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Entrevista | Elefante: Josué Souza nos lembra que crianças merecem serem vistas e ouvidas

Em conversa com o Entretê, o autor conta como fantasia e realidade se misturam enquanto dois pais precisam lidar com o luto

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Especial | Livros que gostaríamos de apresentar para as crianças de hoje

Com a chegada do Dia das Crianças, confira algumas obras que adoraríamos que as crianças conhecessem

Em uma realidade em que as pessoas leem cada vez menos, é importante incentivar o hábito de leitura desde a infância. Pensando nisso, em comemoração ao Dia das Crianças, que acontece em 12 de outubro no Brasil, selecionamos alguns livros que nos marcaram durante a nossa infância e pré-adolescência e que gostaríamos de apresentar para as crianças de hoje.

Diário de Um Banana – Jeff Kinney

Classificação indicativa: oito anos.

Foto: reprodução/VR Editora

O diário pessoal de Greg Heffley mostra como o ensino fundamental pode ser um tanto quanto desafiador. Com humor e ilustrações, podemos acompanhar o garoto de 12 anos em sua busca pela popularidade, se metendo em confusões e gerando muita identificação com o leitor.

Diário de Uma Garota Nada Popular – Rachel Renée Russell

Classificação indicativa: nove anos.

Foto: reprodução/Editora Verus

Já que estamos falando de diários, não poderíamos deixar de incluir essa coleção que acompanhou uma geração inteira de meninas. Nikki Maxwell conta suas paixões e amizades – ah, inimizades também – enquanto tenta sobreviver à uma escola de elite, onde ganhou uma bolsa de estudos.

Alice no País das Maravilhas – Lewis Carroll

Classificação indicativa: 14 anos.

Foto: reprodução/Editora Clássicos Zahar

Um clássico dos contos de fadas que para quem não sabe aonde vai, qualquer caminho serve, como já dizia o Gato de Cheshire. A curiosa Alice entra em um mundo fantástico depois de ir atrás de um coelho branco que não para de avisar que está atrasado! Agora, a garota precisa entender aquele lugar absurdo em que se encontra e achar uma maneira de voltar para casa.

O Mágico de Oz – L. Frank Baum

Classificação indicativa: nove anos.

Foto: reprodução/Editora Clássicos Zahar

Depois de um ciclone no Kansas, Dorothy e Totó são levados para a fantástica Terra de Oz. Ao longo de sua jornada para voltar para casa, a menina faz amigos incomuns pelo caminho, como o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão Covarde, que a acompanham até a Cidade das Esmeraldas para encontrar o grande Mágico de Oz.

Menina Bonita do Laço de Fita – Ana Maria Machado

Classificação indicativa: quatro anos.

Foto: reprodução/Editora Ática

Um conto muito lido nas escolas brasileiras e que merece um espaço especial no nosso coração. O livro ensina sobre a valorização da beleza negra e a importância da diversidade combinada com o respeito às diferenças. Toda a história reforça a necessidade do reconhecimento dos próprios traços, da sua ancestralidade, promovendo a aceitação e a autoestima.

O Pequeno Príncipe – Antoine Saint-Exupéry

Classificação indicativa: nove anos.

Foto: reprodução/Editora HarperKids

E para fechar a lista com chave de ouro, uma das histórias francesas mais conhecidas e amadas por milhares. O Pequeno Príncipe é uma fábula que faz com que os filhos se divirtam com as aventuras do viajante e com que os pais sempre se lembrem de que, antes de serem “pessoas-grandes”, também já foram capazes de enxergar uma cobra que engoliu um elefante.

E aí? Qual livro você indicaria para as crianças? Nos conte nas nossas redes sociais – Instagram, Facebook e X. E, se você gosta de trocar experiências literárias, venha participar do Clube do Entretê.

Leia também: Se esses cafés fossem livros, quais seriam? 

Texto revisado por Angela Maziero Santana

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Entretenimento Moda Notícias

12 tendências de moda para a Primavera/Verão 2027

De flores em alto-relevo à transparência, veja as principais tendências que apareceram nas passarelas da temporada Primavera/Verão 2027

Na última terça (6), encerrou-se o circuito de desfiles das quatro principais semanas de moda do mundo. Com um total de 68 apresentações ao redor das quatro capitais,  a temporada de moda Primavera/Verão de 2027 foi encerrada em Paris com a nova coleção da maison Louis Vuitton.

No último mês, diversas tendências foram apresentadas ao mundo da moda pelas grandes marcas que estiveram presentes nos desfiles, como Chanel, Dior, Miu Miu, Balenciaga, Balmain, entre outras. O Entretê separou algumas para você conhecer e se inspirar na próxima estação.

Floral em alto-relevo

Imagem: reprodução/Dries Van Noten/Prada/Elie Saab/Valentino/Burberry/WWD/Elle

Nessa temporada, as flores vão além das impressões em estampas e ganham uma nova dimensão ao se tornarem uma textura. Seja em bordados ou aplicações tridimensionais, o alto-relevo se torna um personagem à parte na composição das peças. 

Pode parecer um clichê da primavera, mas há algumas temporadas as flores ganham novas interpretações pelos designers, como é o caso de Elie Saab e Alessandro Michele para a Valentino. Transformando o floral em textura, as peças acabam se aproximando de uma construção artesanal. 

Transparência

Imagem: reprodução/Hermés/Isabel Marant/Mulberry/McQueen/Chloe/Getty Images

Como uma personagem recorrente nos desfiles, a transparência sempre se reinventa a cada estação. Aqui, o conceito entre o que é revelado e escondido caminham lado a lado, de forma que os tecidos transparentes nem sempre estão relacionados a algo delicado.

Nessa temporada, a tendência aparece em vestidos, saias e até mesmo em casacos.

Cores primárias

Imagem: reprodução/Givenchy/Balenciaga/Ossou/Celine/Loewe

As três cores primárias (amarelo, vermelho e azul) foram uma das protagonistas nas passarelas de todas as cidades. Principalmente em tom vivo, elas aparecem em looks monocromáticos ou como pontos de cor entre tons sóbrios.

Em meio à grande tendência do minimalismo com cores neutras, nessa temporada os tons vibrantes conquistaram seu espaço, reforçando uma moda mais expressiva através das cores.

Tons pastel

Imagem: reprodução/Elie Saab/Dior/CalvinKlein/Carolina Herrera/McQueen

Enquanto as cores primárias dão intensidade, os tons pastel aparecem como uma alternativa mais suave. Mas não se engane ao pensar que eles só se relacionam com estéticas delicadas.

No caso da Burberry ou até mesmo a McQueen, eles ganham uma aparência mais desbotada, mostrando como essas cores podem aparecer em peças mais sofisticadas e até mesmo em alfaiataria, quebrando o padrão da delicadeza.

Alfaiataria com novas proporções

Imagem: reprodução/Givenchy/Balenciaga/Celine/Jean Paul Gaultier

A alfaiataria da Primavera/Verão de 2027 não se preocupa em seguir o estilo tradicional dos ternos e está mais interessada em trazer novas silhuetas. Indo além dos blazers oversized, o peplum volta a marcar presença desde a temporada de Outono/Inverno de 2026, assim como os  comprimentos alongados e o volume nos ombros.

Essa tendência não significa simplesmente usar roupas maiores ou menores, mas experimentar com as proporções tradicionais para alterar a leitura do corpo e atualizar uma categoria clássica do guarda-roupa.

Calça capri

Imagem: reprodução/Marni/Ralph Lauren/Shiatzy Chen/Dries Van Noten

Depois de aparecer em temporadas passadas, a calça capri ganhou mais espaço nessa estação. Aparecendo em diferentes interpretações, a peça é famosa principalmente pelo seu comprimento curto que termina entre o joelho e a panturrilha. 

Nas passarelas, é possível ver sua composição com ternos, roupas mais esportivas e até em looks casuais. O retorno mostra como a moda da Primavera/Verão 2027 revisita referências do passado, mas atualiza a peça por meio de novos tecidos, stylings e proporções.

Meias coloridas

Imagem: reprodução/Bibhu Mohaprata/Christian Cowan/Diesel/Jill Sander

Por aqui, as meias deixam de ser apenas um detalhe funcional e passam a ser uma peça-chave no styling. A tendência apareceu bastante nos desfiles em tons de verde, roxo e até mesmo outras cores.

O interessante é dar ao look um toque de cor através de um acessório que muitas vezes é esquecido, podendo transitar entre diferentes estilos de se vestir. A meia colorida pode funcionar como um ponto de contraste, podendo repetir as cores do look ou até criar um color blocking. O retorno desse estilo também conversa com tendências passadas.

Boudoir

Imagem: reprodução/McQueen/Dolce & Gabbana/Khaite/Sandy Liang/Chloé

A estética Boudoir aparece ativamente nas passarelas dessa estação. Com um toque de sensualidade, a lingerie deixa de ser apenas uma peça íntima e passa a ocupar um espaço de destaque entre as produções das coleções.

Unindo a feminilidade e a sensualidade revelada, as peças podem estar em sobreposições ou até mesmo sendo o destaque principal do look. Sutiãs, rendas, cetim e bodys são incorporados ao cotidiano e brincam com o contraste entre o privado e o particular.

Comprimentos mini

Imagem: reprodução/Miu Miu/McQueen/Marni/Fendi/Balmain

Outra tendência que já está presente nas passarelas há algumas estações são as peças mini. Reforçando o interesse em mostrar as pernas e também trazendo uma silhueta alongada, dessa vez elas fazem parte de composições com peças mais estruturadas e volumosas. 

