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BTS lança clipe de Merry Go Round com referência emocionante a Spring Day

Nova faixa do álbum ARIRANG aborda amadurecimento, ciclos da vida e os sentimentos vividos pelos integrantes após o serviço militar

O BTS surpreendeu os fãs nesta sexta (19) com o lançamento do clipe de Merry Go Round. A produção rapidamente movimentou as redes sociais, especialmente entre os ARMYs, que não demoraram a encontrar referências e simbolismos conectados à trajetória do grupo.

Logo nas primeiras cenas, os fãs mais atentos perceberam uma referência direta a Spring Day, uma das músicas mais emblemáticas da carreira do septeto. A frase you never walk alone aparece no vídeo e funciona como uma conexão emocional entre diferentes momentos da discografia do BTS, reforçando temas como saudade, crescimento e esperança.

Em Merry Go Round, o grupo explora sentimentos ligados ao amadurecimento e à sensação de estar preso em ciclos que parecem se repetir continuamente. A música também traz reflexões sobre as mudanças vividas pelos integrantes nos últimos anos, especialmente durante o período de serviço militar obrigatório na Coreia do Sul.

Durante uma transmissão ao vivo, RM revelou que a imagem de um carrossel esteve presente em seus pensamentos por muito tempo, inclusive durante o alistamento militar. Segundo o artista, a faixa nasceu dessa sensação de estar girando sem conseguir descer, uma metáfora para os desafios, dúvidas e emoções acumulados ao longo da vida.

O líder do BTS também destacou que Merry Go Round é uma das músicas mais melancólicas de ARIRANG, novo álbum do grupo lançado em março. A canção aborda temas como culpa, exaustão emocional e a busca por respostas em meio às incertezas da vida adulta.

Com uma letra introspectiva e uma estética carregada de simbolismos, Merry Go Round reforça uma das características mais marcantes do BTS: a capacidade de transformar experiências pessoais em histórias universais. Ao revisitar elementos que remetem a Spring Day, o grupo cria uma ponte entre diferentes fases de sua carreira, oferecendo aos fãs uma nova perspectiva sobre recomeços, crescimento e a passagem do tempo.

 

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Leia também: B-ARMYs Acadêmicas está de volta: projeto que conecta BTS, fandom e pesquisa retorna em nova fase

 

Texto revisado por Alexia Friedmann

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Dia do Cinema Nacional: Confira 7 filmes brasileiros que você precisa assistir no Tela Brasil

A lista reúne filmes, documentários e curtas para assistir no streaming que está popularizando o acesso à cultura nacional

Neste dia do cinema nacional (19), a democratização do acesso a filmes brasileiros está cada vez maior, e você pode conferir gratuitamente obras essenciais que moldaram nossa cultura e nosso pensamento, com temáticas contemporâneas ou clássicas. Depois de um ano de espera, lançado em 30 de maio, durante o Rio2C, o streaming Tela Brasil está no ar reunindo filmes, séries, documentários, curtas, médias-metragens e produções seriadas nacionais em um único ambiente digital, a primeira plataforma pública federal de streaming dedicada ao audiovisual brasileiro. 

O serviço é gratuito e funciona por meio de login de usuários já cadastrados no Gov.br. Inicialmente, a plataforma criada pelo Governo Federal e pelo Ministério da Cultura incluiu cerca de 555 títulos brasileiros no catálogo, produzidos entre 1910 e 2025, abrangendo clássicos do cinema nacional, conteúdos educativos e obras que já representaram o Brasil no Oscar, entre elas, 19 longas que disputaram a categoria de melhor filme internacional. A maioria são curtas-metragens, uma boa oportunidade para conferir produções muito boas que raramente chegam ao grande público, já que às vezes nem entram nas telas ou plataformas comerciais. 

A plataforma pode ser acessada pela web, e as versões para o celular ainda estão sendo desenvolvidas e devem ser lançadas em breve. Pensando nisso, o Entretê selecionou sete filmes que valem a pena conferir no Tela Brasil neste dia do cinema nacional, em um movimento de prestígio à nossa cultura e de ampliação do alcance de produções nacionais, garantindo o direito cultural à população brasileira. 

Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)

Foto: reprodução/Paulo Gil Soares

 

Marco do cinema novo, o clássico dirigido por Glauber Rocha, Deus e o Diabo na Terra do Sol, é um filme de 1964 que acompanha Manuel (Geraldo Del Rey), um vaqueiro que se revolta por ser explorado pelo Coronel Moraes e mata o homem em uma briga. Perseguido por jagunços, ele foge com sua esposa, Rosa (Yoná Magalhães), e se junta a um grupo de seguidores do beato Sebastião (Lídio Silva) que promete o fim do sofrimento por meio do retorno do catolicismo místico e de rituais. Enquanto isso, o matador de cangaceiros Antônio das Mortes (Maurício do Valle) é contratado para exterminar os seguidores do beato, tudo isso com o sertão como pano de fundo. O casal Manuel e Rosa atravessa uma jornada intensa cheia de reviravoltas, violência e injustiça social pelo caminho. 

O filme estreou no Festival de Cannes de 1964, onde competiu pela Palma de Ouro, prêmio de maior prestígio do Festival. Entre os inúmeros prêmios recebidos estão o Prêmio Especial do Júri no Festival de Acapulco em 1966 e o Prêmio Saci de Melhor Produtor para Luiz Augusto Mendes e Melhor Ator Coadjuvante para Maurício do Valle em 1965. Deus e o Diabo na Terra do Sol é uma obra emblemática do cinema brasileiro e foi escolhida pelo Ministério das Relações Exteriores como representante do Brasil ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 1965, embora não tenha sido indicada na categoria. A obra ainda ocupa o segundo lugar na lista da Abraccine dos cem melhores filmes brasileiros de todos os tempos. Não pode deixar de conferir!

A Hora da Estrela (1985)

Foto: divulgação/Vitrine Filmes

Baseado no romance de Clarice Lispector e dirigido por Suzana Amaral, A Hora da Estrela (1985) conta a história breve e triste de Macabéa (Marcélia Cartaxo), uma nordestina de 19 anos, semianalfabeta, sem condições de se sustentar decentemente, órfã de pai, mãe e da tia que a criou. Ela migra para São Paulo em busca de melhores condições e oportunidades. Lá ela se torna datilógrafa e passa a morar em uma pensão com outras três mulheres. 

Macabéa nunca teve grandes emoções na vida e é indiferente a elas. Conhece então Olímpico de Jesus (José Dumont), um operário metalúrgico, e os dois começam a namorar. Porém a relação não avança: Olímpico acaba trocando Macabéa, a quem chama de cabelo na sopa, por Glória (Tamara Taxman), colega de trabalho dela. Glória então recomenda à moça uma cartomante para que se sinta melhor e tenha expectativas mais positivas sobre a vida. A cartomante diz que a sua vida irá mudar: o ex vai querer voltar, ela vai ganhar uma grande fortuna e vai se casar com um gringo lindo que se apaixonará por ela. 

O filme foi realizado pela Embrafilme e produzido pela Raiz Produções. Estreou no Festival de Cinema de Brasília em 1985, onde levou quase todos os prêmios, e foi exibido também no Festival de Cinema de Berlim em 1986, onde recebeu inclusive o Urso de Prata de Melhor Atriz para Marcélia Cartaxo, um feito surpreendente para uma produção nacional. O filme é considerado um clássico do cinema brasileiro, abordando injustiças sociais, amores, solidão e invisibilidade social. 

