o filme usa o livro como um guia e chega ser fiel na sua essência, com cenas importantes vindo diretamente das páginas de Emily Henry, porém ele fica fragilizado no aprofundamento dos personagens e de situações consideradas chaves para o entendimento do relacionamento entre os dois.

Isso, contudo, não afeta a qualidade do produto, uma vez que é entregue uma comédia romântica – um pouco mais focada na comédia em alguns momentos – boa, mas que funcionaria melhor, entre todos os livros da autora, como uma série em vez de um filme.

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Leia também: O que assistir nas férias? 6 filmes leves e divertidos para o verão 

Texto revisado por Cristiane Amarante @cris_tiane_rj

 

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Especial | Sukuna em Jujutsu Kaisen: o vilão que desafia a era da redenção

Na contramão dos vilões humanizados, o Rei das Maldições encarna uma força ancestral que não busca redenção e não oferece conforto ao público

[Contém spoiler]

Nos últimos anos, a ficção japonesa tem investido em antagonistas construídos a partir de feridas emocionais, traumas de origem e conflitos internos que aproximam o público de suas motivações. Figuras como Makima (Chainsaw Man, 2019), Shigaraki (My Hero Academia, 2016) e Muzan (Demon Slayer, 2020) carregam camadas que inspiram empatia ou, ao menos, compreensão.

Foto: divulgação/Entretetizei

Ryomen Sukuna, porém, surge como uma ruptura deliberada dessa tendência. Em Jujutsu Kaisen (2018), ele se impõe por representar um mal despido de justificativas, livre de qualquer estrutura psicológica capaz de suavizá-lo.

Foto: reprodução/Instagram @oshiyeteoo
A maldade como escolha e não consequência

A recusa de Gege Akutami em atribuir traumas, histórias de sofrimento ou ideais distorcidos a Sukuna é justamente o que o torna tão desconcertante. Não há passado trágico, desejo de vingança ou tentativa de corrigir o mundo. Sua crueldade nasce de uma vontade própria, intacta e autossuficiente, que não pede explicações ao leitor e não se apoia em nenhum contexto redentor.

Foto: reprodução/Crunchyroll

Essa autonomia moral faz com que sua violência exista quase como uma extensão natural de seu ser. Sukuna não age para responder a algo: ele age porque encontra prazer na dominação, interesse no caos e estímulo na sensação de poder. Nada disso é mascarado por dilemas internos. A monstruosidade é, em si, sua identidade.

Um antagonista que recusa o jogo do herói

Essa contundência também se manifesta com força no modo como Sukuna se relaciona com Itadori. Em muitas narrativas contemporâneas, há espaço para diálogos, negociações ou momentos em que herói e vilão compartilham, ainda que brevemente, algum tipo de compreensão mútua. Com Sukuna, no entanto, esse espaço simplesmente não existe. Ele observa Itadori com indiferença e como alguém que enxerga no outro não um interlocutor, mas um recipiente útil quando serve, descartável quando não.

Foto: reprodução/Editora Panini

O Arco de Shibuya evidencia essa dinâmica com brutal clareza. Quando Sukuna assume o controle do corpo de Itadori, ele não apenas desencadeia um massacre que devasta parte da cidade e mata dezenas de civis; ele faz isso de maneira calculada para intensificar o sofrimento do protagonista

Foto: reprodução/Manga Guardian

Ao consumir hambúrguer e refrigerante antes de liberar sua destruição, Sukuna garante que, no instante em que Itadori recuperar a consciência, seu corpo reaja fisicamente ao horror cometido. O vômito que se segue não é apenas biológico, é simbólico: Sukuna força Itadori a sentir, de forma visceral, o peso dos atos que ele não pôde impedir.

Foto: reprodução/Crunchyroll

Esse momento se torna ainda mais devastador porque se encaixa em um período no qual Itadori já está emocionalmente desestabilizado pelas mortes de Nanami e, supostamente, de Nobara. 

Nesse sentido, as ações realizadas em Shibuya não marcam apenas a crueldade de Sukuna, mas a intenção meticulosa de quebrar o protagonista em suas últimas defesas emocionais. Não há troca, não há abertura, não há fissura que permita a Itadori qualquer tentativa de aproximação moral. O distanciamento é absoluto e é nele que reside grande parte do terror que Sukuna inspira, sempre disposto a transformar a dor do herói em palco para sua própria afirmação de poder.