Aparecendo em propostas femininas, esportivas, preppy e experimentais, o mini amplia a possibilidade de uso dos looks. Ele ressurge como uma valorização das proporções reduzidas, podendo trazer mais combinações, de forma que o visual se torna diferente e equilibrado. 

Athleisure

Imagem: reprodução/Sandy Liang/Balenciaga/Stella McCartney/Burberry/ERDEM/Elle

Trazendo um visual casual para os conjuntos esportivos, o Athleisure se renova nessa estação. Com a alta do mundo fitness, peças esportivas se tornam itens de moda quando bem pensados no styling.

Nesse caso, as jaquetas bomber são as protagonistas da vez dessa estética. Apostando em uma mistura leve entre os conjuntos e a alfaiataria, o cotidiano se torna estiloso e prático, de forma que incorporar elementos esportivos a uma produção fashion deixa de parecer apenas um “pronto para a academia”.

A volta da opulência vintage

Imagem: reprodução/Chanel/Magda Butrym/Valentino/Coach/Burberry

Com a crescente de tendências nostálgicas, o estilo vintage se torna um ponto importante para a temporada de verão, mas não no sentido em que determinada época é reproduzida literalmente.

Recuperando códigos de diferentes períodos, a mistura traz elementos mais contemporâneos com detalhes que se assemelham ao aspecto vintage, como: veludo, estampas de jacquard e cores desbotadas. Esse diálogo com o passado é uma forma de representar a relação entre o moderno e a tradição da moda.

Volume no quadril

Imagem: reprodução/Dior/Moschino/Caro Editions/Alaïa/Chloé

Se durante muito tempo o volume esteve concentrado nos ombros, nessa temporada a atenção vai para os quadris. A silhueta passa a ter uma estrutura maior, inspirada em crinolinas, panniers e bustles.

Criando uma forma mais escultural, as coleções recuperam a história da silhueta feminina, transformando-a em uma ferramenta de experimentação para a moda atual.

O que essas tendências revelam?

Longe de apontar para uma única estética, atualmente a moda está interessada em recuperar códigos e elementos visuais do passado e combiná-los com a modernidade. O resultado é uma estação marcada pela liberdade de expressão através de diferentes combinações.

Qual dessas tendências você já está ansioso para usar? Conta pra gente nas redes sociais do Entretetizei – Facebook, Instagram e X – e nos siga para não perder nenhuma novidade!

Leia também: 7 filmes para conhecer o mundo da moda além das passarelas 

 

Texto revisado por Crystal Ribeiro

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Cultura asiática Entrevista Entrevistas Música Notícias

Entrevista exclusiva | Lina Tag fala sobre amadurecimento, memória e transformação em Palha de Vento

Em parceria com Fernanda Takai, cantora, atriz e performer nipo-brasileira transforma uma experiência de despedida e crescimento em uma das faixas mais afetivas de Borrões

Deixar o ninho, construir o próprio caminho e entender que crescer também envolve despedidas. É a partir desses sentimentos que Lina Tag constrói Palha de Vento, faixa que reúne a artista nipo-brasileira e Fernanda Takai em um encontro entre diferentes gerações e trajetórias da música brasileira.

Parte do álbum autobiográfico Borrões (2026), a canção nasceu de uma experiência pessoal de Lina ao deixar a casa dos pais para construir sua própria vida adulta e trajetória artística. O que poderia ser apenas uma despedida ganha novos significados na música, que transforma memória, afeto e amadurecimento em uma narrativa sobre aprender a seguir em frente sem necessariamente abandonar as próprias raízes.

Com versos como “Palha de vento, deixa vagar o ninho. Sozinha, embala no ar”, a faixa encontra na participação de Fernanda Takai uma nova camada de delicadeza. As duas vozes se encontram de maneira sensível, fazendo com que uma experiência íntima de Lina também converse com diferentes gerações e histórias.

Além da relação com o amadurecimento, Palha de Vento também se insere em uma trajetória marcada pela busca por novas representações na música e nas artes. Como artistas nipo-brasileiras, Lina e Fernanda ocupam espaços importantes na construção de outros imaginários sobre mulheres amarelas na cultura brasileira, cada uma a partir de sua própria identidade e liberdade criativa.

Para falar sobre a criação da faixa, a parceria com Fernanda Takai, as memórias que deram origem a Borrões e os caminhos que surgem quando é preciso deixar o ninho, Lina Tag conversou com o Entretetizei em uma entrevista exclusiva, confira: 

Entretetizei: Palha de Vento nasceu do momento em que você saiu da casa dos seus pais e começou a construir uma vida própria. O que você consegue dizer hoje sobre aquela partida que talvez não conseguisse dizer quando ela aconteceu?

Lina Tag: Eu diria que algumas escolhas precisam de uma certa coragem para que a gente possa se atirar para a vida e até se redescobrir. E esse movimento pode ser desconfortável e assustador, mas, às vezes, essa desestabilização pode fazer com que a gente encontre outros pilares de apoio dentro de nós. Pilares que antes eram desconhecidos. Então, eu diria: se lança!

Entretê: Tem uma imagem muito bonita em “deixa vagar o ninho”. Quando você escreveu esse verso, estava pensando mais em quem precisa criar coragem para partir ou em quem precisa aprender a deixar alguém ir?

Lina: Acredito que os dois. Esse processo de sair da casa dos pais e deixar o ninho é como romper o cordão umbilical, né? Então acredito que seja dolorido para quem vai e para quem deixa ir também. No dia em que eu saí de casa e minha cama foi retirada oficialmente do quarto onde eu cresci, minha mãe escorregou na parede e chorou, bem dramática (risos). Parecia uma cena trágica. Hoje, nós lembramos desse momento e damos risada. Mas é claro que foi um momento difícil… É uma mudança de ciclo bem drástica, uma separação e uma transformação profunda na relação.

Entretê: A Fernanda Takai entra justamente em uma música muito íntima da sua história. O que fez você sentir que essa memória poderia, ou até deveria, ser dividida com outra voz?

Lina: Logo antes de convidar a Takai para a música Palha de Vento, pensei imediatamente na voz doce que ela tem e na sua presença musical marcante e madura. E achei que a Takai poderia trazer uma nova camada de profundidade para essa canção. Mas, para além dessa parte musical, também me ocorreu que seria muito interessante a presença de uma artista mais madura, que já trilhou esse início de carreira, que é bastante duro e exige uma escolha constante dessa profissão.

Então, hoje, eu sinto que essa música fica, na verdade, completa com a presença da Takai. Não vejo essa versão como uma música minha que tem um feat como um acessório, e sim como uma canção que traz o encontro dessas duas vozes em momentos diferentes da vida. E faz todo o sentido o encontro dessas vozes nessa canção sobre o tempo, a vida, a carreira artística e o amadurecimento.

Lina Tag
Foto: divulgação/Lina Tag

Entretê: Entre Se Não Afogar, Brilho Pó, Ruína, Balas Amargas e Riso Forte, já pelos títulos existem imagens e sentimentos muito diferentes. Quando você olha para essas músicas juntas, consegue enxergar uma trajetória emocional acontecendo entre uma e outra?

Lina: Não sei se vejo essas canções de forma racionalmente conectadas. Acho que não existe muito bem essa linearidade no sentido de uma ser uma sequência lógica da outra. Até porque o disco Borrões foi construído para ser todo fragmentado mesmo, em forma de memórias que vão aparecendo, borradas, lembradas, por entre as sombras.

Mas, quando vejo essas canções todas juntas em um disco, acho que enxergo um espectro de emoções variado, com dores, amores, desejos, sonhos e frustrações.

Entretê: Existe alguma música de Borrões que mudou completamente de significado para você entre o momento em que foi escrita e o momento em que finalmente chegou ao público?

Lina: Moça, Veja Bem é uma música que se transformou muito e ganhou muitas camadas até o seu lançamento. Compus essa canção em 2017, aos 19 anos. E escrevi essa música como forma de me comunicar com uma pessoa muito querida que, na época, estava praticamente incomunicável e eu pude me comunicar com ela entregando uma canção para que ela pudesse ouvir.

Moça, Veja Bem surgiu dessa necessidade de me comunicar com essa moça e de demonstrar a ela que, de alguma forma, eu estava ali presente. Quando essa música foi produzida em 2021, juntamente com seu videoclipe-performance, já estávamos em outro momento da vida e pude elaborar toda essa situação do contexto de moça já com um outro olhar.

Além disso, nesse outro momento da vida, eu já estava em pesquisa com a Diretora Geral de Borrões, Luciana Elias, e com o co-compositor do disco, Romulo Fernandes. Então, essa composição, na verdade, nasceu antes desses encontros artísticos e foi se modificando a partir da chegada desses dois artistas no projeto.

Entretê: Ojiisan parte de uma memória da infância, enquanto Palha de Vento olha para um momento de entrada na vida adulta. Você pensou em Borrões como uma espécie de percurso pela sua vida ou essas conexões apareceram naturalmente conforme o disco foi tomando forma?