Olga (2004)

Foto: divulgação/Globo Filmes

Um drama histórico maravilhoso e digno de apreciação! Jayme Monjardim dirigiu em 2004 o filme Olga, um dos filmes brasileiros mais impactantes e à altura de produções internacionais. Acompanhando a ativista Olga Benário (Camila Morgado) até o seu fim trágico nas câmaras de gás nazistas, o longa dá o peso necessário a uma das histórias mais emblemáticas da Segunda Guerra Mundial. Inspirado na biografia escrita por Fernando Morais sobre a ativista alemã, judia e comunista, o filme retrata a trajetória de dor, luta e revolta de Olga entre guerras e revoluções: deportada pelo Governo Vargas para a Alemanha nazista, ela tem sua filha, Anita Leocádia, na prisão feminina de um campo de concentração e, afastada da menina, é enviada para uma camâra de gás, onde é morta. 

Olga foi um grande sucesso de bilheteria, audacioso, voraz, intenso e capaz de emocionar e revoltar o público. A obra também recebeu vários prêmios no Grande Prêmio Brasileiro de Cinema de 2006.

Carandiru (2003)

Foto: divulgação/Globo Filmes

Carandiru é a adaptação cinematográfica do livro Estação Carandiru, escrito por Drauzio Varella, e é um grande marco do cinema brasileiro. A obra acompanha um médico que atua na prevenção do vírus HIV na famosa penitenciária e conta ainda histórias de detentos do presídio que foi a maior prisão da América Latina

A narrativa culmina no massacre de 1992 ocorrido no local, em que 111 prisioneiros foram mortos, 102 deles pela polícia. O próprio presídio foi usado como locação das filmagens antes de ser demolido em 2002. 

Dirigido por Héctor Babenco, que chegou a afirmar que Carandiru foi o filme mais realista que já fez, o longa é cru, descomedido e cruel. Com influência no Cinema Novo, retrata a realidade dura dos presídios brasileiros, usando inclusive prisioneiros reais em algumas cenas. Em novembro de 2015, o filme entrou na lista da Abraccine dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos

A obra aborda a trajetória dos detentos, suas histórias, dores, amizades e violência, além da superlotação das cadeias e da precariedade dos serviços no local. As condições inumanas que os presidiários são submetidos dão um choque de realidade em qualquer um que assiste.

Ilha das Flores (1989)

Foto: reprodução/folhapress

O curta-metragem começa com um tomate sendo plantado, em um tom anacrônico, simples e talvez até quase bizarro, mas quem permanece assistindo encontra uma realidade do dia a dia de todos os brasileiros: o alimento é transportado, levado a um supermercado, mas estraga e é descartado no lixo. 

O alimento estragado vai para um aterro sanitário chamado Ilha das Flores, título da obra, onde apodrece e não serve nem para os porcos. Esse alimento então é dado para mulheres e crianças pobres comerem. Com linguagem ácida e quase científica, o curta mostra um retrato cruel e pesado da desigualdade social, em que pessoas pobres são tratadas como lixo e descarte humano. O próprio roteirista e diretor do curta, Jorge Furtado, já afirmou que o texto do filme é inspirado em suas leituras de Kurt Vonnegut e nos filmes de Alain Resnais

Em maio de 2019, o filme foi eleito pela Abraccine como o melhor curta-metragem brasileiro da história. Vale a pena conferir!

Terra para Rose (1987)

Foto: reprodução/Walter Carvalho

O filme retrata a ocupação de uma terra no Rio Grande do Sul, ação realizada pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Narrado pela atriz e ativista Lucélia Santos, Terra para Rose expõe a desigualdade no campo brasileiro. Após a eleição de Tancredo Neves e a posse de José Sarney, o Brasil sonhava com a redemocratização e com um novo tempo de esperanças. O governo federal anunciou medidas voltadas à redistribuição de terras, e o então ministro Nelson Rodrigues estimou que seriam necessários dez anos para acabar com os latifúndios no país. O filme apresenta a luta pela reforma agrária brasileira e a participação de diversas mulheres no conflito da Fazenda Annoni, ocupada por 1500 famílias no Rio Grande do Sul. A figura central é Rose, que luta para dar uma vida digna ao filho pequeno. 

Xica da Silva (1976)

Foto: reprodução/José Medeiros

Cacá Diegues dirigiu o longa que narra a trajetória de uma mulher escravizada, a emblemática Xica da Silva (Zezé Motta), figura histórica e real que viveu na segunda metade do século XVII e conquistou poder, força e influência durante o período colonial brasileiro. Ela passou a promover festas de luxo e se tornou a dama da sociedade de Diamantina, com exibições de grupos de teatro europeus e banquetes, uma ostentação que fez com que sua fama chegasse até a corte portuguesa. O filme trata-se de uma adaptação do livro homônimo de João Felício dos Santos, de 1976. Mais tarde, a história também seria adaptada para a TV como uma novela de bastante sucesso, protagonizada por Taís Araújo na Rede Manchete

O que é isso companheiro (1997)

Foto: reprodução/Globo FIlmes

Dirigido por Bruno Barreto, com roteiro parcialmente baseado no livro de Fernando Gabeira de mesmo nome de 1979, o longa concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1998. O enredo, que conta com diversas licenças ficcionais, retrata a história real do sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick, ocorrido em 1969 por integrantes dos grupos guerrilheiros de esquerda MR-8 e a Ação Libertadora Nacional, que lutavam contra o regime militar instaurado no país em 1964. É um retrato poético e ficcional de uma época de luta e reconstrução brasileira, um resgate de um período histórico marcante, com um elenco de peso que reúne nomes como Fernanda Torres, Pedro Cardoso, Selton Mello, Fernanda Montenegro e Cláudia Abreu o elenco já vale o filme, viu. Imperdível!

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Texto revisado por Alexia Friedmann

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GAHO anuncia turnê pelo Brasil com oito cidades confirmadas

Cantor conhecido por dar voz a trilhas sonoras de sucessos dos K-dramas desembarca no país em agosto para série de apresentações

Os fãs brasileiros de K-dramas já têm mais um motivo para comemorar. O cantor sul-coreano GAHO anunciou sua nova passagem pelo Brasil com a TO MARS TOUR, que percorrerá oito cidades entre agosto e setembro.

Conhecido por emprestar sua voz a algumas das trilhas sonoras mais marcantes dos dramas coreanos dos últimos anos, o artista passará por São Paulo, São Luís, Belém, Fortaleza, Salvador, Florianópolis, Porto Alegre e Curitiba, levando aos palcos um repertório que mistura seus maiores sucessos e os lançamentos mais recentes da carreira.

A turnê começa no dia 22 de agosto, em São Paulo, e os ingressos estarão disponíveis para compra a partir de 21 de junho, ao meio-dia.

Para muitos fãs, GAHO se tornou uma presença constante nas playlists de K-dramas graças a músicas que ajudaram a embalar algumas das cenas mais emocionantes da televisão sul-coreana. Entre elas está Start Over, trilha do fenômeno Itaewon Class (2020), além de Yellow Light, canção que integrou a trilha sonora de Sorriso Real (2023).

Mas a trajetória do artista vai muito além das OSTs. Ao longo dos anos, GAHO construiu uma discografia própria marcada por influências do pop, rock e R&B, consolidando uma identidade musical que conquistou ouvintes dentro e fora da Coreia do Sul.

Em 2023, o Entretê entrevistou o cantor, que falou sobre os seus projetos da época, suas OSTs e o desejo de vir ao brasil. Confira: 

Confira as cidades da TO MARS TOUR
  • 22 de agosto – São Paulo
  • 23 de agosto – São Luís
  • 28 de agosto – Belém
  • 30 de agosto – Fortaleza
  • 1º de setembro – Salvador
  • 3 de setembro – Florianópolis
  • 4 de setembro – Porto Alegre
  • 5 de setembro – Curitiba

GAHO

To Mars dá nome à nova fase do cantor

O lançamento mais recente de GAHO chegou em abril com a faixa To Mars, música que inspira o nome da nova turnê. A canção foi produzida em parceria com James Essien, compositor e produtor que também participou de trabalhos recentes como SWIM, do BTS, além das faixas Aliens e Please, presentes no álbum ARIRANG.