Sukuna e Mahito: dois tipos de maldade e duas filosofias de existir

O contraste entre Sukuna e Mahito reforça ainda mais a singularidade do Rei das Maldições. Mahito, embora cruel, é um vilão que cresce a partir do caos contemporâneo: ele aprende, experimenta, erra e se adapta. Sua maldade não é estática, mas quase infantil, moldada por curiosidade e descoberta. Ele testa limites porque quer compreender o que significa ser.

Foto: reprodução/Crunchyroll

Já Sukuna opera em uma lógica completamente distinta. Enquanto Mahito busca entendimento, Sukuna encarna a certeza absoluta. Ele não precisa conhecer os humanos, ele simplesmente os domina. Sua crueldade não nasce de impulsos exploratórios, mas de uma convicção consolidada, arcaica, que não admite hesitação.

Foto: reprodução/Crunchyroll

Essa diferença se torna evidente nas interações entre eles. Mahito flutua entre o deboche e o pragmatismo, mas ainda reage ao mundo ao seu redor. Sukuna, por sua vez, não reage: ele impõe. A presença de Mahito revela o quanto Sukuna ocupa um patamar que transcende as maldições da era moderna. Onde Mahito busca sentido, Sukuna dispensa completamente a necessidade de significados. Ele é a expressão pura do poder e isso, paradoxalmente, o torna ainda mais aterrorizante do que os inimigos que se alimentam de traumas humanos.

Fukuma Mizushi: a expansão de domínio que confirma Sukuna como presença mitológica em Jujutsu Kaisen

A expansão de domínio de Sukuna, o Santuário Malevolente, amplia sua natureza ancestral e inatingível ao apresentá-lo não como um antagonista poderoso, mas como uma presença que opera fora das regras habituais da narrativa.

Diferentemente de outros personagens, que tratam suas expansões como técnicas complexas e exaustivas, Sukuna ativa a sua com a naturalidade de quem simplesmente manifesta aquilo que sempre esteve ali, como se o próprio espaço precisasse apenas ser lembrado de quem o controla.

Enquanto domínios comuns funcionam como extensões temporárias de poder, o Santuário Malevolente se impõe como um território absoluto. Ele não fecha o espaço: ele o reconfigura. A sensação não é de batalha, mas de demonstração, como se Sukuna estivesse reafirmando uma autoridade antiga e incontestável que precede a própria existência dos xamãs.

Foto: reprodução/Editora Panini

A precisão com que ele ataca, a tranquilidade com que observa a destruição e a ausência completa de esforço evocam algo quase mítico. A expansão não parece uma técnica, mas um estado natural, um lembrete de que Sukuna não compartilha o mesmo patamar que os demais. Ele age com a frieza de uma entidade que já compreendeu todas as regras e, agora, apenas as dobra à própria vontade.

O Santuário Malevolente não transforma a luta: transfigura a percepção do espectador sobre o que Sukuna realmente é. Ali, ele deixa de ser apenas o vilão mais perigoso da história e se aproxima de uma divindade perversa, cuja existência dispensa propósito, moral ou explicação.

Gege Akutami e a construção de um mal inabalável

Akutami não apenas evita a humanização de Sukuna, ele a combate. A narrativa, o visual e as interações reforçam sua presença como algo ancestral, impermeável e quase mítico. O sorriso que jamais sugere empatia, a postura sempre relaxada diante do perigo, a ausência completa de laços afetivos – tudo contribui para afastá-lo do campo humano para aproximá-lo de uma força primitiva que não precisa ser compreendida, apenas temida.

Foto: reprodução/Crunchyroll

O design do personagem, marcado por elementos que evocam rituais antigos e brutalidade ritualística, intensifica essa sensação de que Sukuna não pertence ao mesmo universo emocional dos demais personagens. Ele está lá, mas não com eles.

Por que Sukuna funciona tão bem?

A sua presença rompe a lógica narrativa que o público já aprendeu a esperar. Não há promessa de mudança, possibilidade de reconciliação ou ponto de vulnerabilidade escondido. Sukuna não se oferece como um enigma a ser decifrado, ele é um fato bruto e uma força que existe sem procurar sentido. É justamente essa ausência de justificativas que torna sua figura tão perturbadora.