Lina: Acho que as conexões inevitavelmente aparecem por Borrões ser composto de músicas autobiográficas. Então, elas percorrem o percurso da minha vida. Quando comecei a escrever Borrões, a premissa era, de fato, me desdobrar sobre as memórias perdidas nesse percurso. Mas, conforme fui escrevendo e compondo as canções, os assuntos de cada música foram tomando forma. Inclusive me deparei com memórias que já tinha esquecido, que estavam mais apagadas dentro de mim. Então, de certa forma, existia uma premissa, mas o disco em si foi acontecendo.

Entretê: Na nossa última conversa, você contou que, em Ojiisan, reuniu falas do seu avô de diferentes momentos da sua vida dentro de uma mesma cena da infância. Esse embaralhamento do tempo acontece em outras músicas de Borrões também?

Lina: Acontece. Até porque a memória parece ser assim… Ela só pode ser acessada a partir do tempo presente. Daquilo que a gente vive hoje e de como a gente lê, hoje, as memórias do passado. Nesse movimento de olhar para trás, a experiência que vivemos se encontra com referências que tivemos e temos dos tempos posteriores ao fato ocorrido. Muitas vezes, inclusive, memória e fantasia se misturam. Lembrar de alguma história é também ter a oportunidade de fabular mais uma vez.

Entretê: Momiji já tinha ganhado uma versão com Victor Kinjo antes de retornar em formato acústico. O que faz uma música continuar pedindo novas formas de existir mesmo depois de já ter sido lançada?

Lina: Eu acho que uma música composta é, muitas vezes, um ponto de partida. A gente escreve a partir do nosso universo, mas a partir de cada encontro com outros artistas, sonoridades, instrumentos, essa mesma composição vai ganhando novas camadas. Ela vai se revelando de outras maneiras que não só a que estava originalmente na nossa cabeça.

Foi assim com Momiji e também com Palha de Vento. Os feats com Victor Kinjo e com a Fernanda Takai trouxeram outras camadas e outros sentidos que se somam ao que estava na origem de cada música.

A ideia de lançar uma versão acústica, somente voz e violão das músicas de Borrões, foi conseguir lançar essas composições da maneira mais crua, mais próxima à forma como elas surgiram.

Mas as músicas do disco em suas versões oficiais e completas já estão sendo produzidas em estúdio e serão lançadas em breve na sua forma mais encorpada, cheias de arranjos e novos encontros musicais.

Entretê: Quando você coloca lado a lado músicas como Ruína, Balas Amargas e Riso Forte, parece existir espaço tanto para dores quanto para outros afetos. Foi importante para você que um trabalho autobiográfico não fosse definido apenas pelos momentos difíceis?

Lina: Assim como na vida, como se trata de um disco autobiográfico, existem momentos tristes e momentos de alegria, às vezes, tendo esses sentimentos conflitantes existindo ao mesmo tempo, inclusive. Acho que Borrões se define um pouco por suas memórias marcantes, sejam elas doloridas ou extasiantes, ou os dois. Então com certeza foi importantíssimo que Borrões tivesse uma gama de emoções e experiências que não se resumisse só a dor e sofrimento. A vida é complexa! (risos).

Entretê: Você contou anteriormente que esse disco começou a ser preparado ainda em 2020. Depois de tantos anos convivendo com essas músicas, teve alguma que você precisou parar de tentar transformar e simplesmente aceitar que estava pronta?

Lina: Acho que quase todas, na verdade (risos). Acho muito difícil declarar o momento em que a música está pronta. Em Ojiisan e Se Não Afogar, por exemplo, fiquei semanas me desdobrando sobre alguns detalhes finais das letras e, após dialogar com a minha Diretora Geral, Luciana Elias, e o Assistente de Direção, André Seraphico, eles me ajudaram a perceber que as canções já estavam prontas para ir ao mundo, da forma como estavam. Foi um processo difícil de assimilar, mas acabei concordando no fim.

Entretê: Na nossa última entrevista, você falou muito sobre permitir que as contradições humanas apareçam na sua arte. Agora que conhecemos mais músicas desse projeto, qual delas expõe uma contradição sua que talvez você mesma ainda não tenha resolvido?

Lina: Acho que todas as músicas trazem sombras que ainda me acompanham, apesar das diversas questões já serem bem familiares e discutidas em minhas autorreflexões. Em Ruína, por exemplo, falo sobre a minha descoberta enquanto uma pessoa LGBTQIAPN+. E apesar de eu estar fora do armário enquanto uma pessoa LGBT+, acredito que segue sendo um processo difícil de viver ainda hoje, ainda mais considerando que sou uma pessoa nikkei. A nossa comunidade nikkei, infelizmente, ainda não é muito aberta para a diversidade de sexualidade e gênero.

Entretê: Se alguém ouvisse Borrões inteiro sem saber absolutamente nada sobre você, qual música você acha que revelaria uma Lina que ainda não apareceu tanto publicamente?

Lina: Balas Amargas ou Riso Forte. Acho que não vou dizer mais nada, vou deixar no ar e sair correndo… (risos).

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Leia também: Entrevista exclusiva | Grupo Hannuri Yeonhui traz a força das artes tradicionais coreanas ao Brasil

Texto revisado por Kalylle Isse

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Cinema Música Notícias

Always Lalisa, documentário sobre a cantora LISA, estreia nos cinemas dia 12 de outubro

O longa, dirigido por Sue Kim, acompanha a superstar em um período de transformação pessoal e profissional. Ingressos já estão disponíveis

 

Os bastidores da carreira solo de Lisa, integrante do grupo BLACKPINK, já tem data marcada para estrear nos cinemas. Em 12 de outubro, Always Lalisa chega às telonas, acompanhando um ano na vida da cantora, após a pausa temporária do conjunto. O longa é dirigido por Sue Kim e mostra como a artista tailandesa enfrentou os desafios e a pressão do lançamento de sua carreira solo, inclusive, como atriz.

O documentário explora o desejo da cantora de investir na sua marca própria e na construção da sua identidade ao mesmo tempo que busca preservar a sua vida pessoal e mantê-la longe dos holofotes. Com a produção, os fãs também poderão ver o processo de composição, gravação e lançamento do primeiro álbum solo de LISA, Alter Ego, além de sua estreia como atriz na terceira temporada de The White Lotus.

Atualmente, LISA vive o auge do seu sucesso: foi uma das atrações da cerimônia de abertura da Copa do Mundo da FIFA de 2026, tornando-se a primeira artista feminina de K-pop e a primeira artista tailandesa a ocupar esse posto. 

Always Lalisa
Foto: divulgação/Trafalgar Releasing

Além disso, a rapper apresentou-se no Coachella 2025 como artista solo, foi apresentadora no Globo de Ouro de 2026 e anunciou dois projetos com a Netflix, estrelando e atuando como produtora executiva do filme de ação TYGO e de uma comédia romântica ainda sem título, inspirada em Um Lugar Chamado Notting Hill, atualmente em desenvolvimento.

Assim, Always Lalisa vem para coroar uma fase de destaque e projeção internacional, além de ser uma oportunidade de conexão entre os fãs de K-pop e da artista com os bastidores desse novo momento vivido pela artista.

O longa também estará disponível em salas IMAX e os ingressos já estão à venda no site oficial do documentário. 

Além da passagem pelos cinemas, a produção será disponibilizada com exclusividade no YouTube Premium ainda este ano.

Confira o pôster e o trailer de Always Lalisa:

Always Lalisa
Foto: divulgação/Trafalgar Releasing

LISA – Always Lalisa (Official Trailer)

 

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Leia também: Lollapalooza Brasil 2027 revela line-up completo 

 

Texto revisado por Ludimila Rodrigues



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Conheça Raphael Garcia, brasileiro que cruzou o Atlântico a remo

Inspirado pela viagem de Amyr Klink, Raphael dedicou quatro anos ao preparo da expedição, incluindo a montagem da embarcação e o treinamento para enfrentar a travessia pelo Atlântico Sul

Aos 34 anos, o brasileiro Raphael da Fonseca Garcia, engenheiro elétrico formado pela Universidade de São Paulo (USP), passou 136 dias no mar para realizar uma travessia que havia sido feita pela primeira vez por Amyr Klink, em 1984. Sozinho, ele saiu de Lüderitz, na Namíbia, e chegou a Salvador, no Brasil, repetindo a rota pelo Atlântico Sul a bordo do barco Sater. A viagem, concluída em 22 de agosto, foi resultado de quatro anos de preparação e de uma ideia que começou a ganhar forma após uma leitura que mudou seus planos.

Aventuras anteriores

A relação de Raphael com grandes aventuras começou antes da travessia pelo Atlântico. Aos 21 anos, ele percorreu a Tasmânia de bicicleta e, no ano seguinte, atravessou a Patagônia, de Bariloche até Ushuaia. As experiências prepararam o aventureiro para diferentes tipos de desafios. “A Tasmânia foi um desafio psicológico, a Patagônia foi um desafio físico e a viagem a remo juntou os dois e multiplicou por mil”, conta.

A ideia de cruzar o oceano ganhou força quando o paulistano leu o relato da viagem de Amyr Klink, no livro Cem Dias Entre o Céu e o Mar. “Eu li o livro em três dias. Me fascinei pela ideia de cruzar o oceano a remo porque ele é gigantesco”, relembra. Depois da leitura, ele pesquisou sobre a travessia e percebeu que quase 40 anos haviam se passado desde a expedição de Klink, e que ninguém havia repetido ela. Assim, surgiu uma pergunta que mudaria os próximos anos de sua vida: se eu acho que essa viagem tinha que ser refeita, por que eu não tento refazê-la? Por que não eu?