Agora, o artista se prepara para reencontrar o público brasileiro em uma série de apresentações que prometem reunir fãs de música coreana e apaixonados pelos K-dramas que ajudaram a transformar sua voz em uma das mais reconhecidas da atualidade.

 

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Leia também: 11 K-dramas que vão fazer 10 anos em 2026 e ainda são absolutamente inesquecíveis

 

Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz 

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Alice Oseman, escritora de Heartstopper, virá ao Brasil para a Bienal do Livro de São Paulo 2026

A autora de Heartstopper, Alice Oseman, participará de painéis, sessões de autógrafos e ainda fará um evento especial no Rio de Janeiro

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Como Navegar o Abismo: Paula Gicovate lança livro sobre luto, recomeço e laços familiares

Romance acompanha a jornada de uma chef de cozinha que redescobre sua força através do afeto e da culinária

Em Como Navegar o Abismo, Paula Gicovate explora a vida de Nara, uma chef de cozinha que enfrenta dificuldades após a perda de sua mãe. Aqui, ela traz uma narrativa que envolve luto e reconstrução.

Enquanto absorve e tenta entender o que aconteceu, a protagonista encara os deveres familiares ao mesmo tempo em que encontra a herança emocional de três gerações de mulheres. Assim, com a morte da mãe, Nara deixa a vida que construiu no Rio de Janeiro e retorna a Fontana, sua cidade natal.

A trama se desenvolve a partir do questionamento: “Quando uma versão de nós morre junto com alguém que amamos, quem nos tornamos?”

Ao acompanhar o encontro entre Nara e sua avó, assim como as diferentes formas de passar pelo luto, a autora mostra uma narrativa sobre reinvenção e explora outros pontos como a maternidade sob uma perspectiva realista, em que o amor se junta ao fardo.

Mesmo diante de tamanho sofrimento, a personagem decide tentar se reencontrar na dedicação ao que mais ama: cozinhar. Os sabores afetivos agem aqui como um caminho para que ela não sucumba ao vazio.

O livro de Paula Gicovate será lançado em 29 de junho de 2026, pela editora Record. Haverá também um evento de lançamento na quinta-feira, 18 de junho, às 19h, na Janela Livraria Jardim Botânico (Rio de Janeiro), com bate-papo da autora com Ana Lima Cecílio e sessão de autógrafos. 

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Texto revisado por Luana Chicol

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118 anos da imigração japonesa no Brasil: a história que ajudou a moldar nossa paixão pela cultura nipônica

Dos primeiros imigrantes que chegaram ao Porto de Santos em 1908 aos milhões de brasileiros apaixonados por animes, mangás, gastronomia e tradições japonesas, a trajetória da comunidade japonesa no país é uma das mais fascinantes da nossa história

No dia 18 de junho de 2026, o Brasil celebra 118 anos de uma história que atravessou oceanos, enfrentou desafios e ajudou a transformar profundamente a identidade cultural do país. Foi nessa data, em 1908, que o navio Kasato Maru atracou no Porto de Santos trazendo os primeiros imigrantes japoneses que chegaram oficialmente ao Brasil. O que começou como uma busca por trabalho e melhores condições de vida acabaria se tornando uma das mais importantes histórias de imigração do mundo.

Mais de um século depois, o Brasil abriga a maior comunidade de descendentes de japoneses fora do Japão. Estima-se que cerca de 2 milhões de nikkeis vivam no país, resultado de uma trajetória construída por gerações que contribuíram para diferentes áreas da sociedade brasileira. A influência dessa comunidade pode ser observada na agricultura, na gastronomia, nas artes, na educação e até mesmo no entretenimento consumido diariamente por milhões de pessoas.

Para muitos brasileiros, o primeiro contato com o Japão aconteceu muito antes de uma primeira viagem internacional ou de uma aula de história. Foi assistindo a Dragon Ball (1986) nas manhãs da televisão aberta, acompanhando as aventuras de Naruto (2002), emocionando-se com Os Cavaleiros do Zodíaco (1986) ou mergulhando nos universos criados por obras como Sailor Moon (1991), One Piece (1997) e, mais recentemente, Demon Slayer (2018) e Jujutsu Kaisen (2020). Para outros, a aproximação veio através da gastronomia, dos festivais culturais, das artes marciais ou das ruas movimentadas da Liberdade, em São Paulo.

Por trás dessa conexão existe uma história centenária construída por homens, mulheres e crianças que deixaram tudo para trás em busca de uma nova oportunidade. Uma trajetória marcada por adaptação, dificuldades, crescimento e pela construção de uma identidade que hoje faz parte da própria história brasileira.

Como Brasil e Japão cruzaram seus destinos e deram início a uma das maiores histórias de imigração do mundo

No início do século XX, Brasil e Japão viviam momentos decisivos de suas histórias. Embora estivessem separados por milhares de quilômetros e realidades completamente diferentes, os dois países acabariam encontrando interesses em comum que mudariam seus destinos.

O Japão atravessava um intenso processo de modernização durante a Era Meiji, período iniciado em 1868 que promoveu profundas transformações políticas, econômicas e sociais. A industrialização avançava rapidamente, a população crescia e a vida nas áreas rurais se tornava cada vez mais difícil para milhares de famílias. A escassez de terras cultiváveis e as dificuldades econômicas levaram o governo japonês a incentivar a emigração como uma alternativa para parte da população.

imigração japonesa
Foto: reprodução/aventuras na história

Enquanto isso, o Brasil enfrentava um desafio diferente. A economia cafeeira seguia em expansão e demandava cada vez mais trabalhadores para manter a produção. Após a abolição da escravatura, em 1888, os fazendeiros passaram a depender da imigração para suprir a falta de mão de obra. Durante alguns anos, italianos formaram a maior parcela desses trabalhadores, mas a redução da imigração subsidiada da Itália no início dos anos 1900 obrigou o governo brasileiro a buscar novas alternativas.

Foi nesse contexto que surgiram as negociações entre Brasil e Japão. Antes mesmo da assinatura dos acordos migratórios, o deputado japonês Tadashi Nemoto visitou diferentes regiões brasileiras para avaliar as condições oferecidas aos futuros imigrantes. O relatório produzido após a viagem foi favorável e ajudou a abrir caminho para o início da imigração japonesa em larga escala.

Para muitos daqueles que se candidataram à viagem, o Brasil era praticamente um território desconhecido. A expectativa era trabalhar durante alguns anos, economizar dinheiro e retornar ao Japão em melhores condições financeiras. Poucos imaginavam que acabariam construindo famílias, cidades e comunidades inteiras do outro lado do mundo.

Kasato Maru: a viagem que mudou para sempre a história do Brasil

Em 28 de abril de 1908, o Kasato Maru deixou o porto de Kobe carregando 781 passageiros rumo ao Brasil. A bordo estavam famílias inteiras, agricultores, trabalhadores rurais e pessoas que apostaram em uma oportunidade de recomeço. Durante 52 dias, eles atravessaram oceanos sem saber exatamente o que encontrariam quando chegassem ao destino final.

imigração japonesa
Foto: reprodução/aventuras na história

O desembarque aconteceu em 18 de junho de 1908, no Porto de Santos, data que se tornaria um marco na história da imigração japonesa. Após a chegada, os passageiros foram encaminhados para a Hospedaria dos Imigrantes do Brás, em São Paulo, e posteriormente distribuídos para fazendas de café do interior paulista.