Foto: reprodução/Editora Panini

Ao contrário dos vilões contemporâneos que pedem compreensão, Sukuna exige apenas que o espectador reconheça sua existência como ameaça pura. Ele é o lembrete de que o mal pode ser inabalável, arbitrário e sem cura.

O poder do vilão sem freio

Sukuna resgata o arquétipo do antagonista que desestabiliza não só o herói, mas também a própria narrativa. Sua presença impede qualquer sensação de segurança e, por isso, cada aparição sugere que o pior está sempre ao alcance. É esse risco constante que o torna tão hipnotizante.

Ele não busca redenção, não pede afeto e não pretende ser entendido. Sukuna existe para ser temido. E, nessa perspectiva, Akutami o escreve com precisão para que isso nunca seja esquecido.

Foto: reprodução/Ei Nerd

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Texto revisado por Cristiane Amarante @cris_tiane_rj

 

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Crítica | Memórias de um Verão: o luto que floresce com a natureza

Charlie McDowell transforma o romance de Tove Jansson em um drama sensorial sobre perda, reconexão e o modo como a natureza guarda e devolve tudo aquilo que a dor tenta silenciar

[Contém spoiler] 

Dirigido por Charlie McDowell e inspirado no clássico O Livro do Verão (2025), de Tove Jansson, o longa Memórias de Um Verão (2024) acompanha uma família tentando reorganizar a vida após uma perda devastadora. Estrelado por Glenn Close (101 Dálmatas, 1996) no papel da avó, Emily Matthews como a neta Sophia e Anders Danielsen Lie (A Pior Pessoa do Mundo, 2021) como o pai, o filme aposta em uma narrativa intimista ambientada em uma pequena ilha no Golfo da Finlândia – um espaço isolado onde o silêncio, a paisagem e o tempo se tornam personagens tão presentes quanto os próprios protagonistas.

Foto: divulgação/Editora WMF Martins Fontes/Entretetizei

Da fotografia melancólica aos longos planos de silêncio, o filme constrói uma experiência contemplativa que pode exigir paciência, mas também recompensa quem se permite ser abraçado pela imensidão natural que rege cada gesto dessas personagens.

Quando a poesia funciona e quando pode afastar o público

Embora Memórias de Um Verão entregue uma experiência visualmente bela e sensorial, é um filme que pode dividir o público. Sua abordagem é delicada, mas também deliberadamente lenta, tão concentrada na textura da paisagem que, para alguns espectadores, os personagens podem parecer menos definidos do que o cenário que os envolve.

Foto: reprodução/helsinkifilmi

Esse contraste ecoa críticas já dirigidas ao trabalho de McDowell, em que a química entre personagens às vezes oscila ou fica desbalanceada, como acontece na relação entre pai e filha, marcada por uma rigidez que nem sempre convence. 

Ainda assim, a força emocional da obra se impõe em momentos específicos, sobretudo nos instantes em que a narrativa abraça a perspectiva da avó e de Sofia. É quando o filme encontra sua verdade mais profunda e atinge um poder comovente, capaz de fixar na memória de quem assiste certas cenas que reverberam muito depois da sessão terminar. Para quem se conecta com um ritmo contemplativo, o filme não apenas funciona: floresce.

Da página para a tela: o espírito do romance de Tove Jansson

A adaptação mantém o coração do romance The Summer Book, de Tove Jansson, um clássico finlandês sobre o verão de uma menina com a avó enquanto ambas aprendem a conviver com o luto. O filme respeita a natureza fragmentada do livro – capítulos curtos, episódios isolados e longos silêncios –, transformando essa estrutura em fluxo visual.

Foto: reprodução/Moomin

A sensibilidade de Jansson, conhecida por observar a natureza com a mesma atenção dedicada às emoções humanas, sobrevive na forma como McDowell filma o vento balançando as folhas nas árvores, o musgo que insiste em sair do lugar, o mar calmo e a luz tímida do amanhecer, como se fossem extensões dos sentimentos dos personagens. O resultado pode parecer minimalista demais para alguns espectadores, contudo, para quem aprecia narrativas que respiram, a adaptação encontra uma fidelidade mais espiritual do que literal.