Foto: reprodução/Arquivo Pessoal

O processo até a partida

A pergunta deixou de ser apenas uma possibilidade e começou a ganhar forma em um projeto que levaria quatro anos até a chegada a Salvador. Nesse período, Raphael construiu o próprio barco, aprendeu a remar e organizou os diferentes aspectos necessários para enfrentar sozinho uma viagem pelo Atlântico Sul.

Para ele, além da preparação física, era necessário antecipar os problemas que poderiam surgir no caminho. “É preciso fazer um projeto robusto. O sucesso desta viagem se dá nos detalhes. Você tem que partir sabendo que cuidou de tudo da preparação”, explica.

A embarcação também foi pensada para carregar um significado pessoal. Batizado de Sater, a escolha veio do cantor Almir Sater, cujas músicas acompanham o engenheiro no dia a dia. A ideia era encontrar um nome que tivesse significado pessoal e, ao mesmo tempo, alguma relação com o mar. Entre as canções que costuma ouvir, algumas dialogavam com a experiência que estava prestes a viver.

Durante esse período, passou a registrar todas as possibilidades e situações que poderiam comprometer a expedição, e o planejamento chegava a ocupar até as noites de sono. “É como se fosse um segundo emprego, eu não tinha tempo para mais nada. Cada vez que surgia alguma ideia na cabeça, eu ia correndo anotar, mesmo de madrugada”, diz o navegador.

A alimentação também entrou na preparação da viagem. Como tinha apenas um rim e enfrentaria uma rotina de esforço físico intenso, buscou adaptar a dieta às necessidades da travessia, recorrendo a alimentos utilizados por atletas de alto rendimento e cafés da manhã reforçados.

136 dias no mar

Com o barco pronto e os preparativos concluídos, chegou o momento de partir de Lüderitz, na Namíbia, rumo ao Brasil, no dia 8 de abril.

A saída aconteceu em uma boa janela de condições, mas logo depois o cenário mudou. Na região da Corrente de Benguela, o aventureiro enfrentou um período de tempestades que considera o pior de toda a viagem. “Eram tempestades de quatro a cinco dias, em que eu tinha que ficar preso dentro da cabine, sem conseguir remar. Não tinha ventilação e era muito úmido”, relata. Quando conseguia voltar aos remos, o avanço era pequeno. “Foi um período difícil porque passei por muitos desafios e perrengues, sem a recompensa de ter progredido”, completa.

Com ondas de até quatro metros, o barco ficava à deriva enquanto Raphael aguardava o fim do mau tempo.“Uma vez que você está dentro de uma tempestade, só pode esperar passar. Não tem muito o que fazer”, explica. Nesses períodos, o diário, os livros e as anotações se tornaram companheiros de travessia.

A escolha das leituras, aliás, havia sido feita ainda antes da partida. Para os longos períodos de isolamento, ele levou obras que já tinha vontade de ler, entre elas Cem Anos de Solidão e A Expedição Kon-Tiki, livro que dialoga com o universo das grandes expedições marítimas.

Após 136 dias cruzando o oceano Atlântico a remo, Raphael chegou a Salvador. A etapa final da travessia exigiu quase 36 horas remando até alcançar a costa brasileira, onde uma grata surpresa o aguardava para coroar o fim da jornada.

Encontros inesperados

Apesar dos momentos de tensão, a travessia também foi marcada por interações com a vida marinha. Entre os momentos mais marcantes da viagem, o navegador menciona os encontros com baleias. “É muito especial estar em um barco tão pequeno, cercado por animais enormes que poderiam destruí-lo a qualquer momento. Mas elas foram muito cuidadosas e não causaram nenhum problema para mim”, conta.

Ele também destaca a recepção que teve ao chegar em Salvador. Amyr Klink estava esperando o aventureiro no fim da travessia, 42 anos depois de ter realizado a mesma rota. “Encontrar o Amyr na chegada foi extremamente especial. Ele me inspirou a fazer essa viagem, e se ele não tivesse escrito o livro e compartilhado a experiência dele, eu não teria feito. Sou extremamente grato”, afirma.

Foto: reprodução/Instagram @amyrklink

A ligação com a aventura de Klink também apareceu antes mesmo de entrar no mar. Já em Luderitz, Raphael encontrou Crispin Clay, de 82 anos, que havia acompanhado a saída de 1984. O encontro trouxe relatos e memórias de uma viagem que, décadas depois, voltaria a ser feita. “Acabei encontrando ele e foi muito especial. Ele tem uma memória lúcida, me mostrou fotos inéditas e lembrava de muita coisa. Foi uma ligação entre as viagens, como se eu tivesse vivido um pouco do passado”, completa.

De volta à terra firme

Depois de 136 dias no mar, o retorno à rotina firme trouxe uma sensação curiosa. Durante a viagem, Raphael conta que a comida era uma das coisas de que mais sentia falta, já que as opções desidratadas eram limitadas e, segundo ele, não eram tão saborosas.

Agora, no entanto, sente saudade dos perigos. “O que eu mais sinto falta é dos desafios que uma viagem dessa proporciona, já que a vida por aqui é de certa forma mais pacata”, relata. O engenheiro ainda completa: a única parte que não faz falta é a rotina de remar entre 10 e 12 horas por dia.

A experiência também provocou mudanças pessoais. Depois de concluir a travessia, sente-se mais confiante e paciente, enquanto o período distante das redes sociais contribuiu para que desenvolvesse mais foco. O isolamento, que poderia ser visto como uma dificuldade, acabou se transformando também em uma experiência de mudança pessoal.

Ao relembrar a experiência, quando Raphael olha para os quatro anos de preparação e para tudo o que aconteceu durante a travessia, não mudaria as decisões que tomou ao longo da expedição.

Apesar de alguns problemas pontuais com fornecedores, considera que a preparação aconteceu melhor do que esperava. “Não consigo pensar em nada que eu faria diferente. Não importa qual decisão você tome, sempre vão existir problemas. Tenho certeza de que, se tivesse escolhido outras alternativas, teria encontrado outros obstáculos”, afirma.

Leia Também: Academia Brasileira de Cinema anuncia os seis filmes pré-selecionados para o Oscar

 

Texto revisado por Crystal Ribeiro

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Spin-off de Bridgerton é anunciado e romance entre Violet e Edmund será o novo protagonista das telinhas

O streaming responsável por uma das séries mais famosas de seu catálogo agora irá apostar em mais um spin-off que já ganhou o coração dos fãs

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Giovanna Lancellotti será Carmen Miranda no cinema

Esmir Filho vai dirigir a cinebiografia Carmen, que será filmada em 2027 nos Estados Unidos e no Brasil

O cinema brasileiro se prepara para um de seus projetos mais ambiciosos dos últimos tempos! A cinebiografia Carmen apresentará Giovanna Lancellotti no papel da eterna Pequena Notável Carmen Miranda.

O longa-metragem vai retratar a trajetória da mulher icônica que foi uma das maiores estrelas de Hollywood de todos os tempos. O projeto surgiu há quatro anos  quando a atriz, que se tornou produtora do filme, ficou fascinada pela personagem e se debruçou em uma minuciosa pesquisa sobre a vida e a obra de Carmen. 

Foto: divulgação/ Bob Wolfenson

Giovanna Lancellotti iniciou as preparações para o filme há dois anos, com um rigoroso e abrangente processo artístico, corporal e de pesquisa. No Rio de Janeiro, tem tido aulas semanais de preparação de corpo e coreografia com Márcia Rubin e Vanessa Garcia, que conduzem um minucioso trabalho para aproximar os dois corpos, da atriz e da personagem, investigando a essência e os afetos que moldam os movimentos de Carmen Miranda. 

Felipe Habib, que assina a direção de performance e preparação musical do longa, realiza encontros semanais com a atriz em intensa preparação de desenvolvimento técnico, ampliando sua extensão vocal e complexidade musical para corresponder  às exigências da personagem. 

Com roteiro ainda em desenvolvimento e assinado por Mariana Bardan e Eduardo Melo, o projeto reúne grandes nomes da indústria audiovisual brasileira e internacional e promete impactar. 

A produção é da Ananã Produções, de Julio Uchôa, da nova iorquina Producing Partners e da GL Filmes, da própria Giovanna Lancellotti. A H2O Produções é  co-produtora. 

A distribuição nos cinemas brasileiros será realizada pela H2O Films. As filmagens serão realizadas nos Estados Unidos e no Brasil, especificamente no Rio de Janeiro, Maricá e em Petrópolis, no segundo semestre de 2027. O lançamento comercial está previsto para 2028. 

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Texto revisado por Gabriela Matuk

 

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Lollapalooza Brasil 2027 revela line-up completo

Edição de 15 anos do festival traz Travis Scott, Charli XCX, The Killers, David Guetta, entre outros para São Paulo

O Lollapalooza Brasil acaba de divulgar, nesta quinta (8), o line-up completo da 15ª edição do festival, que ocorre em 19, 20 e 21 de março no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. 

Entre os headliners estão Travis Scott, Charli XCX, The Killers e David Guetta. Queens of the Stone Age, The Neighbourhood, Fontaines D.C., The Prodigy, Sombr e Mochakk também estão entre as atrações confirmadas no evento.