A realidade encontrada era muito diferente daquela apresentada durante o recrutamento. As condições de trabalho eram duras, o idioma dificultava a comunicação, os hábitos alimentares eram completamente diferentes e a adaptação ao clima brasileiro exigia um esforço constante. Muitos imigrantes enfrentaram frustrações logo nos primeiros meses e passaram a procurar alternativas fora das fazendas onde haviam sido contratados.

imigração japonesa

As dificuldades foram tão grandes que parte dos trabalhadores abandonou os contratos pouco tempo depois da chegada. Ainda assim, diversas famílias decidiram permanecer no país e buscar novos caminhos. Aos poucos, começaram a adquirir pequenas propriedades rurais, organizar associações e construir as primeiras comunidades japonesas em território brasileiro.

Nos anos seguintes, novas embarcações continuaram a chegar ao Brasil. Em 1910, o Ryojun Maru trouxe mais de 900 imigrantes, fortalecendo um fluxo migratório que cresceria significativamente nas décadas seguintes. O projeto temporário imaginado por muitos dos pioneiros começava a dar lugar a uma nova realidade: a construção de uma vida definitiva em solo brasileiro.

A chegada do Kasato Maru marcou apenas o início de uma trajetória que se expandiria para muito além das lavouras de café. Nas décadas seguintes, os imigrantes japoneses participariam do desenvolvimento de cidades, transformariam práticas agrícolas e ajudariam a construir uma das comunidades mais influentes da história da imigração no Brasil.

Dos cafezais ao protagonismo no campo: como os imigrantes japoneses contribuíram para transformar a agricultura brasileira

Se os primeiros anos da imigração japonesa foram marcados pelas dificuldades enfrentadas nas fazendas de café, as décadas seguintes mostrariam que a presença dessa comunidade teria impacto muito maior na agricultura brasileira. Aos poucos, muitas famílias deixaram as grandes propriedades e passaram a investir em pequenos lotes de terra, iniciando uma nova etapa de autonomia e desenvolvimento.

Ao longo das décadas de 1910, 1920 e 1930, comunidades japonesas se estabeleceram principalmente no interior de São Paulo e no norte do Paraná. Nessas regiões, passaram a atuar no cultivo de frutas, hortaliças, arroz, chá, algodão e flores, contribuindo para a diversificação da produção agrícola brasileira. Em muitos casos, agricultores japoneses introduziram técnicas de cultivo e formas de organização que ajudaram a aumentar a produtividade e aproveitar melhor áreas antes consideradas pouco favoráveis para determinadas culturas.

imigração japonesa
Foto: reprodução/descubra nikkei

O cultivo do caqui, da mexerica ponkan e de diferentes variedades de uva ganhou força graças ao trabalho dessas comunidades. Em diversas cidades do interior paulista, a presença japonesa passou a fazer parte da identidade local, influenciando não apenas a economia, mas também a cultura e a formação dessas regiões.

Bastos é um dos exemplos mais conhecidos dessa trajetória. Fundada em uma área que recebeu grande número de imigrantes japoneses, a cidade se tornou uma das principais produtoras de ovos do país, atividade que continua sendo uma de suas marcas até hoje. Já no Pará, agricultores japoneses tiveram papel importante no desenvolvimento do cultivo da pimenta-do-reino, que durante décadas foi uma das culturas mais relevantes para a economia local.

imigração japonesa
Foto: reprodução/descubra nikkei

Outro marco desse período foi a fundação da Cooperativa Agrícola de Cotia, em 1926. Criada por agricultores japoneses, a cooperativa se transformou em uma das maiores organizações agrícolas do Brasil ao longo do século XX. Seu crescimento ajudou milhares de produtores rurais e se tornou um exemplo da importância do cooperativismo para o desenvolvimento econômico de diversas regiões.

A expansão dessas atividades fez com que a comunidade japonesa deixasse de ser associada exclusivamente ao trabalho nas fazendas de café. Ao longo das décadas, agricultores e empreendedores japoneses passaram a ocupar papel importante na produção de alimentos, no abastecimento das cidades e no fortalecimento da agricultura brasileira.

Quando a guerra atravessou oceanos: perseguições, restrições e os desafios enfrentados pela comunidade japonesa no Brasil

Entre as décadas de 1920 e 1930, a imigração japonesa viveu seu período de maior crescimento. Escolas, jornais, associações culturais e cooperativas foram criados em diferentes regiões do país, fortalecendo os laços entre os imigrantes e ajudando a preservar aspectos da cultura japonesa em território brasileiro. Essa trajetória sofreu uma interrupção brusca com a Segunda Guerra Mundial.

Quando o Brasil rompeu relações diplomáticas com o Japão e posteriormente se juntou aos Aliados, a comunidade japonesa passou a enfrentar uma série de restrições impostas pelo governo brasileiro. Assim como aconteceu com comunidades alemãs e italianas, os japoneses passaram a ser vistos com desconfiança pelas autoridades.

O uso do idioma japonês em espaços públicos foi proibido. Escolas foram fechadas, jornais deixaram de circular e diversas associações tiveram suas atividades suspensas. Em algumas regiões, famílias foram obrigadas a deixar áreas consideradas estratégicas para a segurança nacional. A circulação de informações também foi fortemente limitada, dificultando o contato dos imigrantes com notícias vindas do Japão.

imigração japonesa
Foto: reprodução/descubra nikkei

Para milhares de famílias, aquele período foi marcado pelo isolamento e pela insegurança. Pessoas que viviam no Brasil há décadas passaram a enfrentar dificuldades para manter tradições culturais que faziam parte de sua rotina. Muitas atividades precisaram ser realizadas de forma discreta, dentro das próprias casas e comunidades.

O fim da guerra trouxe novos desafios. A dificuldade de acesso a informações confiáveis durante o conflito gerou divisões dentro da própria comunidade japonesa. Um dos episódios mais delicados desse período foi a atuação da Shindo Renmei, organização formada por imigrantes que não acreditavam na rendição do Japão ao final da guerra.

imigração japonesa
Foto: reprodução/descubra nikkei

A organização passou a perseguir membros da comunidade que reconheciam a derrota japonesa, gerando conflitos que deixaram marcas profundas na história da imigração japonesa no Brasil. O tema ainda é tratado com cautela por muitos descendentes, mas representa um capítulo importante para compreender a complexidade das experiências vividas pela comunidade naquele período.

Apesar das dificuldades, a cultura japonesa continuou sendo preservada. Com o fim das restrições, associações voltaram a funcionar, festivais foram retomados e a comunidade iniciou um novo processo de reorganização. O período pós-guerra marcaria o início de uma nova fase, em que os filhos e netos dos primeiros imigrantes passariam a ocupar espaços cada vez mais diversos na sociedade brasileira.

Da lavoura às universidades: a geração que ampliou a presença nikkei na sociedade brasileira

A partir da década de 1950, a comunidade japonesa começou a viver uma transformação significativa. Se a primeira geração ficou conhecida principalmente pela atuação na agricultura, as gerações seguintes passaram a ocupar espaços em áreas cada vez mais variadas.

O acesso à educação ganhou destaque dentro de muitas famílias de imigrantes. Em um período marcado pela reconstrução da comunidade após a guerra, o investimento nos estudos passou a ser visto como uma forma de ampliar oportunidades e garantir maior estabilidade para as novas gerações.

Nas décadas seguintes, descendentes de japoneses passaram a se destacar em áreas como medicina, engenharia, direito, pesquisa científica, educação, administração pública e empreendedorismo. Esse movimento acompanhou um processo mais amplo de urbanização, que levou muitas famílias a deixarem áreas rurais e buscarem oportunidades nas grandes cidades.