A ilha como corpo emocional

A rotina da família arrumando musgos, recolocando ramos e replantando árvores, funciona como uma metáfora imediata do que ainda não sabem fazer consigo mesmos: reorganizar o que a morte desalinhou. A casa não está apenas dentro da cabana, mas na totalidade da ilha, que se torna um microcosmo emocional onde tudo está fora do lugar e precisa ser cuidado.

Foto: reprodução/helsinkifilmi

Logo no início, McDowell cria uma fotografia que oscila entre tons terrosos, verdes e azuis, acompanhando o luto silencioso do pai e a tentativa da avó de manter algum conforto no horizonte da neta. Essa paleta muda à medida que os personagens encaram suas próprias dores, ganhando cores mais quentes quando as feridas começam, enfim, a cicatrizar.

Entre silêncios: avó, pai e filha

A avó, interpretada com sensibilidade por Glenn Close, é a ponte entre o que Sofia sente e o que o pai tenta esconder. É ela quem escuta a natureza ao amanhecer, quem se senta com a neta sem dizer nada, quem abandona seu nome na visita aos vizinhos como se não coubesse ali. Seu vínculo com a ilha é tão profundo que ela parece buscá-la como destino final – como na cena em que se deita como um corpo prestes a ser velado, uma das mais discretas e dolorosas do filme.

Foto: reprodução/helsinkifilmi

Sofia observa tudo com uma sensibilidade ainda sem linguagem. Assustada pela morte da mãe e pela distância do pai, ela procura explicações naquilo que vê: a minhoca partida ao meio, que insiste em existir, é sua primeira tentativa de entender a sobrevivência, por exemplo. É dessa busca que nasce seu impulso de escrever, e o filme revela que as cenas assistidas se tornarão seu livro de memórias.

Foto: reprodução/helsinkifilmi

O pai, interpretado por Anders Danielsen Lie, é o mais silencioso e devastado. A imagem das brasas do cachimbo – quase apagadas, mas ainda insistindo em arder – acompanha seu arco como uma metáfora precisa do luto que ele não admite sentir. Em muitos planos, algo sempre se interpõe entre ele e Sofia: troncos, portas, sombras ou galhos. O filme o enquadra de modo a revelar a distância que ele não verbaliza, sugerindo que a reconciliação entre os dois precisa primeiro atravessar esse emaranhado de obstáculos invisíveis.

Foto: reprodução/helsinkifilmi

Juntos, avó, pai e filha formam um triângulo emocional em que cada um carrega um silêncio diferente. A avó tenta mediar a dor com acolhimento, Sofia busca sentido em pequenos sinais da natureza e o pai luta para não desmoronar. É dessa fricção entre modos tão distintos de lidar com a perda que o filme extrai sua força: cada personagem é uma face do luto, e é apenas quando seus gestos finalmente se encontram – não nas palavras, mas nos olhares e no toque – que a ilha deixa de ser um espaço quebrado e volta a ser um lar possível.

Quando o verão desaba: a festa interrompida pelo luto

A Festa de Verão, que ocorre na metade do filme, deveria simbolizar renascimento e comunidade. Entretanto, a chuva repentina invade tudo, transformando-a em uma Festa de Inverno improvisada, uma imagem clara da incapacidade da família de celebrar o que quer que seja. O pai acredita que é o “fedor do luto” que afasta as pessoas; a avó rebate que, talvez, ele esteja apenas com pena de si mesmo.

Foto: reprodução/The Hollywood Reporter

Quando a chuva passa, eles tentam soltar fogos, mas apenas o terceiro dispara. A insistência funciona como metáfora da dificuldade do pai em seguir em frente e do impulso que a filha lhe dá, mesmo sem perceber. 

A tempestade que rasga o silêncio

A tempestade final é o ápice simbólico do filme. Antes dela, vemos os três no barco, sentados afastados, enquanto o luto paira entre eles. O pai deixa a avó e a filha no farol, tentando sofrer onde ninguém o veja. Todavia, Sofia percebe que ele não foi embora; apenas se esconde.

Foto: reprodução/helsinkifilmi

No barco, a menina reza por uma tempestade – um pedido que mistura culpa, raiva e saudade. E a tormenta chega, impiedosa. A trilha sonora tensa se transforma na sinfonia do caos que rege o mar em fúria, tornando-se a materialização da turbulência interna que o pai evita encarar. É só diante do perigo real que ele permite que a dor venha à tona.