Confira o line-up completo divulgado:

Lollapalooza Brasil 2027 Line-up
Imagem: reprodução/Lollapalooza Brasil

Entre alguns dos nomes inéditos para o Brasil estão Dominik Fike, Malcolm Todd, Geese, Raye, Slayyyter e Adéla. Cage The Elephant retorna após dez anos, já tendo participado na primeira edição do festival no país em 2012, e em 2017.

Os ingressos para o festival já estão à venda pelo site oficial da Ticketmaster Brasil.

Clientes Bradesco têm 15% de desconto em até dez vezes sem juros. Demais clientes podem parcelar o valor em até três vezes sem juros. O evento oferece 3 opções de ingresso: Lolla Pass, Lolla Comfort e Lolla Lounge, que garantem entrada aos três dias de festival. Os ingressos por dia ainda não foram liberados.

Confira o valor do lote em vigor para o Lollapalooza Brasil 2027, antes das taxas:

Lolla Pista

Inteira: R$ 2.352,00

Entrada social: R$ 1.313,60 

Meia: R$ R$ 1.176,00 

Lolla Comfort

Inteira: R$ 4.822,00

Entrada social: R$ 2.672,10

Meia: R$ 2.411,00

Lolla Lounge

Inteira: R$ 4.872,00

Entrada social: R$ 3.833,60

Meia: R$ 3.696,00

Em entrevista ao Tracklist, Marcelo Beraldo, diretor artístico do evento, comentou sobre a seleção de artistas para a edição deste ano: “É um line-up que responde ao que está acontecendo neste momento, e não ao que funcionou há anos atrás, apesar de também sempre fazermos homenagens. Conectado entre si. Os artistas se conversam. Você vai encontrar pontes entre gerações e entre gêneros que não são óbvias no papel, mas que fazem todo sentido quando você atravessa o Autódromo de um palco ao outro. E, acima de tudo, conectado com o público”.

Para mais informações sobre essa edição do Lollapalooza Brasil, acesse: https://www.lollapaloozabr.com 

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Texto revisado por Gabriela Matuk 

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Entrevista | Danni Suzuki fala sobre identidade, tecnologia e o que ainda nos torna humanos

Em conversa com o Entretetizei, atriz, diretora e autora fala sobre o seu lançamento Humanos do Futuro, os impactos da inteligência artificial, representatividade, espiritualidade e uma carreira que nunca coube em uma única definição

Por muito tempo, parte do público conheceu Danni Suzuki principalmente diante das câmeras. Atriz e apresentadora de uma geração que cresceu acompanhando a televisão brasileira, ela construiu uma trajetória que, vista de hoje, parece difícil de acomodar em uma única profissão. Vieram a direção, o roteiro, a neurociência, as palestras, o trabalho humanitário e, mais recentemente, a literatura. Para Danni, porém, essa expansão não começou quando decidiu procurar novos caminhos. Ela já estava ali desde o início.

Antes mesmo da atuação, seu interesse passava pela animação 3D e por aquilo que acontecia atrás das câmeras: roteiro, enquadramento, construção de personagens e as diferentes formas de contar uma história. Entrar no audiovisual apenas multiplicou as possibilidades. “É impossível entrar num mundo desse tão vasto, com tantas possibilidades, e se interessar por uma coisa só”, afirma. E, quando perguntada se já chegou à linha de chegada, a resposta vem sem hesitação: “Eu nem comecei.”

É justamente desse lugar de curiosidade que nasce Humanos do Futuro: Por Que a Revolução Tecnológica Exige uma Revolução Humana, primeiro livro da artista. Em vez de olhar apenas para o que as máquinas serão capazes de fazer, Danni desloca a pergunta para quem estará diante delas. Identidade, consciência, relações e os limites entre adaptação e perda de autonomia atravessam uma reflexão construída em um momento no qual, para ela, acompanhar a velocidade tecnológica exige também reconhecer que o ser humano tem outro ritmo — um que precisa de tempo, espaço e silêncio.

Em entrevista ao Entretetizei, Danni, que acaba de celebrar a chegada dos seus 49 anos, revisitou mais de três décadas de carreira e falou sobre a relação com o público que cresceu ao seu lado, a influência da neurociência em seu trabalho como atriz, a experiência com refugiados e os caminhos ainda necessários para que a diversidade seja tratada com naturalidade no audiovisual brasileiro. Entre o passado que a tornou conhecida e um futuro que ela mesma admite não conseguir imaginar com clareza, uma questão atravessa a conversa: como continuar sendo humano quando o mundo ao redor muda cada vez mais rápido?

Uma carreira que nunca coube em um lugar só
Foto: reprodução/instagram: @nanda.araujo.fotografia

Antes mesmo de se tornar um rosto conhecido da televisão, Danni Suzuki já se interessava pelo que existia para além das câmeras. Animação 3D, roteiro, construção de personagens e enquadramento faziam parte de uma curiosidade que, com o tempo, encontrou espaço também na direção, na neurociência, na escrita e em outras frentes de atuação. Essa expansão aconteceu diante de um público que também mudou: parte de quem a conheceu em Malhação, há mais de duas décadas, continua acompanhando seus novos interesses e reconhecendo, em outras versões de Danni, alguém que fez parte da própria história

Entretetizei: Você construiu uma carreira de mais de três décadas e, durante muito tempo, foi reconhecida principalmente como atriz e apresentadora. Hoje, seu nome também está ligado à neurociência, à direção, à escrita e ao trabalho humanitário. Em que momento você percebeu que já não cabia mais apenas no lugar em que o público inicialmente havia aprendido a enxergá-la?

Danni Suzuki: Desde aquele momento.

Eu já comecei sabendo que aquilo ali não era só o que eu queria, que eu queria ir muito além. Porque eu sempre tive muito interesse e muita curiosidade de entender todo aquele mundo.

Antes de eu me tornar atriz, eu queria trabalhar com desenho animado, com animação em 3D. Então, eu já me interessava pelo backstage, pelo roteiro, pela construção dos personagens, pelo enquadramento, por como eu iria contar aquela história e pelo próprio trabalho das emoções.

Mas aí, depois, a vida vai te apresentando outros caminhos de chegar até ali, e cada universo desse que você vai entrando é um universo de pessoas, é uma outra tribo totalmente diferente. Os atores, os roteiristas, os diretores, palestrantes, apresentadores de TV são tribos completamente diferentes, são pessoas diferentes, que têm uma rotina diferente, são universos paralelos ali que trabalham para uma única obra. Até o pessoal da iluminação, o cenário, cada um é um mundo muito grande, muito amplo e muito complexo. Então, as pessoas são diferentes, têm características diferentes, objetivos diferentes, é realmente um mundo.

É impossível entrar num mundo desse tão vasto, com tantas possibilidades, e se interessar por uma coisa só, porque tudo é muito interessante.

Então, conforme você tem a oportunidade de ir se expandindo e se experimentando em outras áreas, você vai descobrindo outras habilidades que você tinha, que você não sabia, outros interesses que você nem sabia que existiam, porque você só passa a conhecer realmente quando você entra ali. Porque a gente conhece o mundo do outro muito superficialmente, mas só depois que você entra que você começa a entender como é que aquilo ali funciona.

Eu acho que eu sempre tive essa vontade. Eu sempre achei que eu não caberia. Como hoje, eu continuo sentindo que o lugar que eu quero ir ainda, o lugar que eu quero estar, eu ainda não consigo nem imaginar como é que é lá.

E: Você ainda não chegou à sua linha de chegada?

DS: Não, de jeito nenhum. Eu nem comecei.

E: Existe uma geração que cresceu te acompanhando na televisão e que agora te reencontra falando sobre comportamento, tecnologia e desenvolvimento humano. Como é perceber que, enquanto você se transformava profissionalmente, o público que te acompanha também estava crescendo e mudando com você?

DS: Para mim, é muito gratificante acompanhar e encontrar pessoas que me viam naquela época, uma época em que eu ainda não tinha maturidade para entender nem essa expansão, nem o quanto isso impactava no sentimento das pessoas. E a confirmação é eu encontrar pessoas tantos anos depois — às vezes, que me viam lá na primeira Malhação, 20 anos atrás — que guardam aquela memória emocional de alegria, de divertimento, de inocência, ingenuidade, que eram muito do personagem da época. Era uma época em que a Malhação era muito simples, eram brincadeiras bobas, que a gente fala que eram as brincadeiras de “quinta série” que aconteciam todas naquela época, mas que trazem essa alegria, que fazem parte de quem a gente é hoje.

Então, esse carinho foi trazido até aqui. Isso me reforça ainda mais o que eu estudo tanto dentro da ciência: o quanto os impactos emocionais constroem uma identidade, moldam um caráter e moldam um sentimento que a gente tem por uma pessoa que, às vezes, a gente nem conhece, não sabe da vida individual. Mas como o cérebro ainda constrói a realidade junto com o imaginado, o quanto a gente protege essas emoções e essa imagem que a gente constrói das pessoas, com carinho, com amor, ou com raiva, ou com decepção, conforme aquilo impacta na nossa vida.

A forma  como funciona essa construção humana me interessa muito, até porque ela diverge muito quando você muda de cultura. Pessoas de outro país, que têm uma vida muito diferente, que têm uma experiência de vida muito diferente: como isso impacta e se registra dentro do sentimento de cada um e quanto isso molda o comportamento das pessoas.