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Foto: reprodução/paraná histórica

São Paulo se consolidou como o principal centro da comunidade japonesa no Brasil. A cidade passou a concentrar instituições culturais, associações, escolas e empresas ligadas à comunidade nikkei, fortalecendo ainda mais sua presença na vida econômica e cultural do país.

Ao mesmo tempo, uma nova geração passou a construir identidades que conciliavam referências japonesas e brasileiras. Filhos e netos dos primeiros imigrantes cresceram falando português, estudando em escolas brasileiras e participando ativamente da sociedade, sem romper completamente os laços com as tradições familiares.

Esse processo ajudou a ampliar a visibilidade da comunidade japonesa em diferentes setores. Médicos, pesquisadores, artistas, professores, empresários e políticos descendentes de japoneses passaram a ocupar posições de destaque e a contribuir para a construção da sociedade brasileira em múltiplas áreas.

Ao final da segunda metade do século XX, a presença nikkei já podia ser observada muito além das regiões agrícolas onde a imigração havia começado. A comunidade estava inserida em diferentes espaços da vida brasileira e se preparava para viver novas transformações nas décadas seguintes.

Liberdade: como um bairro paulistano se tornou o principal símbolo da cultura japonesa no Brasil

Falar sobre a presença japonesa no Brasil é, inevitavelmente, falar sobre a Liberdade. Localizado na região central de São Paulo, o bairro se transformou ao longo do século XX em um dos principais pontos de encontro da comunidade japonesa e, posteriormente, em uma das maiores referências da cultura asiática fora da Ásia.

A história da Liberdade, no entanto, começou muito antes da chegada dos imigrantes japoneses. A região possui raízes ligadas ao período colonial e guarda memórias importantes da população negra paulistana. Foi apenas nas primeiras décadas do século XX que o bairro começou a receber um número crescente de japoneses atraídos pela proximidade com o centro da cidade e pelos aluguéis mais acessíveis.

Foto: reprodução/viaje sp

Com o passar dos anos, surgiram pensões, mercearias, restaurantes, escolas e pequenos comércios administrados por imigrantes. O bairro passou a funcionar como uma rede de apoio para recém-chegados e como um espaço de convivência para famílias que buscavam manter vivas tradições culturais trazidas do Japão.

A partir da segunda metade do século XX, a Liberdade consolidou sua imagem como principal polo da cultura japonesa no Brasil. Restaurantes especializados, mercados de produtos importados, livrarias, lojas tradicionais e eventos culturais passaram a atrair visitantes de diferentes regiões do país. Com o tempo, o bairro também recebeu forte influência de outras comunidades asiáticas, especialmente a chinesa e a coreana, tornando-se um espaço que reflete parte da diversidade cultural do continente asiático.

Hoje, a Liberdade é um dos destinos turísticos mais visitados da cidade de São Paulo. Suas famosas lanternas orientais se tornaram um dos cartões-postais da capital paulista, enquanto a tradicional feira de rua reúne milhares de pessoas todos os finais de semana. Entre apresentações culturais, barracas gastronômicas e lojas especializadas, o bairro segue sendo um dos lugares mais importantes para compreender a influência asiática na formação da cidade.

Um dos espaços mais importantes da região é o Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil, mantido pela Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social, o Bunkyo. O local reúne milhares de documentos, fotografias, jornais, objetos pessoais e registros históricos que ajudam a contar a trajetória da imigração japonesa desde a chegada do Kasato Maru até os dias atuais.

O museu também ajuda a preservar histórias que muitas vezes não aparecem nos livros escolares. Através de relatos de famílias, registros de comunidades e documentos históricos, o espaço apresenta diferentes perspectivas sobre a experiência dos imigrantes japoneses e seus descendentes no Brasil. Para muitos visitantes, trata-se de uma oportunidade de compreender como a história da imigração japonesa está diretamente ligada à formação da sociedade brasileira.

Quando os descendentes fizeram o caminho de volta: o fenômeno dekassegui e uma nova ponte entre Brasil e Japão

Se durante boa parte do século XX o fluxo migratório aconteceu do Japão para o Brasil, as décadas finais daquele mesmo século testemunharam um movimento na direção oposta.

A partir dos anos 1980, milhares de descendentes de japoneses começaram a viajar para o Japão em busca de oportunidades de trabalho. O fenômeno ficou conhecido como dekassegui, termo utilizado para se referir a pessoas que deixam suas cidades ou países de origem para trabalhar temporariamente em outro local.

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Foto: reprodução/descubra nikkei

O contexto econômico ajudou a impulsionar esse movimento. Enquanto o Brasil enfrentava dificuldades econômicas e períodos de instabilidade, o Japão vivia uma forte demanda por trabalhadores em setores industriais. Mudanças na legislação japonesa facilitaram a entrada de descendentes de japoneses, permitindo que muitos brasileiros viajassem para trabalhar em fábricas e empresas espalhadas pelo país.

Para muitas famílias, a experiência era vista como uma oportunidade de melhorar a condição financeira e retornar ao Brasil após alguns anos. Na prática, as trajetórias foram bastante diversas. Alguns permaneceram no Japão apenas pelo período planejado, enquanto outros construíram novas vidas, formaram famílias e passaram décadas vivendo no país.

O fenômeno dekassegui criou uma situação inédita na história das relações entre Brasil e Japão. Pela primeira vez, um número expressivo de brasileiros descendentes de japoneses passava a vivenciar o cotidiano da terra de seus antepassados. Muitos chegaram ao país esperando encontrar um sentimento imediato de pertencimento, mas descobriram uma realidade mais complexa.

Embora compartilhassem ascendência japonesa, grande parte desses brasileiros havia crescido em um contexto cultural completamente diferente. Questões relacionadas ao idioma, à adaptação social e à identidade passaram a fazer parte da experiência de milhares de famílias. Surgiu, então, uma geração que passou a transitar entre dois países e duas culturas de forma cada vez mais intensa.

Ao mesmo tempo, a presença brasileira no Japão ajudou a fortalecer os laços entre os dois países. Escolas brasileiras foram criadas em território japonês, jornais em português passaram a circular e comunidades inteiras se formaram em cidades com grande concentração de trabalhadores brasileiros. A culinária, a música e até mesmo o futebol brasileiro ganharam espaço em diversas regiões do Japão.

Esse intercâmbio cultural também influenciou o Brasil. Muitos descendentes retornaram trazendo novas perspectivas sobre sua própria herança cultural, ampliando o interesse por aspectos da sociedade japonesa e fortalecendo iniciativas voltadas para a preservação da memória da imigração.

Mais de um século depois da chegada do Kasato Maru, a relação entre Brasil e Japão continua sendo marcada por trocas constantes. O fenômeno dekassegui demonstrou que a história da imigração japonesa não pode ser compreendida apenas como um movimento de chegada. Ela também inclui retornos, reencontros e novas formas de conexão que seguem aproximando os dois países até hoje.

De Dragon Ball a Demon Slayer: como a cultura pop japonesa conquistou gerações de brasileiros

Embora a imigração japonesa tenha deixado contribuições importantes na agricultura, na educação, na ciência e em diversas outras áreas, foi através do entretenimento que muitos brasileiros passaram a criar uma conexão direta com o Japão. Nas últimas décadas, animes, mangás, videogames, música e produções audiovisuais japonesas se tornaram parte do cotidiano de milhões de pessoas, ampliando ainda mais os laços culturais entre os dois países.