No reencontro com a família, Sofia admite sua culpa por ter pedido a tempestade, e o pai confessa ter pedido também. A lembrança da esposa, que amava tempestades, desmancha a distância entre eles. Sem dizer diretamente, ele afirma que a filha não tem culpa pela morte da mãe e que a ama.

Foto: reprodução/helsinkifilmi

O abraço que segue, com Sofia adormecendo no colo do pai e a avó os envolvendo, marca o primeiro plano sem obstáculos entre eles. A tempestade passa deixando sinais na ilha, mas o álamo reerguido no início do longa começa a florescer, pois o que antes era apenas mantido agora renasce.

O que fica após o fim

Memórias de Um Verão é um filme que encontra sua força na poesia das pequenas coisas – nos silêncios, na textura da paisagem e nos gestos mínimos que carregam um mundo inteiro de significados.

Ainda que sua construção dramatúrgica possa parecer desigual para parte do público, sobretudo quando a figura paterna não se sustenta com o mesmo vigor que a dupla central, o longa entrega imagens que permanecem.

Foto: reprodução/helsinkifilmi

A adaptação do clássico de Tove Jansson captura o espírito contemplativo da obra original, mas escolhe expandi-lo para um território mais emocional, onde a tempestade interna de cada personagem ganha forma literal na tela. Poético, sensível e talvez lento demais para alguns espectadores, é o tipo de filme que ressoa mais pela atmosfera do que pela narrativa e que, apesar de suas imperfeições, deve ser lembrado justamente por essa delicadeza.

Foto: reprodução/helsinkifilmi

O filme chegou aos cinemas brasileiros em 27 de novembro, convidando o público a entrar nesse território onde o luto e a paisagem respiram juntos. Para quem quiser sentir o ritmo do filme antes da estreia, o trailer já antecipa a delicadeza visual e emocional que permeia a obra, indício de uma experiência que, mesmo suave, permanece reverberando muito depois de seus últimos minutos.

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Leia também: Memórias de Um Verão, com Glenn Close, estreia nos cinemas em 27 de novembro

 

Texto revisado por Kaylanne Faustino

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Cinema Notícias

Live-action de Enrolados: atores que darão vida a Rapunzel e Flynn Rider são revelados

O projeto marca mais uma adaptação em live-action de um dos clássicos animados do estúdio

2026 começou com uma notícia aguardada pelos fãs de Enrolados: o filme terá, finalmente, seu tão esperado live-action. Lançada pela Disney em 2010, a animação conquistou o público e, agora, ganha uma nova versão para o cinema. Diante disso, dois nomes importantes foram confirmados, deixando os fãs ainda mais animados.

Foto: reprodução/Instagram @teagancroft

Teagan Croft, atriz australiana conhecida por seus trabalhos em Titãs (2018–2023) e Lendas do Amanhã (2016–2022), dará vida à Rapunzel, a jovem princesa de longos cabelos dourados que passou grande parte da vida isolada em uma torre e sonha em conhecer o mundo além de suas janelas. Ao longo da trama, a personagem embarca em uma jornada de autodescoberta, liberdade e coragem.

Foto: reprodução/Instagram @milomanheim

Milo Manheim, ator norte-americano conhecido por interpretar Zed na franquia Zombies (2018), da Disney, foi escolhido para viver Flynn Rider, o carismático ladrão de bom coração que acaba se tornando o parceiro improvável de Rapunzel em sua jornada fora da torre.

Outros nomes ainda devem ser confirmados no elenco, mantendo o público na expectativa para saber quem dará vida aos demais personagens.

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Leia também: O que assistir nas férias? 6 filmes leves e divertidos para o verão 

Texto revisado por Laura Maria Fernandes de Carvalho 

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Cinema Notícias Séries

A vida continua prestando em 2026: Wagner Moura e O Agente Secreto levam o Globo de Ouro

Brasil faz história no Globo de Ouro 2026, enquanto cinema asiático e novas narrativas consolidam uma temporada que amplia o mapa da cultura global

A noite no hotel The Beverly Hilton foi daquelas que ficam gravadas na memória de quem acompanha os movimentos da indústria cinematográfica. Se em 2025 o Brasil já tinha ocupado um espaço legítimo com Fernanda Torres, 2026 chegou para carimbar que nossa narrativa é incontornável. Wagner Moura fez história ao se tornar o primeiro homem brasileiro a vencer o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama. O Armando de O Agente Secreto (2025) não é apenas um papel de thriller; é uma construção densa de um ator que, sob a direção cirúrgica de Kleber Mendonça Filho, colocou o cinema nacional no centro da conversa global.