Acompanhar essa evolução das pessoas, para mim, é muito cativante — as pessoas que conseguiram perceber, que evoluíram junto comigo. Ao mesmo tempo que tem pessoas que evoluíram e que estão hoje buscando as mesmas coisas que eu estou buscando, que têm ali uma idade próxima à minha ou não, eu vejo também pessoas ainda paradas lá naquela época, ainda vivendo aquilo lá, que vivem com aquele mesmo pensamento. Não só os fãs, como também atores que ainda vivem naquele tempo, ainda estão naquele tempo, vivendo aquela mesma emoção, ainda não evoluíram, não se experimentaram para outras coisas.

Você vai percebendo o tempo de cada um. Não digo que um é certo ou errado, mas é o tempo que cada um precisa estar dentro daquela emoção ainda, vivenciando aquilo. Para mim, hoje, ter pessoas que me acompanharam, que me entendem hoje, que conseguem ver o quanto eu evoluí, o quanto eu amadureci, que elas foram junto, evoluindo, amadurecendo, e que hoje a gente divide as mesmas questões, é muito interessante. Porque é uma troca de quem acompanhou aquilo tudo, que está vendo o mundo por uma outra perspectiva, diferente da minha, mas que está compreendendo o que eu estou falando, que está tendo os mesmos interesses. Então, isso, claro, torna a nossa aldeia muito maior.

E: A identificação do passado permanece hoje porque ela foi evoluindo junto. Isso é bem legal.

DS: Muito. E, para onde a gente vai daqui para frente. Nem eu sei o quanto essas outras pessoas também ainda podem me trazer coisas que vão me revelar caminhos que eu ainda não conheço. Então, acho que hoje a internet dá essa possibilidade de a gente ter essa troca, de a gente ter acesso a essas pessoas, porque, se não tivesse isso, talvez eu nunca soubesse o quanto isso representou para outras pessoas naquela época, o quanto é importante a gente construir personagens assim, para que as pessoas possam realmente se espelhar e seguir um caminho.

Entre a velocidade das máquinas e o tempo humano
Foto: reprodução/instagram: @nanda.araujo.fotografia

Em Humanos do Futuro, a tecnologia aparece menos como destino inevitável e mais como um elemento que exige atenção constante sobre as escolhas que fazemos diante dela. Depois de mais de dois anos de pesquisa e escrita, Danni Suzuki passou a enxergar de outra forma a ideia de controle e os limites da adaptação a um mundo cada vez mais acelerado. Ao mesmo tempo que o digital ampliou seu acesso a pessoas, culturas e conhecimentos, também trouxe novos questionamentos sobre identidade, valores e sobre o que acontece quando a velocidade das máquinas começa a ditar o ritmo da vida humana.

E: Em Humanos do Futuro, você defende que, quanto mais inteligentes as máquinas se tornam, mais humanos precisamos nos tornar. Depois de mais de dois anos escrevendo e pesquisando para o livro, houve alguma convicção sua sobre tecnologia ou comportamento humano que precisou ser desconstruída no processo?

DS: Eu acho que a construção do controle. Por algum momento, eu achei que a gente pudesse ter controle dessa tecnologia, de como a gente deve se comportar.

Hoje, eu entendo que a gente não tem um controle, a gente tem caminhos que a gente pode escolher percorrer e que, desde o momento que você escolhe esse caminho, não significa que você está protegido dentro dali.

Então, é um trabalho. Hoje, tenho clareza de que é um exercício diário que a gente tem que fazer diante dos nossos valores, do nosso comportamento, das coisas que a gente quer para a gente.

Tem que ter muita clareza e tem que ser revisto todos os dias. A nossa identidade tem que ser reconstruída todos os dias, porque a tecnologia veio de uma forma muito massiva, intensa, amplificando tudo com uma velocidade muito estrondosa e numa potência muito grande. Se você não acompanha essa mesma potência, você é levado por ela.

Só que, ao mesmo tempo que a gente entende hoje que tem que acompanhar a potência, a gente também tem a nossa velocidade humana, que é outra, que precisa de tempo, que precisa de espaço, que precisa de silêncio, que não precisa dessa velocidade, que precisa de tempo ocioso para a gente ter o equilíbrio.

Então, hoje, manter esse equilíbrio é um exercício diário para mim. Eu tenho essa clareza e, ao mesmo tempo, entendo que eu preciso também estar sempre aprimorando a minha capacidade de me adaptar e de me preparar para poder acompanhar tudo isso, para também não ter o meu momento “agora, na natureza, vou me ausentar de tudo isso” e, quando eu volto para me colocar em cena, o mundo já está em outro lugar.

A gente tem que estar aqui e lá ao mesmo tempo, se reorganizando espiritualmente, biologicamente para isso, psicologicamente, reestruturando toda a nossa filosofia de vida mesmo, cada vez mais forte dentro da nossa espiritualidade, conectada com a espiritualidade, porque, independente de todo esse movimento, a única coisa que nos difere da máquina é a nossa espiritualidade, é o fato da gente não ser uma máquina, da gente ser um ser espiritual. E isso, para mim, é muito claro. A ciência me traz isso de uma forma também muito clara. Cada vez que eu mergulho dentro da ciência, mais eu entendo que somos seres espirituais e que as coisas estão muito conectadas. E eu acho que, hoje, a tecnologia toma conta da gente de uma forma tão inconsciente dos nossos valores que, ao mesmo tempo que é uma aliada e nos dá velocidade, pesquisa e acesso a pessoas, ela também é muito perigosa.

Porque ela pode te apagar completamente e te fazer sumir com toda a sua identidade. E isso, para mim, é o fator mais importante pelo qual eu me sinto, hoje, na obrigação de compartilhar esses estudos, seja em livros, seja em cursos, em palestras, seja nas minhas obras, escrevendo filmes, séries, e trazer todas essas informações para as pessoas.

E: Você fala sobre consciência digital como algo que vai além de saber utilizar a tecnologia e passa por perceber quem nos tornamos quando estamos diante dela. Quando olha para a Danni que começou a carreira antes das redes sociais e para a profissional que existe hoje, o que a vida digital transformou em você, para melhor e, talvez, para pior também?

DS: Eu acho que ela ampliou muito o meu mundo.

Ela me trouxe acesso a muitas pessoas de outras culturas, que têm outra religião, outra língua, outra perspectiva de vida, outra filosofia, outra forma de ver o mundo, muito diferente. Então, ela me trouxe pesquisas, ela me traz uma atualização o tempo todo de como o mundo está se movendo por todos os lados, todas as possibilidades, traz até as possibilidades irreais, mostrando o quanto aquilo pode nos confundir no futuro.

(Eu) acho que ela me ampliou muito para ver outras coisas. Antes, eu me limitava às minhas viagens, aos meus acessos pessoais, às pessoas, mas, ao mesmo tempo, ela mostra o quanto é perigosa, o quanto é enganosa, o quanto ela pode trazer com muita verdade uma grande mentira e confundir a nossa mente.

Então, hoje eu entendo que tenho que estar aberta a tudo, mas muito atenta aos meus valores pessoais, às coisas em que realmente acredito, ao que realmente move meu espírito.

Se eu perceber, em algum momento, que isso está me desconectando de Deus, eu dou um passo atrás, porque são as clarezas que eu tenho que ter. Assim, acho que, dentro de mim, definitivamente, sou um ser espiritual e estou aqui numa passagem, num processo de aprendizado. Quanto mais eu pesquiso, quanto mais eu estudo, quanto mais eu tenho informações, mais eu percebo que eu nada sei, que as pessoas nada sabem, que toda informação que a gente tem certeza hoje, amanhã já não é mais uma certeza tão absoluta e que a gente tem que estar aberto às novas possibilidades.

Cinco chaves para continuar sendo humano
Foto: reprodução/instagram: @nanda.araujo.fotografia

Entre as reflexões propostas em Humanos do Futuro, Danni Suzuki organiza parte de suas ideias em cinco chaves: identidade, reconexão, sintonia, entrelaçamento e servir. Mais do que conceitos isolados, elas atravessam a forma como a autora compreende a construção de quem somos, nossas relações e a maneira como enxergamos o outro. Talvez por isso, quando convidada a escolher qual delas foi mais importante em sua própria trajetória, Danni não tenha conseguido ficar com apenas uma. Essa mesma busca por compreender o comportamento humano ultrapassou as páginas do livro e chegou também ao seu trabalho como atriz, transformando a maneira como ela lê roteiros e constrói seus personagens.

E: O livro apresenta as Cinco Chaves da Expansão. Se você tivesse que olhar para a sua própria trajetória e escolher a chave que mais precisou desenvolver para chegar à mulher e à profissional que é hoje, qual seria? Por quê?

DS: Difícil, porque eu preciso das cinco. A identidade, eu reconstruo todo dia. E, se eu não tivesse essa reconstrução de identidade, eu certamente não teria chegado onde cheguei. Eu fui definindo as minhas crenças, tendo clareza de quem eu sou, tendo clareza de quem é meu pai, minha mãe, os erros que eles cometeram, o que eu não queria repetir, o que eu queria repetir. Então, isso tudo foi compondo muito quem eu sou, o que eu acho que é válido realmente, o que eu fiz por imaturidade ainda, o que eu queria mudar.