A presença dos animes na televisão brasileira começou ainda na segunda metade do século XX, mas foi durante as décadas de 1990 e 2000 que o fenômeno alcançou uma dimensão inédita. Produções como Os Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball, Pokémon (1996), Yu Yu Hakusho (1990), Sailor Moon, Digimon (1997) e Inuyasha (1996) conquistaram uma geração inteira de espectadores e ajudaram a popularizar referências da cultura japonesa entre crianças e adolescentes.

O sucesso dessas obras não se limitava à ação ou aos personagens carismáticos. Muitos animes apresentavam formas de narrativa diferentes das produções ocidentais, explorando temas como amizade, responsabilidade, amadurecimento, perda, perseverança e trabalho em equipe. Ao mesmo tempo, elementos da cultura japonesa passaram a despertar a curiosidade do público brasileiro, que buscava entender melhor os costumes, a gastronomia, a história e as tradições presentes nessas histórias.

Com a expansão da internet e, posteriormente, das plataformas de streaming, o acesso à cultura pop japonesa se tornou ainda mais amplo. Mangás passaram a ocupar espaço de destaque nas livrarias brasileiras, novas séries chegaram simultaneamente ao público internacional e comunidades de fãs se fortaleceram em todas as regiões do país.

Eventos especializados também desempenharam papel importante nesse processo. O Anime Friends, criado em 2003, se consolidou como um dos maiores eventos de cultura pop asiática da América Latina, reunindo fãs de animes, mangás, cosplay, música e entretenimento japonês. Nos últimos anos, grandes convenções passaram a incluir cada vez mais atrações ligadas à cultura japonesa, refletindo o crescimento constante desse público.

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Foto: reprodução/boletim nerd

A influência japonesa também pode ser percebida no mercado editorial, na indústria de games, na produção de conteúdo digital e até mesmo na forma como novas gerações consomem entretenimento. Títulos como Attack on Titan (2013), Jujutsu Kaisen, Spy x Family (2019) e Demon Slayer continuam atraindo milhões de fãs em todo o mundo, incluindo o Brasil.

Para muitos jovens da Geração Z, a cultura japonesa já não é percebida como algo distante ou exótico. Ela faz parte do cotidiano, das referências culturais e das comunidades construídas em torno de interesses compartilhados. Essa aproximação ajudou a criar uma relação que vai além do consumo de produtos culturais, despertando interesse pelo idioma, pela história e por diferentes aspectos da sociedade japonesa.

Os nomes que ajudaram a construir o legado japonês no Brasil

A história da imigração japonesa no Brasil também pode ser contada através das trajetórias de pessoas que deixaram contribuições importantes em diferentes áreas da sociedade. Ao longo de mais de um século, descendentes de japoneses se destacaram nas artes, na literatura, no esporte, na política, na ciência e na gastronomia, ajudando a ampliar a visibilidade da comunidade nikkei no país.

Nas artes, poucos nomes possuem um legado tão expressivo quanto o de Tomie Ohtake. Nascida em Kyoto e radicada no Brasil desde a década de 1930, ela se tornou uma das artistas mais importantes da história da arte brasileira. Suas esculturas monumentais e pinturas abstratas podem ser encontradas em museus, espaços públicos e importantes instituições culturais do país.

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Foto: reprodução/descubra nikkei

Outro destaque é Manabu Mabe, que chegou ao Brasil ainda criança e se tornou um dos principais nomes do abstracionismo brasileiro. Sua obra conquistou reconhecimento nacional e internacional, contribuindo para ampliar a presença de artistas nipo-brasileiros no cenário cultural.

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Foto: reprodução/descubra nikkei

Na literatura, Ryoki Inoue se tornou conhecido por uma produção impressionante que ultrapassa mil obras publicadas, conquistando reconhecimento como um dos autores mais prolíficos do mundo.

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Foto: reprodução/descubra nikkei

No esporte, a influência japonesa pode ser observada especialmente através das artes marciais. O judô, introduzido por imigrantes japoneses, se tornou uma das modalidades mais vitoriosas da história olímpica brasileira. Atletas como Aurélio Miguel e Rogério Sampaio ajudaram a consolidar essa tradição e inspiraram novas gerações de esportistas.

A gastronomia também ocupa um papel importante nessa trajetória. O sushi, o sashimi, o lámen, o tempurá e diversos outros pratos deixaram de ser especialidades consumidas apenas pela comunidade japonesa e passaram a fazer parte do cotidiano de milhões de brasileiros. Restaurantes especializados podem ser encontrados em praticamente todas as regiões do país, demonstrando como essa influência ultrapassou fronteiras culturais e geracionais.

Representatividade, identidade e os desafios da comunidade asiático-brasileira na atualidade

Ao longo das últimas décadas, a presença de pessoas amarelas na televisão, na publicidade, no jornalismo, no audiovisual e no mercado de influência tornou-se mais visível do que em períodos anteriores. Criadores de conteúdo, artistas, jornalistas, apresentadores e influenciadores passaram a ocupar espaços que historicamente contavam com pouca participação asiático-brasileira.

Apesar desses avanços, integrantes da comunidade e pesquisadores apontam que a representatividade ainda está distante de refletir toda a diversidade existente dentro das populações asiáticas no Brasil. Segundo dados do Censo 2022 do IBGE, cerca de 850 mil pessoas se autodeclararam amarelas, o equivalente a aproximadamente 0,4% da população brasileira. Embora o dado não contemple toda a complexidade das diásporas asiáticas presentes no país, ele ajuda a dimensionar a presença desse grupo na sociedade brasileira.

Outro tema recorrente nos debates atuais envolve a forma como pessoas asiáticas são retratadas nos meios de comunicação. Ao longo da história, personagens e figuras públicas de ascendência asiática frequentemente foram associados a estereótipos, representações simplificadas ou visões exotificadas de suas identidades. Embora parte dessas representações venha sendo questionada nos últimos anos, muitos desafios ainda permanecem.

Questões relacionadas à fetichização, à associação automática com determinados comportamentos ou habilidades e à limitação de papéis no audiovisual continuam sendo discutidas por integrantes da comunidade asiático-brasileira. O debate atual não envolve apenas ampliar a presença de pessoas amarelas nos espaços de visibilidade, mas também garantir representações mais diversas, humanas e conectadas às diferentes experiências existentes dentro dessas comunidades.

Ao mesmo tempo, uma nova geração de criadores de conteúdo, artistas e profissionais contribuem para ampliar essas discussões, compartilhando experiências pessoais e promovendo reflexões sobre identidade, pertencimento e representatividade. Esse movimento ajuda a construir narrativas mais plurais e a combater visões reduzidas sobre o que significa ser asiático ou descendente de asiáticos no Brasil.

118 anos depois, a história continua

Celebrar os 118 anos da imigração japonesa é lembrar a trajetória de milhares de famílias que ajudaram a construir o Brasil enquanto preservavam parte de suas tradições, memórias e referências culturais. A história iniciada com a chegada do Kasato Maru em 1908 atravessou guerras, crises econômicas, transformações sociais e mudanças geracionais que redefiniram a relação entre Brasil e Japão ao longo do último século.

Hoje, a influência japonesa pode ser observada em diferentes aspectos do cotidiano brasileiro. Ela está presente na agricultura, na gastronomia, na educação, nas artes, na ciência, no esporte e também no entretenimento consumido por milhões de pessoas. Dos festivais tradicionais realizados em diferentes cidades brasileiras aos eventos de cultura pop que reúnem milhares de fãs todos os anos, a presença japonesa continua fazendo parte da paisagem cultural do país.

A história da imigração japonesa também ajuda a compreender como diferentes comunidades contribuíram para a formação da identidade brasileira. Ela fala sobre adaptação, encontros culturais, desafios e transformações que continuam produzindo efeitos mais de um século depois da chegada dos primeiros imigrantes.