O Agente Secreto saindo com o troféu de Melhor Filme de Língua Não Inglesa confirma que a paranoia histórica brasileira e o suor do nosso Carnaval possuem uma linguagem que atravessa fronteiras. Kleber Mendonça Filho superou produções pesadíssimas, mostrando que o Brasil é hoje um dos pólos mais interessantes do cinema mundial.

Wagner Moura
Foto: reprodução/G1

Mas a festa foi além das nossas conquistas. A representatividade amarela brilhou com uma força legítima. Chloé Zhao levou o prêmio de Melhor Filme por Hamnet (2025), provando que sua visão íntima e contemplativa continua sendo o fôlego que o cinema contemporâneo busca.

Foto: reprodução/deadline

Para quem respira cultura pop coreana, foi emocionante ver o domínio de Guerreiras do K-pop (2025). A animação levou sua categoria e ainda desbancou hits de grandes nomes em Melhor Canção Original com Golden. É o K-pop provando que sua estética e suas histórias são o combustível que mantém a indústria relevante e jovem. E a presença de Lee Byung-hun entre os indicados por No Other Choice (2025) só reforça que a Coreia do Sul estabeleceu um padrão de qualidade que redefiniu o mercado.

Foto: reprodução/billboard brasil

O Globo de Ouro 2026 termina com um recado: o mundo ficou mais amplo e definitivamente mais interessante de se assistir e, se isso é um termômetro para o Oscar, é melhor a gente já ir preparando o estoque de café e bandeiras, porque o topo nunca pareceu tão nosso.

Confira a lista Completa de Vencedores do Globo de Ouro 2026

Filmes:

Melhor Filme de Drama: Hamnet
Melhor Filme de Comédia ou Musical: Uma Batalha Após a Outra
Melhor Direção: Paul Thomas Anderson — Uma Batalha Após a Outra
Melhor Ator em Filme de Drama: Wagner Moura — O Agente Secreto
Melhor Atriz em Filme de Drama: Jessie Buckley — Hamnet
Melhor Ator em Filme de Comédia ou Musical: Timothée Chalamet — Marty Supreme
Melhor Atriz em Filme de Comédia ou Musical: Rose Byrne — Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
Melhor Ator Coadjuvante: Stellan Skarsgård — Valor Sentimental
Melhor Atriz Coadjuvante: Teyana Taylor — Uma Batalha Após a Outra
Melhor Roteiro: Uma Batalha Após a Outra
Melhor Trilha Sonora: Pecadores
Melhor Canção Original: Golden — Guerreiras do K-pop
Melhor Filme de Língua Não Inglesa: O Agente Secreto (Brasil)
Melhor Filme de Animação: Guerreiras do K-pop
Maior Conquista Cinematográfica e de Bilheteria: Pecadores

Televisão:

Melhor Série de Drama: The Pitt
Melhor Ator de Drama em Série de TV: Noah Wyle — The Pitt
Melhor Atriz de Drama em Série de TV: Rhea Seehorn — Pluribus
Melhor Série de Comédia: O Estúdio
Melhor Ator em Série de Comédia ou Musical: Seth Rogen — O Estúdio
Melhor Atriz em Série de Comédia ou Musical: Jean Smart — Hacks
Melhor Filme para TV ou Série Limitada: Adolescência
Melhor Ator de Filme para TV ou Série Limitada: Stephen Graham — Adolescência
Melhor Atriz de Filme para TV ou Série Limitada: Michelle Williams — Morrendo por Sexo
Melhor Ator Coadjuvante — Televisão: Owen Cooper — Adolescência
Melhor Atriz Coadjuvante — Televisão: Erin Doherty — Adolescência
Melhor Performance de Comédia Stand-Up na TV: Ricky Gervais — Mortality
Melhor Podcast: Good Hang With Amy Poehler

Quais são suas apostas para o Oscar? Compartilhe com a gente nas redes sociais do Entretê – Facebook, Instagram e X – e nos siga para ficar por dentro de todas as novidades do mundo do entretenimento e da cultura.

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Texto revisado por Simone Tesser @simone_alleotti

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