Então, isso me constitui diariamente, define com clareza as minhas escolhas. Mas aí, quando eu passo por uma reconexão — que é uma comunicação com o outro —, esse fato de eu me interessar pela vida do outro, de eu mostrar para o outro que ele é importante, que ele é valoroso, isso é a ponte que eu preciso para chegar a uma sintonia. A sintonia é aquela que eu trago como a terceira chave, que é eu conseguir ver o mundo pela perspectiva do outro, mas não pelo que eu penso do outro, pelo que eu acho. É realmente entrar no mundo do outro e perceber as necessidades dele, necessidades naturais de sobrevivência. Eu entender o mundo pela perspectiva do outro para eu perceber meus próprios preconceitos, meus próprios erros, as minhas dificuldades. Eu percebo que eu conheço muito mais do meu mundo quando eu entro no mundo do outro. Ele sempre me bota em choque, sempre me bota em provação e me faz repensar várias coisas.

E o entrelaçamento, ele vem me deixando a clareza de que a vida não é sobre mim. Estamos todos conectados. Tudo que eu faço vai impactar as pessoas ao meu redor, tudo que as pessoas ao meu redor fazem impacta na minha vida. Então, não adianta eu não me importar com o que o outro está fazendo, achar que não é problema meu, que a vida não é minha. Definitivamente, para mim, com muita clareza, estamos todos conectados. Não só as pessoas que diretamente estão conectadas a mim, mas aquela história “do amigo, do amigo, do meu amigo”. Hoje eu entendo o quanto a gente está numa cadeia de conexão. Somos todos um pedaço de um todo. Somos todos um.

E o servir, que é o que traz realmente o propósito para a minha vida e que traz um significado. Para quê acumular experiências, acumular conhecimento, acumular dinheiro, casa, profissão, uma vida sólida, família? Para quê tudo isso? Se o sentido não for para o servir, para estar aqui pelo outro, para entender que a humanidade precisa avançar junto, para que eu vou querer um monte de coisa se as pessoas ao meu redor não estão adquirindo as mesmas coisas? Elas não vão conseguir me acompanhar. Então, você novamente parte para a solidão. O propósito traz muita clareza da vida, de que a vida não é e nem nunca foi sobre você, ela é sobre nós.

Tudo que eu quero e acumulo hoje para a minha vida é pelo outro. Ninguém quer a casa dos sonhos para morar com um monte de gente insuportável que não tem boas relações. Ninguém quer o carrão do ano se não tiver ninguém para exibir o carrão do ano.

Ninguém quer viajar o mundo sem companhia. Então, o grande segredo da vida está nas relações. Nosso trabalho é uma desculpa para a gente aprender a se relacionar, passar por dificuldades e desafios. A nossa família é uma grande desculpa para a gente entender o quanto a gente permanece ao lado das pessoas que estão ligadas à gente, a gente querendo ou não.

Os amigos, os nossos relacionamentos, tudo é uma grande desculpa para a gente se relacionar. A vida é sobre nós, sobre os seres humanos enquanto humanidade. A gente individualmente, sozinho, acumulando coisas — pode ter casa, helicóptero, ter tudo na tua vida — e sua vida vai continuar vazia, sem um propósito. Então, o servir, essa maturidade, que a gente entende que você pode desenvolver um amor incondicional, não por você, mas pelo outro, ela, para mim, é muito real.

E: Você já contou que a neurociência mudou inclusive a maneira como constrói personagens. Quando recebe um roteiro hoje, existe uma espécie de segunda leitura da Danni pesquisadora, tentando compreender os traumas, crenças e mecanismos daquele personagem que talvez a Danni atriz de alguns anos atrás não fizesse?

DS: Com certeza. Hoje me incomoda muito receber texto quando o personagem não foi construído. Eu fico: “Mas por que esse personagem tá fazendo isso? O que levou a fazer isso?”

Então, quando eu não tenho, eu faço esse exercício de construir um passado, de construir uma justificativa, de construir uma linha para aquilo ali, porque tudo que a gente faz hoje está relacionado aos nossos traumas de infância, às nossas escolhas, ao pai e à mãe que a gente teve, às pessoas com quem a gente se relaciona. A gente é um conjunto de pessoas especiais que fazem parte da nossa vida.

Quando chega um personagem desses, fazendo coisas sem pé nem cabeça, sem uma razão, hoje eu sinto necessidade de buscar essa razão. Tempos atrás, eu simplesmente ia lá e falava o texto da forma mais natural possível porque eu tinha que falar, e também me dava por satisfeita.

Hoje não. Hoje já implico, já fico: “Tá, mas qual o sentido? Se faz isso aqui, tem que ter sentido.” Aí eu começo a procurar justificativa para tudo. Realmente, é o que me faz me agarrar mais ou não àquele personagem, encontrar as modulações de texto que eu quero colocar ali, criar meus subtextos dentro do texto.

E: E se você não fizer, os fãs nas redes sociais vão fazer. Porque hoje em dia os fãs são assim, quando você não encontra o subtexto, os fãs vão encontrar.

DS: E isso não só no subtexto de novela, de série. Hoje, se você não tiver clareza da sua identidade, as pessoas vão definir a sua identidade por você. Elas vão definir o que você é pela forma como elas estão te sentindo, te expressando. E, às vezes, elas acabam numa definição que nem é você. Aquilo nem é a sua opinião, mas ela foi demarcada daquele jeito. Daquele jeito ela foi aceita, e você acaba aceitando porque você se sente pertencente.

Então, hoje, essa construção da identidade é muito frágil diante da tecnologia. A pessoa ganha um dinheirinho e quer ficar com a cara do outro, está todo mundo fazendo a plástica para ficar com a cara igual. Hoje as pessoas perderam a própria autonomia. Você quer o corpo do outro, a roupa do outro, a cara do outro, tudo. Você quer o marido, a família, tudo do outro. Parece melhor. Porque aquilo foi definido assim.

Parece que, se você não se encaixar nesse molde, você não vai ser pertencente, aquela tribo não vai te aceitar. Se a sua opinião não for a mesma que a de todo mundo, você vai enfrentar uma avalanche contra você por causa de uma opinião. E aí a gente acaba se moldando e se tornando uma pessoa que nem a gente é, fazendo coisas que a gente nem gostaria de fazer porque está no clima, porque está precisando se sentir pertencente.

Quando tudo se perde, o que permanece?
Foto: reprodução/instagram: @nanda.araujo.fotografia

Fora dos sets e das pesquisas, o trabalho humanitário também atravessou a maneira como Danni Suzuki compreende o ser humano. O contato com refugiados a aproximou de histórias marcadas por perdas que vão além de bens materiais: deixar para trás um país pode significar também recomeçar em outra língua, outra cultura e, muitas vezes, sem poder exercer a profissão construída ao longo da vida. Diante de pessoas obrigadas a reconstruir praticamente tudo, Danni encontrou uma resposta muito particular sobre aquilo que ainda pode permanecer quando tantas outras referências desaparecem.

E: Seu trabalho com refugiados te colocou diante de histórias atravessadas por perda, deslocamento, pertencimento e reconstrução. O que essas pessoas te ensinaram sobre ser humano que nenhuma formação acadêmica ou experiência dentro do audiovisual conseguiria ensinar?

DS: Eu acho que, quando a gente perde tudo, a única coisa que fica realmente nessas pessoas é a fé. Quando você perde o seu emprego, a sua casa, a sua família, você perde o seu país e vai para um outro país, você tem que começar uma nova língua, a profissão que você tinha não serve mais de nada, você veio com a roupa do corpo, você recomeça a sua vida naquela idade, em um outro lugar, em uma cultura muito diferente, em um mundo completamente diferente.

A única coisa que segura a gente em pé é a fé. A única coisa que sustenta o ser humano em pé ainda, depois de tantas perdas físicas, psicológicas, depois de você perder tudo o que você construiu, onde sua emoção esteve linkada e toda a sua vida virou pó. 

Então, isso, para mim, trouxe mais uma clareza de quanto a gente é um ser espiritual, o quanto o que realmente sustenta a gente, quando você perde tudo, é a sua espiritualidade, a sua força, é aquilo que ninguém pode tirar. É de onde vêm respostas que você não pode explicar, é de onde vem uma força, uma energia de fazer o que você nem sabe fazer, que você vai vir a aprender, vai se propor a fazer.

Diversidade sem precisar de justificativa
Foto: reprodução/instagram: @nanda.araujo.fotografia

Se hoje existe uma preocupação maior em construir elencos diversos, para Danni Suzuki, representatividade também passa pela maneira como esses personagens são inseridos nas histórias. Depois de atravessar diferentes momentos da presença asiática no audiovisual brasileiro, ela percebe avanços, mas questiona uma lógica que ainda trata determinadas identidades como algo que precisa ser explicado pela narrativa. Para Danni, a mudança se torna mais profunda quando diferentes etnias, culturas e sotaques podem simplesmente fazer parte daquele universo com a mesma naturalidade com que existem fora das telas.

E: Você viveu diferentes momentos da representação asiática na televisão e no cinema brasileiros e chegou a um marco com Segredos. Quando olha para personagens que interpretou no começo da carreira e para os espaços que ocupa hoje, você sente que o audiovisual brasileiro realmente mudou ou ainda estamos em uma fase em que determinadas conquistas continuam sendo exceções? 

DS: Estamos numa fase de transformação, mas ainda falta muito para caminhar.

Eu acho que abriu-se mais o espaço da diversidade, essa preocupação de ter um elenco diverso nas histórias, mas ainda existe uma limitação muito grande na construção desses personagens.