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Foto: reprodução/descubra nikkei

Passados 118 anos, a trajetória iniciada por 781 passageiros no Porto de Santos permanece viva. Ela pode ser encontrada nas histórias de famílias nikkeis, nos bairros que preservam tradições centenárias, nos jovens que descobrem o Japão através dos animes e mangás e nas inúmeras conexões que seguem aproximando brasileiros e japoneses. Uma história que começou com uma viagem transoceânica e que, mais de um século depois, continua fazendo parte da construção do Brasil.

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Texto revisado por Kalylle Isse

 

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Tom Holland e Zendaya participam de evento em Amsterdã e novo trailer de Homem-Aranha é divulgado

Homem-Aranha: Um Novo Dia tem estreia adiantada no Brasil e ganha novas ações especiais para os fãs

 

Os fãs do amigo da vizinhança já podem comemorar. O novo trailer de Homem-Aranha: Um Novo Dia foi divulgado ontem (17) durante um evento especial realizado em Amsterdã, na Holanda, com a presença dos protagonistas Tom Holland e Zendaya. A dupla participou da ação promocional ao lado da imprensa e do público presente, celebrando a nova fase do herói nos cinemas.

Além do lançamento do trailer, o estúdio também confirmou que a estreia do longa no Brasil foi antecipada para o dia 29 de julho, chegando aos cinemas um dia antes da data anunciada anteriormente.

No mesmo dia, às 10h, começou oficialmente a pré-venda mundial de ingressos para o filme, que promete movimentar os fãs do Universo Cinematográfico Marvel (MCU).

Como parte da divulgação, a produtora do filme também anunciou o lançamento do Rastreador Aranha, um site criado pelo personagem Ned Leeds – interpretado por Jacob Batalon – para reunir informações sobre o Homem-Aranha e acompanhar tudo o que acontece com o herói em Nova York.

Homem Aranha: Um Novo Dia
Imagem: divulgação/Sony Pictures Brasil

No novo capítulo da franquia, Peter Parker enfrenta sozinho – fato celebrado por muitos fãs do herói por aproximar-se ainda mais das histórias dos quadrinhos – os desafios da vida adulta enquanto tenta equilibrar sua rotina como Homem-Aranha em um mundo que já não se lembra de sua existência. 

Homem-Aranha: Um Novo Dia continua diretamente os acontecimentos de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (2021), quando Peter Parker precisou sacrificar sua própria identidade para salvar o multiverso por meio do feitiço lançado pelo Doutor Estranho. O roteiro é assinado por Chris McKenna e Erik Sommers, dupla responsável pelos filmes De Volta ao Lar (2017), Longe de Casa (2019) e Sem Volta para Casa (2021).

Homem Aranha: Um Novo Dia
Imagem: divulgação/Sony Pictures Brasil

Além de Tom Holland e Zendaya, o elenco também traz de volta Jacob Batalon e Michael Mando, além das novidades Sadie Sink (Stranger Things), Tramell Tillman (Ruptura), Jon Bernthal (O Justiceiro) e Mark Ruffalo (Vingadores), os dois últimos retomando seus papéis como Justiceiro e Hulk no MCU.

Homem Aranha: Um Novo Dia
Imagem: divulgação/Sony Pictures Brasil

A nova produção é dirigida por Destin Daniel Cretton, conhecido por produções como Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis (2021), também da Marvel, e promete explorar uma fase mais madura do herói, agora completamente sozinho.

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Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz

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PSYCHIC FEVER lança Pink Lemonade, segundo single do álbum DIFFERENT

A nova faixa do grupo japonês traz uma atmosfera de chill pop de verão e explora os paradoxos do amor moderno

O PSYCHIC FEVER from EXILE TRIBE lançou oficialmente Pink Lemonade, segundo single de pré-lançamento do aguardado segundo álbum de estúdio, DIFFERENT, previsto para 10 de julho. A faixa já está disponível nas plataformas digitais, e você pode escutar clicando aqui.

Capa do novo álbum de PSYCHIC FEVER, DIFFERENT
Foto: divulgação/Crowd Arts

A música transmite uma sensação doce e refrescante, combinando uma atmosfera de chill pop descontraída com uma energia que remete à leveza do verão – mas a letra vai além do clima da estação. 

A canção explora as contradições dos relacionamentos modernos, especialmente o conflito entre o orgulho e a vulnerabilidade, retratando o dilema de querer se afastar de alguém e perceber que já está completamente envolvido. Uma perspectiva sincera para uma geração globalmente conectada que vive os desafios do amor contemporâneo.

Quem explica o que a faixa tem de especial é o integrante RYOGA: “Quando ouvi a música pela primeira vez, achei que fosse uma faixa muito refrescante e leve. Mas, ao prestar mais atenção na letra, percebi que ela não é apenas uma canção de amor comum. Achei interessante como as emoções de se apaixonar cada vez mais são expressas por meio da metáfora dos coquetéis. No início, o relacionamento é doce e refrescante como uma Pink Lemonade. Antes que você perceba, porém, ele se transforma em algo mais forte e do qual é impossível escapar, como uma Vodka Lemonade. Essa transição é retratada de forma muito natural e, quanto mais você ouve a música, mais viciante ela se torna.”

Para celebrar o lançamento, o grupo estreou um vídeo exclusivo de performance ao vivo gravado no Amazon Studio Tokyo em 12 de junho, destacando a dinâmica vocal impecável que se tornou uma das marcas registradas do PSYCHIC FEVER.

Os sete integrantes têm contribuições únicas na faixa, e RYOGA conta que o cuidado com isso ficou evidente durante a gravação: “Nesta música, o fluxo e a atmosfera melódica mudam significativamente de um integrante para outro. Durante a gravação, prestei muita atenção à progressão e à temperatura emocional da faixa.”

Pink Lemonade serve como prévia vibrante de DIFFERENT, que promete mostrar uma evolução artística diversificada do grupo, equilibrando hinos de alta energia com narrativas introspectivas e melodicamente ricas. O álbum é considerado o projeto mais importante do PSYCHIC FEVER em anos.

Esse momento também se reflete nos palcos. A atual turnê PSYCHIC FEVER JAPAN TOUR 2026 THE ROOTS – uma produção intimista que destaca as origens musicais e de dança dos integrantes – gerou uma demanda por ingressos acima do esperado, e o grupo anunciou uma apresentação extra em arena: um encore especial no SGC Hall Ariake, em Tóquio, no dia 8 de agosto.

Divulgação da data extra da turnê PSYCHIC FEVER JAPAN TOUR 2026 THE ROOTS
Foto: reprodução/X @psyfe_member

DIFFERENT chega às plataformas digitais em 10 de julho e já está disponível para pré-save.

E você, já ouviu Pink Lemonade? Conta pra gente nas redes sociais do Entretetizei  (Facebook, Instagram e X) e nos siga para não perder nenhuma novidade!

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Texto revisado por Luana Chicol

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Cultura Entretenimento Eventos Notícias Teatro

Palavras, da Companhia Ensaio Aberto, segue em cartaz na Sala Sérgio Britto, no Armazém da Utopia, até 2 de julho

Baseado na obra de Clarice Lispector, monólogo com Tuca Moraes será apresentado nos dias 18 e 25 de junho e 2 de julho, às 19h

Uma nova experimentação. A literatura como ponto de partida para a pesquisa do teatro narrativo do teatro épico. É o que a Companhia Ensaio Aberto apresenta com Palavras, encenado por Tuca Moraes, a partir de 14 de maio, na Sala Sérgio Brito, no Armazém da Utopia. As sessões acontecem às quintas-feiras, às 19h, até 2 de julho.