Por exemplo, se escrevo uma série agora, e a protagonista é asiática, parece que os canais, os patrocinadores, enfim, quem vai comprar aquela obra precisa de uma justificativa para dizer: “Tá, mas por que a protagonista é asiática? Se não tem nada na história que fale sobre isso. Ela não veio do Japão, não tem uma família asiática?”. Não é. É só um personagem, ela é assim.

Assim como uma série que eu escrevi, em que a protagonista era asiática e a melhor amiga era muçulmana. Por quê? Porque eu tenho uma amiga que é muçulmana e eu quero colocá-la como a melhor amiga. Eu não preciso falar sobre isso, eu não preciso justificar essa amizade, eu não preciso justificar a etnia de ninguém. São pessoas que estão ali e a história que a gente está contando é outra, não tem nada a ver com isso, mas aí fica parecendo que precisa de uma justificativa. Então, é isso que eu acho que ainda é um empobrecimento intelectual, um empobrecimento de criatividade, de não ver realmente essa diversidade acontecer de uma forma natural.

É diferente quando você coloca e justifica por que está ali, de você colocar e, depois de um tempo em que aquilo está ali, em que aquilo vive, aquilo se torna natural para você. Você ter a curiosidade: “Por que está aquilo ali?” sendo que ninguém pergunta: “Por que chove todo dia?” ou “Por que o sol nasce todo dia?”. “Por que está chovendo nessa cena?” Porque tá. Aí eu tenho que explicar por que está chovendo? Porque um dia chove, um dia o sol abre. Eu não preciso ter uma justificativa específica para essa história se não se passa sobre isso.

Então, parece que hoje eu ainda tenho que justificar as diferentes pessoas. E, não só isso, depois ainda falar: “Ah, aqui na minha série eu tenho um negro, um oriental, um indiano, tem sotaque de não sei o quê…”. Parece que, assim estou cumprindo protocolo, está misturado. E o ser humano é tão complexo, a gente é tão misturado. Não existe uma lista de etnias que precisam ser exploradas. São muitas, são muitas personalidades, são muitas pessoas.

O Brasil é uma mistura de sotaques. Quando que você vai ver num filme cada um dos sotaques diferentes? Quando você vai ver cada um de um canto, tudo misturado ali, como é a realidade? Eu vou ali, vou comprar um negócio, encontro um com sotaque diferente, é normal. Cruzo com oriental, cruzo com negro, tudo acontece ao mesmo tempo. Mas, às vezes, ainda parece que, no audiovisual, se acontecer um, tem que explicar: Ah, encontrei no elevador.

E a gente chegou num lugar em que, se acontecer com essa pessoa, “não posso falar certas coisas, que hoje, se eu falar as coisas para essa pessoa, pode pegar mal”. Hoje são tantos os cuidados, é tanta inverdade dentro daquilo que parece que abriu uma diversidade assim: “É diversidade? Vamos colocar, mas vamos proteger para que isso não seja visto”, quando, na realidade, essa proteção não existe. Tem que colocar, tem que viver, tem que sentir, e a realidade é essa. Eu acho que essa verdade ainda falta.

O que fica — e o que ainda virá
Foto: reprodução/instagram: @nanda.araujo.fotografia

Depois de uma trajetória construída entre diferentes profissões, interesses e formas de se relacionar com o público, pensar em legado leva Danni Suzuki menos ao que gostaria de deixar associado ao próprio nome e mais ao que espera despertar nas pessoas. É uma reflexão que também aponta para o futuro. Em meio às possibilidades abertas pelo avanço da inteligência artificial e às discussões sobre os próprios limites da vida humana, Danni se permite imaginar quem será daqui a dez anos — e se haverá escolhas que nenhuma tecnologia poderá fazer por ela.

E: Você passou de uma carreira muito associada à televisão aberta para construir uma presença que atravessa cinema, streaming, direção, educação, causas humanitárias, palestras e agora literatura. Quando pensa em legado, o que gostaria que permanecesse associado ao nome Danni Suzuki para além dos personagens e programas que fizeram parte da sua história?

DS: Eu gostaria que as pessoas lembrassem da sua própria responsabilidade de se tornar um multiplicador do bem, de ser uma pessoa construtora de boas ações, de coisas do bem, de as pessoas terem essa preocupação com o bem.

Parece que é uma coisa antiga, ser do bem ou ser do mal, parece uma coisa básica, mas hoje a gente está precisando repensar em boas atitudes, na preocupação de elogiar uma outra pessoa, de tirar daquela pessoa mais difícil as melhores qualidades, de você fazer esse exercício mesmo da empatia, de se abrir, de estar aberta, na sua vida, a novas possibilidades, a outras opiniões, a análises diferentes da sua, a pessoas que tenham perspectivas diferentes de você, a tempos de vida e de evolução diferentes de você.

Então, essa paciência com o outro, esse interesse pela outra pessoa, de entender que todo mundo é inteligente, todo mundo é importante, todo mundo é valoroso, todo mundo tem coisas boas a se tirar. Tem pessoas que, às vezes, estão só manifestando coisas ruins porque estão só recebendo coisa ruim, estão sendo incentivadas a coisas ruins.

Não que eu não ache que existem pessoas boas e más na sua essência, acredito que sim, mas eu acho que, na grande maioria, somos pessoas boas até onde dá. Várias pessoas que são pessoas boas estão se perdendo desses valores porque estão indo na onda do outro, porque é moda fazer errado, é moda. O outro, que é meu ídolo, que eu gosto da música, que é bacana, fez aquela besteira, então vamos todo mundo fazer, porque está legal, está perdoado.

Então, esse cuidado que eu acho que as pessoas têm que ter de pensar na consequência de cada ação sua, como essa ação vai se reverberar na vida da outra pessoa. Então, essa preocupação, esse cuidado de você ser uma pessoa do bem e multiplicar coisas do bem, eu acho que seria uma coisa interessante. Adoraria que as pessoas, quando pensassem em mim, lembrassem de fazer isso

E: Em Humanos do Futuro, você propõe uma reflexão sobre quem estamos nos tornando enquanto a tecnologia avança. Se pudesse fazer uma única pergunta para a Danni que estará vivendo daqui a dez anos — em um mundo provavelmente ainda mais atravessado pela inteligência artificial —, o que gostaria de perguntar a ela? E o que você teria medo de descobrir?

DS: Uma pergunta que eu já até me fiz agora e que eu penso que vou perguntar a ela daqui a dez anos — porque, com a promessa agora do avanço da inteligência artificial, com a inteligência sintética, com o ponto que a gente está avançando biologicamente, cientificamente, a ponto de a gente questionar hoje a morte, a ponto de a gente questionar se, depois de certo ano realmente todos iremos morrer ou vai haver realmente uma transição da consciência para um outro corpo robótico, humanoide, que vai dar essa extensão de vida — eu me pergunto se eu gostaria de me colocar nesse lugar, de estar aqui ainda.

Se eu tivesse essa possibilidade de hoje transferir a consciência para um outro corpo, se meu corpo já não suporta mais a vida aqui, se eu gostaria de ficar ou se eu respeitaria esse tempo final, esse limite de sair desse mundo e, quem sabe, retornar ou não, ou ir para outros lugares.

Mas, às vezes, eu penso que esse desejo, esse medo de morrer, esse medo de chegar ao fim desse ciclo aqui, para tantas pessoas que querem eternizar, que querem fazer essa transição de consciência para um novo corpo e nunca sair daqui, seria, na verdade, uma grande prisão. Que essa busca dessa liberdade está, na verdade, se prendendo a um fim necessário para a nossa própria evolução.

Então, eu me pergunto se, diante do que vai surgir no mundo, eu vou fazer essa escolha de partir.

Antes de abrir a primeira página
Foto: reprodução/Jornal O Dia

Depois de falar sobre identidade, relações, espiritualidade, tecnologia e os caminhos que ainda imagina para o futuro, Danni Suzuki volta ao ponto que atravessa toda a conversa: Humanos do Futuro não nasceu, para ela, como um livro sobre máquinas. No centro está o ser humano e a responsabilidade de preservar aquilo que considera essencial em meio às transformações tecnológicas. Para encerrar a entrevista, pedimos que resumisse essa ideia em apenas um minuto — como se tivesse uma única chance de convencer alguém a abrir a primeira página.

E: Se você tivesse apenas um minuto para convencer alguém a ler Humanos do Futuro, o que gostaria que essa pessoa soubesse antes de abrir a primeira página?

DS: Eu gostaria que você soubesse que esse não é um livro sobre tecnologia. Esse livro é sobre consciência humana no mundo tecnológico. É um livro que fala sobre você, sobre mim, sobre todos nós, para onde estamos indo.

E esse livro é o que vai te mostrar que o futuro não é o lugar para onde a gente está indo, mas é a frequência que a gente escolhe hoje. Então, esse livro traz as ferramentas que são extremamente importantes para você manter o que você tem de mais valioso nesse momento, nessa grande transição tecnológica, em que a inteligência artificial se potencializa a cada segundo dentro da nossa vida.

O futuro começa no presente

Ao longo da conversa, Danni Suzuki retorna diversas vezes à ideia de que nenhuma transformação acontece de maneira isolada. Tecnologia, identidade, relações e escolhas se atravessam, e pensar sobre o futuro também significa observar com mais atenção aquilo que estamos construindo agora. Se as máquinas continuarem avançando, Humanos do Futuro propõe que a pergunta mais urgente talvez permaneça do nosso lado: quem queremos ser enquanto tudo isso acontece?

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Texto revisado por Marina Barrelli de Carvalho

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