Tuca Moraes se deixa conduzir pelo pulsar de palavras, frases, memórias, sentimentos, e pensamentos, acumulados uns sobre os outros, como em uma espiral. Linguagem e sentidos vão se fazendo ali à vista dos espectadores. O encontro da atriz com o público transforma o espetáculo em uma experiência única, que se completa com as intervenções de som e luz feitas pelo diretor para provocar a atriz.

O espaço cênico criado por J.C. Serroni é intimista, com capacidade para apenas 40 pessoas por sessão, iluminado por Cesar de Ramires e com figurino assinado por. Beth Filipecki e Renaldo Machado. 

É um enorme desafio se jogar no abismo de Clarice, no abismo do mundo sem nenhuma linha de vida pra te salvar. O experimento é uma enorme desconstrução e uma aposta no encontro com cada espectador. É também levar ao extremo a relação de confiança atriz/diretor. Eu me jogo. Se estiver me afundando, sei que o Luiz Fernando Lobo vai intervir. É um jogo de risco. Um jogo de verdade, afirma Tuca.

Foto: divulgação/Armazém Comunicação

FICHA TÉCNICA

Em cena e dramaturgia: Tuca Moraes, a partir da obra de Clarice Lispector

Direção, operação de luz e trilha: Luiz Fernando Lobo

Direção de produção: Tuca Moraes

Produção executiva: Aninha Barros

Cenografia: J.C.Serroni

Iluminação: Cesar de Ramires

Figurino: Beth Filipecki e Renaldo Machado

Programação visual: Marcos Apóstolo e Jorge Falsfein

Coordenação ciência do novo público: Clarice Tenório Barretto

Ciência do novo público: Grégori Eckert Andreza Dias, Gilberto Miranda, Maura Santiago e Thaise Oliveira                  

Assistente de direção: Paola de Paula

Técnica de palco, montagem e cenário: Júlia de Ohana

Produção de arte/cadeiras: Patrícia Barbeitas

Fotos e imagens, divulgação: Thiago Gouvea

Realização: Companhia Ensaio Aberto

Serviço

Dias e horário: quintas-feiras (18, 25 de junho e 2 de julho), às 19h

Ingressos: R$60 (inteira) | R$30 (meia)

Abertura da casa 1h antes do início do espetáculo

Classificação indicativa: livre

Capacidade: 40 lugares

Duração: 60 minutos

O Armazém da Utopia tem acessibilidade arquitetônica

Ingressos: www.sympla.com.br/armazemdautopia

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Texto revisado por Sabrina Borges de Moura

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Entre um jogo e outro: 5 contos para ler durante o torneio mundial de seleções

Descubra leituras breves e cativantes para preencher os momentos entre as partidas

A Copa do Mundo chegou e, com ela, a emoção dos jogos! Entre um intervalo e outro, que tal acalmar o coração com leituras curtinhas de até 100 páginas? Para manter o clima de torcida em alta e aproveitar os intervalos da competição, confira esta seleção de 5 contos perfeitos para ler entre os jogos. 

Bia e Flávio (2021), de Suelen de Paula – 13 páginas

Foto: divulgação/Entretetizei

Destino? Bia e Flávio se encontram mais de uma vez ao longo de suas jornadas, mas isso não é suficiente para que entendam o que a vida está tentando lhes mostrar. Talvez sejam necessários novos encontros para que percebam o significado dessas coincidências. 

 Encontros casuais e breves, pessoas distintas prestes a descobrir o começo de uma nova história. O conto nos convida a prestar atenção aos pequenos detalhes e perceber o que o destino pode estar tentando nos contar. Perfeito para o intervalo de um jogo, os personagens cativam sem muita complexidade, deixando um gostinho de quero mais.

Cale-se para Sempre (2020), de Renata Lustosa – 53 páginas

Foto: divulgação/Entretetizei

Olívia é dona de uma empresa que organiza casamentos, mas o negócio enfrenta dificuldades financeiras há algum tempo. Quando finalmente consegue um cliente que poderia resolver seus problemas, o noivo dá em cima dela, colocando-a diante de um dilema moral absurdo: salvar sua empresa ou permitir que uma mulher se case com um traidor?

Além disso, a protagonista enfrenta questões pessoais relacionadas aos próprios relacionamentos. Depois de tomar a decisão certa, Olívia encara outros dilemas envolvendo perguntas como “o que seria o homem perfeito?” e “o que devo aceitar em um relacionamento?”.

Com uma mistura de drama, romance e aquele clima aconchegante de filme da Sessão da Tarde, o conto acompanha uma mulher independente diante de escolhas difíceis. Uma leitura envolvente e acolhedora que conquista o leitor do início ao fim. 

A Garota na Prisão de Papel (2018), de Felipe Gulyas – 63 páginas

Foto: divulgação/Entretetizei

Carol pode ser vista como uma adolescente comum, com família e amigos, que está terminando o ensino médio. Porém, ela está há dias presa em sua escola por uma barreira invisível. O mais assustador é que ninguém parece perceber sua situação. 

Dan surge como uma salvação: um garoto que ela conhece apenas por mensagens e que, aparentemente, sabe pelo que ela está passando. Seria ele uma ajuda? Mais um perigo? Ou a própria fonte do perigo? Além disso, ela percebe que não está sozinha nessa prisão.

O mistério ronda a história do começo ao fim. Conhecemos apenas a perspectiva da protagonista, o que aumenta ainda mais nossa curiosidade. Perfeito para quem busca mergulhar em um universo diferente, se emocionar e ter a curiosidade constantemente instigada.

Leia esse conto já sabendo que não é o que você está pensando, nunca é o que você está pensando.

A Chance de Encontrar o Amor no Metrô (2016), de Rafael Dourado – 68 páginas

Foto: divulgação/Entretetizei

Tess está tendo um dia terrível: atrasada, com o carro quebrado e sem dinheiro para um táxi. Indo para o metrô, sua sorte não melhora, e ela definitivamente vai se atrasar muito. Mas, pelo menos, conhece Adam, um cara bacana que alegra um pouco seu dia desastroso. Quando ele chega à sua estação, os dois se separam, e Adam esquece um livro com ela. Será que isso será suficiente para que eles se reencontrem?

Leve, divertida e sem grandes pretensões, a história conquista pela simplicidade. A narrativa flui com naturalidade, arrancando sorrisos e fazendo o leitor torcer pelo casal. Quando termina, fica a sensação de que gostaríamos de passar mais tempo ao lado desses personagens. 

O Quarto Branco (2013), de P. Barbosa – 33 páginas

Foto: divulgação/Entretetizei

Várias pessoas entraram no quarto branco, mas nenhuma saiu. O que isso significa? Curioso, um homem que já não via sentido na vida entra no local para tentar entender o que acontece com aquelas pessoas. Ao refletir sobre o ambiente, ele percebe que elas enlouqueciam sem contato humano, sem saída e sem cores. E então surge a revelação: você só sai quando quer ficar. O tempo passa, e ele entende o verdadeiro significado dessa frase.

É um conto que depende muito dos olhos de quem lê. Ele é reflexivo, e esse é seu principal ponto: o foco está nas ideias e sentimentos despertados pela experiência. A narrativa trabalha com a subjetividade, e o quarto branco funciona como um símbolo da intensificação dos erros e problemas do protagonista, abrindo caminho para a limpeza dessa negatividade.

É um conto sobre permissão, felicidade e subjetividade. O final é confuso, mas perfeito. Afinal, o que é o quarto branco? O lugar que você mais visita em sua vida.

 

Já conhecia algum desses contos? Conta pra gente nas nossas redes sociais – Facebook, Instagram e X! Participe também do Clube de Leitura do Entretê para compartilhar de ótimas leituras!

 

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Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz

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